O objetivo deste blog é divulgar toda a minha produção poética, sem prejuízo de continuar a ser postada também no Portal de Poesia Rodolfo Pamplona Filho (www.rodolfopamplonafilho.blogspot.com).
A diferença é que, lá, são publicados também textos alheios, em uma interação e comunhão poética, enquanto, aqui, serão divulgados somente textos poéticos (em prosa ou verso) de minha autoria, facilitando o conhecimento da minha reflexão...
Espero que gostem da iniciativa...
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terça-feira, 8 de setembro de 2026

A Essência de Ser Professor




O magistério é a parábola do semeador...

Nós não desperdiçamos sementes...

Nós apostamos que uma delas germinará...


O magistério é a consciência plena

de que se tem o futuro de alguém

em suas mãos e em seus ensinamentos...


O magistério é o sacerdócio verdadeiro

de se entregar a uma missão, com alma de criança,

mesmo quando os outros não têm sequer esperança...


E se, ao menos, um aluno,

um único aluno simplesmente,

sentir-se desta forma,

já terá valido a pena todo sacrifício...


Salvador, 15 de outubro de 2010.


quarta-feira, 15 de julho de 2026

Xenofobia

 




Rodolfo Pamplona Filho


A raiz da xenofobia

é o medo de se perder

no tipo de amor e simpatia

que o mundo não quer ver.

É um clichê através dos anos,

desde o inicio dos tempos:

que, quanto mais seres encontramos,

mais nos isolemos...


A história não se cansa

de ver o ódio aberto

a quem se arrisca na dança

de um papel outrora incerto.

O universo está repleto

de histórias de amantes

que não ficam por completo,

só por ser de lugares distantes...


Romeu e Julieta, como exemplo,

é a pior história do universo do homem,

pois, em vez de celebrar um tempo

de amor entre desiguais no nome,

consagra a sua derrota

como se fosse a forma de paz

para a única resposta

da busca por algo a mais...


Por que ter medo de olhar para o lado?

Por que ter ódio do diferente?

Somente pelo temor escancarado,

virtual ou evidente,

de ser "contaminado"

por uma forma influente

de pensar, de crer,

de amar ou de ser...


A melhor forma de combater

o preconceito a outra crença

é se misturar, a não poder,

até não perceber a diferença...

O meio perfeito de terminar,

por completo, a discriminação

é não ter medo de buscar

a pura e simples miscigenação.


Praia do Forte, 30 de dezembro de 2010.


segunda-feira, 15 de junho de 2026

Soneto sobre Licitações

 



 

No trato público de contratar,

impõe-se norma de isenta feição,

para que todos possam disputar,

com lisura e plena condição.

 

Editais regem o ato de ajustar,

com transparência e justa seleção;

Afasta-se o arbítrio, ao deliberar,

guardando a ética na condução.

 

Vence não só quem oferta menor,

mas quem demonstra probidade e valor,

em fiel observância à missão do Estado,

 

pois gerir bens com rigor e pudor

exige zelo, critério e primor,

para que o justo, ao final, seja alcançado.

 

Brasília, 03 de maio de 2026.

domingo, 14 de junho de 2026

Confissão e Justiça Penal

 



Rodolfo Pamplona Filho e Nestor Távora

 

O Estado pede que confesse, apresentando todo o alicerce.

Dizem: “é só uma medida alternativa!”

mas pode acabar com uma vida

 

Quem confessa, por medo, a todos suplica,

por temer as incertezas da Justiça e da vida.

 

Aceita qualquer acordo ou negociação,

por medo do processo e sua repercussão,

 

pois lhe negam o direito mais básico:

ser ouvido por um juiz democrático,

 

que queira saber o que, de fato, ocorreu,

e não que o que o Sistema lhe deu.

 

Entre calar-se e vir a narrar,

prevalece o direito de não se incriminar;

Nem toda fala há de se aceitar,

se nasce viciada ao declarar.

 

Confissão não se pode impor ou forjar,

sob pena grave de se invalidar;

Justiça exige livre manifestar,

sem coação que a venha macular.

 

Prova legítima é fruto da razão,

aliada firme à verificação,

distante sempre de indução indevida,

 

pois decidir com reta convicção

requer cautela na apreciação,

para que a verdade seja erigida.

 

Brasília, 03 de maio de 2026.

sábado, 13 de junho de 2026

Soneto sobre o Dano Tanatológico

 



Quando a existência abrupta se desfaz

e a morte impõe silêncio derradeiro,

o Direito busca, ainda que incapaz,

traduzir o luto em valor financeiro.

