O objetivo deste blog é divulgar toda a minha produção poética, sem prejuízo de continuar a ser postada também no Portal de Poesia Rodolfo Pamplona Filho (www.rodolfopamplonafilho.blogspot.com).
A diferença é que, lá, são publicados também textos alheios, em uma interação e comunhão poética, enquanto, aqui, serão divulgados somente textos poéticos (em prosa ou verso) de minha autoria, facilitando o conhecimento da minha reflexão...
Espero que gostem da iniciativa...
Mostrando postagens com marcador Morte. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Morte. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Sobre o Medo da Morte






O único jeito de aceitar a realidade 

é parando de lutar.

Em vez de espantar o medo, 

a solução é convidá-lo a andar ao lado... como parceiro, não inimigo.

A flor de lótus não cresce longe da lama 

e não se vive sem dor.

Por isso, o jeito é aceitar o todo, 

com seus lados bons e ruins, 

amor e compaixão.

Não é possível se livrar do medo da morte, mas se pode aprender a conviver com ele.




Salvador, 29 de julho de 2018.


domingo, 23 de agosto de 2026

A Banalização da Morte





A TV divulga, a rádio anuncia,

o jornal comunica

o saldo das mortes do final de semana...

o trânsito, o acidente doméstico

ou a costumeira e pontual queima de arquivo...


Normal...


Ouvimos impassíveis,

tomando o café nosso de cada dia,

no meio das notícias políticas

ou da alegria ou tristeza com

o resultado do jogo do nosso time...


Normal...


Não há espaço para indignação,

nem mesmo há tempo para isso...

A informação passa por

nossos olhos e ouvidos

como uma brisa imperceptível...


Normal...


O sangue escorre das imagens,

do som e dos papéis...

mas não se sente nada...

Anestesia coletiva, difusa e impessoal...

A apatia e a indiferença

não fazem acepção de pessoas...


Normal...

Normal?


Salvador, 16 de agosto de 2010, uma segunda-feira sangrenta...

sábado, 13 de junho de 2026

Soneto sobre o Dano Tanatológico

 



Quando a existência abrupta se desfaz

e a morte impõe silêncio derradeiro,

o Direito busca, ainda que incapaz,

traduzir o luto em valor financeiro.

 

Mas toda perda que do ser se traz

excede cálculo exato e verdadeiro;

nenhuma cifra jamais satisfaz

ou faz cessar o abalo íntimo e certeiro.

 

Resta ao sistema a via indenizatória,

ainda aquém da dimensão da história,

que a ausência deixa em dor continuada,

 

pois mesmo após a devida reparação

persiste viva a funda comoção,

na lembrança que não pode ser calada.

 

Brasília, 03 de maio de 2026.

sábado, 11 de abril de 2026

Morrer é Doce!

 





Rodolfo Pamplona Filho


Quando em meu peito, romper-se a corrente

Que a alma me prende à dor de viver

Não quero por mim, nem uma lágrima,

Nem um suspiro, nem um sofrer...

Não quero que uma nota de alegria

Se cale por meu passamento.

Não quero que um sorriso

Se apague pelo fim do meu triste tormento!


Viver foi peregrinar no deserto,

Procurando achar o que não estava escondido,

viver foi submergir no tédio,

Tentando encontrar o que já estava perdido

Quando se esgotar o meu suspiro,

Não desfolhe por mim sequer uma flor!

Não tornai outro ente matéria inútil.

Sozinho, da morte, deixai-me o torpor!


No meu epitáfio, escrevas:

Foi homem e, pela vida, passou

Como nas horas de um pesadelo

Que só, com a bela senhora, acordou


Descansem meu leito solitário

À sombra de um triste cipreste,

Numa floresta há muito esquecida

Onde não usurpem o que ainda me reste.

Este parece ser meu desejo final

Neste esperado momento de verdade nua.

Eis-me pronto para beijar a bela senhora

E ver como a morte é doce e crua!

(1989)

sexta-feira, 10 de abril de 2026

A Banalização da Morte



Rodolfo Pamplona Filho


A TV divulga, a rádio anuncia,

o jornal comunica

o saldo das mortes do final de semana...

o trânsito, o acidente doméstico

ou a costumeira e pontual queima de arquivo...


Normal...


Ouvimos impassíveis,

tomando o café nosso de cada dia,

no meio das notícias políticas

ou da alegria ou tristeza com

o resultado do jogo do nosso time...


Normal...


Não há espaço para indignação,

nem mesmo há tempo para isso...

