O objetivo deste blog é divulgar toda a minha produção poética, sem prejuízo de continuar a ser postada também no Portal de Poesia Rodolfo Pamplona Filho (www.rodolfopamplonafilho.blogspot.com).
A diferença é que, lá, são publicados também textos alheios, em uma interação e comunhão poética, enquanto, aqui, serão divulgados somente textos poéticos (em prosa ou verso) de minha autoria, facilitando o conhecimento da minha reflexão...
Espero que gostem da iniciativa...

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Acuado, mas pensando...



Rodolfo Pamplona Filho

Preso, restrito, cercado
Verdadeiramente acuado
Sem noticias
Sem informação
Apenas a tensão
de não poder fazer nada,
mas, mesmo assim, permanecer
em um misto de apoio,
solidariedade e indignação,
não somente com os motivos,
mas com a própria manifestação...
em que o justo pleito
é verbalizado em um grito
há muito reprimido
e que não quer mais calar...
em que o pai quer ensinar
ao filho como reivindicar
e ser finalmente protagonista
de uma sociedade revista...
mas que se sente impotente
diante de quem só quer aproveitar
para vantagem tirar
ou somente barbarizar
e nos colocar a culpa...
A justa medida não é fácil,
pois a justa medida não existe
e o que é mais triste
é ver o combate não à causa,
mas às consequências
de mais de quinhentos anos
de um Estado sem Governo,
de um povo refém do medo,
de um desejo sem ação
de uma nação sem cidadão...

Aeroporto de Guarulhos, noite de 21 de junho de 2013,
tudo pensado,
literalmente parado,
em um quadrado

de espaço recuado...

domingo, 10 de dezembro de 2017

Sobre Sonhos


Rodolfo Pamplona Filho

Já dizia o filosofo:
os sonhos são os rebentos
e botões da imaginação!
Por isto, também têm o direito
de viver sua vida pura...
Sufocar ou deformar
os sonhos da juventude
é destruir a criação
e matar o criador...

Salvador, 13 de novembro de 2013, conversando com a amiga Ezilda Melo

sábado, 9 de dezembro de 2017

Tudo que preciso



Rodolfo Pamplona Filho

Eu não preciso de carros ou de cargos
Eu não preciso de cantos e encantos
Eu não preciso de casas e haras
Eu não preciso de hinos e sinos
Eu não preciso de dinheiro ou espelho
Eu não preciso de estilo ou status
Seu amor é
tudo que preciso
para ser feliz.


São Paulo, 23 de setembro de 2017.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Soneto do Overo



Rodolfo Pamplona Filho

Não importa a altura,
seja alto, médio ou baixo!
Não se trata de tamanho,
mas sim de como em encaixo!

Não se trata de beleza,
posta na cama ou na mesa!
Não se trata de formato,
mas da reação ao contato!

O definitivo segredo
do encanto do overo
é a sua interação,

pois nada nesse mundo
é tão gostoso e profundo
quanto o encaixe no tesão.


Salvador, 20 de agosto de 2017.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Sobre relações e submissões


Rodolfo Pamplona Filho

Não é senhora
Não é patroa
Não é dona

Não é senhor
Não é amor
Não é autor

Ser o bem
de alguém
está além
do que se tem
ou do que se quer...


Salvador, 23 de outubro de 2017.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Sobre Envelhecer


Rodolfo Pamplona Filho

Acho que a gente
tem que envelhecer
ao lado de alguém
que nos dê vontade de viver:
alguém que nos estimule em tudo;
alguém que seja bom estar do lado.
O bom é ter vontade
de sempre fazer mais,
de ser cada dia melhor
e ter alguém
que viaja junto.
Há gente que
nos deixa estacionado:
tanto faz mudar ou não;
vive-se um dia após outro.
Assim, tudo acaba
virando monotonia,
sem graça,
sem vida...
O bom é saber
como e com quem
envelhecer.


