A primeira vez
O primeiro olhar
A primeira palavra
A primeira conversa
O primeiro encantamento
O primeiro dia
do resto de nossas vidas...
Gramado, 18 de outubro de 2012, descobrindo uma nova amizade.
A primeira vez
O primeiro olhar
A primeira palavra
A primeira conversa
O primeiro encantamento
O primeiro dia
do resto de nossas vidas...
Gramado, 18 de outubro de 2012, descobrindo uma nova amizade.
Sonhos Mudam
de verdade
Sonhos Mudam
com a idade
Sonhos Mudam
na realidade
Sonhos Mudam
para a eternidade
Rhodes, 26 de setembro de 2012.
É preciso valorizar
a tentativa,
pois o resultado
nem sempre depende de nós.
É preciso valorizar
a iniciativa,
pois nem todos conseguem
superar a letargia.
É preciso valorizar
o esforço,
pois o suor derramado
nunca voltará ao corpo.
É preciso valorizar
a boa vontade,
pois nem que tudo que se consegue
foi feito de coração.
É preciso valorizar
o cuidado,
pois simplesmente realizar uma tarefa
não é sinônimo de dedicação.
É preciso valorizar
o desprendimento,
pois ninguém é obrigado
a dar um pedaço de si.
Boston, 01 de julho de 2016.
Todo mundo não quer enganar, sim,
Nem todo táxi cobrará mais caro!
Há comidas que não têm gosto ruim
E, na verdade, é a maioria do prato.
E as crianças não ficarão doentes,
pelo menos não necessariamente,
se não comerem toda a comida,
ainda que não imediatamente!
Um sorriso não é uma coisa bem
tão difícil assim de esboçar,
mesmo quando não se tem
tanta prática assim a contar...
Caminhar não é idéia a desprezar,
ainda mais se desperta o apetite,
O planeta é imperfeito para morar,
mas não é assim tão triste...
Sei que parece impossível tentar,
mas consiga um dia sem reclamar
do tempo, da vida, das dores,
que só se sente porque há amores...
Pense que para não enjoar,
basta, por exemplo, variar,
pois não fazer o mesmo sempre
é o inicio de um caminho diferente.
Sei que não é assim para você...
são os outros que vêem equivocado,
mas faça um esforço para perceber
não é lógico todos estarem errados
quando simplesmente têm esperança
que você ache o prazer na dança
de curtir o prazer desta vida breve
pois é preciso viver mais leve...
Buenos Aires, 21 de junho de 2011
Seu cheiro em minha roupa
é a prova mais louca
de um amor real
mas, para muitos, imoral...
Guardo seu cheiro na memória
na esperança que o inesperado
possa mudar a nossa história
e nos dar a esperada vitória
....de um amor pleno,
que, sempre a contento,
cresce e se fortalece....
...de um sentimento sincero,
que, um dia, espero,
possa ser tão público quanto seu perfume.
Praia do Forte, 23 de janeiro de 2011.
Há quem
tenha medo
da escuridão!
Eu, não!
A escuridão não me assusta,
pois você é meu farol
em toda bruma
que me encontro...
pois eu te amo...
nenhuma escuridao
vai minar
o meu amor por você,
pois, mesmo nela,
eu enxergo sua alma...
nem a escuridao que,
por vezes, maltrata
e assola nossos pensamentos
vai vencer o que sinto...
pois eu te amo muito...
Nenhuma escuridão
é forte o bastante
para sufocar
o grito da alma...
o clamor do amor...
a intensidade da canção
que vem do coração....
pois eu te amo para sempre....
Salvador, 08 de janeiro de 2011.
Sempre estarei aqui...
mesmo que nosso futuro seja incerto,
talvez sem ver a chuva cair
ou sem lugar para dormir
Sempre estarei aqui...
mesmo quando tivermos que fugir
e esperar que a vida
possa novamente nos reunir
Sempre estarei aqui...
mesmo que os olhos nunca mais se cruzem
que nossos lábios não se juntem
e que a vida trate de cumprir
o inevitável momento do partir.
Sempre estarei aqui...
mesmo que não receba o seu OK
mesmo que o mundo mude sua lei
mesmo que o destino nos afaste de uma vez...
