O objetivo deste blog é divulgar toda a minha produção poética, sem prejuízo de continuar a ser postada também no Portal de Poesia Rodolfo Pamplona Filho (www.rodolfopamplonafilho.blogspot.com).
A diferença é que, lá, são publicados também textos alheios, em uma interação e comunhão poética, enquanto, aqui, serão divulgados somente textos poéticos (em prosa ou verso) de minha autoria, facilitando o conhecimento da minha reflexão...
Espero que gostem da iniciativa...
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quarta-feira, 23 de setembro de 2020

Fake News na Pandemia



 

A Internet

deu voz

a quem não tem

o que dizer

e que acaba

dizendo

o que não consegue esconder:

a sua própria raiva,

ódio e ignorância,

misturados com a insegurança

de simplesmente

antipatizar

quem virou alvo

do seu difamar,

como se seu mal querer

pudesse justificar

ou verdade tornar

o fel que escorre

no íntimo do seu ser.

 

Salvador, 25 de julho de 2020

 

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Esperança na Pandemia

 



 

Ficar bom

Ficar saudável

Na tristeza e na Dor,

busca-se um Salvador

Um sonho

Uma vacina

Uma segurança

Uma lembrança

De quando ainda

acreditava no futuro...

E, mesmo no escuro,

não há como abrir mão:

Só há um único direito

verdadeiramente inalienável

e é o de ter esperança...

 

Salvador, 28 de junho de 2020.

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Sexo na Pandemia

 



O sexo na pandemia

voltou para sua caixinha

Se, de forma saudável,

não dá para viver sem,

a pergunta que não quer calar

é como e com quem,

pois não há que dizer

que, no isolamento, não tem?

Tem?

Não tem?

Sexo fiel

Sexo sem terceiros

Sexo só com um parceiro

Sexo com um só companheiro

Sexo para viver plenamente

Sexo para ficar só entre a gente.

 

Salvador, 28 de junho de 2020.

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Trabalho na Pandemia

 



 

“Nada do que foi será

de novo do jeito

que já foi um dia”

E o trabalho mudou

para ficar a mesma coisa!

Tempos tristes

da Adaptação

para os limites

da exploração

Home office,

Banco de horas...

Do salário: redução

Do contrato: suspensão

Uso e abuso

do Computador

Nos braços

e olhos, só dor.

Músculos levados

à Exaustão

Nervos expostos

à pura tensão

No Remédio

Final

Da Solução

Pelo mal

da Aceitação

social

Do Assédio

Moral

 

Salvador, 28 de junho de 2020.

terça-feira, 8 de setembro de 2020

Re)Encontros Virtuais na Pandemia

 




Há tanto tempo

que eu não te via

que parecia

uma lembrança

de um mundo distante...

Mas, neste instante,

parece que foi ontem

que me despedi de nosso papo,

que disse até amanhã,

que marcamos uma saída,

que vivemos a nossa vida...

Um brinde ao reencontro,

ainda que virtual,

pois, em tantos desencontros

da quarentena presencial,

há a plena certeza

de uma única fortaleza:

sempre volta a alegria,

até mesmo na pandemia,

pois o isolamento é efetivo,

mas nunca precisará ser afetivo...

 

Salvador, 28 de junho de 2020.

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Peso na Pandemia

 



 

Na Pandemia

Tudo pesa

O corpo

A consciência

A tristeza

A solidão

O peso

faz faltar

um pouco de cor

e muito de ar

no enfrentar a dor

na coragem para lutar.

 

Salvador, 28 de junho de 2020.

