Em algum lugar,
em algum tempo,
existe alguém
igual a você,
mas completamente diferente:
Doppelganger
Salvador, 30 de outubro de 2018.
Em algum lugar,
em algum tempo,
existe alguém
igual a você,
mas completamente diferente:
Doppelganger
Salvador, 30 de outubro de 2018.
Ser altruísta é bom,
pois pensar no outro ajuda
a resolver os problemas do coletivo
Ser altruísta é importante,
pois tratar somente em si
pode destruir a humanidade
Ser altruísta é valoroso,
pois achar quem cuida de outrem
traz exemplos que edificam
Mas não dá para ser só altruísta,
pois esquecer de sua felicidade
é condenar-se ao sofrimento.
Mas não dá para ser só altruísta,
pois não realizar seus desejos
é chafurdar na frustração.
Mas não dá para ser só altruísta,
pois não se preocupar também consigo
é o início de sua própria anulação.
Salvador, 20 de julho de 2018.
Por vezes,
ando triste,
com mágoas e
sem esperanças.
Sofrendo por um amor,
quando amor
não deveria
causar sofrimento.
Uma simples reflexão
pode gerar nova conclusão:
Não é o amor
que faz sofrer!
É a sensação de impotência,
a angústia da imobilidade,
a covardia da letargia
e a tentação da acomodação.
Não viva no limite:
permita-se ultrapassá-lo,
pois o cabresto da falta de tentativa
é a prisão da alma de quem ousa sonhar.
São Paulo, 28 de setembro de 2017, no show do Aerosmith.
Luto contra o Luto
Luto pela Vida
Sei que a Vida bem vivida
tem de ser comemorada…
Por que não fazer,
do limão, uma limonada
e, do Luto, um Limoeiro?
No Milagre da Planta,
que nasce da terra
e rompe a barreira no ar,
posso encontrar
o motivo para, em paz, estar
e as cinzas depositar
na simbologia da passagem
que se transforma em imagem
e nunca esquecer
quem veio, nosso coração,
para sempre aquecer…
Salvador, 20 de fevereiro de 2026
No sul da Bahia, onde o verde é poesia,
Ergue-se Itapebi, com graça e harmonia.
Às margens do nobre Jequitinhonha a brilhar,
Cidade pequena no mapa, mas gigante no amar.
Terra banhada por rios de história e tradição,
Que pulsa no peito do povo em cada celebração.
Do campo que floresce sob o sol tropical,
À fé que sustenta o espírito municipal.
Entre colinas serenas e o céu sempre aberto,
Há um povo que acolhe de longe e de perto.
No sorriso sincero, no abraço fraterno,
Itapebi transforma o instante em eterno.
Ser feito cidadão desta terra querida
É mais que honraria — é bênção na vida.
É ter o nome gravado no livro da história,
É receber da confiança a mais alta glória.
Município altivo do interior baiano,
De coragem herdada, de trabalho cotidiano.
Na força do comércio, na lida rural,
Na energia que brota da barragem colossal.
Ó Itapebi, guardiã de encantos mil,
Teu nome ecoa no sul do Brasil.
Hoje recebo teu título com emoção,
Com respeito profundo e sincero coração.
Que eu seja digno da terra que me abraça,
Que honre tua cultura, tua fé e tua raça.
Que meu labor seja ponte e também raiz,
Servindo ao teu povo com alma feliz.
Agradeço à Câmara, ao povo, à gestão,
Pelo gesto tão nobre, pela distinção.
Levarei teu nome com orgulho e luz,
Como estrela que guia e caminho que conduz.
Itapebi, Bahia, lugar de valor,
Recebe meu verso, recebe meu amor.
Se hoje sou filho por ato e por lei,
É porque teu carinho me trata como rei.
E assim declaro, em rima e verdade:
Honra maior é servir tua cidade.
Com gratidão eterna, sincera e profunda,
Assino este laço que o tempo não afunda.
Itapebi, 19 de fevereiro de 2026.