Sempre estarei aqui...
mesmo quando não haja pôr-do-sol
mesmo quando não vejamos o amanhecer
mesmo quando o mundo me tomar você...
Sempre estarei aqui...
ainda que tudo conspire
para que a gente se separe,
meu amor não quer que acabe...
Sempre estarei aqui...
em toda e qualquer ocasião,
em que possa ter a sua atenção
para me entregar na mais louca sensação...
Sempre estarei aqui...
mesmo que você deixe de me amar...
mesmo que você nunca mais queira me ver...
eu nunca descumprirei a promessa
de viver eternamente para seu prazer.
Salvador, 10 de outubro de 2010.
Quero te abraçar forte,
mas meu braço não responde...
Tenho muito a fazer,
mas não sei como ou onde.
Tenho ainda tantos sonhos
e projetos a desenvolver,
mas é terrível quando se descobre
que não se pode tudo controlar ou ter.
Ela pode vir de varias formas:
devagar se instala
ou toma tudo de repente!
E a sensação que fica
é de uma saudade do presente
da vida e de tudo que ela oferece:
conversar, passear, viajar...
Nem precisa ir tão longe:
basta ter autonomia para,
voluntariamente,
ter o direito de nada fazer...
Choro, mas não somente
pelo que me aconteceu
ou por tudo que
não poderei mais viver...
Choro pelo arrependimento
de não ter ousado mais,
de não ter vivido mais,
de não ter aproveitado mais seu ser...
Choro por um sentimento
que mistura melancolia e despedida
e, principalmente, a tristeza
de que não terei mais você...
São Paulo, 07 de novembro de 2010,
pensando em um grande amigo, Hamilton Barros de Vasconcelos (1959-2010), que veio a falecer em 25/12/2010 (saudades, amigo...).
Onde encontrarei
o nosso Poema Maior?
Nosso Poema Maior reside no coração:
parceria, intimidade e cumplicidade!
Nosso Poema Maior
não precisa ser escrito para existir...
Ele não precisa de tinta e papel...
Nossas mãos tocam mais do que papel:
tocam corações, mentes e almas...
e esse desejo de estar junto
está fadado ao universo,
que conspira e inspira
toda nossa capacidade
de se entregar...
Nosso poema toca esperanças;
toca sonhos; toca lábios;
trocam-se sensações
que nunca antes foram sentidas...
Separados pela vida
e reunidos pelo destino,
seremos um casal
casado em espírito,
mesmo que em casas separadas...
casados no coração,
ainda que dormindo com outros amores...
casados no amor real e puro,
no qual jamais haverá divórcio...
Nunca me entreguei a alguém
como me entrego a você:
meu macho alfa, meu oásis no deserto,
minha enzima, minha fonte de vida,
o alface da minha salada...
A quem mais eu poderia
chamar assim
com tamanho amor?
Nunca fui amada
como sou com você...
e repito mil vezes:
eu te amo como
ninguém jamais te amou,
em todos e vários sentidos,
em todos os versos,
em todas as metáforas
de nosso Poema Maior.
São Paulo, 07 de outubro de 2010.
Sabe o que descobri?
Você é o único que
consegue me enxergar...
O amor verdadeiro remove as
membranas que fecham os olhos
e apenas você...
consegue me ver nua...
e que nada mais pode me quebrar...
E me viu nua...
sem tirar uma peça sequer de roupa...
E me viu nua...
sem expor parte alguma de meu corpo...
E me viu nua...
no dia em que olhou em meus olhos...
e viu além de qualquer casca...
E me viu nua...
no dia em que conheceu minha alma
e soube exatamente quem eu era...
e permiti tão íntima ligação
por não carecer de resistência...
por não precisar mais me esconder...
por acreditar em nós...
E eu descubro em você
o que pensei
somente existir em sonhos...
mas sonhos somente são possíveis
se estamos vivos...
sonhos somente existem
se há vida e desejo...
sonhos somente se realizam
na nudez da alma...
São Paulo, 07 de outubro de 2010.
Toques delicados e sorrisos leves,
sob a brisa do mar, ao anoitecer,
e os lábios sabem exatamente o que querem
quando o adeus tem que ocorrer
Preste atenção nos meus olhos:
eles brilham feito ouro
pois desejam, como poucos,
o teu amor sem decoro.
