O objetivo deste blog é divulgar toda a minha produção poética, sem prejuízo de continuar a ser postada também no Portal de Poesia Rodolfo Pamplona Filho (www.rodolfopamplonafilho.blogspot.com).
A diferença é que, lá, são publicados também textos alheios, em uma interação e comunhão poética, enquanto, aqui, serão divulgados somente textos poéticos (em prosa ou verso) de minha autoria, facilitando o conhecimento da minha reflexão...
Espero que gostem da iniciativa...
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domingo, 9 de agosto de 2026

Amor de Pai





Quando eu soube que você viria,

sensação diferente foi a minha:

alegria de receber alguém que não conhecia,

mas conheceria como ninguém poderia...


As primeiras noites mal-dormidas...

Cólicas, febre e recusa à comida,

fraldas, chupetas e mamadeiras...

Cuidar disso não foi brincadeira...


Confesso que senti ciúme do seio

Pois queria estar naquele meio

Trocar sentimentos sem sequer falar...

Tocar o coração sem mais nada precisar...


Ler histórias para dormir no maior breu...

Colocar nos ombros para ver como cresceu...

Ver um sorriso que ilumina o ambiente

e uma risada que alegra toda a gente


Assistir o mesmo filme cinquenta vezes...

Explicar a mesma coisa por meses...

Cantar a mesma canção para acalmar...

Replay’s de cenas no aprendizado de amar...


Ver aquele pingo de gente crescer

Descobrir novo ser, sem do antigo esquecer...

Encontrar alguém que o conhece desde que nasceu...

E que não aceita mais todo conselho seu...


REFRÃO (2X)

- não faço isso por mal, mas para poupar

sofrer da mesma forma que eu, ao sonhar...

Esqueço filhos também têm direito de tentar

cometer novos erros ou os mesmos, para meu frustrar...


Mas, mesmo assim, quando a saudade aperta,

Ainda que a volta ao lar seja incerta

Quero dizer que os pais nunca ficam sós,

Se for possível ouvir, de longe, a sua voz...


A minha torcida pela sua vitória

A construção conjunta de uma história...

A alegria pela sua felicidade

Amor de pai...

Amor de pai...

Amor de pai não tem idade...

sábado, 8 de agosto de 2026

Eu queria...



Eu queria ter um pai,

que fosse presente e alegre,

que conversasse comigo

e me explicasse sobre a vida,

que respeitasse minha visão 

e meus sentimentos,

mesmo quando 

não concordasse com eles 


Eu queria ter uma mãe,

que fosse sensível e empolgada,

que me colocasse no colo

e me fizesse cafuné,

que me abraçasse com carinho,

quando as palavras sumissem,

mesmo quando 

nada parecesse fazer sentido.


Eu queria uma mulher,

que estivesse ao meu lado,

em cada momento de vida;

que levantasse minha bola

nos momentos de tristeza

e transpirasse alegria 

nas horas de animação;

que me ouvisse 

e me entendesse

na hora da depressão.


Mas hoje é hoje

e nem sempre 

se pode ter

o que se quer...

e estou sozinho...

chorando pelo que não vivi

e pelo que nunca tive...


Brasília, 09 de outubro de 2018.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Pelos Filhos





Rodolfo Pamplona Filho


Pelos filhos, fazem-se loucuras,

mata-se ou morre-se, passa-se fome,

sucumbe-se a travessuras,

muda-se até de nome...


Pelo amor aos filhos,

troca-se a aventura pela segurança,

a liberdade pelos trilhos,

a programação pela esperança...


Para ver os filhos crescerem,

renuncia-se a um grande amor,

chora-se até as lágrimas se perderem,

entrega-se aos leões sem medo da dor...


Pela felicidade dos filhos,

abdica-se da individualidade,

esquece-se a própria mortalidade,

vive-se como se não mudasse de idade.


Vivendo para os filhos eternamente,

corre-se o risco de se anular,

de desaprender a ser gente,

de nunca mais voltar a sonhar...


Mas, mesmo assim,

é uma opção consciente em cena...

um investimento sem retorno ou fim...

um sacrifício que vale a pena...


Praia do Forte, 26 de dezembro de 2010.


sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Hitler, meu filho!

 

 






Se eu pudesse

Voltar atrás

E tentasse alterar

O meu passado,

Meu espírito teria paz

E meu destino seria mudado?

Se eu tivesse abortado meu filho,

Minha agonia teria fim?

