O objetivo deste blog é divulgar toda a minha produção poética, sem prejuízo de continuar a ser postada também no Portal de Poesia Rodolfo Pamplona Filho (www.rodolfopamplonafilho.blogspot.com).
A diferença é que, lá, são publicados também textos alheios, em uma interação e comunhão poética, enquanto, aqui, serão divulgados somente textos poéticos (em prosa ou verso) de minha autoria, facilitando o conhecimento da minha reflexão...
Espero que gostem da iniciativa...
Mostrando postagens com marcador Palestra Cantada. Mostrar todas as postagens
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segunda-feira, 13 de abril de 2026

Poliamorismo

 






Rodolfo Pamplona Filho


Por que não se pode

amar mais de uma pessoa

ao mesmo tempo?

Por que o ato de amar

exige uma exclusividade artificial,

como se o coração pudesse

ser controlado como

um bicho de estimação?


Para alguém ser completo,

é possível que haja mais de uma peça

para formar um todo,

que não é um quebra-cabeça,

mas, sim, um complexo prisma,

cujas faces são complementares,

não havendo verdade ou mentira,

pois tudo dependerá do ângulo que se mira...


Eu quero amar você eternamente,

mas não quero deixar de amar ninguém...

Eu quero ficar com você o resto da vida,

mas isso não significa viver só a dois...

Meu amor não é uma cabine simples,

com apenas dois lugares:

é um mar com vários ecossistemas,

uma galáxia com diversas estrelas...


Eu não quero a clandestinidade

de viver um amor marginal...

Quero uma relação de maturidade

em que haja entrega total,

sem a ilusão da única cara metade,

vivendo o múltiplo afeto da vida real.


San Francisco, 28 de setembro de 2010.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Sede de Viver



 



Eu quero viver intensamente

como se fosse morrer de repente

sem nova chance, irremediavelmente...

Eu quero uma vida sem rotina

onde cada dia tenha a sina

de, do outro, ser diferente...


Eu quero nunca ficar sozinho,

mesmo que, alguns momentos,

eu precise estar só para pensar!

Eu quero dar atenção a todo elemento

que precisar de mim, para ajudar,

acreditando que, alguém, posso mudar!


Eu quero que minha mulher

seja simultânea mãe, parceira,

amante e companheira!

Eu quero acompanhar diariamente

o crescimento de meus filhos

e ser seu melhor amigo eternamente!


Eu quero colocar para fora

todos os sentimentos que guardo

no peito que trazem um gosto amargo!

Eu quero produzir tudo que outrora

programei, um dia, escrever,

plantar, compor, construir ou ler!


Eu quero me sentir desejado,

como nunca antes no passado,

e minha energia não sublimar...

Eu quero aprender a me vestir,

saber onde chegar e de onde vir

o que, com quem e como falar...


Eu quero fazer amor outra vez

com o desejo de quem nunca fez

e o conhecimento da experiência!

Eu quero chorar de felicidade

e sorrir na adversidade,

lutando pela sobrevivência!


Eu quero tudo isto e muito mais...

mesmo que digam que é olhar para trás,

eu não vou me importar,

pois tudo que der, eu vou fazer,

sem medo de tentar ou errar,

sem receio de me machucar,

na busca, finalmente, de saciar

minha recém-descoberta sede de viver.




Recife, 14 de janeiro de 2011.

sábado, 3 de janeiro de 2026

Adoção Afetiva

 

 






A vida me contemplou

com filhos maravilhosos,

tanto no sangue,

quanto no coração!


Isso se dá, com fé,

pois, definitivamente,

a paternidade não é

uma biologia permanente.


É muito mais do que isso:

é uma eleição de paradigma

de quem assume o compromisso

de não ser um enigma.


Apadrinha-se, torna-se companheiro,

confidente, ombro amigo e parceiro.

Comemora-se junto, chora-se também,

da verdade biológica, vai-se além...


A paternidade por adoção afetiva

honrou-me com um carinho

que nem todos têm na vida...

que não se compreende sozinho...


mas que é a prova mais dura

de que pessoas podem se amar

e se entregar de forma pura,

sem qualquer outro interessar,


como deveria ser, aliás,

em qualquer verdadeira relação

de um afeto que não volta atrás...

de uma escolha consciente de devoção.