É difícil esquecer teu gosto
e ter que aceitar novos beijos
para manter nossos postos....
Meu coração está no abismo
e anuncia, a cada esquina, sem cinismo,
que a direção pode mudar.
Salvador, 29 de outubro de 2010.
Falar de amor
muitas vezes
invoca um bordão
ou uma rima pobre...
como se não houvesse
outra parelha para amar
que não seja sofrer...
A saudade faz parte
da vida de quem ama,
como o sono para a cama,
o teto para a casa
e o vento para a asa...
Amar é muito bom,
mas também dói
Antes de amar,
preferia viver
sem sentir dor...
Hoje acho melhor
sentir dor
do que não
conhecer o amor...
As vezes acho que
poderia simplificar tudo...
Bastava não amar...
Por que precisar
tanto de alguém?
Não sei porque,
mas sei que
preciso e muito...
Achava que não precisava
de nada, mas descobri
que não sei ficar sem você...
Amar não é voluntário...
Se fosse, seria mais fácil...
E nunca se tem
por inteiro:
sempre uma parte!
Para qualquer outra coisa,
seria muito pouco,
mas, para o amor,
cada segundo é
uma eternidade,
seja na distância,
seja na intensidade...
Como saber o que fazer?
Não precisa saber...
Basta sentir, amar e viver...
Boston, 29 de junho de 2016.
É hoje o dia!
E o sangue dá nova pulsada
como um atleta de corrida...
Será que, antes da chegada,
já será despedida?
É hoje o dia!
E a ansiedade
toma todo o corpo,
como se a vontade
aproximasse o porto...
É hoje o dia!
Mas que desespero!
A cada minuto de espera,
tenho um pesadelo
de que serei esquecido na terra...
É hoje o dia!
Tenho a esperança
de que tudo vai dar certo
toda vez que vem a lembrança
de que o momento está perto!
É hoje o dia!
Recebi a confirmação
de que não houve desistência,
o que faz meu coração
renovar sua resistência!
É hoje o dia!
É agora a hora!
Por isso, sem demora,
farei o que sempre quis:
apenas ser feliz.
Salvador, 26 de agosto de 2011.
“Amigo é o pai ou o irmão,
que a gente elege pelo coração;
é alguém para dividir o pão,
o sonho, a lágrima e a canção;
é aquele que abraça com vontade,
sem medo de falar sempre a verdade.
E mesmo que isso não seja lá muito agradável,
também é saber dizer não com um sorriso amável.
É alegrar-se com a vitória e consolar na derrota...
É perguntar como está e aguardar a resposta...
É partilhar a risada, o ombro e o ouvido...
Esse é o sentido da palavra AMIGO.”
(2001)
Sua mão me fez buscar o caminho
que há muito procurei
nos seus olhos, notei o cantinho
que há muito desejei
A vida me deu rasteiras
que eu nunca esperei.
mas o céu não limitou o espaço
que eu sempre acreditei
Assim. construí minha vida.
caminhando com sensatez
e, de repente, você aparece
como nunca imaginei...
San Francisco, 30 de setembro de 2010.
Para ser feliz,
você não precisa procurar
até cansar...
...alguém para amar...
Para ser feliz,
você não precisa ter filhos
como se a descendência
fosse o único sentido de viver...
Para ser feliz,
você não precisa ter um bom emprego
para vender, por alto que seja o valor,
o inestimável gosto de seu suor
Para ser feliz,
você não precisa ter casa própria
pois um teto apenas serve
para proteger do frio e do sol
Para ser feliz,
você não precisa ser popular
como se a aceitação alheia
fosse a coisa mais importante da vida
Para ser feliz,
você não precisa viajar o mundo todo
já que conhecer a si mesmo
é a maior viagem de toda a vida
Para ser feliz,
você não precisa ter um Deus
Pois Ele estará no mesmo lugar
Independentemente da sua fé
Para ser feliz,
você não precisa ter amigos
embora isso ajude muito
nos momentos de solidão
Para ser feliz,
você não precisa ter conhecimento
pois conhecer como as coisas funcionam
nunca trouxe alegria a ninguém
Para ser feliz,
você não precisa ter dinheiro
pois, na morte, ninguém reclama
por não ter investido mais na bolsa
Para ser feliz,
você não precisa sequer ter saúde
já que nem todo doente
é um pessimista incorrigível
Para ser feliz,
você não precisa mais
do que estar vivo
e aprender a viver só...
e só...