A informação passa por

nossos olhos e ouvidos

como uma brisa imperceptível...


Normal...


O sangue escorre das imagens,

do som e dos papéis...

mas não se sente nada...

Anestesia coletiva, difusa e impessoal...

A apatia e a indiferença

não fazem acepção de pessoas...


Normal...

Normal?


Salvador, 16 de agosto de 2010, uma segunda-feira sangrenta...

domingo, 8 de junho de 2025

Testamento

 





Como seria bom poder controlar

os rumos da vida depois do meu passar,

em uma extensão pós-morte do querer,

como se houvesse luz após o anoitecer.


Ensinaria tudo que não deu tempo de falar...

Protegeria todos aqueles que aprendi a amar...

Apagaria os rastros dos meus erros no caminho...

Confortaria todos que ficaram sem carinho...


Pediria perdão a quem eu magoei...

Explicaria o que sentia quando chorei...

Mostraria o que é o fracasso e a glória...

Tentaria dar um sentido à minha história...


O registro autêntico da minha vontade

A declaração antecipada (e inútil) da minha saudade

A eternização da vida em um único momento

A força simbólica de meu testamento.




Salvador, 23 de maio de 2010

quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

Despedida

 




Na vida, há algumas poucas certezas

e uma delas, sem dúvida,

é o fato da despedida,

em que ou simplesmente partiremos

ou apenas nos despediremos...


E o que dizer neste momento,

em que toda palavra soa insuficiente,

todo consolo é impotente

e toda tentativa de discurso

é menos importante que

o conforto de um abraço?


Não há sensação melhor

na hora da tristeza

do que a segurança da amizade,

o beijo de quem se ama

e o carinho da solidariedade,


pois quem parte não sente...

ou sente menos do que quem fica...

Dor mesmo só cicatriza

com o bálsamo do tempo

no correr da vida...


Salvador, 26 de março de 2011.


sexta-feira, 6 de setembro de 2024

Cadáver Vivo

 







Acordar, comer

Banhar-se, vestir

Trabalhar, beber

Deslocar-se, dormir

Não saber o que mais fazer?

Quem sabe, talvez, viver?

Ver que um dia passa

sem, de nada, achar graça

é finalmente perguntar:

será que morri e

me esqueceram de enterrar?



Salvador, 13 de junho de 2013, após uma sessão de analise junguiana.

 

sexta-feira, 28 de junho de 2024

Testamento

 









Rodolfo Pamplona Filho




Como seria bom poder controlar


os rumos da vida depois do meu passar,


em uma extensão pós-morte do querer,


como se houvesse luz após o anoitecer.




Ensinaria tudo que não deu tempo de falar...


Protegeria todos aqueles que aprendi a amar...


Apagaria os rastros dos meus erros no caminho...


Confortaria todos que ficaram sem carinho...




Pediria perdão a quem eu magoei...


Explicaria o que sentia quando chorei...


Mostraria o que é o fracasso e a glória...


Tentaria dar um sentido à minha história...




O registro autêntico da minha vontade


A declaração antecipada (e inútil) da minha saudade


A eternização da vida em um único momento


A força simbólica de meu testamento.




Salvador, 23 de maio de 2010




domingo, 26 de maio de 2024

A Banalização da Morte

 








A TV divulga, a rádio anuncia,

o jornal comunica

o saldo das mortes do final de semana...

o trânsito, o acidente doméstico

ou a costumeira e pontual queima de arquivo...


Normal...


Ouvimos impassíveis,

tomando o café nosso de cada dia,

no meio das notícias políticas

ou da alegria ou tristeza com

o resultado do jogo do nosso time...


Normal...


Não há espaço para indignação,

nem mesmo há tempo para isso...

A informação passa por

nossos olhos e ouvidos

como uma brisa imperceptível...


Normal...


O sangue escorre das imagens,

do som e dos papéis...

mas não se sente nada...

Anestesia coletiva, difusa e impessoal...

A apatia e a indiferença

não fazem acepção de pessoas...


Normal...

Normal?


Salvador, 16 de agosto de 2010, uma segunda-feira sangrenta...


terça-feira, 12 de dezembro de 2023

Morrer é Doce!

 



Quando em meu peito, romper-se a corrente

Que a alma me prende à dor de viver

Não quero por mim, nem uma lágrima,

Nem um suspiro, nem um sofrer...

Não quero que uma nota de alegria

Se cale por meu passamento.

