O objetivo deste blog é divulgar toda a minha produção poética, sem prejuízo de continuar a ser postada também no Portal de Poesia Rodolfo Pamplona Filho (www.rodolfopamplonafilho.blogspot.com).
A diferença é que, lá, são publicados também textos alheios, em uma interação e comunhão poética, enquanto, aqui, serão divulgados somente textos poéticos (em prosa ou verso) de minha autoria, facilitando o conhecimento da minha reflexão...
Espero que gostem da iniciativa...

terça-feira, 12 de julho de 2016

Poema Maior




 Rodolfo Pamplona Filho
Onde encontrarei
o nosso Poema Maior?
Nosso Poema Maior reside no coração:
parceria, intimidade e cumplicidade!
Nosso Poema Maior
não precisa ser escrito para existir...
Ele não precisa de tinta e papel...
Nossas mãos tocam mais do que papel:
tocam corações, mentes e almas...
e esse desejo de estar junto
está fadado ao universo,
que conspira e inspira
toda nossa capacidade
de se entregar...
Nosso poema toca esperanças;
toca sonhos; toca lábios;
trocam-se sensações
que nunca antes foram sentidas...

Separados pela vida
e reunidos pelo destino,
seremos um casal
casado em espírito,
mesmo que em casas separadas...
casados no coração,
ainda que dormindo com outros amores...
casados no amor real e puro,
no qual jamais haverá divórcio...

Nunca me entreguei a alguém
como me entrego a você:
meu macho alfa, meu oásis no deserto,
minha enzima, minha fonte de vida,
o alface da minha salada...
A quem mais eu poderia
chamar assim
com tamanho amor?

Nunca fui amada
como sou com você...
e repito mil vezes:
eu te amo como
ninguém jamais te amou,
em todos e vários sentidos,
em todos os versos,
em todas as metáforas
de nosso Poema Maior.

São Paulo, 07 de outubro de 2010.

domingo, 10 de julho de 2016

Nudez




Rodolfo Pamplona Filho
Sabe o que descobri?
Você é o único que
consegue me enxergar...
O amor verdadeiro remove as
membranas que fecham os olhos
e apenas você...
consegue me ver nua...
e que nada mais pode me quebrar...

E me viu nua...
sem tirar uma peça sequer de roupa...
E me viu nua...
sem expor parte alguma de meu corpo...
E me viu nua...
no dia em que olhou em meus olhos...
e viu além de qualquer casca...
E me viu nua...
no dia em que conheceu minha alma
e soube exatamente quem eu era...
e permiti tão íntima ligação
por não carecer de resistência...
por não precisar mais me esconder...
por acreditar em nós...

E eu descubro em você
o que pensei
somente existir em sonhos...
mas sonhos somente são possíveis
se estamos vivos...
sonhos somente existem
se há vida e desejo...
sonhos somente se realizam
na nudez da alma...

São Paulo, 07 de outubro de 2010.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Soneto da Despedida do Apaixonado


Rodolfo Pamplona Filho

Toques delicados e sorrisos leves,
sob a brisa do mar, ao anoitecer,
e os lábios sabem exatamente o que querem
quando o adeus tem que ocorrer

Preste atenção nos meus olhos:
eles brilham feito ouro
pois desejam, como poucos,
o teu amor sem decoro.

É difícil esquecer teu gosto
e ter que aceitar novos beijos
para manter nossos postos....

Meu coração está no abismo
e anuncia, a cada esquina, sem cinismo,
que a direção pode mudar.