Ciudad Real, 26 de setembro de 2008, e
Madrid, 05 de outubro de 2009
Sob o véu sacro de elevada crença,
ergue-se, às vezes, oculta opressão;
verbo que fere, em tênue aparência,
cinge a alma em dor e submissão.
Invoca o medo com falsa prudência,
tolhe o pensar, subjuga a razão;
faz da esperança amarga dependência,
e enclausura o ser na frágil ilusão.
Mas fé legítima não aprisiona,
nem se alimenta de culpa ou temor;
antes liberta e ao bem se inclina,
pois luz autêntica jamais abandona,
conduz à vida com justo fervor
e, em liberdade, a essência ilumina.
Brasília, 03 de maio de 2026.
Se o medo orienta o julgar prudente,
a balança inclina-se sem razão;
pune-se antes, de modo recorrente,
para evitar suposta omissão.
A pressão social, voz insistente,
influi por vezes na decisão;
e o juiz, temendo agir displicente,
afasta-se da justa direção.
Mas julgar exige firmeza e critério,
não se submete ao clamor etéreo,
nem ao receio de eventual falha,
pois o Direito, em seu magistério,
busca o equilíbrio sério e austero,
onde a Justiça jamais se embaralha.
Brasília, 03 de maio de 2026.
A liberdade de expressão
implica em assumir
as consequências do que se diz,
mesmo quando se fala coisas
sem saber do que está falando
O que se pretende
ser um estímulo
vira um freio abrupto
do desejo de viver
Desistir para não sofrer?
Esquecer para não chorar?
Nada disso traz paz…
Afinal, antes viver
a sensação de lutar
e ser derrotado
do que a de nem sequer tentar…
Marabá, 21 de maio de 2026.
À luz da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com
Deficiência, enfim se proclama
que a limitação não define o existir;
pois é na barreira hostil que se inflama
o peso cruel de impedir e excluir.
Não basta o diagnóstico frio e restrito,
nem laudo encerrado em linguagem severa;
há muros erguidos no espaço infinito
da mente que nega, despreza e impera.
Se a urbe não abre caminhos decentes,
se faltam acesso, respeito e guarida,
transformam-se corpos, outrora potentes,
em alvos da sombra social instituída.
Por isso, a inclusão não traduz caridade,
nem gesto piedoso de falsa emoção;
é norma fundada em justiça e igualdade,
é força de cidadania em ação.
E, assim cada voz, sem temor, se levanta,
reivindica presença, trabalho e valor;
pois toda pessoa, em essência, é santa
na livre grandeza de seu próprio labor.
Eunápolis, 11 de maio de 2026.
No labor suspenso, nasce um direito essencial,
Amparo jurídico à chegada da existência,
Entre afeto e norma, vínculo inicial,
Protege-se o cuidado com digna consistência.
Não só genitora, tampouco apenas genitor,
Mas quem assume o encargo da formação,
Partilha-se o tempo, fortalece-se o amor,
Sob guarida legal da corresponsabilização.
No berço se firma o primeiro laço social,
Com presença contínua, zelo estruturante,
Desenvolvimento pleno, substrato vital,
Num convívio próximo, terno, edificante.
Licença que transcende previsão normativa,
Traduz humanidade na ordem instituída,
Pois cada instante em convivência afetiva
Consolida direitos na aurora da vida.
Salvador, 05 de maio de 2026.
Nos cofres da nuvem, em byte e protocolo,
Armazena-se a vida em código e memória;
Metadados narram, em silêncio e sem dolo,
Fragmentos de afeto em cifra transitória.
Perfis persistentes, sob gestão contratual,
Entre termos de uso e cláusula restritiva,
Guardam traços do eu em domínio virtual,
Na arquitetura lógica de herança ativa.
Há chaves privadas, senhas, autenticação,
Criptografia assimétrica em cofre selado;
Sem o devido acesso ou legitimação,
O acervo digital resta inacessado.
Testamento eletrônico, diretiva antecipada,
Define a sucessão de ativos intangíveis;
Entre direito e ética, a fronteira é traçada
Por regimes jurídicos ainda sensíveis.