Não quero que um sorriso

Se apague pelo fim do meu triste tormento!


Viver foi peregrinar no deserto,

Procurando achar o que não estava escondido,

viver foi submergir no tédio,

Tentando encontrar o que já estava perdido

Quando se esgotar o meu suspiro,

Não desfolhe por mim sequer uma flor!

Não tornai outro ente matéria inútil.

Sozinho, da morte, deixai-me o torpor!


No meu epitáfio, escrevas:

Foi homem e, pela vida, passou

Como nas horas de um pesadelo

Que só, com a bela senhora, acordou


Descansem meu leito solitário

À sombra de um triste cipreste,

Numa floresta há muito esquecida

Onde não usurpem o que ainda me reste.

Este parece ser meu desejo final

Neste esperado momento de verdade nua.

Eis-me pronto para beijar a bela senhora

E ver como a morte é doce e crua!

(1989)


sexta-feira, 6 de outubro de 2023

Testamento




Como seria bom poder controlar

os rumos da vida depois do meu passar,

em uma extensão pós-morte do querer,

como se houvesse luz após o anoitecer.


Ensinaria tudo que não deu tempo de falar...

Protegeria todos aqueles que aprendi a amar...

Apagaria os rastros dos meus erros no caminho...

Confortaria todos que ficaram sem carinho...


Pediria perdão a quem eu magoei...

Explicaria o que sentia quando chorei...

Mostraria o que é o fracasso e a glória...

Tentaria dar um sentido à minha história...


O registro autêntico da minha vontade

A declaração antecipada (e inútil) da minha saudade

A eternização da vida em um único momento

A força simbólica de meu testamento.


Salvador, 23 de maio de 2010

domingo, 1 de outubro de 2023

Planejamento Sucessório




Quando, um dia, terminar

a minha jornada terrena,

quero apenas encontrar

a paz em minha pequena


estrada de férteis encontros,

alguns triunfos e acertos,

mas também de desencontros,

reencontros, derrotas e apertos...


Não quero que os que deixo

disputem os poucos bens

que, com muita luta, conquistei,


mas, sim, que encontrem o eixo

da concórdia e harmonia,

não chorando de barriga vazia,


nem tendo a amarga sensação

de desamparo e solidão,

sabendo que eu tive o cuidado

de deixar tudo organizado,


na consciência de minha finitude,

fazendo tudo que eu pude

para, seguindo minha verdade,

distribuir segundo a necessidade


e justiça de uma partilha em vida

de um patrimônio que perece e rui

pois o que é realmente importante


é herdar o orgulho e a saudade doída

somente de quem, em essência, fui,

não do que eu tive na estante.


Salvador, 08 de dezembro de 2013, tendo dobrar um soneto...

quarta-feira, 23 de agosto de 2023

Morrer é Doce!






Rodolfo Pamplona Filho


Quando em meu peito, romper-se a corrente

Que a alma me prende à dor de viver

Não quero por mim, nem uma lágrima,

Nem um suspiro, nem um sofrer...

Não quero que uma nota de alegria

Se cale por meu passamento.

Não quero que um sorriso

Se apague pelo fim do meu triste tormento!


Viver foi peregrinar no deserto,

Procurando achar o que não estava escondido,

viver foi submergir no tédio,

Tentando encontrar o que já estava perdido

Quando se esgotar o meu suspiro,

Não desfolhe por mim sequer uma flor!

Não tornai outro ente matéria inútil.

Sozinho, da morte, deixai-me o torpor!


No meu epitáfio, escrevas:

Foi homem e, pela vida, passou

Como nas horas de um pesadelo

Que só, com a bela senhora, acordou


Descansem meu leito solitário

À sombra de um triste cipreste,

Numa floresta há muito esquecida

Onde não usurpem o que ainda me reste.

Este parece ser meu desejo final

Neste esperado momento de verdade nua.

Eis-me pronto para beijar a bela senhora

E ver como a morte é doce e crua!

(1989)

terça-feira, 22 de agosto de 2023

A Banalização da Morte






Rodolfo Pamplona Filho


A TV divulga, a rádio anuncia,

o jornal comunica

o saldo das mortes do final de semana...

o trânsito, o acidente doméstico

ou a costumeira e pontual queima de arquivo...


Normal...


Ouvimos impassíveis,

tomando o café nosso de cada dia,

no meio das notícias políticas

ou da alegria ou tristeza com

o resultado do jogo do nosso time...


Normal...


Não há espaço para indignação,

nem mesmo há tempo para isso...