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

O Novo Normal e a Pandemia






A Pandemia
destruiu
o que se entendia
e reconstruiu
o que se avizinha
como “normal”.
Seja no meio social
ou em qualquer ambiente,
a gente sente
que não se sabe mais
se o que ficou para trás
algum dia voltará
ou, de fato, como será
o que um dia
foi ou ia
ser a realidade
da sociedade.
Comunicações virtuais,
isolamentos presenciais,
audiências on line,
aulas em live,
banhos em álcool gel,
processos sem papel...
Tudo realmente mudou...
Só não muda a dor
de se sentir oprimido
ou profundamente atingido
pela exclusão digital
ou desigualdade abissal
de um mundo cruel
como um quadro sem pincel,
na construção do “novo normal”,
em que não existe bem ou mal,
pois não há passo forte ou brando
já que o caminho se faz caminhando...

Salvador, 02 de agosto de 2020.


quinta-feira, 6 de agosto de 2020

O Vinho na Pandemia






O vinho tem sido
meu companheiro na pandemia
Com ele, tenho vivido
a tristeza e a alegria
de entorpecer os sentidos,
de fechar meus ouvidos,
de esquecer o sofrimento
e de superar o meu tormento.

Salvador, 11 de julho de 2020.

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Arrogância na Pandemia






“Sabe com quem
você está falando?
Não entende bem
quem está no comando?”

Arrogância
Espírito mau
Petulância
Cara de pau
Dizer: não fiz nada!
Tripudiar
Dar carteirada
Humilhar
Ter a habilidade
de incomodar
autoridades
para livrar
a própria cara
e mandar colocar
no seu devido lugar
quem está
apenas a cumprir
o seu dever
de servir...

E toda essa empáfia
de desfazer do trabalho alheio:
Jogando as multas na cara
de quem mexeu no vespeiro
é somente para arrotar
a sua condição especial
de cidadão exemplar
que defende o social
e que, por isso, é vítima,
e não agressor...
em uma farsa ilegítima,
um verdadeiro complô,
envolvido em um esquema
decorrente do sistema
do que se joga no ventilador...

Salvador, 19 de julho de 2020.

terça-feira, 4 de agosto de 2020

Vinhos na Pandemia




Na pandemia,
abusa-se um pouco
de um tudo:
seja da paciência,
do álcool
ou da decência...
Mas não há
como negar
o imenso prazer
de aprender a sorver
o vinho que simboliza
o sangue de Cristo
ou a essência da vida!
Um cálice
sempre é bom
para perder o juízo
e recuperar o prejuízo
de ficar isolado
sem perspectivas:
parado!
Provar até morrer
Ou começar a viver
para ter o prazer
de finalmente conhecer
vinhos de todo tipo,
brancos ou tintos,
com espaço para o rosé
para tudo embevecer.
Seja caro ou barato,
simples ou sofisticado,
o vinho é a melhor herança
que se deixa de lembrança
para quando a estrada acabar
ou não houver mais rolhas a guardar.
E, de tanto viver,
e também de beber,
ao final do traçado,
não desejo ser enterrado
ou sequer cremado:
na minha atual condição,
sem qualquer hesitação,
meu destino traçado
é ser engarrafado!

Salvador, 28 de junho de 2020.

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Trabalho na Pandemia


       



           
“Nada do que foi será
de novo do jeito
que já foi um dia”
E o trabalho mudou
para ficar a mesma coisa!
Tempos tristes
da Adaptação
para os limites
da exploração
Home office,
Banco de horas...
Do salário: redução
Do contrato: suspensão
Uso e abuso
do Computador
Nos braços
e olhos, só dor.
Músculos levados
à Exaustão
Nervos expostos
à pura tensão
No Remédio
Final
Da Solução
Pelo mal
da Aceitação
social
Do Assédio
Moral

Salvador, 28 de junho de 2020.

domingo, 2 de agosto de 2020

sábado, 1 de agosto de 2020

Solidão na Pandemia




Será que, algum dia,
voltarei a ver
e a tocar
quem me fazia companhia
em um mundo a edificar?

Será que o futuro
me reservará
a oportunidade de rever
e também de abraçar
quem nunca deixei de amar?

Será que a Pandemia
me condenou
a viver solitário
no confinamento voluntário
para não mais me libertar?