E assim, na interface entre morte e sistema,
Subsiste a presença em dado estruturado;
Na persistência algorítmica de um teorema,
O legado humano segue virtualizado.
Salvador, 04 de maio de 2026.
Em ruas densas de rumor e movimento,
surge o fiel condutor da travessia;
guiando passos com sereno alento,
converte sombra hostil em harmonia.
Percebe o risco oculto ao caminhar,
desvia abismos, grades, multidão;
ensina o mundo inteiro a enxergar
que há dignidade em cada direção.
Não é somente auxílio em locomoção,
mas liberdade viva e verdadeira;
é ponte erguida contra a exclusão.
Seu trote firme rompe a fronteira
que separava acesso e condição,
convertendo a companhia em inclusão.
Salvador, 09 de maio de 2026.
Quer-se viver
uma convivência Dez
mas o que mais se tem
é um relacionamento Des:
Desanimado,
Desequilibrado,
Desconfiado…
E é assim:
Descontrolado
Desesperado
Desesperado
que se vai sobrevivendo…
Falta a base
para a construção
de uma real intimidade,
a vivência no giro do ciclo da vida
O valor dessa intimidade
tende a prevalecer
na medida em que o tempo passa
Pois tudo pesa
A confiança pesa
O sexo pesa
O social pesa
E não há o que fazer…
O que é somente de uma parte
não pode ser tratado por terceiros
Por mais que seja fiel
Por mais que seja amoroso
Por mais que seja receptivo
Por mais que seja animado,
equilibrado e confiável,
não se pode mudar
o que não depende
verdadeiramente de si.
Macapá, 21 de maio de 2026.
Do brado outrora imerso em mudez,
ergue-se norma firme a proteger;
rompe-se o ciclo vil de insensatez
e se afirma o direito de viver.
Não só a força bruta em sua vez,
mas toda forma que possa ofender
encontra na lei pronta altivez,
para coibir, punir e conter.
Medidas céleres trazem proteção
e impõem ao agressor limitação,
em defesa da vítima atingida.
Mas garantir real transformação
exige ação além da previsão,
com justiça concreta e efetiva.
Brasília, 03 de maio de 2026.
No texto magno, em cláusula consagrada,
ergue-se a tutela da dialeticidade,
Bilateralidade plena assegurada,
com paridade de armas na processualidade.
Audi alteram partem rege o iter procedimental,
vedando surpresa na formação decisória.
Impõe-se debate técnico, racional,
com influência efetiva na trajetória.
Ampla defesa transcende mera formalidade,
abrange meios lícitos de argumentação,
desde prova pericial à instrumentalidade,
viabilizando robusta fundamentação.
Se há cerceamento, rompe-se a legitimidade,
maculando o ato por vício insanável,
pois, sem contraditório, não há juridicidade,
nem provimento válido, justo e confiável.
Salvador, 04 de maio de 2026.
No trato público de contratar,
impõe-se norma de isenta feição,
para que todos possam disputar,
com lisura e plena condição.
Editais regem o ato de ajustar,
com transparência e justa seleção;
Afasta-se o arbítrio, ao deliberar,
guardando a ética na condução.
Vence não só quem oferta menor,
mas quem demonstra probidade e valor,
em fiel observância à missão do Estado,
pois gerir bens com rigor e pudor
exige zelo, critério e primor,
para que o justo, ao final, seja alcançado.
Brasília, 03 de maio de 2026.
Rodolfo Pamplona Filho e Nestor Távora
O Estado pede que confesse, apresentando todo o alicerce.
Dizem: “é só uma medida alternativa!”
mas pode acabar com uma vida
Quem confessa, por medo, a todos suplica,
por temer as incertezas da Justiça e da vida.
Aceita qualquer acordo ou negociação,
por medo do processo e sua repercussão,
pois lhe negam o direito mais básico:
ser ouvido por um juiz democrático,
que queira saber o que, de fato, ocorreu,
e não que o que o Sistema lhe deu.
Entre calar-se e vir a narrar,
prevalece o direito de não se incriminar;
Nem toda fala há de se aceitar,
se nasce viciada ao declarar.
Confissão não se pode impor ou forjar,
sob pena grave de se invalidar;
Justiça exige livre manifestar,
sem coação que a venha macular.