Não há honra entre ladrões
Quem não tem pudor
de subtrair o alheio
não pode ser digno
de empenhar sua promessa…
Se a confiança
não se outorga
por Decreto,
a credibilidade
não é uma presunção,
mas, sim, uma constatação
decorrente de atitudes,
e não de palavras
jogadas ao vento…
Porto Seguro, 17 de fevereiro de 2026.
No tribunal da razão, ergue-se o verbo, Com toga de dúvidas,
silêncio acerbo. Ali onde a prova caminha no fio, Surge a Filosofia com seu
desafio.
Quem pode dizer o que é verdadeiro, Quando a verdade se
esconde, por inteiro? Eis o dilema que o Direito enfrenta, Na balança da lei
que nunca é isenta.
A prova, rainha do processo, é chama, Mas arde em incerteza,
jamais se inflama Sem que a razão lhe sirva de guia, Entre a dúvida e a fé,
nasce a filosofia.
O ônus, pesado, recai sobre quem alega, Mas que prova é
justa? Que prova se entrega Ao crivo do tempo, da lógica pura, Ou se dobra ao
poder, à estrutura?
É Platão quem sussurra nos corredores, Sobre sombras,
verdades e seus atores. E Kant nos adverte, com precisão: A justiça não vive
sem razão.
No processo penal, a vida se decide, E a Filosofia, em
silêncio, divide. A espada e a balança – com ponderação,
Para que a prova não seja ilusão.
Fortaleza, 24 de maio de 2025.
Voltar-se para si mesmo
e reconhecer-se só,
não em uma perspectiva narcísica,
mas, sim, estrutural
é o caminho natural
para encontrar a verdadeira paz
e nunca mais
reclamar da solitude
da alma e do coração.
Salvador, 12 de fevereiro de 2026.
Criando menos expectativas,
frustrando-me menos,
contentando-me com o que
está disponível e é possível
Ausência de alternativas
traz uma zona de conforto
da aceitação da realidade,
sem cogitação de possibilidades
Na reflexão em Retrospectiva,
no confronto das opções
e busca de soluções,
descobre-se a sensação
de que viver o que é palpável
é a chave da paz realizável
Salvador, 18 de dezembro de 2025.
Para obter o meu respeito,
não precisa concordar comigo;
não precisa ter a mesma fé,
time, ideologia ou orientação sexual;
não precisa sequer ter nascido
no mesmo espaço regional.
Para ter meu reconhecimento,
precisa apenas saber
que cumprir promessas é
misto de ética e coerência;
que manipulação emocional
é vitimismo à enésima potência;
que não adianta pedir perdão,
se não há arrependimento no coração.
A palavra ensina
e o exemplo arrasta
Intimidade não é sinônimo
de falta de limites
Amor não é salvo conduto
para esquecimento e redenção;
e, na vida, não é somente a morte
que não tem solução…
Salvador, 17 de janeiro de 2026.
Wow!
Que mulher legal!
Não invade privacidade
e respeita o espaço
necessário para não sufocar.
Segura!
Que mulher madura!
Não manda indiretas
e, se tem um problema,
expõe seus sentimentos sem manipular.
Eita!
Que mulher perfeita!
Não acha que todo mundo
quer te roubar o parceiro
ou que ele quer, todas do mundo, pegar!
Como é essa mulher?
Como é o corpo?
A cor dos olhos? Dos cabelos?
Qual é a idade?
Qual é a profissão?
Não sei.
Só sei que ela era tão perfeita,
que nem reparei esses detalhes…
Salvador, 17 de janeiro de 2026.
Gratidão
pela acolhida
Pelo carinho
Pela dormida
Que bom que a vida
juntou nossos caminhos
Que bom que o destino
proporcionou novos sorrisos
Vou caminhando e cantando
e seguindo a canção…
Somos todos iguais
braços dados ou não
Me senti em família,
verdadeiramente em casa
E, se depender de mim...
nenhum anjo vai perder a sua asa!