Aracaju, 07 de outubro de 2010.

quinta-feira, 5 de setembro de 2024

Débito Conjugal

 





Cansei de pedir

e você não me dar...

Não consigo mais

me humilhar e mendigar

por algo que também

deveria nos trazer prazer,

mas que soa como

um favor feito por você!


Isto não é um capricho

ou mera concupiscência:

é necessidade física como

comer, beber e dormir,

mas há uma diferença abissal

entre vinho e camarão

e refrigerante e feijão...


Sexo não é solução de problemas,

nem paliativo para superar discussões;

não é instrumento para chantagem,

nem mero extravasar de emoções...

É conseqüência natural

de uma relação bem ajustada,

em que proporcionar satisfação

flui livre e da forma desejada.


Você sabe o que quero...

Você sabe o que quero fazer...

Você sabe o que quero para fazer...

E tudo apenas para ser feliz...

Então, por que insiste nesta postura,

que não mais funciona nesta altura

e abre ferida que não cura,

marcando-me com uma cicatriz...


Débito conjugal

Dever especial

Greve sexual

Conflito sem final


Salvador, 22 de agosto de 2010


terça-feira, 9 de janeiro de 2024

Adoção Afetiva




A vida me contemplou

com filhos maravilhosos,

tanto no sangue,

quanto no coração!


Isso se dá, com fé,

pois, definitivamente,

a paternidade não é

uma biologia permanente.


É muito mais do que isso:

é uma eleição de paradigma

de quem assume o compromisso

de não ser um enigma.


Apadrinha-se, torna-se companheiro,

confidente, ombro amigo e parceiro.

Comemora-se junto, chora-se também,

da verdade biológica, vai-se além...


A paternidade por adoção afetiva

honrou-me com um carinho

que nem todos têm na vida...

que não se compreende sozinho...


mas que é a prova mais dura

de que pessoas podem se amar

e se entregar de forma pura,

sem qualquer outro interessar,


como deveria ser, aliás,

em qualquer verdadeira relação

de um afeto que não volta atrás...

de uma escolha consciente de devoção.


Aracaju, 07 de outubro de 2010.

sábado, 2 de dezembro de 2023

Adoção Afetiva





A vida me contemplou

com filhos maravilhosos,

tanto no sangue,

quanto no coração!


Isso se dá, com fé,

pois, definitivamente,

a paternidade não é

uma biologia permanente.


É muito mais do que isso:

é uma eleição de paradigma

de quem assume o compromisso

de não ser um enigma.


Apadrinha-se, torna-se companheiro,

confidente, ombro amigo e parceiro.

Comemora-se junto, chora-se também,

da verdade biológica, vai-se além...


A paternidade por adoção afetiva

honrou-me com um carinho

que nem todos têm na vida...

que não se compreende sozinho...


mas que é a prova mais dura

de que pessoas podem se amar

e se entregar de forma pura,

sem qualquer outro interessar,


como deveria ser, aliás,

em qualquer verdadeira relação

de um afeto que não volta atrás...

de uma escolha consciente de devoção.


Aracaju, 07 de outubro de 2010.

sexta-feira, 25 de agosto de 2023

Poliamorismo

 






Rodolfo Pamplona Filho


Por que não se pode

amar mais de uma pessoa

ao mesmo tempo?

Por que o ato de amar

exige uma exclusividade artificial,

como se o coração pudesse

ser controlado como

um bicho de estimação?


Para alguém ser completo,

é possível que haja mais de uma peça

para formar um todo,

que não é um quebra-cabeça,

mas, sim, um complexo prisma,

cujas faces são complementares,

não havendo verdade ou mentira,

pois tudo dependerá do ângulo que se mira...


Eu quero amar você eternamente,

mas não quero deixar de amar ninguém...

Eu quero ficar com você o resto da vida,

mas isso não significa viver só a dois...

Meu amor não é uma cabine simples,

com apenas dois lugares:

é um mar com vários ecossistemas,

uma galáxia com diversas estrelas...


Eu não quero a clandestinidade

de viver um amor marginal...

Quero uma relação de maturidade

em que haja entrega total,

sem a ilusão da única cara metade,

vivendo o múltiplo afeto da vida real.