Prova legítima é fruto da razão,
aliada firme à verificação,
distante sempre de indução indevida,
pois decidir com reta convicção
requer cautela na apreciação,
para que a verdade seja erigida.
Brasília, 03 de maio de 2026.
Quando a existência abrupta se desfaz
e a morte impõe silêncio derradeiro,
o Direito busca, ainda que incapaz,
traduzir o luto em valor financeiro.
Mas toda perda que do ser se traz
excede cálculo exato e verdadeiro;
nenhuma cifra jamais satisfaz
ou faz cessar o abalo íntimo e certeiro.
Resta ao sistema a via indenizatória,
ainda aquém da dimensão da história,
que a ausência deixa em dor continuada,
pois mesmo após a devida reparação
persiste viva a funda comoção,
na lembrança que não pode ser calada.
Brasília, 03 de maio de 2026.
Na lucidez que o tempo ainda manda,
prevê-se o ocaso em cláusula prudente;
a vontade, serena e diligente,
firma destinos quando o corpo desanda…
Não há tutela imposta que desagrade
quem deixa a própria escolha claramente;
pois cada diretriz, livre e consciente,
afasta o arbítrio vil que a vida invade.
Se a mente vacilar na noite escura,
subsiste a diretriz anteriormente erguida,
guardando identidade, afeto e crença.
Autocuratela: expressão segura
da autonomia humana protegida,
na lei, na ética, enfim, na coexistência.
No aeroporto de Cumbica, Guarulhos/SP, em 21 de maio de
2026.
Na tribuna, ergue-se voz firme e altiva,
verbo preciso em métrica elegante,
razão conduz defesa persuasiva,
lógica guia discurso vibrante.
Toga silente escuta narrativa,
fato alinhado em passo consonante,
prova desenha tese decisiva,
tempo contido impõe tom relevante.
Gestos comedidos moldam argumento,
síntese clara vence resistência,
julgador atento pesa fundamento.
Ordem sustenta justa consistência,
palavra encerra nobre juramento,
Direito floresce em consciência.
Brasília, 03 de maio de 2026.
No átrio austero, a toga reluzente
sustenta a voz da lei perante o povo;
no Júri, cada gesto é eloquente
e o verbo hábil pode erguer o novo.
A prova documental, firme e fria,
confronta o pranto e a réplica inflamada,
enquanto a retórica irradia
e persuade a mente atenta e concentrada.
O corpo de jurados silencia,
pesando culpa, dúvida e clemência;
Ali, não basta só jurisprudência:
requer-se pulso, ética e maestria.
Nos debates, estratégia e compostura
modelam convicções no plenário,
pois cada intervenção da advocacia
pode alterar o curso do cenário.
E, ao soar da sentença derradeira,
entre emoções, teses e verdade,
revela o Tribunal, em sua essência inteira,
o encontro entre Justiça e Humanidade.
Araguaína, 18 de maio de 2026.
Extermínio pela fome.
Quando o desejo de vitória
supera qualquer pudor:
Holodomor
Curitiba, 18 de março de 2023.
Escaras
Lesões
não raras
de posições
limitadas
em que o corpo
é metáfora viva
dos males que
a acomodação da alma
causa em nossa essência.
Salvador, 04 de abril de 2023.
Melhor? Impossível
pois fazer o
Melhor possível
já é a missão de vida
Melhor impossível
é a meta
não do otimismo pueril,
mas da postura de vida,
que permite encarar
cada desafio,
um dia após o outro,
aprendendo, a cada momento
a usufruir cada instante
no controle do próprio humor
e na vontade de sentir
a verdadeira essência do Amor
05 de maio de 2023, no vôo para Aracaju.
Meu filho é uma foto do passado
ou um retrato do presente
que eu não tenho mais contato
Meu filho é uma lembrança feliz
ou uma saudade doída
que não virou cicatriz
Meu filho é um sonho realizado
ou um pesadelo persistente
de algo que foi mudado
Meu filho é uma antiga esperança
que me fez chorar criança
quando entrei em sua dança
Meu filho é tudo que um dia projetei
sabendo que os filhos são obra
de um destino que nunca controlei.
Recife, 12 de maio de 2023.
