O objetivo deste blog é divulgar toda a minha produção poética, sem prejuízo de continuar a ser postada também no Portal de Poesia Rodolfo Pamplona Filho (www.rodolfopamplonafilho.blogspot.com).
A diferença é que, lá, são publicados também textos alheios, em uma interação e comunhão poética, enquanto, aqui, serão divulgados somente textos poéticos (em prosa ou verso) de minha autoria, facilitando o conhecimento da minha reflexão...
Espero que gostem da iniciativa...

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

O Tempo é o Senhor da Razão


O Tempo é o Senhor da Razão

Rodolfo Pamplona Filho
Quantas vezes eu gostaria
de alterar a ordem do dia
e poder fazer de forma diferente
o que encontro no tempo presente.

Vejo como eu poderia encontrar alegria
onde, hoje, só vejo melancolia
e descobrir uma felicidade
que perdi pouco a pouco com a idade...

Será que é possível mudar
opções que fiz no caminhar
por não saber o que me esperava
ou o que na minha vida faltava...

Como eu poderia saber ou prever
que o destino reservaria novo prazer,
encontrando novo sentido no viver
e uma forma alternativa de ser...

Ainda terei coragem para novo desafio?
Ainda enfrentarei tudo com brio?
Conseguirei ser outro alguém?
Encontrarei um mundo além?

Dúvidas são uma constante
em uma mudança tão fulminante
e o receio não é uma temeridade
no encontro da essência de verdade!

Conheço o que já tenho e não é perfeito!
Sei o que quero e o que não mais aceito!
A esperança é o gás da Transformação
e o Tempo é o Senhor da Razão...
São Paulo, 20 de novembro de 2010.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Atraverssiamo


Atraverssiamo

Rodolfo Pamplona Filho
Fiquei angustiada
ontem a noite...
Vi-me no filme com você...
a velha história dos "desaparecidos"...

Viajar, conhecer outros lugares,
sempre ao seu lado e de forma leve...
acho que nós nos divertiríamos
até mesmo pelo prazer de estarmos juntos...

Você, metódico
e eu, completamente louca...
bagunçando seu dia.....
"dolce fare niente"...
essa é a nova lei...

Uma coisa é certa.
Nunca me senti tão dependente
de alguém como estou com você,
no sentido bom da palavra.

Eu respiro você, sinto você, sonho com você,
durmo com você, acordo com você...

Para não pirar,
apenas penso que,
se a vida nos deu esse presente,
é porque gostamos de viver e,
com certeza, ela quer que fiquemos juntos...
senão tudo já tinha sido o suficiente
para a nossa separação...

"a vida gosta de quem gosta dela"...
ouvi isso ontem no filme
e sorri sozinha,
pois achei perfeito para nosso amor...

Vamos viver bem...
mesmo que dessa forma meio tortuosa.
Não vamos complicar, nem cobrar...
simplesmente vamos viver juntos.

Felizes e plenos
por termos um ao outro.
A angústia faz parte para ambos...
é uma doença recorrente....
mas essa dor, essa doença,
sempre terá remédio.
E quando a saudade apertar
saberemos como achar um jeito de resolver...

E sabe porque parece
que estamos há muitos anos juntos?
Porque, na verdade, isso tudo que sentimos
foi sempre o que desejamos...
Então não nos parece que
esse sentimento seja atual ou efêmero...

Eu estou disposta a arriscar...
a me machucar,
a sofrer de saudade,
a amar com lealdade,
a ser sua até morrer...
mesmo que você arranje outras,
que você deixe de me amar
e me querer perto,
que você fique puto comigo
quando eu estiver com TPM...
mesmo sem alternativas concretas
de vivermos fisicamente colados....
eu quero viver com você....

"... se perder o equilíbrio no amor
faz parte de ter uma vida equilibrada...",
"... atraverssiamo ..."
Salvador, 14 de outubro de 2010.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Êxtase


Êxtase

Rodolfo Pamplona Filho
Meu corpo treme em Meca
e eu nem sequer me mexo...
Minha boca abre e seca
de tanto conter meu desejo...
A sensação de estar em sua vida
toma todo meu pensamento
e faz com que toda despedida
seja sempre um lamento.

