O objetivo deste blog é divulgar toda a minha produção poética, sem prejuízo de continuar a ser postada também no Portal de Poesia Rodolfo Pamplona Filho (www.rodolfopamplonafilho.blogspot.com).
A diferença é que, lá, são publicados também textos alheios, em uma interação e comunhão poética, enquanto, aqui, serão divulgados somente textos poéticos (em prosa ou verso) de minha autoria, facilitando o conhecimento da minha reflexão...
Espero que gostem da iniciativa...
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quarta-feira, 29 de julho de 2026

Flores




Flores de plástico

são muito práticas

para ser amorosas...

Flores de verdade

são muito perenes

para ser perpetuadas...

Flores são como amores:

etéreos e eternos,

materiais e espirituais,

que dizem muito de quem dá,

mas também de quem recebe...

As flores são tudo e são nada

para quem as sente,

no toque, no perfume,

e no contemplar

a beleza que se esvai

ou se dilui com o tempo,

mas cujo significado

jamais passará...




Salvador, 18 de agosto de 2012.


sexta-feira, 24 de julho de 2026

Viver é um risco

 




Rodolfo Pamplona Filho


Até quando o corpo resiste

a dor de um amor que não se pode ter

porque o pensamento persiste

na sensação plena de ter você


Os sonhos se tornam rotina

viajam por lugares nunca idos

e ao fechar da retina

sucumbem aos mais diversos perigos


de uma palavra dita no meio da noite,

a qual entrega toda uma fantasia...

de um abraço diferente, com cara de açoite,

que concretiza toda nostalgia...


Mas este perigo vale a pena correr

porque nunca antes eu soube amar

e acho que, no momento de morrer,

isso vai ser o que vou levar.


Estamos aprisionados e amordaçados,

presos à liberdade de amar...

estaremos juntos, sempre apaixonados,

mesmo de forma torta, eventual ou a encontrar...


Concordo com você plenamente:

temos que ter muito cuidado,

por compreendermos perfeitamente

todo o risco corrido e criado


por esta paixão fulminante

que nos tomou de repente

e, a todo instante,

quero você em minha frente.


Ter um contato diário seu

me alegra na hora,

e, por mais perigoso que seja o breu,

até o medo vai embora...


até o trânsito fica mais leve

na sua companhia e enlace...

nem notei que chegamos breve...

ou não queria que terminasse?


Claro que tenho consciência, na boa,

de que não devemos deixar rastro

que possa magoar uma outra pessoa

que amamos e não compreende este laço.


Vamos cultivar essa necessidade

tão linda quanto parece

para não passar a vontade,

nem ferir quem não merece.


Mas confesso que é duro

(acho que para nós dois)

reprimir algo tão puro

que fez tanto bem depois...


O fato é que foi rápido demais

e, por isso, temos ansiedade

do que pode acontecer a mais

no mundo da realidade...


Embora não veja a menor perspectiva,

tenho a plena consciência

de que a paixão pode ficar inativa

ou esfriar com o tempo de convivência.


Mas o amor não...

É por isso que posso concordar

tranquilamente, sem emoção,

de que temos de redobrar


os cuidados com os rompantes,

normais em que está apaixonado...

o que eu não tinha há anos antes,

nem quando estava compromissado...


E ela me traz uma adrenalina

sensacional, mesmo morrendo

de receio da opinião feminina

ou da descoberta de um mundo horrendo.


Fique tranqüila que

não estou pressionando,

Só não abro mão de você

e isto estou confessando!


Você é, literalmente,

a minha musa inspiradora...

a droga que mexe com minha mente...

de tudo que vivo, a causadora...


minha reserva saudável de loucura,

que me entorpece e me inebria...

Você é o remédio que cura

a minha vida da monotonia.


Eu também te quero

pois você me deixa feliz...

Viver é um risco sério,

mas você é minha diretriz.


É muito mais que um arriscado plano...

É muito mais do que tudo isso:

Eu simplesmente te amo.

E você sabe bem disso.

Salvador, 25 de outubro de 2010.


sábado, 18 de julho de 2026

As Lindas Rugas do Amor






Rodolfo Pamplona Filho

A clareza de nosso amor

já desponta sem pudor...

não se pode mais esconder

e nem vinte anos irão esmorecer


...o desejo da sua companhia...

...as doces palavras do nosso dia-a-dia...

...a relação de cumplicidade...

...essa relação de muitas verdades...


O tempo já não existe

e não adianta mais certos fetiches

pois nosso poema é eterno...

...e meu coração está completo.


E se tiver que esperar um tempo,

seja ele qual for,

garanto que, ainda assim,

vou te amar com o mesmo ardor,


pois, mesmo na espera,

dividiremos nossa vida

e cada ruga que desperta

será sempre mais linda.

