O objetivo deste blog é divulgar toda a minha produção poética, sem prejuízo de continuar a ser postada também no Portal de Poesia Rodolfo Pamplona Filho (www.rodolfopamplonafilho.blogspot.com).
A diferença é que, lá, são publicados também textos alheios, em uma interação e comunhão poética, enquanto, aqui, serão divulgados somente textos poéticos (em prosa ou verso) de minha autoria, facilitando o conhecimento da minha reflexão...
Espero que gostem da iniciativa...

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Equinócio





Equinócio

Rodolfo Pamplona Filho


Março ou setembro:

não importa se me lembro
qual é realmente
o semestre presente
ou a estação do ano!
O fundamental, sem engano,
é aproveitar o momento
em que cessa todo lamento
para apenas presenciar o Sol,
quando ele está mais iminente,
sentindo-se, de novo, gente
e nunca mais se sentir só...


Quito, 03 de outubro de 2013.

terça-feira, 22 de maio de 2018

Meus Direitos...








Rodolfo Pamplona Filho


Desconfie!
Mas desconfie mesmo
de quem não liga
para o contexto
em que está inserido
e só alega o pretexto
de seus direitos
ou da sua peculiar situação...
Há poucas coisas
tão irritantes
quanto quem repete
e exibe
suas prerrogativas,
como se fosse
um passaporte
para o destaque,
que só a si pertencesse,
que só a si fosse importante...
Quando todos tiverem prioridade
- leia-se, privilégios! -
ninguém terá nada...

Salvador, na primeira semana de outubro de 2013, mas pensando no Equador, ou em outras experiências recentes da minha vida...

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Saudade de Casa







Rodolfo Pamplona Filho

Por vezes, tenho vontade de chorar...
Sei o motivo, mas não consigo controlar
Há um vácuo que preenche o que era completo
Uma carência de beijo, dengo e afeto

Não sei o que é pior: a distância ou a despedida;
O romper do contato no momento da partida
Um olhar para trás, um abraço apertado,
um aceno tristonho, um olhar desolado...

Como uma dor machuca tanto sem ferir?
Como dominar o que posso apenas sentir?
A paz é arrancada desde a raiz
Uma marca viva que não vira cicatriz...

Pense duas vezes antes de reclamar
Dos problemas da vida, da rotina do lar...
Há tristeza que ninguém sabe como se mede
Só se valoriza o que se tem quando se perde

A lágrima vem solta e quente
Quem negar isso apenas mente
mas faz bem, porque, como um rio
leva o fel para um outro lado vazio....

A cada alvorecer, há uma nova esperança...
que surge inocente, como sorriso de criança,
mudando planos e rumos, batendo asa,
tudo por causa da saudade de casa...

Ciudad Real, 09 de setembro de 2008

domingo, 20 de maio de 2018

Voando pela primeira vez...





Rodolfo Pamplona


As mãos gelam
As pernas pesam
Sinto um frio na barriga
que nunca senti antes

Embarque encerrado
A porta foi lacrada
Uma voz informa instruções...
...de emergência?

Quero uma mão para apertar,
um ombro para chorar,
um ouvido para gritar
tudo que tenho a relatar...

O motor é ligado...
Vejo a terra tremer...
Tudo começa a se deslocar
Meu Deus, onde fui parar?

Sinto que estamos subindo
Engulo em seco e abro os olhos
Respiro fundo e tomo coragem
de, finalmente, olhar a janela...

E tudo se acalma
com a beleza do mundo diminuindo,
com a certeza de que não estou caindo
com as nuvens do tapete de algodão
com um novo olhar longe do chão

E tudo se acalma
com um horizonte que é uma pintura
com a bonança depois da loucura
com a paz que se tem na altura
com um medo que fácil se cura

Voando pela primeira vez...