Salvador, 20 de agosto de 2017.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Entre Notas

Entre Notas

Rodolfo Pamplona Filho

Hã muito mais Lá
entre um Si e um Dó,
do que possam imaginar
nossas vãs filosofias!
Ou entre o Si e a Dó!
Ou entre o Lá e o Dó maior!
Ou entre o Lá distante do Sol!
Entre Si e Mi, de Ré,
sem Dó, no Sol-Fá!
Lá, distante do Sol,
existe em Mi,
um profundo Dó!
No Ré pensar
do que Fá zer,
penso em Si,
penso em Mi,
penso em nunca mais ser Sol.


Mainz, 02 de maio de 2013.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Sobre a imagem no espelho



Rodolfo Pamplona Filho

Na imagem no espelho,
vejo as roupas combinando
Na imagem no espelho,
percebo os corpos se encaixando
Na imagem no espelho,
há um momento que se eterniza
Na imagem no espelho,
a tormenta vira brisa
Na imagem no espelho,
aprendo sobre a beleza
Na imagem no espelho,
percebo a sutileza
Na imagem no espelho,
descubro com atenção
que, na imagem no espelho,
encontro a perfeição.

Salvador, 20 de agosto de 2017.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Sobre a Dor de Amar



Rodolfo Pamplona Filho

Não devia ser amor,
para sentir tanta dor...
Mas, se não fosse,
talvez nem sequer doesse....
A dor em amar
quem não estar
completo no caminhar
é algo a frustar
Muita coisa doi,
mas deve valer a pena
não querer sair de cena.
Muita coisa doi,
mas existe algo maior
que faz tudo superar!


Salvador, 20 de agosto de 2017

domingo, 26 de novembro de 2017

Sinais do Corpo


Rodolfo Pamplona Filho

Meu coração mandou dizer
que pulsa por você
Minha mente me avisou
para ir com calma
Minha pele sempre sente
falta do seu calor
Meus olhos procuram
cada detalhe de seu corpo
Meus lábios encontram
finalmente o toque dos seus
e, nesse exato segundo,
descubro a felicidade.


Salvador, 20 de agosto de 2017.

sábado, 25 de novembro de 2017

Reflexo


Rodolfo Pamplona Filho

Os olhares se cruzam
No reflexo do vidro da janela

Encontram um ao outro
Na imagem que insiste em aparecer

Descobrem seu destino
no vislumbre do que nunca sequer tocaram.

Aprendem a esperar
o dia em que o virtual vira verdade.

Salvador, 20 de agosto de 2017.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Pêndulo



Rodolfo Pamplona Filho

Só sinto alegria quando te vejo...
E entristeço quando fico longe...
Só descobri o amor quando te vi
e a solidão quando te perdi...

Sou como um pêndulo,
que oscila os lados
do humor e da vida
na tentativa de curar a ferida
de ainda não te ter só para mim.


Salvador, 20 de agosto de 2017.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Momentos de Solidão



Rodolfo Pamplona Filho

Preciso de momentos
de pura solidão,
em que todo sentimento
escapa do coração
para virar poema, lamento
ou mesmo uma canção.

Preciso de instantes
para a respiração
e saber que não é o bastante
para recuperar a inspiração,
quando seguir adiante
é a única solução

Preciso de um tempo
para organização
de todos os pensamentos
que turvam a visão
de quem não perde a esperança
de acalmar seu coração.


São Paulo, 23 de setembro de 2017.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Deixa...


Rodolfo Pamplona Filho

Deixe eu ser seu rascunho,
sua tese, sua canção
Deixa eu ser seu projeto,
seu teto, sua dissertação
Deixa eu ser o seu recorte,
sua sorte, sua afirmação.
Deixa eu ser seu TCC,
sua pesquisa, sua contribuição
Deixa eu ser sua ideia,
sua plateia, sua inspiração
Deixa eu ser a sua obra,
seu trabalho, sua construção.
Deixa eu ser sua hipótese,
seu problema, sua questão.
Deixa eu ser a sua vida,
sua guarida, sua realização.


São Paulo, 23 de setembro de 2017.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

A Diferença que faz diferença...