Bom Natal, Boa Luz,
por amor, abrace e beije todos fraternalmente por mim.
Valeu, irmão!!!
Gratidão, Gratidão
e, se ainda não disse,
digo mais: Gratidão!
Salvador, 25 de dezembro de 2025.
Não, eu não preciso aprender a não fazer nada
Pois não fazer nada é
Fazer tudo
Eu preciso aprender a fazer nada
Eu não preciso poetizar
Eu não preciso amar
Eu não preciso comer
Eu só preciso beber água
Eu preciso aprender a fazer nada
Salvador, 18 de janeiro de 2026, poetizando na malhação com
Ailton…
Eu gosto de você
quando você volta da malhação;
quando toma sorvete;
quando sorri…
Eu gosto de você
quando fala de meus filhos;
quando fala de seus filhos;
quando fala de Chiquinho e Zequinha…
Eu gosto de você
quando ri do Zumbi do Waze;
quando conta a mesma história por meses;
quando estreia roupa nova…
Eu gosto de você
quando fica animada;
quando fica encantada;
quando ri da própria piada…
Eu gosto de você
quando consegue se expressar;
quando tenta se comunicar;
quando não para de falar…
Eu gosto de você
quando esquece o passado;
quando supera o pecado;
quando se permite viver…
Eu gosto de você
quando você é simplesmente
a única que você somente
pode ser:
a única, exclusiva
e verdadeira
você…
Porto Seguro, 16 de fevereiro de 2025
Eu gosto de Declarações de Amor
Gosto de fazer e
gosto de receber
Gosto de mostrar ao mundo
a minha felicidade
de o Destino ter me proporcionado
a boa ventura
de um amor tranquilo!
Mas acho que
o sonho virou pesadelo
e o que era sólido
se desmanchou no ar…
Declarações não passam de palavras
vazias ou bem intencionaras,
mas só palavras…
Palavras inspiram,
mas não mudam o mundo…
O que muda o mundo
é a ação,
a coerência entre o prometido
e o realizado,
a ética da promessa cumprida,
a entrega de uma vida a um projeto,
o acreditar que se pode ser
e se viver
o que sempre se desejou…
Salvador, 18 de janeiro de 2026.
De que adianta o amor,
se não há liberdade para vivê-lo;
De que adianta o calor,
se não se pode usufruí-lo:
De que adianta chorar,
se arrependimento não há;
De que adianta viver,
se a razão dos meus problemas é você!
Salvador, 18 de janeiro de 2026.
A gente teima em acreditar
A gente busca uma solução
A gente sempre acha que pode dar
e que será só uma chuva de verão
Há momentos em que cessa a música
Há tempos de parar a dança…
Talvez a melhor coisa a fazer
é nao insistir
Não vale a pena investir
no que não tem mais esperança…
Salvador, 24 de janeiro de 2025.
O tempo não é pássaro para flutuar.
Apenas voar é mais rápido que correr...
Se o tempo voa, por que o arrastar
quando se está a sofrer?
Ou se espera uma resposta de alguém?
Ou se quer algo para nosso bem?
O tempo não é físico para tocar,
muito menos para andar ou voar...
Então por que o tempo é cruel,
muda a perspectiva do céu,
machuca com gosto amargo de fel
e nem sempre cumpre o seu papel?
Se o tempo e o espaço são ligados,
ambos estão no vácuo sem fim...
Se assim são, o tempo não é parado,
nem voa, como dizem por aí...
O tempo flutua...
como minha mente ao ver você nua...
como uma bailarina em um solo...
como minha cabeça no seu colo...
Quem deu asas ao tempo?
Não fui eu... Não sei, nem quero saber...
Mas todo tempo será pouco,
enquanto eu não tiver você...
Na Conexão Praia do Forte-Salvador, 06 de fevereiro de 2011.
Letra: Alexandre Machado e Rodolfo Pamplona Filho
Música: Alexandre Machado
Quando amanhecer, quero ser o sol...
Quando o céu escurecer, o luar...