Salvador, 14 de dezembro de 2010.


quarta-feira, 15 de abril de 2026

O poema que se perdeu

 



Rodolfo Pamplona Filho


Ontem, perdi um poema.

Apaguei-o, sem querer,

na multidão de meus textos

e não terei como recuperá-lo,

pois o sentimento de outrora

não pode mais ser vivido,

já que, se pudesse viver de novo,

nova vida eu teria

e não o mesmo caminho

que não necessariamente seguiria...


Racionalmente, quero reproduzir

a idéia que insiste em se repetir

pelo brilho do momento da criação

ou do sentimento traduzido à perfeição.

Quero me apaixonar de novo

pela surpresa da palavra lida,

pelo gosto do abraço imaginado

e pelo arrepio na pele provocado.


Resgatar o que não se aproveitou

de um passado que não volta atrás

é uma metáfora da própria vida

em que se quer, hoje,

viver o que se perdeu

e amar o que já não existe mais...


San Francisco, 29 de setembro de 2010.

segunda-feira, 30 de março de 2026

Vivendo o Agora

 





Rodolfo Pamplona Filho


É preciso viver o agora,

pois, em um segundo,

já é amanhã!



Salvador, 13 de dezembro de 2017.

sexta-feira, 20 de março de 2026

Calma...



A imaturidade demora para ser curada.

Há quem nunca se cure...

A esperança persevera sobre a experiência

Há quem nunca aprenda...

O processo é desgastante

e pode sempre piorar...

A tristeza parece infinita

e não se vê luzes no horizonte...

Quando a solução parece passar

pelo afastamento total e irrestrito

é hora de falar para dentro:

Calma...


Salvador, madrugada de 03 de maio de 2017.                       


sábado, 14 de fevereiro de 2026

Quem deu asas ao tempo?

 





O tempo não é pássaro para flutuar.


Apenas voar é mais rápido que correr...


Se o tempo voa, por que o arrastar


quando se está a sofrer?


Ou se espera uma resposta de alguém?


Ou se quer algo para nosso bem?




O tempo não é físico para tocar,


muito menos para andar ou voar...


Então por que o tempo é cruel,


muda a perspectiva do céu,


machuca com gosto amargo de fel


e nem sempre cumpre o seu papel?




Se o tempo e o espaço são ligados,


ambos estão no vácuo sem fim...


Se assim são, o tempo não é parado,


nem voa, como dizem por aí...


O tempo flutua...


como minha mente ao ver você nua...


como uma bailarina em um solo...


como minha cabeça no seu colo...




Quem deu asas ao tempo?


Não fui eu... Não sei, nem quero saber...


Mas todo tempo será pouco,


enquanto eu não tiver você... 




Na Conexão Praia do Forte-Salvador, 06 de fevereiro de 2011.


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Aniversário de Casamento

 





O que é um ano

para quem quer viver juntos

todos os momentos do dia?


O que é uma data

para quem compartilha

o pão, a cama e a vida?


O que é o tempo

para quem não o viu passar,

entretido com a beleza de seu par?


É apenas um traço no calendário...


É mais um espaço no armário...

É uma nova festa de aniversário

para comemorar

a certeza de hoje amar

mais do que ontem de manhã

e muito menos do que amanhã...


Feliz Aniversário de Casamento!


Salvador, 19 de janeiro de 2011.


terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Sinais de Velhice Soteropolitana







Tangolomango

Bustiê

Collant



Saco de Paes Mendonça

Fábrica da Coca Cola

Shopping Iguatemi



Datilografia

Maria Fumaça

Aeroporto 2 de Julho



Óticas Ernesto

Farmácia Sant’ana

Tio Corrêa



Fazer ginástica

Tirar retrato

Comer queimado



Lembrar do passado

e não esquecer

de ser feliz


 


Salvador, 01 de outubro de 2022

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Oito Bilhões

 





Em trinta e um

de outubro 

de dois mil e onze,

celebrei mais um

nascituro

a adornar o bronze 

de mundo 

cada dia mais lotado

e mais imundo 

e decepcionado 

em constatar 

que nada mudou 

em verificar 

que quase tudo piorou,

mas que, mesmo assim,

não chegamos ao fim

e ainda há esperança 

quando nasce nova criança,

mesmo que,

no dia hoje,

onze anos

e quinze dias depois,

cheguemos a oito bilhões

e ainda há espaço para mais…




Salvador, 15 de novembro de 2022.

domingo, 11 de janeiro de 2026

Priscas Eras

 


 





Datilografia na época do PC

Lado B na época do CD

Limpar cabeçote em DVD


Comprar na Mesbla ou Sandiz

Ouvir compacto ou LP

Trocar o tubo da TV


Trocar agulha de radiola

Rodar a fita cassete

Gravar o arquivo em disquete


Andar de Fusca ou Fiat 147

Limpar carburador

Usar estilete como apontador


Ergométrica em vez de spinning

Telex para quem tem fax

Bip em vez de Torpedo


Passar creme rinse

Usar relógio-calculadora,

Jogar Odyssey ou Atari


Viajar de Vasp ou Transbrasil

Embalar saco de “Paes Mendonça”

Cair a ficha do orelhão...