Rodolfo Pamplona Filho

Sabe qual é a nossa maior diferença?
Você já teve outros amores.
Eu sei que não posso apagar o seu passado.
Eu sei: essa é a sua história
Mas podemos, no presente,
reconduzir o caminho do nosso futuro...
Eu nunca disse para alguém
o que digo para você!
Nunca escrevi, nem expressei
nenhuma forma de amor!
Você é o primeiro e único da minha vida
Sabe aquela frase: eu me guardei para você?
O destino traçou esse meu caminho
e cheguei até você para ser somente sua!
Não fui a primeira, mas posso ser a última.


Salvador, 20 de agosto de 2017.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Sozinho na multidão


Rodolfo Pamplona Filho

Sozinho na multidão
pensando em como seria
se alguém o conhecesse

Sozinho na multidão
sonhando com o dia
em que a história seja outra

Sozinho na multidão
cogitando se vale a pena
tentar conhecer alguém

Sozinho na multidão
mas sem qualquer coragem
de mudar sua situação

Sozinho na multidão
na convicção de que
melhor seria não estar só.


São Paulo, 23 de setembro de 2017.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Sobre Adolescentes



Rodolfo Pamplona Filho

Eu fui
O gordinho que ninguém ligava
O cdf que era explorado
O esquisito que ninguém dava bola

Eu fui
O nerd que era excluído
O punk que era temido
O pobre que era ignorado

Jamais fui
O gostosão que todas queriam
O atleta admirado por todos
O músico virtuoso que encantava

Eu simplesmente fui
a minha visão de gente:
alguém igualzinho aos outros...
mas completamente diferente.


São Paulo, 24 de setembro de 2017.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Professor(a)


Rodolfo Pamplona Filho

Ser professor(a) é ser farol
a iluminar um caminho que,
uma vez aceso,
jamais retornará às trevas.

Ser professor(a) é ser ponte
que aproxima os distantes
e retoma o caminho
da construção do diálogo.

Ser Professor(a) é ser cornucópia
para uma fome
que ele deseja seja sempre
simplesmente insaciável.

Ser Professor(a) é ser flor
que se entrega
para ser parte do livro
da vida de alguém.

Ser Professor(a) é ser tudo isso
e muito mais:
é acreditar e saber
que o futuro de seus alunos
passa por suas mãos...

Salvador, 15 de outubro de 2017, "dia dos professores".

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

O amor é confuso



Rodolfo Pamplona Filho

O amor é confuso.
Se não fosse confuso, não seria amor
Poderia ser paixão. Muito mais simples.
Paixão explode, é intensa.
Quando acalma, acaba.
Pronto, passou.

O amor é confuso.
O amor é tão confuso, que teima em viver
um tempo não vivido.
São as lembranças dos dias felizes,
um planejamento de futuro
e ainda tem o se,
aquele do futuro do pretérito.

O amor é confuso.
O amor não pensa, só sente.
Por não pensar, não tem razão.
Não é certo e nem errado.
Pode ser triste e,
no minuto seguinte,
te deixar em êxtase.

O amor é confuso.
Ficamos admirando
o objeto do nosso amor,
da nossa devoção,
embasbacados,
sem saber se partimos
ou se ficamos.

O amor é confuso.
É difícil viver com ele
É difícil viver sem ele
É impossível não querer vivê-lo.
É impossível passar por ele sem sofrer.

O amor é confuso.
Mas não vale a pena
ter vivido
se não tiver sido experimentado
pelo menos uma vez...

Salvador, 20 de agosto de 2017

domingo, 12 de novembro de 2017

O fim


Rodolfo Pamplona Filho

Não pense que algo termina,
seja uma vida, um emprego
ou mesmo um casamento,
porque outra opção surgiu.
Se for por isso,
sempre haverá
outro olhar a comparar.
Só se termina algo
porque não tem mais
como continuar.
Termina-se algo
porque as coisas mudaram,
sentimentos se transformaram,
o mundo efetivamente girou...


Salvador, 30 de setembro de 2017.

sábado, 11 de novembro de 2017

Mulher Brasileira



Rodolfo Pamplona Filho

A mulher brasileira batalha
e enfrenta a luta diária.
Ela não tem medo da vida.
Ela não tem medo de nada.
Ela não quer pena
ou condescendência:
ela só quer respeito
e consciência
para construir seu caminho
e conquistar seu espaço
Marias, Helenas,
Fernandas, Marinas,
Moanas, Cecílias,
Marianas, Luizas,
Julianas, Emilias,
Marcellas, Patrícias,
Cristianes, Renatas,
Alines, Cristinas
Todas elas guerreiras
Todas elas meninas
Todas elas mulheres
Todas elas humanas.