Salvador, 28 de junho de 2020.

sexta-feira, 31 de julho de 2020

Sexo na Pandemia




O sexo na pandemia
voltou para sua caixinha
Se, de forma saudável,
não dá para viver sem,
a pergunta que não quer calar
é como e com quem,
pois não há que dizer
que, no isolamento, não tem?
Tem?
Não tem?
Sexo fiel
Sexo sem terceiros
Sexo só com um parceiro
Sexo com um só companheiro
Sexo para viver plenamente
Sexo para ficar só entre a gente.

Salvador, 28 de junho de 2020.

quinta-feira, 30 de julho de 2020

Servir na Pandemia




Há muitas formas de servir,
inclusive na pandemia!
Talvez, no fundo, se permitir
amenizar a agonia
de simplesmente desconhecer
o que reserva o futuro
e, por isso, aprender
a superar o tempo duro
sem esperar nada em troca,
mesmo sem sair de sua toca,
é possível exercitar
a missão de se entregar
em lives ou campanhas,
realizar grandes façanhas
de profunda solidariedade,
descobrindo a alteridade
e o prazer do voluntariado
em servir quem está ao lado
somente pela sensação
de dividir seu próprio pão
e fazer a coisa certa
por manter a mente aberta
para aprender a lição
que Gandhi ensinou com o coração:
“Quem não vive para servir
não serve para viver”

Salvador, 28 de junho de 2020.

quarta-feira, 29 de julho de 2020

São João na Pandemia



Festa junina na pandemia
é diferente do São João
quando os dias da gente
eram apenas “normais”

Os amigos e as famílias,
como antes, não estão
presencialmente
ao lado e juntos mais

Se não dá mais para abraçar,
isso não quer dizer
que a vontade de cantar
tenha que desaparecer

Se não dá mais para beijar,
isso não quer dizer
que a ausência do tocar
anule o desejo de viver

Hoje, pode não ter dança
ou mesmo um brinde com quentão,
mas sempre terá a esperança
que aquece o coração

de que, se não abraçados
fisicamente,
continuaremos ligados
espiritualmente,

e isso renova a alegria
e o desejo por dias melhores,
que é o combustível da folia
e a ordem para que não chores

pois, na nossa folia,
pode até faltar licor,
mas, nunca na vida,
faltará o amor.

Salvador, 24 de junho de 2020.

terça-feira, 28 de julho de 2020

Privacidade na Pandemia









O que é meu
e de mais ninguém?
Qual é o local
onde alguém
não pode entrar
sem ser convidado?
No mundo das lives,
audiências e webinars,
será que ainda existe
uma esfera onde
não se possa penetrar?
Quando a privacidade
se abre de verdade,
não há, na realidade,
mais qualquer intimidade...
Quando o privado
público se tornou,
talvez não haja espaço
sequer para o pudor...

Salvador, 02 de julho de 2020.

segunda-feira, 27 de julho de 2020

Poesia na Pandemia





Na inspiração
da solidão,
surgem visões
ou reflexões
até mesmo explicações
para novas canções
É na alma
ou na tristeza
que os pensamentos
encontram a certeza
de que a beleza
superior
pode estar
no nosso interior.

Salvador, 28 de junho de 2020.

domingo, 26 de julho de 2020

Peso na Pandemia








Na Pandemia
Tudo pesa
O corpo
A consciência
A tristeza
A solidão
O peso
faz faltar
um pouco de cor
e muito de ar
no enfrentar a dor
na coragem para lutar.

Salvador, 28 de junho de 2020.

sábado, 25 de julho de 2020

Perdas na Pandemia







De todas as perdas
na pandemia,
Não se sabe o que é pior...
Silêncio
Saudade
Nunca mais voltar
Nunca mais sonhar
Emprego
Morte
Esperança
Paz
De todas as perdas
na pandemia,
Não se sabe o que é pior:
a dor da perda
ou de não poder se despedir...

Salvador, 28 de junho de 2020.