Para a menina que sentou ao meu lado, em pleno vôo da Azul, 26/10/2010

sábado, 19 de maio de 2018

Auto-destruição









Rodolfo Pamplona Filho


Chega uma hora em que
seu pai é um estranho
seu irmão, seu inimigo
e você quer ter coragem,
quer acreditar em Deus,
para poder se matar,
mas nem isso você consegue!

É o estupro pelo prazer de ver o medo nos olhos da mulher...
É o cavalo-de-pau em pleno quilômetro de arranque...
É a vontade de cortar os pulsos para ver o sangue escorrer...
É o real apetite por destruição!

É deixar crescer cabelo e barba pela vaidade
de se tornar mais feio ou menos higiênico
somente para ser diferente dos outros.
É um querer-não-querendo que os outros
sintam imensa pena de você
(a piedade é a soberba disfarçada!)
É o orgulho e a dor de ser íntima,
misturados com o desejo de matar alguém
só para sentir como é que é!

Ser doente e doentio,
podre e escorregadio,
escrevendo para não falar,
calando para não amar,
sofrendo para não viver.
É isto que sou: um chato (ou um louco?)

(16.01.92)

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Migalhas de Carinho








Rodolfo Pamplona Filho

Eu mendigo
migalhas de seu carinho
como um cachorrinho
junto de sua mesa,
na esperança de, um dia,
encher minha barriga vazia
e meu coração sedento...

Salvador, 16 de janeiro de 2014

quinta-feira, 17 de maio de 2018

A Mais Linda Noite de Amor







Rodolfo Pamplona Filho

Quero passar a noite com você,
sentindo o gosto bom de sua boca,
respirando o perfume do seu corpo
e acariciando o seu rosto...

Quero segurar firme seus cabelos,
olhando direto em seus olhos,
passando a língua em sua pele
e abraçando forte o seu tronco...

Quero beijar cada parte do seu ser,
até ficar completamente sem ar
de tanto amor, de tanto amar...

E quero terminar esta noite casta
sem me entregar ao desejo carnal,
dormindo em seu seio um sono angelical.

Aracaju, 08 de outubro de 2010.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Benções e Maldições







Rodolfo Pamploma

Benções e Maldições 

Nem tudo permanece...
Na verdade, tudo muda
nem sempre para melhor!
Assim, o que é criado para libertar 
pode ser usado para escravizar.
Quando se esquece 
o sentido de cada ato,
todo importante ritual
apenas massifica 
o que devia ser individual...
Quando não se particulariza,
todos se tornam 
rostos sem nome 
e sem história,
invisibilizando 
em vez de simplesmente ver,
compactua-se
comcoadjuvância,
em vez de tornar protagonista...
Com isso, impessoaliza-se,
reiifica-se, coisifica-se,
mas nunca se envolve.
Sem saber, 
ver ou tocar,
o toque
não há como
não se degenerar...
pois até Benções 
podem se transformar
em Maldições

terça-feira, 15 de maio de 2018

Mãe






Rodolfo Pamplona

Mãe 

Sinto sua falta!
Sinto não mais poder 
-la para passear,
me fazer cafuné,
fugir para comer no Baitakão
ou simplesmente consolar 
o meu choro na solidão...
Sinto não ter mais alguém 
para chamar de baixinha,
carregar nos braços 
ou afogar de abraços...
Sinto não ouvir mais
dizendo que trabalho demais,
que Deus sabe o que faz 
e que tudo fica para trás...
Nem tudo, mãe...
Minha saudade 
e minha lembrança 
não passarão jamais...

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Encontro ao Acaso








Rodolfo Pamplona Filho

O contato segue escasso
meu amor segue ao passo
de um encontro ao acaso
ou um possível abraço

Eu te esperarei sempre
de dia, de noite, como outrora
pois sei que, de repente,
a vida pode sorrir a qualquer hora

E tudo em mim se tornará vida,
quando meu desejo encontrar a saída,
desejarei estar finalmente acolhida,
amada, segura e compreendida.

Salvador, 04 de novembro de 2010.