Salvador, 04 de agosto de 2017.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Histeria



Rodolfo Pamplona Filho

Uma multidão reunida
esperando a chegada
do amado protagonista

Olhares fascinados,
apenas vidrados
para não perder nada.

Como se algo pudesse
realmente ser perdido
em uma fração de segundo.

E chega a hora!
gritos na expectativa
e na efetiva entrada

O Culto começa:
Palavras de ordem
expressas em Canções

Palmas e Coros
Brados e Braços
levantados na Catarse

Luzes e som
em todos os lados
e em cada canto...

Na Adoração,
pouca diferença há
entre Sacerdotes, cantores
ou líderes políticos:
Tudo coopera para
a manifestação da histeria.

São Paulo, 23 de setembro de 2017, assistindo um show...


quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Eu só quero que você me ame...




Rodolfo Pamplona filho

Eu só quero que você me ame...
E que não fique me batendo...
E não fique desconfiando de mim...
E não interprete cada ato meu
como se fosse algo contra você...

Eu só quero que você me ame...
Eu só quero amor somente...
E que não desconte em mim
por coisas que eu não fiz
ou nem sei o que é...

Eu só quero que você me ame...
E que não me maltrate...
E nao ache que todo comentário meu
seja uma crítica ou acusação
que exija defesa ou ser rebatida...

Eu só quero que você me ame...
Amor para sempre...
Amor pungente...
Amor fervente...
Amor decente...

Eu só quero que você me ame...
Amor urgente
Amor bem quente...
Amor somente...
Somente amor.

São Paulo, 23 de setembro de 2017.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Declaração de Paternidade



Rodolfo Pamplona  Filho

Reconhecer
a paternidade
é mostrar ao mundo
a verdade
de que todo homem
pode se projetar
além do fim
da sua própria vida.

Aceitar
a paternidade
não é capitular
de uma luta,
mas sim vivenciar
o doce sentimento
que faz superar
qualquer sofrimento.

Assumir
a paternidade
é mais que garantir
o papel passado:
é viver
o papel presente
e saber
seu papel no futuro.

Salvador, 19 de setembro de 2017.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Arquitetura de Impacto


Rodolfo Pamplona filho

Paralelas
Iluminações
Passarelas
Calçadões
Subterrâneas
Construções
Contemporâneas
Inovações

Toda mudança choca,
pois o apego à segurança
 do que se passou
(e não voltará jamais)
termina por travar
o avanço ou evolução
do que veio para ficar
e não apenas ser saudade.

Seja a pirâmide
para o Louvre
ou Chagall para o teto
da ópera de Paris,
o que é novo
gera repulsa
de quem vive a nostalgia
e não vê a realidade.

Seja no Porto
ou em Salvador,
novas tecnologias
sempre terão um opositor,
pois a essência
da resposta natural
a qualquer mudança
é a negativa total.

Mais difícil
do que transformar
é conseguir superar
a resistência,
pois nem todos percebem
que simplesmente mudar
pode ser a única forma
de sobrevivência.


Salvador, 20 de agosto de 2017.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Do Ausente aos Presentes


(Discurso como Patrono dos Formandos em Direito da UniNassau 2017.1)
Rodolfo Pamplona Filho

Do Ausente aos Presentes,
transmito a saudação
de quem queria cantar a canção,
mas não pode esperar
ver a banda passar...

Do Ausente aos Presentes,
mando um forte abraço,
daqueles que parecem um amasso,
de quem sonhou o momento
de dividir todo o sentimento.

Do Ausente aos Presentes,
registro a minha alegria
de, em excelente companhia,
ter sido homenageado
para este momento encantado.

Do Ausente aos Presentes,
lembro que patrono é
quem se conta para o que der e vier,
sendo o exemplo e o defensor
daquele que o homenageou.