Se o dia estiver triste, ser a chuva a molhar...
Ser quem você realmente amará...
Quando ficar tudo frio, quero ser o cobertor...
E, se, um dia, tiver chance, seu amor...
Quero ser a sua vida, quero ser esta canção...
Quero abrigo no seu coração
Quero subir pelas paredes...
Quero ser o que faltava...
Quero ser a cura
para a solidão que nos tomava
Quero ser seu desespero
Quero ser o seu alento
Quero roubar a cena
e eternizar este momento
De janeiro a janeiro, quero ser sua estação
e, num golpe, ocupar sua paixão...
Quero ser sua saída, sua fuga, seu prazer,
mas também que seja só eu e você
Dizem que me apaixonei
pela pessoa errada...
Queria muito - isso, eu sei! -
fosse uma só estrada...
Desejo queira ser
não mais de todos ou de ninguém,
alguém a me conhecer,
não mais tantos que vão e vêm...
Na conexão Salvador-Praia do Forte, 06 de fevereiro de 2011.
Descobrir um novo sentido
para um caminho que parecia certo,
buscando conforto e abrigo
em quem passou a estar mais perto
do que, outrora, escondia do mundo,
enterrado na alma, bem lá no fundo.
Não se tem a menor estimativa
de tempo para ficar juntos.
Quer apenas a perspectiva
de, um dia, estar em sua companhia.
Não vê como fazer isso,
pois não deixa de amar seu arranjo,
mas quer um ao outro
como nunca quis outra pessoa...
Empatados, pois impedidos,
mas, também, de situação igual,
sem sair do zero a zero...
sem deixar de viver mal
sem fazer, publicamente,
o que o coração manda afinal...
Ferrados, pois amarrados,
agrilhoados, acorrentados,
sem real perspectiva
de uma outra saída...
Sempre na esperança
De que a vida se redirecione
como um sopro
e mude a qualquer instante
Empatados e Ferrados...
Mas absolutamente apaixonados...
Salvador, 01 de fevereiro de 2011.
O que é um ano
para quem quer viver juntos
todos os momentos do dia?
O que é uma data
para quem compartilha
o pão, a cama e a vida?
O que é o tempo
para quem não o viu passar,
entretido com a beleza de seu par?
É apenas um traço no calendário...
É mais um espaço no armário...
É uma nova festa de aniversário
para comemorar
a certeza de hoje amar
mais do que ontem de manhã
e muito menos do que amanhã...
Feliz Aniversário de Casamento!
Salvador, 19 de janeiro de 2011.
Nem tudo sobre o que escrevo
foi obrigatoriamente vivido por mim,
mas tudo foi, sim,
pensado e ruminado,
como se tivesse passado,
verdadeiramente sentido
o trauma, o desejo ou a libido....
Preciso refletir
sobre fatos e sentimentos
que não compulsoriamente vivi,
mas que outros têm o lamento
e a vontade de discutir
para decidir o que fazer
ou sobreviver...
Assim, conjugo minha necessidade
com um exercício de solidariedade,
pensando em como seria
seguir uma outra via,
descobrir novo caminhar
ou simplesmente realizar
meu Desejo de Poetizar
Salvador, 04 de maio de 2011.
Verificando email
Não há novas mensagens
Não sei o que é pior:
O silêncio ou a angústia da espera?
Não sei o que é melhor:
Uma palavra ou a sensação de entrega?
Sentir falta da presença
reforça a velha crença
de que ninguém consegue viver
sem interagir com outro ser...
Se um contato real
pode ser fundamental,
um romance virtual
pode virar inferno astral
quando se ultrapassam os limites
e se percebe sempre triste...
quando o mundo concreto
não desperta mais seu afeto...
quando não se sabe o que é seu...
quando, na mente, faltam imagens...
quando verificando seu email,
não há novas mensagens...
Salvador, 29 de janeiro de 2011.
Como é possível
ouvir exatamente
a mesma coisa,
a cada momento,
a cada encontro,
a cada lamento...