 

Mas toda perda que do ser se traz

excede cálculo exato e verdadeiro;

nenhuma cifra jamais satisfaz

ou faz cessar o abalo íntimo e certeiro.

 

Resta ao sistema a via indenizatória,

ainda aquém da dimensão da história,

que a ausência deixa em dor continuada,

 

pois mesmo após a devida reparação

persiste viva a funda comoção,

na lembrança que não pode ser calada.

 

Brasília, 03 de maio de 2026.

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Autocuratela

 



 

Na lucidez que o tempo ainda manda,

prevê-se o ocaso em cláusula prudente;

a vontade, serena e diligente,

firma destinos quando o corpo desanda…

 

Não há tutela imposta que desagrade

quem deixa a própria escolha claramente;

pois cada diretriz, livre e consciente,

afasta o arbítrio vil que a vida invade.

 

Se a mente vacilar na noite escura,

subsiste a diretriz anteriormente erguida,

guardando identidade, afeto e crença.

 

Autocuratela: expressão segura

da autonomia humana protegida,

na lei, na ética, enfim, na coexistência.

 

No aeroporto de Cumbica, Guarulhos/SP, em 21 de maio de 2026.

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Soneto sobre Sustentação Oral nos Tribunais

 

 


Na tribuna, ergue-se voz firme e altiva,

verbo preciso em métrica elegante,

razão conduz defesa persuasiva,

lógica guia discurso vibrante.

 

Toga silente escuta narrativa,

fato alinhado em passo consonante,

prova desenha tese decisiva,

tempo contido impõe tom relevante.

 

Gestos comedidos moldam argumento,

síntese clara vence resistência,

julgador atento pesa fundamento.

 

Ordem sustenta justa consistência,

palavra encerra nobre juramento,

Direito floresce em consciência.

 

Brasília, 03 de maio de 2026.

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Aspectos Práticos do Tribunal do Júri

 



 

No átrio austero, a toga reluzente

sustenta a voz da lei perante o povo;

no Júri, cada gesto é eloquente

e o verbo hábil pode erguer o novo.

 

A prova documental, firme e fria,

confronta o pranto e a réplica inflamada,

enquanto a retórica irradia

e persuade a mente atenta e concentrada.

 

O corpo de jurados silencia,

pesando culpa, dúvida e clemência;

Ali, não basta só jurisprudência:

requer-se pulso, ética e maestria.

 

Nos debates, estratégia e compostura

modelam convicções no plenário,

pois cada intervenção da advocacia

pode alterar o curso do cenário.

 

E, ao soar da sentença derradeira,

entre emoções, teses e verdade,

revela o Tribunal, em sua essência inteira,

o encontro entre Justiça e Humanidade.

 

Araguaína, 18 de maio de 2026.

quarta-feira, 20 de maio de 2026

Ônus da Prova

 


 








O que se prova?


Tudo aquilo de que se quer


tirar uma efetiva consequência.


Quem tem de provar?


Todo aquele que pretende 


obter a resposta da providência


Para quem se prova?


Para aquele que pode decidir


o futuro da sua pretensão.


O que se prova?


O fato, o simples fato,


e não a sua convicção.


Como se prova?


Por todos os meios 


que a imaginação


e as regras do jogo


permitirem...


O que é a prova?


Pode ser a verdade


ou uma simples evidência,


desde que, por causa dela,


construa-se uma consciência.


Para o processo,


não existe diferença 


entre verdade e versão,


pressa e pressão,


surra ou sova.


Na loucura da decisão,


o que permite o juiz dormir 


não é a força do sonífero,


mas o desincumbir do ônus da prova.




Recife, 2016


segunda-feira, 13 de abril de 2026

Poliamorismo

 






Rodolfo Pamplona Filho


Por que não se pode

amar mais de uma pessoa

ao mesmo tempo?

Por que o ato de amar

exige uma exclusividade artificial,

como se o coração pudesse

ser controlado como

um bicho de estimação?


Para alguém ser completo,

é possível que haja mais de uma peça

para formar um todo,

que não é um quebra-cabeça,

mas, sim, um complexo prisma,

cujas faces são complementares,

não havendo verdade ou mentira,

pois tudo dependerá do ângulo que se mira...


Eu quero amar você eternamente,

mas não quero deixar de amar ninguém...

Eu quero ficar com você o resto da vida,

mas isso não significa viver só a dois...

Meu amor não é uma cabine simples,

com apenas dois lugares:

é um mar com vários ecossistemas,

uma galáxia com diversas estrelas...


Eu não quero a clandestinidade

de viver um amor marginal...

Quero uma relação de maturidade

em que haja entrega total,

sem a ilusão da única cara metade,

vivendo o múltiplo afeto da vida real.