Do Ausente aos Presentes,
faço a solene promessa
de que tudo que interessa
no decorrer de sua trajetória
terá minha presença compulsória.

Do Ausente aos Presentes,
agradeço a honra imensa,
verdadeira recompensa
para um magistério não presencial
de livros, palestras e mundo virtual.

Do Ausente aos Presentes,
deixo a inabalável certeza
de que mesmo não estando na mesa,
estou aqui de outra forma,
sem burlar qualquer outra norma.

Do Ausente aos Presentes,
apresento meu compromisso
de que jamais serei omisso
na caminhada a seguir


por onde o destino nos unir.

Do Ausente aos Presentes,
trago a mensagem
de que o mundo pede passagem
e que não se pode perder
a razão da sede de viver.

Do Ausente aos Presentes,
canto que é preciso
estar de sobreaviso
para as surpresas e armadilhas
que nos esperam a cada trilha.

Do Ausente aos Presentes,
ensino a derradeira lição
de que a flor sobrevive ao canhão
e de que a poesia tem mais verdade
do que todas as leis da humanidade.

Do Ausente aos Presentes,
aconselho a cuidar mais da alma,
pois tudo mais vem com calma
e o mundo é por demais cruel
com aqueles que somente fazem seu papel

Do Ausente aos Presentes,
oriento que não se deve perder
a oportunidade de dizer
que só o amor nos diferencia
de quem apenas espera o fim do dia.

Do Ausente aos Presentes,
choro o meu lamento
da impossibilidade de comparecimento
para estar na retina e na fotografia
da recordação de sua biografia.

Do Ausente aos Presentes,
espero que este poema
seja, então, a minha recordação
para guardar no ecossistema
do fundo do seu coração.

Declamado em 21 de outubro de 2017, em Salvador/BA.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Álbum de Figurinhas



Rodolfo Pamplona Filho

Como se diz a alguém
que ela não é mais o seu bem?
Como se faz para falar
que é o momento de separar?

A vida a dois
é um álbum de figurinhas...
A cola une
para ser eterno,
mas, com força,
dá para retirar...
mas sempre fica um pouco
do álbum na figurinha
e da figurinha no álbum...

Como se comunica
não se querer mais dividir a vida?
Como se rompe
o que era para sempre?

A vida a dois
é um álbum de figurinhas...
O tempo esmaece
o que era vivo e viçoso
e o que já foi muito gostoso
pode continuar assim
ou mudar o tom
para um quadro sem cor
ou um filme sem som...

A vida a dois
é um álbum de figurinhas...


Praia do Forte, 8 de setembro de 2017.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

A Loirinha do Show



Rodolfo Pamplona Filho

Lábios vermelhos de batom
Cabelos longos como um cometa
Corpo balançando com o som
Olhos azuis como bola de gude

Roupa preta para combinar
com a pele Branca a ostentar
uma tatuagem de uma rosa
como a pedir um cheiro

Rebola como uma deusa
Grita como uma louca
Chora como se sofresse
Canta como se a ouvissem no palco

Um corpo torneado na academia
Um sorriso que derruba um exército
Pernas que parecem dois colossos
E uma boca que causa alvoroço

Eu nunca vou saber seu nome
Eu nunca vou segurar sua mão
Mas vou lembrar em cada sonho:
a loirinha do show...

São Paulo, 24 de setembro de 2017.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Resolução de Vida Nova


Rodolfo Pamplona Filho

Cansei!
Resolvi lutar!
Daqui em diante,
tudo vai mudar!

Quero me relacionar
com quem me olhe nos olhos
e me identifique pelo nome,
não por um número de RG, CPF,
Cartão de Crédito, CTPS,
Passaporte ou PIS/PASEP.

Eu não quero viver
com quem me pergunta como vou
e não presta atenção na resposta;
com quem arrota uma grandeza
que não é e que não tem
(como se ter algo engrandecesse alguém...)

Eu não vou fazer mais
o que não me dá prazer,
o que não me cause risos ou lágrimas,
o que não me dê vontade de repetir,
o que não me dê frio na barriga,
o que não me faça me sentir vivo...