San Francisco, 28 de setembro de 2010.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2023

O Remédio Amargo

 




Pode chegar um momento em suas vidas

Em que a Paixão se torna amizade,

para depois virar educação;

em que Tom Jobim e Vinícius de Moraes viram Kid Abelha,

em que o “Eu sei que vou te amar”

vira “o nosso amor se transformou em bom dia”;

em que a sua identidade de amante

é convertida em ser pai ou mãe de alguém...


Pode chegar um momento em suas vidas

em que o sexo se torna burocrático,

como um ponto a ser batido

ou um dever a ser agendado;

em que qualquer coisa é motivo para dizer não,

como se precisasse de algo para dizer não...

ou quando o “não quero”, “não pode”, “não faço”, “não vou”

se tornam mais comuns do que o “eu te amo”...


Pode chegar um momento em suas vidas,

em que não há mais gota d’água a esperar,

pois o cálice já transbordou há muito;

em que o silêncio é menos constrangedor

do que ouvir a voz do ente antes amado,

em que a ansiedade de conhecer o outro

é substituída pelo marasmo absurdo

da convivência com falta de assunto...


Pode chegar um momento em suas vidas

em que o resgate dos sentimentos de outrora

é visto como uma chatice ou perda de tempo;

em que as lembranças de momentos felizes

são vistas como um “mico” de um passado distante

em que a tentativa de diálogo é interrompida

por um bocejo ou por um olhar no infinito;

em que se percebe que o desrespeito tem perdão,

mas a monotonia não tem solução...


Pode chegar um momento em suas vidas,

em que se discute compatibilização de horários,

como se o que se tornou um já tivesse desvirado;

em que o trabalho dá prazer e o prazer dá trabalho,

onde o stress é preferível à companhia do outro;

em que vale pena se submeter voluntariamente

a um instrumento de tortura medieval,

em que passar a vida esperando a morte não soa assim tão mal...


Pode chegar um momento em suas vidas,

em que a promessa não consegue mais prevalecer;

em que a experiência derrota a esperança;

em que não faz mais sentido permanecer...

em que não há mais nada a fazer,

senão tomar o remédio amargo,

na agonia que o veneno feche e cicatrize a ferida,

em vez de provavelmente matar o paciente.


Rio de Janeiro, 24 de abril de 2010

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

O Fim do Amor

 




Qual é o fim do amor?

O que move alguém a achar

que não pode viver sem amar?


Qual é o fim do amor?

Por que algo tão maravilhoso

pode ser tão doloroso?


O que alimenta o amor?

As promessas? A parceria?

Os sonhos? Ou a hipocrisia?


O que alimenta o amor?

O respeito? A tolerância?

Os filhos? A esperança?


O que mantém vivo o amor?

O desejo? A vontade?

O medo? A necessidade?


O que mantém vivo o amor?

A fidelidade? O carinho dado?

A cumplicidade? Ou o papel assinado?


Qual é o fim do amor?

O casamento? A monotonia?

O divórcio? Ou a ironia?


Qual é o fim do amor?

Eu não sei...

pois o fim do amor é amar...


Salvador, 12 de abril de 2010

quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

Adoção Afetiva

 



A vida me contemplou
com filhos maravilhosos,
tanto no sangue,
quanto no coração!

Isso se dá, com fé,
pois, definitivamente,
a paternidade não é
uma biologia permanente.

É muito mais do que isso:
é uma eleição de paradigma
de quem assume o compromisso
de não ser um enigma.

Apadrinha-se, torna-se companheiro,
confidente, ombro amigo e parceiro.
Comemora-se junto, chora-se também,
da verdade biológica, vai-se além...

A paternidade por adoção afetiva
honrou-me com um carinho
que nem todos têm na vida...
que não se compreende sozinho...

mas que é a prova mais dura
de que pessoas podem se amar
e se entregar de forma pura,
sem qualquer outro interessar,

como deveria ser, aliás,
em qualquer verdadeira relação
de um afeto que não volta atrás...
de uma escolha consciente de devoção.

Aracaju, 07 de outubro de 2010.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

Sede de Viver

 




Eu quero viver intensamente

como se fosse morrer de repente

sem nova chance, irremediavelmente...