Que seria do meu próprio íntimo,

Se eu matasse um pedaço de mim?


Gerei em meu útero

Um anjo louco

E nas minhas veias,

Eu me dei para ele,

Mas todo o sangue foi pouco

Para matar sua sede!

O meu corpo era árvore da vida,

Mas meu fruto semente da dor!

Como dói essa minha ferida

De não ter ensinado o amor!


Quantos inocentes

Sofreram por sua mão?

Quantas crianças

Por sua causa, morreram em vão?

Quantas crianças,

Pelo seu ódio, morreram em vão?


Amor materno

Com repúdio!

Sanidade mesclada

Com distúrbio!

Será que eu devia

Ter dito Não?

Será que eu devia

Ter dito Não?

Não!

Não!

Pois até os carrascos têm uma mãe!

... até os carrascos têm uma mãe!



(1991)


Letra: Rodolfo Pamplona Filho


Música: Jorge Pigeard

sábado, 3 de janeiro de 2026

Adoção Afetiva

 

 






A vida me contemplou

com filhos maravilhosos,

tanto no sangue,

quanto no coração!


Isso se dá, com fé,

pois, definitivamente,

a paternidade não é

uma biologia permanente.


É muito mais do que isso:

é uma eleição de paradigma

de quem assume o compromisso

de não ser um enigma.


Apadrinha-se, torna-se companheiro,

confidente, ombro amigo e parceiro.

Comemora-se junto, chora-se também,

da verdade biológica, vai-se além...


A paternidade por adoção afetiva

honrou-me com um carinho

que nem todos têm na vida...

que não se compreende sozinho...


mas que é a prova mais dura

de que pessoas podem se amar

e se entregar de forma pura,

sem qualquer outro interessar,


como deveria ser, aliás,

em qualquer verdadeira relação

de um afeto que não volta atrás...

de uma escolha consciente de devoção.


Aracaju, 07 de outubro de 2010.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Filhas crescem






O bebê que vi nascer

e carreguei no colo

desabrochou com a primavera

de um tempo que não para...

E se viu menina...

E se viu moça...

E se viu mulher...

E se viu mãe...

Mãe de meu neto...

Retomando o ciclo,

carregando o bastão

e redescobrindo a gênese,

que nunca terminará...


Rio de Janeiro, noite de 20 de setembro de 2013, refletindo sobre o tema e uma musica de John Mayer no Rock in Rio.

domingo, 7 de setembro de 2025

O Destino do Sobreiro





A consciência da finitude

permite a tranquilidade

de investir em um futuro

que certamente não se verá...

Afinal, a cortiça é recolhida

por quem não cultivou,

o fruto é desfrutado

por quem não o plantou

e ninguém limita

o alcance do amor...


A caminho de Évora, 01  de julho de 2015...

domingo, 13 de julho de 2025

Soneto para Catarina

 







O mundo ganhou nova cor


e se tornou pleno de carinho,


quando o fruto do amor


chegou devagarzinho...




Bem-vinda à vida,


pequena Catarina!


Que seu olhar tranquilo


seja o mais doce abrigo




para acalmar o coração


de quem ama sem juízo


e se entrega em paixão...




Que todo dia seja especial,


como o seu lindo sorriso,


que nos traz paz, afinal.




No vôo de Salvador


para Imperatriz-MA (via Brasília),


09 de novembro de 2011.


sábado, 14 de junho de 2025

Botões e Flores

 





Há botões que não viram flores,

brotos que não viram ramos

gotas que não fazem chuva

andorinhas que não fazem Verão!

Não chore pelo que não veio,

nem por aquilo que podia ser,

pois só se sente o que se viveu

e somente se sabe o que se sentiu...



Salvador, 14 de agosto de 2013.


sexta-feira, 30 de maio de 2025

Minha Marina

 






Minha Marina

não é morena,

nem sequer se pintou...


Minha Marina

faz de tudo,

inclusive um favor...


Pode pintar o rosto

e o sete, com gosto,

como tudo que é seu..


Marina, você já é linda

e será sempre linda

com o que Deus deu...


Com você, nunca me aborreci,

nem me zanguei...

Isso, eu posso falar...


pois quando eu chamo Marina,

só sei me alegrar...


Eu já passei por tanta coisa...

Você nem sabe o que é chorar...

Desculpe, Marina minha,

mas nunca deixarei de amar...


Praia do Forte, 04 de julho de 2011.

segunda-feira, 19 de maio de 2025

O Som e a Dor (O Poema)









Ouço o mar...