Eu não vou mais dinheiro guardar,
como se não fosse feito para gastar...
Eu não vou me poupar
de um sabor experimentar,
de ver um filme ou curtir um show,
ou de viajar e conhecer um lugar...

Eu não vou mais tolerar
gente mal-amada e mal-comida,
que desconta seus complexos
em que está à sua volta
como se culpados fossem
da sua esperança nascer morta...

Eu não vou mais ouvir
gente que precisa, dos outros, falar mal,
que destila seu veneno ou afia suas garras
em resenhas que não constroem nada amado:
não andarei segundo seus conselhos,
não me deterei em seu caminho, nem me assentarei ao seu lado...

Jamais esquecerei
que a história é um livro aberto,
cujas páginas, porém, não se pode voltar,
mesmo quando se quer reescrevê-las,
pois palavras proferidas são flechas desferidas,
que não voltam, mesmo quando miram estrelas...

Não deixarei anestesiar
minha capacidade de me indignar...
Não descansarei...
...até você também se empolgar...
Vou viver como sempre quis...
...minha resolução de vida nova é ser feliz!

João Pessoa, 19 de julho de 2010.

domingo, 22 de outubro de 2017

Renascendo das Cinzas (soneto)


Rodolfo Pamplona Filho

Como é bom experimentar
a paz e o imenso prazer
de, depois de muito chorar,
no meio das cinzas, renascer...

Se é certo que, após a tempestade,
o sol resplandece mais claro
e que, chegada a maturidade,
o tempo se torna mais caro,

não há melhor sensação
do que se descobrir vivo,
forte, disposto e ativo,

para cantar nova canção
e, tal qual Fênix pulsante,
gozar, da vida, cada instante.

Praia do Forte-Iberostar, 10 de março de 2012.

sábado, 21 de outubro de 2017

Sobre Traumas


Rodolfo Pamplona Filho

Com sinceridade e amor,
digo, sem pudor:
nao se apaga o que se viveu.
Se o trauma ocorreu,
é preciso enfrentá-lo,
sem menosprezá-lo,
com coragem e candura,
assumindo nova postura,
sem temer a luta
ou a força bruta,
para aproveitar o presente,
sem medo ou receio,
e enfrentar o amanhã iminente,
independente do meio
ou do instrumento
que se use, de verdade,
para cessar todo lamento
e vencer a vulnerabilidade.
Para superar um trauma,
é preciso renovar a alma,
sabendo que a tristeza
é normal em qualquer mesa,
mas que o mais importante
é saber caminhar adiante,
pois uma alegria está defronte
a você, em um novo horizonte,
que somente vai achar
quem resolver a vida encarar...

Praia do Forte-Iberostar, 11 de março de 2012.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

GILDETE



GILDETE

Rodolfo Pamplona Filho

Gente muito boa e competente
Inteligente e diligente
Ligeira, tenaz e cuidadosa
Deus mandou para nos abençoar
Ela é absolutamente DEZ
Topa tudo todo tempo toda vez
Ela é Gildete, nosso anjo particular.

Praia do Forte, 20 de fevereiro de 2012.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Provar a Dor



Rodolfo Pamplona Filho 

Ver-te no provador
é provar a dor
de não ter-te,
mas entreter-te
para provar que a dor
verte a cada ver-te
sem ter-te,
na vertente
de ter uma prova
de que serei só teu.

Salvador, 06 de abril de 2017.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Carinho



Rodolfo Pamplona Filho

Preciso demais
Preciso de mais
Preciso de monte
Preciso para ontem...
Preciso para frente...
Preciso para sempre...
Preciso loucamente
Preciso serenamente
Preciso não ser mais sozinho
Preciso imensamente de carinho.

Salvador, 31 de julho de 2012.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Trabalho denso, tenso e intenso


Rodolfo Pamplona


Densidade
como algo cada dia
mais profundo,
em que se cai
sem saber se e quando
se alcança o fundo.

Tensão
como algo que não desliga,
pois, a cada momento,
tudo pode mudar
com um acidente, uma chamada
ou um novo elemento.

Intensidade
como algo que nunca cessa,
pois a opressão
castra a iniciativa,
limita a perspectiva
e cala a opinião.