Eu quero uma vida sem rotina

onde cada dia tenha a sina

de, do outro, ser diferente...


Eu quero nunca ficar sozinho,

mesmo que, alguns momentos,

eu precise estar só para pensar!

Eu quero dar atenção a todo elemento

que precisar de mim, para ajudar,

acreditando que, alguém, posso mudar!


Eu quero que minha mulher

seja simultânea mãe, parceira,

amante e companheira!

Eu quero acompanhar diariamente

o crescimento de meus filhos

e ser seu melhor amigo eternamente!


Eu quero colocar para fora

todos os sentimentos que guardo

no peito que trazem um gosto amargo!

Eu quero produzir tudo que outrora

programei, um dia, escrever,

plantar, compor, construir ou ler!


Eu quero me sentir desejado,

como nunca antes no passado,

e minha energia não sublimar...

Eu quero aprender a me vestir,

saber onde chegar e de onde vir

o que, com quem e como falar...


Eu quero fazer amor outra vez

com o desejo de quem nunca fez

e o conhecimento da experiência!

Eu quero chorar de felicidade

e sorrir na adversidade,

lutando pela sobrevivência!


Eu quero tudo isto e muito mais...

mesmo que digam que é olhar para trás,

eu não vou me importar,

pois tudo que der, eu vou fazer,

sem medo de tentar ou errar,

sem receio de me machucar,

na busca, finalmente, de saciar

minha recém-descoberta sede de viver.


Recife, 14 de janeiro de 2011.

sábado, 12 de novembro de 2022

Adoção Afetiva

Rodolfo Pamplona Filho



A vida me contemplou

com filhos maravilhosos,

tanto no sangue,

quanto no coração!


Isso se dá, com fé,

pois, definitivamente,

a paternidade não é

uma biologia permanente.


É muito mais do que isso:

é uma eleição de paradigma

de quem assume o compromisso

de não ser um enigma.


Apadrinha-se, torna-se companheiro,

confidente, ombro amigo e parceiro.

Comemora-se junto, chora-se também,

da verdade biológica, vai-se além...


A paternidade por adoção afetiva

honrou-me com um carinho

que nem todos têm na vida...

que não se compreende sozinho...


mas que é a prova mais dura

de que pessoas podem se amar

e se entregar de forma pura,

sem qualquer outro interessar,


como deveria ser, aliás,

em qualquer verdadeira relação

de um afeto que não volta atrás...

de uma escolha consciente de devoção.


Aracaju, 07 de outubro de 2010.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

O Fim do Amor

 





Qual é o fim do amor?

O que move alguém a achar

que não pode viver sem amar?


Qual é o fim do amor?

Por que algo tão maravilhoso

pode ser tão doloroso?


O que alimenta o amor?

As promessas? A parceria?

Os sonhos? Ou a hipocrisia?


O que alimenta o amor?

O respeito? A tolerância?

Os filhos? A esperança?


O que mantém vivo o amor?

O desejo? A vontade?

O medo? A necessidade?


O que mantém vivo o amor?

A fidelidade? O carinho dado?

A cumplicidade? Ou o papel assinado?


Qual é o fim do amor?

O casamento? A monotonia?

O divórcio? Ou a ironia?


Qual é o fim do amor?

Eu não sei...

pois o fim do amor é amar...


Salvador, 12 de abril de 2010

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

O Remédio Amargo





Pode chegar um momento em suas vidas

Em que a Paixão se torna amizade,

para depois virar educação;

em que Tom Jobim e Vinícius de Moraes viram Kid Abelha,

em que o “Eu sei que vou te amar”

vira “o nosso amor se transformou em bom dia”;

em que a sua identidade de amante

é convertida em ser pai ou mãe de alguém...


Pode chegar um momento em suas vidas

em que o sexo se torna burocrático,

como um ponto a ser batido

ou um dever a ser agendado;

em que qualquer coisa é motivo para dizer não,

como se precisasse de algo para dizer não...

ou quando o “não quero”, “não pode”, “não faço”, “não vou”

se tornam mais comuns do que o “eu te amo”...


Pode chegar um momento em suas vidas,

em que não há mais gota d’água a esperar,

pois o cálice já transbordou há muito;

em que o silêncio é menos constrangedor

do que ouvir a voz do ente antes amado,

em que a ansiedade de conhecer o outro

é substituída pelo marasmo absurdo

da convivência com falta de assunto...