Mal acostumado
Eu realmente estou
Completamente arriado
pelo seu amor
Nunca estive tão apaixonado
e completamente a seu dispor,
futuro, presente e passado,
entregues a quem me despertou

para uma relação de entrega total,
para um gozo abundante incondicional,
para uma sensação de êxtase profundo,
para um novo olhar para o mundo.
Praia do Forte, 13 de novembro de 2010.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Bombas de Hormônios


Bombas de Hormônios

Rodolfo Pamplona Filho
Como alguém doce e amada
pode ficar rude e interesseira?
Como uma criatura delicada
pode se tornar tão grosseira?
A alternância de humor
é tão grande e irritante
quanto à falta de amor
que, de forma chocante,
demonstra aos que estão
ao seu redor e disposição...

Nada lhe agrada ou lhe traz ganho,
senão simplesmente se isolar
em seu mundo estranho,
secreto e particular,
que ninguém é tacanho
o suficiente para entrar,
pois inexiste humano bom bastante
para levar sua vontade adiante.

Nem a temperatura ambiente
é adequada ao seu prazer:
tudo é muito frio ou quente,
nada presta para seu ser...
já que tudo é ruim demais:
nada verdadeiramente a satisfaz...

É preciso muita paciência
para não perder o controle,
pois o nariz empinado e impertinência
beiram o total descontrole.
O quer dizer da sua auto-suficiência?
É incrível como sabe todas as respostas
para perguntas que a adolescência
há muito deu as costas...

Que mico! Que porre! Que saco!
Ouve-se isto de modo profundo!
Como se fosse normal tudo ser chato
e ser o único incompreendido do mundo!
Será que, um dia, isso vai passar?
Serão exorcizados seus demônios?
Meu Deus, como é difícil lidar
com estas bombas de hormônios!
Praia do Forte, 15 de novembro de 2010,
sobrevivendo a uma adolescente na TPM.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Reencontro


Reencontro
Rodolfo Pamplona Filho

Hoje à noite...
mantive meu olhos fixos nas possibilidades dos meus sentimentos
descobri entre conversas poucas que o amor é amplo e que tudo acalenta
me sinto abraçada através dos pensamentos
e neste momento nada mudaria...

Hoje à noite...
não tenho mais dúvidas
que os caminhos escolhidos mudam como o vento
e que através de soluços e risos
o destino nos presenteia.

Hoje à noite...
vou calar e ficar quieta
esperando que um novo dia comece
para que nosso cuidado volte a nos preencher.

Hoje à noite...
Procuro uma resposta para perguntas que não consigo formular
Penso em tudo que vivi e como tudo poderia ter sido
Quero acreditar que o caminho foi o correto
e neste momento nada mudaria...

Hoje à noite...
não tenho mais dúvidas
de que é possível um novo caminho
paralelo ao já traçado que
o destino nos presenteia.

Hoje à noite...
continuarei descansando em paz
na certeza de que vale a pena esperar
para que nosso cuidado volte a nos preencher.

O cuidado em suas palavras
me faz respirar com fadiga
e mostra quanto eu me vejo em você
me deixa segura

A estrada finalmente nos achou
por vezes tortuosa e depressiva
e que nos retirou o chão
quando mais precisávamos

Não penso no perigo
de ter-lhe perto
de que não é errado
ter uma vida pra você
e flutuar por sonhos impossíveis

O cuidado nas palavras sempre se deu,
pois necessário para não machucar
a planta que nasceu ou renasceu
sem ninguém sequer esperar...

A estrada que fez nossos nós
é a mesma estrada que sempre trilhamos
e que não tomou decisões por nós,
mas que, por ela, caminhamos...

Haverá sempre um perigo concreto
de pensar não estar sendo correto
mas não há certo ou errado
quando o impossível é tentado

Se será somente platônico, eu não sei...
Só sei que tem me feito bem...
talvez o destino seja somente emocional
e o encontro eventual ou ocasional...

Isso pouco importa, de fato,
pois o mais relevante retrato
apagou a minha inaptidão do passado
ou imaturidade no contato

Quem disse que o sonho é impossível?
O sonho é sempre real.
Se a realidade não nos é factível,
que o seja o amor espiritual...

FIM?
Início...

Salvador, 10 de setembro de 2010, dialogando sobre passado, presente e futuro...