É preciso aprender
a finalmente sobreviver
à benção convertida em maldição,
ao prêmio que virou castigo
do trabalho denso,
tenso e intenso

São Paulo, 21 de junho de 2016.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Ele sabe que nunca serei ela


Rodolfo Pamplona Filho 
Eu o perdoo
por ter medo
Eu não perdoo
por ser covarde
Eu não resisto
a me entregar ao prazer
do seu corpo
só para me divertir
e me perco
na armadilha do amor

Se eu fosse ele,
eu nunca me deixaria ir...
Mas não sou...
Eu deveria parar
de lembrar que
nunca serei ela

Odeio amar você
Não consigo colocar
mais ninguém
acima de você...
Completamente sozinha,
As vezes você me mata lentamente...
Talvez o erro seja meu
Eu só queria ser feliz...

Salvador, 17 de abril de 2017.

domingo, 15 de outubro de 2017

Amor e Dor

 

Rodolfo Pamplona 

Falar de amor
muitas vezes
invoca um bordão 
ou uma rima pobre...
como se não houvesse
outra parelha para amar 
que não seja sofrer...
A saudade faz parte 
da vida de quem ama,
como o sono para a cama,
o teto para a casa
e o vento para a asa...
Amar é muito bom, 
mas também dói
Antes de amar,
preferia viver 
sem sentir dor...
Hoje acho melhor 
sentir dor 
do que não 
conhecer o amor...
As vezes acho que 
poderia simplificar tudo...
Bastava não amar...
Por que precisar 
tanto de alguém?
Não sei porque,
mas sei que 
preciso e muito...
Achava que não precisava
de nada, mas descobri 
que não sei ficar sem você...
Amar não é voluntário...
Se fosse, seria mais fácil...
E nunca se tem 
por inteiro:
sempre uma parte!
Para qualquer outra coisa,
seria muito pouco,
mas, para o amor,
cada segundo é 
uma eternidade,
seja na distância,
seja na intensidade...
Como saber o que fazer?
Não precisa saber... 
Basta sentir, amar e viver...

Boston, 29 de junho de 2016.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Momentos Felizes


Rodolfo Pamplona Filho

Não dá para ser
feliz o tempo todo,
nem acreditar que
é para sempre
a felicidade que contagia
aquele que está curtindo...
O importante é
saber viver
os momentos felizes
ou, ainda mais,
saber extrair,
tal qual Poliana,
a alegria de cada instante,
como a água de um cactos
ou um suco de uma fruta
que já passou o tempo
de ser comida...
É preciso aproveitar
os momentos felizes...

Puerto Varas-Chile, 02 de julho de 2012.

domingo, 1 de outubro de 2017

Sobre Traumas


Rodolfo Pamplona Filho

Com sinceridade e amor,
digo, sem pudor:
nao se apaga o que se viveu.
Se o trauma ocorreu,
é preciso enfrentá-lo,
sem menosprezá-lo,
com coragem e candura,
assumindo nova postura,
sem temer a luta
ou a força bruta,
para aproveitar o presente,
sem medo ou receio,
e enfrentar o amanhã iminente,
independente do meio
ou do instrumento
que se use, de verdade,
para cessar todo lamento
e vencer a vulnerabilidade.
Para superar um trauma,
é preciso renovar a alma,
sabendo que a tristeza
é normal em qualquer mesa,
mas que o mais importante
é saber caminhar adiante,
pois uma alegria está defronte
a você, em um novo horizonte,
que somente vai achar
quem resolver a vida encarar...

Praia do Forte-Iberostar, 11 de março de 2012.

sábado, 30 de setembro de 2017

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Bom dia, flores do dia! (Soneto)



Rodolfo Pamplona Filho

Como é bom celebrar
a chegada de um novo dia,
sem esconder a alegria
de os amigos reencontrar!

É maravilhoso ter o prazer
de, a cada manhã, saudar
aqueles que saem para trabalhar,
estudar ou simplesmente viver

Se houve tristeza no dia anterior,
pense apenas que já passou,
pois todo mal se esvazia

quando um sorriso ilumina a face
e a frase mais linda nasce:
"Bom dia, flores do dia!"