A informação passa por

nossos olhos e ouvidos

como uma brisa imperceptível...


Normal...


O sangue escorre das imagens,

do som e dos papéis...

mas não se sente nada...

Anestesia coletiva, difusa e impessoal...

A apatia e a indiferença

não fazem acepção de pessoas...


Normal...

Normal?


Salvador, 16 de agosto de 2010, uma segunda-feira sangrenta...

sábado, 17 de junho de 2023

Planejamento Sucessório

 




Quando, um dia, terminar

a minha jornada terrena,

quero apenas encontrar

a paz em minha pequena


estrada de férteis encontros,

alguns triunfos e acertos,

mas também de desencontros,

reencontros, derrotas e apertos...


Não quero que os que deixo

disputem os poucos bens

que, com muita luta, conquistei,


mas, sim, que encontrem o eixo

da concórdia e harmonia,

não chorando de barriga vazia,


nem tendo a amarga sensação

de desamparo e solidão,

sabendo que eu tive o cuidado

de deixar tudo organizado,


na consciência de minha finitude,

fazendo tudo que eu pude

para, seguindo minha verdade,

distribuir segundo a necessidade


e justiça de uma partilha em vida

de um patrimônio que perece e rui

pois o que é realmente importante


é herdar o orgulho e a saudade doída

somente de quem, em essência, fui,

não do que eu tive na estante.



Salvador, 08 de dezembro de 2013, tendo dobrar um soneto...

segunda-feira, 12 de junho de 2023

Testamento

 




Como seria bom poder controlar

os rumos da vida depois do meu passar,

em uma extensão pós-morte do querer,

como se houvesse luz após o anoitecer.


Ensinaria tudo que não deu tempo de falar...

Protegeria todos aqueles que aprendi a amar...

Apagaria os rastros dos meus erros no caminho...

Confortaria todos que ficaram sem carinho...


Pediria perdão a quem eu magoei...

Explicaria o que sentia quando chorei...

Mostraria o que é o fracasso e a glória...

Tentaria dar um sentido à minha história...


O registro autêntico da minha vontade

A declaração antecipada (e inútil) da minha saudade

A eternização da vida em um único momento

A força simbólica de meu testamento.


Salvador, 23 de maio de 2010

terça-feira, 9 de maio de 2023

domingo, 5 de fevereiro de 2023

A Banalização da Morte

 



A TV divulga, a rádio anuncia,

o jornal comunica

o saldo das mortes do final de semana...

o trânsito, o acidente doméstico

ou a costumeira e pontual queima de arquivo...


Normal...


Ouvimos impassíveis,

tomando o café nosso de cada dia,

no meio das notícias políticas

ou da alegria ou tristeza com

o resultado do jogo do nosso time...


Normal...


Não há espaço para indignação,

nem mesmo há tempo para isso...

A informação passa por

nossos olhos e ouvidos

como uma brisa imperceptível...


Normal...


O sangue escorre das imagens,

do som e dos papéis...

mas não se sente nada...

Anestesia coletiva, difusa e impessoal...

A apatia e a indiferença

não fazem acepção de pessoas...


Normal...

Normal?


Salvador, 16 de agosto de 2010, uma segunda-feira sangrenta...

sábado, 4 de fevereiro de 2023

Morrer é Doce!

 






Morrer é Doce!

Rodolfo Pamplona Filho


Quando em meu peito, romper-se a corrente

Que a alma me prende à dor de viver

Não quero por mim, nem uma lágrima,

Nem um suspiro, nem um sofrer...

Não quero que uma nota de alegria

Se cale por meu passamento.

Não quero que um sorriso

Se apague pelo fim do meu triste tormento!


Viver foi peregrinar no deserto,

Procurando achar o que não estava escondido,

viver foi submergir no tédio,

Tentando encontrar o que já estava perdido

Quando se esgotar o meu suspiro,

Não desfolhe por mim sequer uma flor!

Não tornai outro ente matéria inútil.

Sozinho, da morte, deixai-me o torpor!


No meu epitáfio, escrevas:

Foi homem e, pela vida, passou

Como nas horas de um pesadelo

Que só, com a bela senhora, acordou


Descansem meu leito solitário

À sombra de um triste cipreste,

Numa floresta há muito esquecida

Onde não usurpem o que ainda me reste.

Este parece ser meu desejo final

Neste esperado momento de verdade nua.

Eis-me pronto para beijar a bela senhora

E ver como a morte é doce e crua!

(1989)