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Soneto da Retomada


Soneto da Retomada

Rodolfo Pamplona Filho
Sinto que falta algo em minha mão:
são seus dedos entrelaçados ao meu;
sinto que falta algo no coração:
é a adrenalina do beijo seu...

Sinto que meu dia entristece
quando não tenho você por perto...
sinto que, de fato, a vida empobrece
e que meu dia será incompleto,

a menos que eu tenha coragem
de saber que a vida é uma viagem
e que a apatia não é necessária bagagem...

Retomemos o caminho do prazer,
reencontrando a arte de escrever
e fazendo o que fomos feitos para ser.

Salvador, madrugada de 13 de novembro de 2010.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

DETERMINAÇÃO


DETERMINAÇÃO
Rodolfo Pamplona Filho
DETERMINAÇÃO é a filha mais querida da fé com o esforço;
é a irmã da esperança; mãe da realização;
é DETERMINAR a AÇÃO que se tem em mente
para construir o resultado almejado,
ainda que todas as portas queiram se fechar;
é simplesmente desconhecer (ou desprezar)
o significado da palavra “impossível”
e acreditar que todo sonho é apenas o início da realidade...

2002, para os formandos em Direito da UNIFACS 2002.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Soneto da Sedução


Soneto da Sedução
Rodolfo Pamplona Filho

Deslizar por seus cabelos
Viajar em suas curvas
Afagar os seus joelhos
Tocar suas costas nuas

Segurar suas coxas à vontade
Buscar o seu colo com um sorriso
Encontrar nas suas pernas a felicidade
de um gozo celestial e infinito

Descobrir a perfeita mistura
da maciez e firmeza
no sugar de seus seios

Sentir o gosto da sua boca
e o roçar de sua língua
em um beijo sem freios...

Salvador, 09 de agosto de 2010

domingo, 2 de dezembro de 2012

Auto-destruição


Auto-destruição
Rodolfo Pamplona Filho

Chega uma hora em que
seu pai é um estranho
seu irmão, seu inimigo
e você quer ter coragem,
quer acreditar em Deus,
para poder se matar,
mas nem isso você consegue!

É o estupro pelo prazer de ver o medo nos olhos da mulher...
É o cavalo-de-pau em pleno quilômetro de arranque...
É a vontade de cortar os pulsos para ver o sangue escorrer...
É o real apetite por destruição!

É deixar crescer cabelo e barba pela vaidade
de se tornar mais feio ou menos higiênico
somente para ser diferente dos outros.
É um querer-não-querendo que os outros
sintam imensa pena de você
(a piedade é a soberba disfarçada!)
É o orgulho e a dor de ser íntima,
misturados com o desejo de matar alguém
só para sentir como é que é!

Ser doente e doentio,
podre e escorregadio,
escrevendo para não falar,
calando para não amar,
sofrendo para não viver.
É isto que sou: um chato (ou um louco?)

(16.01.92)

sábado, 1 de dezembro de 2012

A Meta e o Método (pesquisando a pesquisa)


A Meta e o Método (pesquisando a pesquisa)
Rodolfo Pamplona Filho

Eu parto da premissa
que tenho pré-concepções.
Conheço o paradigma
e faço desconstruções.

Ídolos e Tradição
Ordem e Anarquia
Eidética redução
na Fenomenologia

Vi o ser-com do MitSein:
descobri a ciência normal,
o ser-aí do DaSein
e a metodologia plural.

Entendi a nadificação,
a angústia e o cuidado...
Achei tese de compilação
no objeto pesquisado

Conclui o processo impoluto
de não existir única verdade,
pois não existe absoluto
na pós-modernidade.

Salvador, 06 de junho de 2010


Adendo de
Charles Silva Barbosa

Como o absoluto é inexistente
é preciso mover-se adiante.
Refletir sobre a gente,
ultrapassar o paradigma dominante.

Compreender o mundo e suas valsas
vencer a instrumental racionalidade.
Se as promessas eram falsas,
é de se romper com a modernidade.

O Lebenswelt resgatado.
Habermas faz Husserl renovar.
Se o mundo da vida é tema,
a filosofia há que se criticar.

Sem a fenomenológica percepção
a pesquisa vai desmoronar.
Estar-se-á na contramão
e método algum irá salvar.

Só nos resta ir contra o método,
para o método encontrar.
E entender que não há método,
onde o eidos não está.