Será que Deus gosta
que fiquem buzinando
as mesmas palavras
recém proferidas
e já antes ditas
por tantas vezes
e tantas pessoas
quanto o querer
possa conceber...
Soa como uma goteira
interminável e inteira
não sobre nossas cabeças,
mas, sim, aos nossos ouvidos,
esperando que a repitamos
ou enlouqueçamos...
Um dia, o mundo se cansará
da mesma companhia,
com asco, perceberá
a trágica monotonia
e, finalmente, cessará
a irritante ladainha...
Salvador, 01 de fevereiro de 2011.
Há momentos em que surto
por considerar um absurdo
não podermos ser publicamente
o que resolvido está em nossa mente.
Diriam que temos problemas
E que surtaremos freqüentemente
pois nenhum amor suporta tanta ausência
e nosso destino é quedarmos doentes...
mas pensamos diferente,
já que o que seria problema
para nós é realização plena
do amor não como tema
mas como sentimento latente
E teremos sempre presente
o mais gostoso antídoto e calmante,
que é com seu cheiro ficar,
depois de temporariamente nos separar,
quando o que queria era só te beijar...
Praia do Forte, 23 de janeiro de 2011.
Seu cheiro em minha roupa
é a prova mais louca
de um amor real
mas, para muitos, imoral...
Guardo seu cheiro na memória
na esperança que o inesperado
possa mudar a nossa história
e nos dar a esperada vitória
....de um amor pleno,
que, sempre a contento,
cresce e se fortalece....
...de um sentimento sincero,
que, um dia, espero,
possa ser tão público quanto seu perfume.
Praia do Forte, 23 de janeiro de 2011.
Você se diz infinito,
acreditando que
seu poder é ilimitado,
mas está errado!
Você não passa de
um acidente da natureza,
um câncer da criação,
um tumor com ilusões de grandeza...
É hora de extirpá-lo...
jogando-o no lixo, que é o seu lugar,
para que eu dance sobre seu caixão
e escarre em sua sepultura...
Apenas mais irritantes que
as trombetas da moralidade alheia
(pois a própria não vale nada...)
só os sepulcros caiados
que posam de vestais nas cerimônias,
sem pudor da sua podridão interior...
Praia do Forte, 09 de março de 2011.
“Não quero falar!
Minha cabeça está cheia demais!
Cuido de todo mundo,
mas a prioridade agora sou eu!”
Este é o momento
em que todo diálogo morreu.
Salvador, 28 de dezembro de 2019.
Como se diz a alguém
que ela não é mais o seu bem?
Como se faz para falar
que é o momento de separar?
A vida a dois
é um álbum de figurinhas...
A cola une
para ser eterno,
mas, com força,
dá para retirar...
mas sempre fica um pouco
do álbum na figurinha
e da figurinha no álbum...
Como se comunica
não se querer mais dividir a vida?
Como se rompe
o que era para sempre?
A vida a dois
é um álbum de figurinhas...
O tempo esmaece
o que era vivo e viçoso
e o que já foi muito gostoso
pode continuar assim
ou mudar o tom
para um quadro sem cor
ou um filme sem som...
A vida a dois
é um álbum de figurinhas...
Praia do Forte, 8 de setembro de 2017.
Felicidade não é meta:
é a forma como se vive;
não é objeto, é o caminho;
não é aquilo que te falta e sim saber aproveitar aquilo que já se tem!
Orlando, 10 de janeiro de 2020.
Palavras proibidas
Assuntos censuradas
Nomes defesos
Ideias que não podem ser discutidas
A impossibilidade absoluta
de qualquer diálogo.
Morro de São Paulo, 02 de janeiro de 2020.
amor e desejo
amor é centrífugo
desejo é centrípeto
amor quer se entregar
ao destinatário
do amar
desejo
quer absorver
o objeto
a incorporar
Amar e desejar
fazem parte do viver,
mas amar se auto-renova,
enquanto desejar depende do querer.
Salvador, 09 de janeiro de 2020.
E aí?