Guayaquil, 01 de outubro de 2013.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Diálogo em Baianês


Rodolfo Pamplona Filho

Ó o auê aí ó!
Digaí!
Você está por cima da carne seca, véi!
Colé, véi! Você vê os pulos que dou, mas não vê os tombos que tomo...
Você é que é de fritar bolinho e beber o caldo...
Não acerte seu relógio pelo dele, pois, na hora do vamos ver, todo mundo se pica...
Valeu, véi! Vou chegando...

Puerto Varas-Chile, 02 de julho de 2012.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Vida




Rodolfo Pamplona Filho

O passado é verdade concretizada.
O presente se acompanha.
O futuro se constrói...

Salvador, 23 de março de 2014

O Canto da Chuva


Rodolfo Pamplona Filho

Escutar
o canto da chuva
é um bom tema
para um poema

Conhecer
a melodia
dos pingos que surgem
em poças de nuvens

Descobrir
a harmonia
da lágrima e da água
que limpa toda mágoa

Solfejar
uma linda linha
que será a trilha sonora
da mudança de uma hora.

MannHein, 29 de abril de 2013,

pensando em um papo via What's up em 20/04/2013.

domingo, 24 de setembro de 2017

Soneto da Interpretação da Poesia






Rodolfo Pamplona Filho

O poema não pertence ao poeta,
mas, sim, ao mundo que o interpreta.
Por isso, qualquer explicação
é pura e simples reflexão

sobre qual era a proposta,
que, originalmente, havia sido posta
para fazer a construção
de uma nova manifestação.

Mas qualquer conjectura
nunca será realmente pura
para quem conseguiu se envolver

nas palavras lançadas ao vento,
buscando novo alento
na sensibilidade de cada ser.

Na Ponte Aérea Recife-Salvador, 26 de novembro de 2011.

sábado, 23 de setembro de 2017

Rompendo o Silêncio



Rodolfo Pamplona Filho

E dou-lhe uma!
É preciso resistir!
E saber que,
por mais que as nuvens
cubram o horizonte,
as estrelas continuam lá!

E dou-lhe duas!
É preciso repetir!
E mostrar que
um raio pode acertar
o mesmo alvo
seguidamente!

E dou-lhe três!
É preciso insistir!
E romper qualquer barreira
que os amantes do atraso
tenham tentado impor
como uma maldição.

E dou-lhe uma...
duas... três...
E que o triunfo inspire
para que o vencedor respire
e retome o caminho de glória,
em que se construiu a sua história.

No aeroporto de Guarulhos, 14 de setembro de 2014, para K9 e Maxi.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Doação do seu eu



Rodolfo Pamplona Filho

É preciso aprender
a doar não somente
o que se tem,
mas, principalmente,
o que se é...
Dar de si
sem pensar em si...
Quem não vive para servir
não serve para viver...
Quem não entrega
seu próprio eu
não sabe o motivo
pelo qual viveu...



Salvador, 16 de janeiro de 2014, pensando...

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Refazendo a História



Rodolfo Pamplona Filho 
Zuckember​
é Gutemberg ​
A internet​
é a imprensa​
O fundamentalismo​
é o nazismo​
O feminismo ​
é o comunismo
Michael Jackson​
é Elvis Presley​
Câncer ​
é a tuberculose ​
Alzheimer​
é a lepra ​
Ser branco​
é ser judeu
Steve Jobs​
é Karl Marx​
Honestidade ​
é virtude​
Deus​
é o dinheiro​
O anticristo ​
é o próximo.

Sábado, 20 de agosto de 2016,  literalmente no voo para São Paulo.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Alegria


Alegria

Rodolfo Pamplona Filho
Alegria
é ver a luz do dia
iluminar os seus cabelos
enquanto passo os meus dedos...

Alegria
é olhar a cama vazia,
mas chorar de felicidade
apenas por saudade...

Alegria
é desprezar a alma fria,
pois um mundo de agonia
não me incomodaria...

Alegria
é ter sua companhia,
pois sua presença ilumina
qualquer momento de minha vida.

Salvador, 12 de maio de 2012.