Ver Zico jogando no Maraca

Regra de nove, taboada

DNA – data de nascimento avançada


Salvador, 04 de fevereiro de 2010

sábado, 20 de dezembro de 2025

O Tempo

 



 

Toda toalha desbota

Toda roupa envelhece

Toda foto desgasta

Toda memória se perde

Tudo se perde

menos o amor que eu sinto por você

 

Salvador, 10 de dezembro de 2025

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

O Homem da Vez

 



 

O homem da vez

É uma Porta giratória,

Em que ou se segue

Ou se volta,

Mas nunca se fica parado…

 

Brasília, 26 de setembro de 2025, conversando com Amauri Munguba.

 

domingo, 9 de novembro de 2025

Quem deu asas ao tempo?




O tempo não é pássaro para flutuar.


Apenas voar é mais rápido que correr...


Se o tempo voa, por que o arrastar


quando se está a sofrer?


Ou se espera uma resposta de alguém?


Ou se quer algo para nosso bem?




O tempo não é físico para tocar,


muito menos para andar ou voar...


Então por que o tempo é cruel,


muda a perspectiva do céu,


machuca com gosto amargo de fel


e nem sempre cumpre o seu papel?




Se o tempo e o espaço são ligados,


ambos estão no vácuo sem fim...


Se assim são, o tempo não é parado,


nem voa, como dizem por aí...


O tempo flutua...


como minha mente ao ver você nua...


como uma bailarina em um solo...


como minha cabeça no seu colo...




Quem deu asas ao tempo?


Não fui eu... Não sei, nem quero saber...


Mas todo tempo será pouco,


enquanto eu não tiver você... 


terça-feira, 28 de outubro de 2025

O Cachorro da Minha Infância





O cachorro da minha infância


me ensinou muito mais do que eu poderia ensiná-lo.


Aprendi, com ele, que lealdade e amor não têm preço;


que é possível estar só no meio de um mundo de gente;


e que nunca se é só se há um amigo do lado...




Aprendi que não é loucura conversar sozinho,


pois haverá quem sempre entenda com um olhar


o sentimento de quem não consegue expressar


em palavras o que se carrega dentro do peito


como um segredo que se tem medo de compartilhar...




Aprendi que não é preciso morar junto


para ter a sensação que o outro faz parte da sua vida;


que conviver é a arte do respeito à diferença


e que a alegria do reencontro é a retomada


de uma estrada que nunca foi interrompida...




Aprendi que uma boa caminhada ajuda


a colocar muitas idéias no seu devido lugar...


que hora de carinho é hora somente de carinho,


sem me preocupar com quem está em volta...


e hora de brigar é hora de rosnar e colocar os dentes para fora...




Aprendi que companheirismo significou muito mais


do que comer o mesmo pão junto...


Foi brincar de dois amigos contra o mundo,


dois heróis contra o universo,


dois corações irmanados sem filtros da razão.




Tudo isso eu poderia aprender sozinho


ou com qualquer outro ser humano,


lendo, amando ou simplesmente vivendo...


mas, na verdade, foi mesmo convivendo


com quem, para mim, era muito mais do que gente:


O cachorro da minha infância...




Para Linho (1980-983) e Trois (1985-1990), os cachorros da minha infância


Campina Grande, 08 de maio de 2010


quarta-feira, 8 de outubro de 2025

O viço





E se, de repente,


eu te dissesse que não queria mais


viver no mesmo teto, na mesma cama


e que tudo que planejamos


não era mais essencial pra minha chama








E se, de repente


eu te dissesse que meu coração foi tomado


por uma vontade imensa de viver


que não engloba a rotina


que você tem a me oferecer








E se, de repente,


a pergunta que aparecesse


fosse: "Você não me ama mais?”


ou “Você arranjou outra?"


Seria o comum a se falar


pois rupturas ensejam esse pensar








E se, de repente,


tudo que era sólido


se desfizesse no ar


como grãos de areia nas mãos de uma criança,


caindo incessamente na ampulheta da vida.