San Francisco, 28 de setembro de 2010.

terça-feira, 7 de abril de 2026

Rompendo

 





Rodolfo Pamplona Filho


E, de repente, o silêncio!!!

E o que era unidade

virou dois corpos abraçados

(mas não era a mesma coisa!)

E o silêncio persiste!!!

Palavras são emitidas,

mas parece não haver som

Confesso: estou com medo

(ela também!)

Medo de quê???

Medo de perdê-la

e nunca mais tê-la...

... de volta ... em meus braços

O rádio está ligado,

mas o silêncio continua... (insuportável!!!)

Fala-se sobre qualquer coisa,

mas o silêncio continua...

Será o fim?

Ou será apenas a explosão de outra neurose?

Enquanto escrevo,

meu corpo sua e treme!

Será febre?

Será medo?

Será que vou conseguir encontrar

alguém que eu goste de abraçar

alguém com quem eu possa conversar

alguém que eu possa amar,

sem ser você, amiga?

Acho difícil,

Acho impossível,

acho insuportável!

Mas, então, por que, meu Deus, por que?

Por que meu coração está confuso desse jeito?


Se eu a amo,

por que hesito?

Se não a amo,

por que existo?

Vejo seus olhos marejados

Sinto que ela vai chorar.

Se tenho vontade, por que não grito logo que a quero?

que a amo?

que a desejo?

Porque...

... sou imaturo

... sou um idiota

... sou influenciado por palavras que não vem da minha boca

nem da minha alma

nem do meu coração.

Mas, mesmo assim,

e por isso mesmo,

eu hesito quando

quando tudo seria bem mais fácil

e bem mais simples

se eu (mente, alma e coração)

apenas dissesse:


Meu amor, quero ficar contigo o resto de minha vida!


(11.10.92)

sexta-feira, 13 de março de 2026

Segurança Jurídica



 


Certeza


Estabilidade


Presteza


Previsibilidade


Proeza


de Hombridade


Firmeza


é Alteridade


 


O Direito deve oferecer


a quem a ele se submeter


a garantia de confiança


de cumprimento da palavra dada


e da repercussão consolidada


nos negócios e na vida,


pois não há decepção maior


do que a mentira despida,


a imagem corrompida


e a promessa rompida.


 


Salvador, 13 de fevereiro de 2023.


terça-feira, 10 de março de 2026

Regime de Bens

 


 


Comunhão


em família


Divisão


em Partilha


Acordo


da razão


em conforto


da emoção


Quando dois


se tornam um,


a convicção


da esperança


se sobrepõe


à incerteza


do futuro,


em que tudo


pode ser perfeito


ou o castelo


pode ruir


nas nuvens


e nos sonhos


de quem não


cogitou o fim.


 


Salvador, 16 de julho de 2022.

quarta-feira, 4 de março de 2026

Julgamento



 










Os que não querem ser julgados


são os primeiros a condenar


e a se defender dizendo


que só Deus e eles sabem


o que eles têm passado...




Salvador, 21 de agosto de 2017.

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Escravos

 


 


Preparei o seu banho com minhas lágrimas

E reguei suas plantas com meu suor

Destilei o seu whisky com minhas mágoas

E, dos meus ossos, fizeram pó


Construi catedrais com os meus braços

Mas temo que sejam armadilhas mortais

Hoje, não olho mais para meus passos,

Mentes castradas criam jamais!!!


Escravos da Mídia, Escravos da Vida

Escravos do Mundo, Escravos de Deus

A liberdade é como virgindade:

Só se perde uma vez!!!


Meu visual está a seu agrado?

Espero que sim: Não tenho opinião!

Se desejar, mudo o meu penteado

Ou troco de cor como um camaleão


Cantarei justamente o que você me mandar

Me corrompendo para ser aplaudido

Cópias de idéias expostas no ar

E originais jogadas no lixo!!!


(1991)


Letra e Música: Rodolfo Pamplona Filho

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Hitler, meu filho!

 

 






Se eu pudesse

Voltar atrás

E tentasse alterar

O meu passado,

Meu espírito teria paz

E meu destino seria mudado?

Se eu tivesse abortado meu filho,

Minha agonia teria fim?

Que seria do meu próprio íntimo,

Se eu matasse um pedaço de mim?


Gerei em meu útero

Um anjo louco

E nas minhas veias,

Eu me dei para ele,

Mas todo o sangue foi pouco

Para matar sua sede!

O meu corpo era árvore da vida,

Mas meu fruto semente da dor!

Como dói essa minha ferida

De não ter ensinado o amor!


Quantos inocentes

Sofreram por sua mão?