Mano
Top
De boa
Se ligue
Man
Véi
Baratino
Barril
Sipá
Sepa
Pala
Paia
Partiu
Morro de São Paulo, 02 de janeiro de 2020.
Pode ser
Não sei
Tanto faz
Legal, mas não é minha praia
É isso aí!
Morro de São Paulo, 01 de janeiro de 2020.
Sua mente é um aparelho
em constante busca
de soluções
para qualquer tipo
de problema:
na ausência
de um desafio,
ela se introverte
e entra em modo avião.
Seu cérebro é um processador
mais rápido do que
qualquer computador,
em que todo questionamento
automaticamente
é respondido,
antes que o interlocutor
termine o raciocínio.
Suas atitudes são reflexos
de anos de condicionamento,
em que a lógica
não excluiu a emoção,
mas a separou
em caixas diferentes
para não haver confusão.
Seu coração é um dínamo
que se alimenta de carinho
e deseja retribuir,
como o óleo e o combustível
que renovam e fazem funcionar
todo o sistema.
Ele parece uma máquina
e há quem ache que seja mesmo,
mas, no final das contas,
ele é apenas
o que Nietzsche vaticinou:
humano, demasiadamente humano,
a ponto de ser tão diferente
que a humanidade não lhe reconhece...
São Paulo, 16 de novembro de 2019.
Por vezes, tenho vontade de chorar...
Sei o motivo, mas não consigo controlar
Há um vácuo que preenche o que era completo
Uma carência de beijo, dengo e afeto
Não sei o que é pior: a distância ou a despedida;
O romper do contato no momento da partida
Um olhar para trás, um abraço apertado,
um aceno tristonho, um olhar desolado...
Como uma dor machuca tanto sem ferir?
Como dominar o que posso apenas sentir?
A paz é arrancada desde a raiz
Uma marca viva que não vira cicatriz...
Pense duas vezes antes de reclamar
Dos problemas da vida, da rotina do lar...
Há tristeza que ninguém sabe como se mede
Só se valoriza o que se tem quando se perde
A lágrima vem solta e quente
Quem negar isso apenas mente
mas faz bem, porque, como um rio
leva o fel para um outro lado vazio....
A cada alvorecer, há uma nova esperança...
que surge inocente, como sorriso de criança,
mudando planos e rumos, batendo asa,
tudo por causa da saudade de casa...
Ciudad Real, 09 de setembro de 2008
Quando as cores da aquarela
Se tornarem uma só
Quando a vida, então bela,
Virar fogo, virar pó
Quando o verde virar cinza
E o céu não for anil
Vida não era mais vida,
Homem-bicho será vil
Quando o sangue derramado
Escorrer por minha mão
Lembrarei que, algum dia,
Já vivi em comunhão
E era belo, e era lindo
E era tudo o meu viver:
Homem-planta, homem-flor,
Homem-homem, Homem-ser
Não sabia que havia
Vida pura e sem dor
Bicho e homem, seres iguais,
Já viveram com amor
(1990)
Há quem prefira
vender uma amizade
por um cachê artístico;
desprezar um amor puro
por ouvir a opinião de uma prima;
desprestigiar o trabalho alheio
para tentar se auto-afirmar;
esquecer uma fraternidade solidária
para soar de vítima da situação;
humilhar com ar de superioridade
a efetivamente investigar o ocorrido;
tripudiar a imagem de colegas
para posar de voz da maioria;
blefar descaradamente e sem pudor
do que aceitar ajuda desinteressada;
ignorar a presença e o cumprimento
em vez de tentar um diálogo honesto;
fazer troça da desgraça alheia
para se sentir aceito no grupo;
perseguir incansavelmente
por não tolerar o diferente;
jogar fora a chance de fazer o Bem,
para se deleitar com seu veneno...
Isso só gera mágoa,
que vira raiva,
até se converter,
se houver o remédio
do esquecimento,
em profunda indiferença,
mesmo sendo cicatriz,
que não se apaga,
para ensinar
em quem vale confiar...