Isso tudo nada teria a ver com amor,


pois eu continuarei te amando


da mesma forma pura e feliz...


Isso tudo nada teria a ver com amor,


mas com o viço que eu sempre quis...








Será que este viço se perderá?


Se este viço, sem querer, se perder


não será por outro alguém,


mas pelo próprio destino maduro


de uma essência que quer mais do que se tem.








Salvador, 28 de outubro de 2010.


domingo, 7 de setembro de 2025

O Destino do Sobreiro





A consciência da finitude

permite a tranquilidade

de investir em um futuro

que certamente não se verá...

Afinal, a cortiça é recolhida

por quem não cultivou,

o fruto é desfrutado

por quem não o plantou

e ninguém limita

o alcance do amor...


A caminho de Évora, 01  de julho de 2015...

sexta-feira, 5 de setembro de 2025

A sabedoria na azeitona





Toda experiência

faz parte

de algum aprendizado...

Experimentar

o fruto da oliveira

no seu amadurecer

ensina a valorizar

a transformação

proporcionada pela conserva...

O tempo para o desfrute

não coincide com o desgaste,

mas, sim, com o desvelo

para revelar

o melhor momento

para degustar...


No Trem para Sevilla, 23 de junho de 2015, 12:30 (7:30  no Brasil...)

quarta-feira, 3 de setembro de 2025

Gedächtnis Kirche



A beleza de outrora,

destruída pela violência,

nunca se recuperará...

Mas, dos destroços,

surgem estilhaços...



E nova beleza

nasce das ruínas,

para nunca esquecer

a estupidez da guerra...

Ela nunca é igual

àquela que desapareceu,

mas é tão bela quanto

a que, para sempre, se perdeu,

pois sempre será...

(...) Beleza...


Berlin, 07 de julho de 2015

terça-feira, 12 de agosto de 2025

Viver é um risco




Até quando o corpo resiste

a dor de um amor que não se pode ter

porque o pensamento persiste

na sensação plena de ter você


Os sonhos se tornam rotina

viajam por lugares nunca idos

e ao fechar da retina

sucumbem aos mais diversos perigos


de uma palavra dita no meio da noite,

a qual entrega toda uma fantasia...

de um abraço diferente, com cara de açoite,

que concretiza toda nostalgia...


Mas este perigo vale a pena correr

porque nunca antes eu soube amar

e acho que, no momento de morrer,

isso vai ser o que vou levar.


Estamos aprisionados e amordaçados,

presos à liberdade de amar...

estaremos juntos, sempre apaixonados,

mesmo de forma torta, eventual ou a encontrar...


Concordo com você plenamente:

temos que ter muito cuidado,

por compreendermos perfeitamente

todo o risco corrido e criado


por esta paixão fulminante

que nos tomou de repente

e, a todo instante,

quero você em minha frente.


Ter um contato diário seu

me alegra na hora,

e, por mais perigoso que seja o breu,

até o medo vai embora...


até o trânsito fica mais leve

na sua companhia e enlace...

nem notei que chegamos breve...

ou não queria que terminasse?


Claro que tenho consciência, na boa,

de que não devemos deixar rastro

que possa magoar uma outra pessoa

que amamos e não compreende este laço.


Vamos cultivar essa necessidade

tão linda quanto parece

para não passar a vontade,

nem ferir quem não merece.


Mas confesso que é duro

(acho que para nós dois)

reprimir algo tão puro

que fez tanto bem depois...


O fato é que foi rápido demais

e, por isso, temos ansiedade

do que pode acontecer a mais

no mundo da realidade...


Embora não veja a menor perspectiva,

tenho a plena consciência

de que a paixão pode ficar inativa

ou esfriar com o tempo de convivência.


Mas o amor não...

É por isso que posso concordar

tranquilamente, sem emoção,

de que temos de redobrar


os cuidados com os rompantes,

normais em que está apaixonado...

o que eu não tinha há anos antes,

nem quando estava compromissado...


E ela me traz uma adrenalina

sensacional, mesmo morrendo

de receio da opinião feminina

ou da descoberta de um mundo horrendo.


Fique tranqüila que

não estou pressionando,

Só não abro mão de você

e isto estou confessando!


Você é, literalmente,

a minha musa inspiradora...

a droga que mexe com minha mente...

de tudo que vivo, a causadora...


minha reserva saudável de loucura,

que me entorpece e me inebria...

Você é o remédio que cura

a minha vida da monotonia.


Eu também te quero

pois você me deixa feliz...

Viver é um risco sério,

mas você é minha diretriz.


É muito mais que um arriscado plano...

É muito mais do que tudo isso:

Eu simplesmente te amo.

E você sabe bem disso.


Salvador, 25 de outubro de 2010.