Pode chegar um momento em suas vidas

em que o resgate dos sentimentos de outrora

é visto como uma chatice ou perda de tempo;

em que as lembranças de momentos felizes

são vistas como um “mico” de um passado distante

em que a tentativa de diálogo é interrompida

por um bocejo ou por um olhar no infinito;

em que se percebe que o desrespeito tem perdão,

mas a monotonia não tem solução...


Pode chegar um momento em suas vidas,

em que se discute compatibilização de horários,

como se o que se tornou um já tivesse desvirado;

em que o trabalho dá prazer e o prazer dá trabalho,

onde o stress é preferível à companhia do outro;

em que vale pena se submeter voluntariamente

a um instrumento de tortura medieval,

em que passar a vida esperando a morte não soa assim tão mal...


Pode chegar um momento em suas vidas,

em que a promessa não consegue mais prevalecer;

em que a experiência derrota a esperança;

em que não faz mais sentido permanecer...

em que não há mais nada a fazer,

senão tomar o remédio amargo,

na agonia que o veneno feche e cicatrize a ferida,

em vez de provavelmente matar o paciente.


Rio de Janeiro, 24 de abril de 2010

segunda-feira, 24 de maio de 2021

Débito Conjugal






Cansei de pedir

e você não me dar...

Não consigo mais

me humilhar e mendigar

por algo que também

deveria nos trazer prazer,

mas que soa como

um favor feito por você!


Isto não é um capricho

ou mera concupiscência:

é necessidade física como

comer, beber e dormir,

mas há uma diferença abissal

entre vinho e camarão

e refrigerante e feijão...


Sexo não é solução de problemas,

nem paliativo para superar discussões;

não é instrumento para chantagem,

nem mero extravasar de emoções...

É conseqüência natural

de uma relação bem ajustada,

em que proporcionar satisfação

flui livre e da forma desejada.


Você sabe o que quero...

Você sabe o que quero fazer...

Você sabe o que quero para fazer...

E tudo apenas para ser feliz...

Então, por que insiste nesta postura,

que não mais funciona nesta altura

e abre ferida que não cura,

marcando-me com uma cicatriz...


Débito conjugal

Dever especial

Greve sexual

Conflito sem final


Salvador, 22 de agosto de 2010


domingo, 16 de maio de 2021

Poliamorismo

 







Por que não se pode

amar mais de uma pessoa

ao mesmo tempo?

Por que o ato de amar

exige uma exclusividade artificial,

como se o coração pudesse

ser controlado como

um bicho de estimação?


Para alguém ser completo,

é possível que haja mais de uma peça

para formar um todo,

que não é um quebra-cabeça,

mas, sim, um complexo prisma,

cujas faces são complementares,

não havendo verdade ou mentira,

pois tudo dependerá do ângulo que se mira...


Eu quero amar você eternamente,

mas não quero deixar de amar ninguém...

Eu quero ficar com você o resto da vida,

mas isso não significa viver só a dois...

Meu amor não é uma cabine simples,

com apenas dois lugares:

é um mar com vários ecossistemas,

uma galáxia com diversas estrelas...


Eu não quero a clandestinidade

de viver um amor marginal...

Quero uma relação de maturidade

em que haja entrega total,

sem a ilusão da única cara metade,

vivendo o múltiplo afeto da vida real.


San Francisco, 28 de setembro de 2010.



terça-feira, 11 de maio de 2021

Sede de Viver

 




Rodolfo Pamplona Filho


Eu quero viver intensamente

como se fosse morrer de repente

sem nova chance, irremediavelmente...

Eu quero uma vida sem rotina

onde cada dia tenha a sina

de, do outro, ser diferente...


Eu quero nunca ficar sozinho,

mesmo que, alguns momentos,

eu precise estar só para pensar!

Eu quero dar atenção a todo elemento

que precisar de mim, para ajudar,

acreditando que, alguém, posso mudar!


Eu quero que minha mulher

seja simultânea mãe, parceira,

amante e companheira!

Eu quero acompanhar diariamente

o crescimento de meus filhos

e ser seu melhor amigo eternamente!