Quantas crianças

Por sua causa, morreram em vão?

Quantas crianças,

Pelo seu ódio, morreram em vão?


Amor materno

Com repúdio!

Sanidade mesclada

Com distúrbio!

Será que eu devia

Ter dito Não?

Será que eu devia

Ter dito Não?

Não!

Não!

Pois até os carrascos têm uma mãe!

... até os carrascos têm uma mãe!



(1991)


Letra: Rodolfo Pamplona Filho


Música: Jorge Pigeard

sábado, 3 de janeiro de 2026

Adoção Afetiva

 

 






A vida me contemplou

com filhos maravilhosos,

tanto no sangue,

quanto no coração!


Isso se dá, com fé,

pois, definitivamente,

a paternidade não é

uma biologia permanente.


É muito mais do que isso:

é uma eleição de paradigma

de quem assume o compromisso

de não ser um enigma.


Apadrinha-se, torna-se companheiro,

confidente, ombro amigo e parceiro.

Comemora-se junto, chora-se também,

da verdade biológica, vai-se além...


A paternidade por adoção afetiva

honrou-me com um carinho

que nem todos têm na vida...

que não se compreende sozinho...


mas que é a prova mais dura

de que pessoas podem se amar

e se entregar de forma pura,

sem qualquer outro interessar,


como deveria ser, aliás,

em qualquer verdadeira relação

de um afeto que não volta atrás...

de uma escolha consciente de devoção.


Aracaju, 07 de outubro de 2010.

domingo, 28 de dezembro de 2025

Direito Skinhead

 



Princípio da Truculência Máxima:

In dubio, pau no réu..

Tal qual em “O Pequeno Príncipe”,

você se torna eternamente responsável

pelas empresas que cria...

Afinal de contas,

o processo judicial não pode

ter sensação de coito interrompido...


Quebra de sigilo fiscal,

bancário, telefônico e pessoal:

tudo isso é fichinha

para o que se está

disposto a fazer,

para, em seu entender,

cumprir o seu dever...


Bloquear suas contas,

restringir o seu crédito,

mandar prendê-lo,

se deixassem...

Não há limites

para a sede de justiça,

ainda que seja para beber

todo o seu sangue e seu suor...


Quando o Direito

não é respeitado,

tanto na vida,

quanto no processo...


Quando o Direito

parece ser apenas

um conto de fadas

ou uma história de Carochinha...


Quando o Direito

reconhece que não há

limites para a criatividade humana

quando se quer manobrar para não honrar,

fugir ou fraudar direitos...


Quando o Direito

definitivamente

precisa ser reinventado

para ser efetivado,

não há mais salvação:

É o tempo e lugar

do Direito Skinhead!


Salvador, 04 de setembro de 2010, estressado em um sábado...

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Justiça Fiscal

 



 

Em terras de riquezas, onde a justiça é a meta,

A Justiça Fiscal é a balança que se equilibra reta.

Com impostos justos, pagos por todos com zelo,

Para o bem comum, em postura modelo.

 

Os cofres públicos devem ter recursos garantidos

para saúde, educação e segurança para ser investidos.

Mas o mal disseminado da corrupção e a sonegação

acaba desviando verbas, que ao povo pertence, pela Constituição.

 

A Justiça Fiscal é um direito e um dever

de todos e todas, o que abrange eu e você.

Pagar impostos, com transparência e equidade

é a chave para a igualdade e a liberdade.

 

Com leis justas e claras, e fiscalização severa,

garante-se uma sociedade mais equânime e sincera.

Então, vamos juntos, lutar por esse ideal

de realizar a almejada Justiça Fiscal.

 

Natal, 24 de outubro de 2025.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Tomada de Decisão Apoiada

 



 

Que desafio danado:

tomar decisões é ato pensado!

No apoio e reflexão, buscar caminhar,

para escolhas certas, sem tropeçar!

 

Com informações atualizadas,

conclusões são mais ponderadas,

mas é preciso ter cuidado

para não errar o alvo desejado.

 

Proteger sem sufocar!

Eis o desafio a enfrentar,

pois violentar a vontade é falhar,

um preço muito alto a pagar.

 

Então, caminhar com sapiência

é decidir com prudência,

com planejamento, a encontrar

o equilíbrio perfeito, sem tropeçar.

 

A tomada de decisão apoiada

não é uma formalidade maquiada!

É processo que exige respeito

e não se faz de qualquer jeito.

 

A autonomia é, ao final, liberdade

de escolher o que se quer, de verdade,

pois quem decide, com ajuda e carinho,

descobre a plenitude do próprio caminho.

 

Natal, 23 de outubro de 2025.