E a melodia das ondas

quebrando na praia

renovam uma sensação...

... um sentimento...

de uma ferida que se fechou,

mas que a cicatriz

não se apaga...


Uma dor...

Uma dor de perda...

da mulher que espera

o marido ou o pescador

voltar do trabalho ou do mar,

mas ele não retorna...

do filho que anseia

pelo encontro do pai

que nunca conheceu

e que não o beijará...

da mãe que não dorme

na expectativa da chegada

do rebento que se foi

e que jamais voltará...


Ouço o mar...

E o ritmo do choque

das águas com as pedras

agita o meu coração...

... como um lamento...

de um choro que se calou,

mas cujo som

é impossível esquecer...


Uma dor...

Uma nota quase inaudível

e somente perceptível

pelo ouvido absoluto

de quem já sofreu

e nunca...

nunca deixará de recordar...

O Som

O Mar

A Dor

O Tom

O Sonhador

O Som e a Dor


O Som e a Dor

descansam

no oceano...


O Som e a Dor...




Aeroporto de Brasília, 10 de março de 2013.

terça-feira, 17 de dezembro de 2024

Pelos Filhos

 





Pelos filhos, fazem-se loucuras,

mata-se ou morre-se, passa-se fome,

sucumbe-se a travessuras,

muda-se até de nome...



Pelo amor aos filhos,

troca-se a aventura pela segurança,

a liberdade pelos trilhos,

a programação pela esperança...



Para ver os filhos crescerem,

renuncia-se a um grande amor,

chora-se até as lágrimas se perderem,

entrega-se aos leões sem medo da dor...



Pela felicidade dos filhos,

abdica-se da individualidade,

esquece-se a própria mortalidade,

vive-se como se não mudasse de idade.



Vivendo para os filhos eternamente,

corre-se o risco de se anular,

de desaprender a ser gente,

de nunca mais voltar a sonhar...



Mas, mesmo assim,

é uma opção consciente em cena...

um investimento sem retorno ou fim...

um sacrifício que vale a pena...



Praia do Forte, 26 de dezembro de 2010.



quarta-feira, 25 de setembro de 2024

Por um tempo...

 









Rodolfo Pamplona Filho




Por um tempo, hesitei em escrever.


Por um tempo, só pensarei em você.


Por um tempo, chorarei solitário pelos cantos.


Por um tempo, não verei os seus encantos.


Por um tempo, não farei vídeos de bom dia.


Por um tempo, sentirei a casa vazia.


Por um tempo, não haverá memes com Mateus.


Por um tempo, não terei os olhos seus.


Por um tempo, estarei somente à distância.


Por um tempo, lembrarei da sua infância.


Por um tempo, vou me olhar sozinho.


Por um tempo, ficarei sem seus gritinhos.


Por um tempo, estarei somente aqui


na torcida por você ser sempre feliz.






Salvador, 02 de setembro de 2017, dia do embarque de Marina para o intercâmbio no Canadá.


segunda-feira, 9 de setembro de 2024

Por um tempo...





Por um tempo, hesitei em escrever.

Por um tempo, só pensarei em você.

Por um tempo, chorarei solitário pelos cantos.

Por um tempo, não verei os seus encantos.

Por um tempo, não farei vídeos de bom dia.

Por um tempo, sentirei a casa vazia.

Por um tempo, não haverá memes com Mateus.

Por um tempo, não terei os olhos seus.

Por um tempo, estarei somente à distância.

Por um tempo, lembrarei da sua infância.

Por um tempo, vou me olhar sozinho.

Por um tempo, ficarei sem seus gritinhos.

Por um tempo, estarei somente aqui

na torcida por você ser sempre feliz.



Salvador, 02 de setembro de 2017, dia do embarque de Marina para o intercâmbio no Canadá.


quinta-feira, 23 de maio de 2024

Amor de Pai

 



Quando eu soube que você viria,

sensação diferente foi a minha:

alegria de receber alguém que não conhecia,

mas conheceria como ninguém poderia...


As primeiras noites mal-dormidas...

Cólicas, febre e recusa à comida,

fraldas, chupetas e mamadeiras...

Cuidar disso não foi brincadeira...


Confesso que senti ciúme do seio

Pois queria estar naquele meio

Trocar sentimentos sem sequer falar...

Tocar o coração sem mais nada precisar...


Ler histórias para dormir no maior breu...

Colocar nos ombros para ver como cresceu...