Salvador, 29 de outubro de 2010.


quinta-feira, 7 de julho de 2016

Amor e Dor

 

Rodolfo Pamplona 

Falar de amor
muitas vezes
invoca um bordão 
ou uma rima pobre...
como se não houvesse
outra parelha para amar 
que não seja sofrer...
A saudade faz parte 
da vida de quem ama,
como o sono para a cama,
o teto para a casa
e o vento para a asa...
Amar é muito bom, 
mas também dói
Antes de amar,
preferia viver 
sem sentir dor...
Hoje acho melhor 
sentir dor 
do que não 
conhecer o amor...
As vezes acho que 
poderia simplificar tudo...
Bastava não amar...
Por que precisar 
tanto de alguém?
Não sei porque,
mas sei que 
preciso e muito...
Achava que não precisava
de nada, mas descobri 
que não sei ficar sem você...
Amar não é voluntário...
Se fosse, seria mais fácil...
E nunca se tem 
por inteiro:
sempre uma parte!
Para qualquer outra coisa,
seria muito pouco,
mas, para o amor,
cada segundo é 
uma eternidade,
seja na distância,
seja na intensidade...
Como saber o que fazer?
Não precisa saber... 
Basta sentir, amar e viver...

Boston, 29 de junho de 2016.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Conservadores X Tradicionalistas


Rodolfo Pamplona 


Qual é a diferença
entre um Conservador
e um Tradicionalista?
O Conservador quer
que nada mude;
O Tradicionalista quer
que tudo fique como está,
enquanto se aguentar...
O Conservador não admite
a possibilidade de mudança;
O Tradicionalista admite,
mas não quer que aconteça...
O Conservador não aceita
posição contrária à sua;
O Tradicionalista aceita,
mas não convida
para a mesma mesa...
Qual é a diferença
entre um Conservador
e um Tradicionalista?
Nenhuma, se você não for
um deles...

Lisboa, 31 de maio de 2016.

terça-feira, 5 de julho de 2016

Trabalho denso, tenso e intenso



Rodolfo Pamplona


Densidade
como algo cada dia
mais profundo,
em que se cai
sem saber se e quando
se alcança o fundo.

Tensão
como algo que não desliga,
pois, a cada momento,
tudo pode mudar
com um acidente, uma chamada
ou um novo elemento.

Intensidade
como algo que nunca cessa,
pois a opressão
castra a iniciativa,
limita a perspectiva
e cala a opinião.

É preciso aprender
a finalmente sobreviver
à benção convertida em maldição,
ao prêmio que virou castigo
do trabalho denso,
tenso e intenso

São Paulo, 21 de junho de 2016.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

O Segredo da Serenidade



Rodolfo Pamplona 

É preciso saber
que o sofrimento 
não é sua exclusividade.
É preciso conhecer
e vivenciar 
o segredo da serenidade.
É preciso respirar 
em vez de chorar 
e se desesperar.
É preciso parar 
e olhar o horizonte
para compreender o que ocorreu.
É preciso não esperar 
o mar se abrir (embora ele possa...)
e aprender a nadar...
É preciso transformar 
o mistério em problema 
para poder solucioná-lo.


domingo, 3 de julho de 2016

Pensando no Perfil



Rodolfo Pamplona 

O espelho revela
o arco românico 
de curva perfeita
como querubins de Rafael
ou a Casa da Cascata 
de Frank Loyd Wright.
Arquitetura, arte 
e natureza juntas.
De onde essa luz?
Tão barroca...
Tão dramática...
Uma luz cênica 
quando não havia eletricidade 
Uma esperança 
de que amar não tem idade...

Salvador, 06 de junho de 2016.


sábado, 2 de julho de 2016

O que fazer pelo resto da vida?



Rodolfo Pamplona

Enquanto o alemão não me pegar
ou a bomba muscular não parar,
não terei medo do passar dos anos
ou da decrepitude da pele.
Não quero morrer
antes de envelhecer:
ao contrário,
quero continuar rebolando
e sacudindo os cabelos que restarem...
Descansarei somente
no dia que realmente expirar,
pois, enquanto der,
estarei alive and kicking,
pois qualquer movimento
é melhor do que
nenhuma ação.

No avião de Miami para Boston, em 25 de junho de 2016.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Sobre Torcer...



Rodolfo Pamplona 

Time de futebol
não é razão,
mas, sim, paixão.
Torce-se,
independente
de triunfo
e de divisão.
Sofre-se,
independente
de resultado
ou competição.
Vibra-se,
simplesmente
pela sintonia
da mesma vibração.

Lisboa, 31 de maio de 2016