Eu quero colocar para fora

todos os sentimentos que guardo

no peito que trazem um gosto amargo!

Eu quero produzir tudo que outrora

programei, um dia, escrever,

plantar, compor, construir ou ler!


Eu quero me sentir desejado,

como nunca antes no passado,

e minha energia não sublimar...

Eu quero aprender a me vestir,

saber onde chegar e de onde vir

o que, com quem e como falar...


Eu quero fazer amor outra vez

com o desejo de quem nunca fez

e o conhecimento da experiência!

Eu quero chorar de felicidade

e sorrir na adversidade,

lutando pela sobrevivência!


Eu quero tudo isto e muito mais...

mesmo que digam que é olhar para trás,

eu não vou me importar,

pois tudo que der, eu vou fazer,

sem medo de tentar ou errar,

sem receio de me machucar,

na busca, finalmente, de saciar

minha recém-descoberta sede de viver.


Recife, 14 de janeiro de 2011.



domingo, 3 de maio de 2020

Poliamorismo







Por que não se pode
amar mais de uma pessoa
ao mesmo tempo?
Por que o ato de amar
exige uma exclusividade artificial,
como se o coração pudesse
ser controlado como
um bicho de estimação?

Para alguém ser completo,
é possível que haja mais de uma peça
para formar um todo,
que não é um quebra-cabeça,
mas, sim, um complexo prisma,
cujas faces são complementares,
não havendo verdade ou mentira,
pois tudo dependerá do ângulo que se mira...

Eu quero amar você eternamente,
mas não quero deixar de amar ninguém...
Eu quero ficar com você o resto da vida,
mas isso não significa viver só a dois...
Meu amor não é uma cabine simples,
com apenas dois lugares:
é um mar com vários ecossistemas,
uma galáxia com diversas estrelas...

Eu não quero a clandestinidade
de viver um amor marginal...
Quero uma relação de maturidade
em que haja entrega total,
sem a ilusão da única cara metade,
vivendo o múltiplo afeto da vida real.

San Francisco, 28 de setembro de 2010.

segunda-feira, 27 de abril de 2020

Débito Conjugal







Cansei de pedir
e você não me dar...
Não consigo mais
me humilhar e mendigar
por algo que também
deveria nos trazer prazer,
mas que soa como
um favor feito por você!

Isto não é um capricho
ou mera concupiscência:
é necessidade física como
comer, beber e dormir,
mas há uma diferença abissal
entre vinho e camarão
e refrigerante e feijão...

Sexo não é solução de problemas,
nem paliativo para superar discussões;
não é instrumento para chantagem,
nem mero extravasar de emoções...
É conseqüência natural
de uma relação bem ajustada,
em que proporcionar satisfação
flui livre e da forma desejada.

Você sabe o que quero...
Você sabe o que quero fazer...
Você sabe o que quero para fazer...
E tudo apenas para ser feliz...
Então, por que insiste nesta postura,
que não mais funciona nesta altura
e abre ferida que não cura,
marcando-me com uma cicatriz...

Débito conjugal
Dever especial
Greve sexual
Conflito sem final

Salvador, 22 de agosto de 2010

sexta-feira, 31 de maio de 2019

Poliamorismo





Por que não se pode
amar mais de uma pessoa
ao mesmo tempo?
Por que o ato de amar
exige uma exclusividade artificial,
como se o coração pudesse
ser controlado como
um bicho de estimação?

Para alguém ser completo,
é possível que haja mais de uma peça
para formar um todo,
que não é um quebra-cabeça,
mas, sim, um complexo prisma,
cujas faces são complementares,
não havendo verdade ou mentira,
pois tudo dependerá do ângulo que se mira...

Eu quero amar você eternamente,
mas não quero deixar de amar ninguém...
Eu quero ficar com você o resto da vida,
mas isso não significa viver só a dois...
Meu amor não é uma cabine simples,
com apenas dois lugares:
é um mar com vários ecossistemas,
uma galáxia com diversas estrelas...

Eu não quero a clandestinidade
de viver um amor marginal...
Quero uma relação de maturidade
em que haja entrega total,
sem a ilusão da única cara metade,
vivendo o múltiplo afeto da vida real.

San Francisco, 28 de setembro de 2010.