Ver um sorriso que ilumina o ambiente

e uma risada que alegra toda a gente


Assistir o mesmo filme cinquenta vezes...

Explicar a mesma coisa por meses...

Cantar a mesma canção para acalmar...

Replay’s de cenas no aprendizado de amar...


Ver aquele pingo de gente crescer

Descobrir novo ser, sem do antigo esquecer...

Encontrar alguém que o conhece desde que nasceu...

E que não aceita mais todo conselho seu...


REFRÃO (2X)

- não faço isso por mal, mas para poupar

sofrer da mesma forma que eu, ao sonhar...

Esqueço filhos também têm direito de tentar

cometer novos erros ou os mesmos, para meu frustrar...


Mas, mesmo assim, quando a saudade aperta,

Ainda que a volta ao lar seja incerta

Quero dizer que os pais nunca ficam sós,

Se for possível ouvir, de longe, a sua voz...


A minha torcida pela sua vitória

A construção conjunta de uma história...

A alegria pela sua felicidade

Amor de pai...

Amor de pai...

Amor de pai não tem idade...


sábado, 11 de maio de 2024

Eu queria...










Eu queria ter um pai,

que fosse presente e alegre,

que conversasse comigo

e me explicasse sobre a vida,

que respeitasse minha visão 

e meus sentimentos,

mesmo quando 

não concordasse com eles 


Eu queria ter uma mãe,

que fosse sensível e empolgada,

que me colocasse no colo

e me fizesse cafuné,

que me abraçasse com carinho,

quando as palavras sumissem,

mesmo quando 

nada parecesse fazer sentido.


Eu queria uma mulher,

que estivesse ao meu lado,

em cada momento de vida;

que levantasse minha bola

nos momentos de tristeza

e transpirasse alegria 

nas horas de animação;

que me ouvisse 

e me entendesse

na hora da depressão.


Mas hoje é hoje

e nem sempre 

se pode ter

o que se quer...

e estou sozinho...

chorando pelo que não vivi

e pelo que nunca tive...


Brasília, 09 de outubro de 2018.


sexta-feira, 12 de abril de 2024

O Destino do Sobreiro







A consciência da finitude

permite a tranquilidade

de investir em um futuro

que certamente não se verá...

Afinal, a cortiça é recolhida

por quem não cultivou,

o fruto é desfrutado

por quem não o plantou

e ninguém limita

o alcance do amor...




A caminho de Évora, 01  de julho de 2015...

domingo, 14 de janeiro de 2024

Filhas crescem




O bebê que vi nascer

e carreguei no colo

desabrochou com a primavera

de um tempo que não para...

E se viu menina...

E se viu moça...

E se viu mulher...

E se viu mãe...

Mãe de meu neto...

Retomando o ciclo,

carregando o bastão

e redescobrindo a gênese,

que nunca terminará...



Rio de Janeiro, noite de 20 de setembro de 2013, refletindo sobre o tema e uma musica de John Mayer no Rock in Rio.

terça-feira, 9 de janeiro de 2024

Adoção Afetiva




A vida me contemplou

com filhos maravilhosos,

tanto no sangue,

quanto no coração!


Isso se dá, com fé,

pois, definitivamente,

a paternidade não é

uma biologia permanente.


É muito mais do que isso:

é uma eleição de paradigma

de quem assume o compromisso

de não ser um enigma.


Apadrinha-se, torna-se companheiro,

confidente, ombro amigo e parceiro.

Comemora-se junto, chora-se também,

da verdade biológica, vai-se além...


A paternidade por adoção afetiva

honrou-me com um carinho

que nem todos têm na vida...

que não se compreende sozinho...


mas que é a prova mais dura

de que pessoas podem se amar

e se entregar de forma pura,

sem qualquer outro interessar,


como deveria ser, aliás,

em qualquer verdadeira relação

de um afeto que não volta atrás...

de uma escolha consciente de devoção.


Aracaju, 07 de outubro de 2010.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

Filhas crescem




O bebê que vi nascer

e carreguei no colo

desabrochou com a primavera

de um tempo que não para...

E se viu menina...

E se viu moça...

E se viu mulher...

E se viu mãe...

Mãe de meu neto...

Retomando o ciclo,

carregando o bastão

e redescobrindo a gênese,

que nunca terminará...



Rio de Janeiro, noite de 20 de setembro de 2013, refletindo sobre o tema e uma musica de John Mayer no Rock in Rio.