Não existe nada melhor
do que acordar tocando você
Transar até esvair em suor
Gozar até não mais poder
Sentir seu corpo firme
pesando sobre o meu
Beijar intensamente
cada pedaço seu
Abraçar forte pelas costas
Gemer escandalosamente
Enroscar-se infinitamente
Descobrir minhas respostas
da busca da juventude:
amar o máximo que pude!
Salvador, madrugada de 8 de maio de 2023.
Pais erram
quando falam
de seus filhos
para quem
eles não querem que saiba
Pais erram
quando mostram
imagens do passado
que eles têm vergonha
de ser vistas
Pais erram
quando elogiam
os feitos de qualquer ordem,
pois nem sempre quem faz
quer que os outros saibam
Pais erram
quando sonham
um futuro melhor
que seu presente,
pois filhos farão seu próprio caminho
Pais erram
sempre
de forma contundente
mas sempre,
sempre mesmo,
querendo acertar.
Aracaju, 14 de maio de 2023, dia das mães.
Ela escreve... na multidão!
um trecho de crônica, uma canção
um testamento, uma confissão
Isso não importa,
e sim que
Ela escreve... na multidão!
um conto, um verso ou um recado
talvez uma carta para o namorado
Isso não importa,
e sim que
Ela escreve... na multidão!
um bilhete, um sonho, uma imagem
um desejo escondido, uma mensagem
Isso não importa,
e sim que
Ela escreve... na multidão!
uma prece, um poema ou um recado
quem sabe um segredo há muito guardado
Isso não importa,
e sim que
Ela escreve... na multidão!
Tomo cuidado para não perturbá-la
e, à distância, fico a amá-la,
mas...
Isso não importa
e sim que
Ela escreve... na multidão!
(22.01.92)
Na vida,
carreira
ou vocação…
Em tudo
que se exige
um Não
Eu e meu pai
Eu e meu filho
O Mestre
e o discípulo
Freud e Jung
Husserl e Heidegger
Adorno e
Enzensberger
Junto da sombra
de uma grande árvore ,
uma nova árvore
não pode crescer
A força gravitacional
de uma estrela
atrai a ponto
de absorver
É preciso constituir-se,
crescer
Tornar-se Estrêla.
Sol,
Árvore
E novo ser
Natal, 19 de maio de 2023.
Rodolfo Pamplona Filho e Sebastião Marques Neto
Cada um dá o que o tem
E eu só tenho amor pra dar
Na poesia não há precisão
Só a razão precisa
Cada um cala a sua dor
E eu não tenho mais o que chorar
Sem poesia não há solução
Leva essa mágoa nas ondas
Salga a lua e o mar
Cada um ora pelo que crê
e eu só creio que vale amar
Na oração não há precisão
Só a alma precisa
Cada um exorta a sua dor
E eu não tenho mais o que clamar
Sem poesia não há solução
Leva essa mágoa nas ondas
Salga a lua e o mar
Cada um chora pelo que vê
e eu só vejo quem quero amar
No desejo não há precisão
Só o coração precisa
Cada um consola a sua dor
E eu não tenho mais o que esperar
Sem poesia não há solução
Leva essa mágoa nas ondas
Salga a lua e o mar
No vôo de Salvador para Natal, em 18 de maio de 2023.
Rodolfo Pamplona Filho e Sebastião Marques Neto
Descarte o seu usado
no meu terreiro
de tudo fica um pouco
eu posso aproveitar
Águas pesadas
não movem moinhos
Desobedeça ao mestre
de noite, todos os gatos são pardos
Quem ama diz o que quer
quem se deixa prender
para sempre
no peito trará paixão
de grão em grão
é que se engasga feio.
Descarte o seu usado
no meu terreiro
de tudo fica um pouco
eu posso aproveitar
do pão fica o centeio
eu posso triturar
e da mágoa profunda
não quero me lembrar.
Quem tem boca
vai à Roma e ao dentista,
pois, de cavalo dado
não se olha os dentes na pista
Quem não chora não mama, nenen:
Mulher sem sorte com homens
não sabe a sorte que tem.
Descarte o seu usado
no meu terreiro
de tudo fica um pouco
eu posso aproveitar
A fé remove montanhas,
mas prefiro dinamite
Achado não é roubado,
quem perdeu foi relaxado.