Pamplona, 03 de outubro de 2012, pensando sobre o passado...
Sinto sede, fome e desejo
Sede dos seus seios,
da sua boca
e do gosto doce do seu beijo
Fome de seu corpo,
do seu abraço
e da maciez de sua pele
Desejo da sua essência,
da sua alma
e do gozo que extravasa cada poro.
Sede, fome e desejo
É o nosso trio elétrico,
que energiza minha existência
e me mostra
o verdadeiro carnaval do amor.
Salvador, 14 de fevereiro de 2024.
Pessoas são como músicas.
Algumas, nós gostamos desde o início.
É a paixão à primeira vista!
É a energia que bate imediatamente!
Outras, gostamos somente
depois de um tempo.
São feitas para serem ouvidas
e compreendidas.
Algumas tocam a nossa vida
e sempre que a encontramos,
uma boa lembrança vem à mente
e/oi um sorriso vem ao rosto…
mas sempre há uma,
que é a mais mais especial:
essa é a nossa trina sonora.
Salvador, 18 de fevereiro de 2024.
Quantas vezes eu gostaria
de alterar a ordem do dia
e poder fazer de forma diferente
o que encontro no tempo presente.
Vejo como eu poderia encontrar alegria
onde, hoje, só vejo melancolia
e descobrir uma felicidade
que perdi pouco a pouco com a idade...
Será que é possível mudar
opções que fiz no caminhar
por não saber o que me esperava
ou o que na minha vida faltava...
Como eu poderia saber ou prever
que o destino reservaria novo prazer,
encontrando novo sentido no viver
e uma forma alternativa de ser...
Ainda terei coragem para novo desafio?
Ainda enfrentarei tudo com brio?
Conseguirei ser outro alguém?
Encontrarei um mundo além?
Dúvidas são uma constante
em uma mudança tão fulminante
e o receio não é uma temeridade
no encontro da essência de verdade!
Conheço o que já tenho e não é perfeito!
Sei o que quero e o que não mais aceito!
A esperança é o gás da Transformação
e o Tempo é o Senhor da Razão...
São Paulo, 20 de novembro de 2010.
On Every Street
I can sleep
On Every Street
I can live
On Every Street
I can be myself
I don’t need a house
to have a shelter
I don’t need a job
to have a matter
I don’t need an office
to write a letter
I’d be a louse
if I can live better
I can take a shower with the rain
I can be everywhere without pain
I can survive without a home
but I don’t like to be alone
I don’t need money to be happy
I prefer to be poor than be a sadist
Homeless, Yes!
But Never Loveless...
San Francisco, 25 de setembro de 2010, dedicado a novas amizades (Carol e Chung) e a Victor Frost...
Quando mais se obtempera…
o amor pode surgir
Quanto mais se desespera…
mais ele pode garantir
um novo passo dado
um olhar apaixonado
um momento descansado
Um amor inesperado
Salvador, 09 de agosto de 2022.
Tangolomango
Bustiê
Collant
Saco de Paes Mendonça
Fábrica da Coca Cola
Shopping Iguatemi
Datilografia
Maria Fumaça
Aeroporto 2 de Julho
Óticas Ernesto
Farmácia Sant’ana
Tio Corrêa
Fazer ginástica
Tirar retrato
Comer queimado
Lembrar do passado
e não esquecer
de ser feliz
Salvador, 01 de outubro de 2022
Em trinta e um
de outubro
de dois mil e onze,
celebrei mais um
nascituro
a adornar o bronze
de mundo
cada dia mais lotado
e mais imundo
e decepcionado
em constatar
que nada mudou
em verificar
que quase tudo piorou,
mas que, mesmo assim,
não chegamos ao fim
e ainda há esperança
quando nasce nova criança,
mesmo que,
no dia hoje,
onze anos
e quinze dias depois,
cheguemos a oito bilhões
e ainda há espaço para mais…
Salvador, 15 de novembro de 2022.