A prática leva à perfeição,
menos na roleta russa, meu irmão!
Em terra de cego,
quem tem um olho é o rei da feira:
A esperança é a última que morre
e minha paciência é a primeira.
No vôo de Salvador para Natal, em 18 de maio de 2023.
Rodolfo Pamplona Filho
Ninguém precisa
perguntar sua opinião
Ela vai dar da mesma forma
e sempre soltando um veneno,
fazendo uma queixa,
criticando o serviço,
como se sua visão
fosse realmente relevante
para o futuro da ação,
da nação ou da operação.
Não há motivos
para ser simpática,
nem razão para ser amável,
quando tudo se resume
à necessidade de ser desagradável.
Aeroporto de Cusco, 16 de abril de 2017.
Se não tem espelho no banheiro,
reclama da ausência;
Se tem, do modelo, tamanho ou qualidade;
Se sorteiam brindes,
reclama que nunca é vencedor:
Se recebe, acha mixaria;
Se uma medida é tomada, para evitar danos,
reclama de ter de abrir mão;
Se a medida não é tomada e o dano ocorre,
reclama por qual motivo não fizeram nada...
Se o líder contrata, é perdulário;
Se não, é omisso;
Se alguém cumprimenta alegre, é gaiato;
Se alguém cumprimenta triste, é mal-amado;
Se não cumprimenta, é boçal.
Se alguma coisa está boa,
alguém tem de achar algum mal.
No vôo de Joanesburgo para São Paulo, 18 de setembro de 2015.
Profeta não é antecipador
de um futuro desconhecido,
mas, sim, um ávido leitor
dos sinais do que está vindo...
Ninguém precisa fazer esforço
para rejeitar o que não agrada,
mas o desafio é romper o colosso
do sistema que não diz nada,
mas que oprime o desejo,
ainda que seja por um beijo
revelador do contraditório
ou portador do paradoxo
de morrer quando se espera a vitória,
pois a causa é mais relevante que a história.
Salvador, domingo, 18 de agosto de 2013, depois de ouvir a pregação de Pastor Neto sobre Apocalipse 11, jantando com a família e os amigos Beto e Mônica..
O silêncio é terrível
pois significa tudo
e, ao mesmo tempo, nada,
como uma esfinge a decifrar...
Quero te ver várias vezes
e aproveitar toda oportunidade
em que isso possa ocorrer,
ainda que seja raro...
pois raro é o sentimento
que une duas almas gêmeas,
que nada tem a ver uma com a outra,
mas são iguais no coração.
A vida está em nosso desejo,
que não é necessariamente físico,
mas que estará sempre conosco
onde quer que estejamos.
Eu me contentarei somente
com a lembrança de um beijo,
como prova de que não quero só a casca,
embora ela também seja adorável.
“Posso te ver agora?”
é a pergunta mais feita
nos tempos de segredo
e nos momentos de aperto
A angústia da espera
torna o tempo por inteiro:
segundos parecem dias,
minutos são um desespero...
e toda essa ânsia
e toda esperança
sempre será um queimor
para alimentar tamanho amor
Salvador, 3 de outubro de 2010.
Deixa eu ser seu xibolete:
esta peculiaridade da pronúncia
que identifica um indivíduo
que faz parte de uma população...
É como o ditongo "ão",
que só é pronunciado corretamente
por quem é falante nativo
de nosso bom português...
Deixa eu ser o diferencial
no toque, na palavra e no calor,
que só se transmite e compartilha
o mais puro e verdadeiro amor...
Salvador, 23de outubro de 2012.
A Igualdade é a utopia mais utópica,
verdadeiramente irrealizável...
A Igualdade é horizonte: não se alcança!
A igualdade é matematicamente inviável
A Igualdade é ideológica manipulação
Ou loucura...Ou simples ilusão...
A Igualdade é uma mentira deslavada
de quem não consegue mudar nada...
Com o discurso da igualdade,
ganha-se o entusiasmo e o coração,
mesmo somente ficando no palavrório...
Com o discurso da igualdade,
prega-se uma mensagem do paraíso,
enquanto se padece no purgatório...
Salvador, 19 de dezembro de 2015, frustrado com a vida, às vésperas do Natal.