Quem sabe o que quer
teme se arriscar
e sentir
o que o coração anseia viver
para voltar a se sentir vivo…
Daí se foge…
Foge da vida
Foge da chance
Foge do “se”
Foge do mundo…
e só restam as canções…
Salvador, 19 de dezembro de 2022
Quem sabe um dia?
A Terra gire
O tempo passe
e tudo mude
Quem sabe um dia?
Surja um momento
Sem pressa, sem receio,
sem olhos alheios
e sem passados.
Quem sabe um dia?
Tudo possa ser diferente
como se o caminho
pudesse ser novamente
e simplesmente caminhado
Quem sabe um dia?
Eu possa ser Tudo
com você,
para você
e com você!
Quem sabe um dia?
Esperarei todo tempo
que for necessário,
tal qual Florentino no romance
de Gabriel Garcia Marques…
Quem sabe um dia?
Quem sabe um dia,
o destino - ah, o destino! -
o destino sorria…
Salvador, 27 de dezembro de 2022
Quando contar contos, conte quantos contos conta
e pergunte qual é o doce mais doce que o doce de batata-doce,
pois se o rato roeu a roupa do rei de roma
e o sabiá não sabia que a sabiá sabia assobiar;
se a aranha arranha a rã
e a gaivota, voando em volta, voava e virava de volta;
se o tempo perguntou pro tempo quanto tempo o tempo tem,
tendo o tempo respondido pro tempo que o tempo tem o todo tempo que o tempo tem;
se mesmo que três traças tracem três trajes sem trégua
e entreguem três pratos de trigo para três tigres tristes;
por que o único verdadeiro trava-línguas é Treblebes?
Salvador, 15 de agosto de 2010
Eu quero viver intensamente
como se fosse morrer de repente
sem nova chance, irremediavelmente...
Eu quero uma vida sem rotina
onde cada dia tenha a sina
de, do outro, ser diferente...
Eu quero nunca ficar sozinho,
mesmo que, alguns momentos,
eu precise estar só para pensar!
Eu quero dar atenção a todo elemento
que precisar de mim, para ajudar,
acreditando que, alguém, posso mudar!
Eu quero que minha mulher
seja simultânea mãe, parceira,
amante e companheira!
Eu quero acompanhar diariamente
o crescimento de meus filhos
e ser seu melhor amigo eternamente!
Eu quero colocar para fora
todos os sentimentos que guardo
no peito que trazem um gosto amargo!
Eu quero produzir tudo que outrora
programei, um dia, escrever,
plantar, compor, construir ou ler!
Eu quero me sentir desejado,
como nunca antes no passado,
e minha energia não sublimar...
Eu quero aprender a me vestir,
saber onde chegar e de onde vir
o que, com quem e como falar...
Eu quero fazer amor outra vez
com o desejo de quem nunca fez
e o conhecimento da experiência!
Eu quero chorar de felicidade
e sorrir na adversidade,
lutando pela sobrevivência!
Eu quero tudo isto e muito mais...
mesmo que digam que é olhar para trás,
eu não vou me importar,
pois tudo que der, eu vou fazer,
sem medo de tentar ou errar,
sem receio de me machucar,
na busca, finalmente, de saciar
minha recém-descoberta sede de viver.
Recife, 14 de janeiro de 2011.
They were born with no shelter,
Lived day by day!!!
They are the ones who know better
The real meaning of pain...
And when comes the night
And it’s dark the sky
They get ready to fight,
They get ready to die...
There’s no laughter in the city
When you find a child’s body
There’s no joke ‘n’ no pity
In the killer’s hours of glory
So, do you know what it means
To sleep out in the cold?
There’s no trouble that seems
Like your mind losing control.
There’s no smile in their faces
There’s no hope in their lifes
‘cause there’s no more places
Where they can live without lies...
As the sands of time grow old
And surviving turns to be a last chance
You’ll find: history has been already told
By the tears of children of the streets
(1991)
Letra: Rodolfo Pamplona Filho
Música: Flávio Maranhão