O objetivo deste blog é divulgar toda a minha produção poética, sem prejuízo de continuar a ser postada também no Portal de Poesia Rodolfo Pamplona Filho (www.rodolfopamplonafilho.blogspot.com).
A diferença é que, lá, são publicados também textos alheios, em uma interação e comunhão poética, enquanto, aqui, serão divulgados somente textos poéticos (em prosa ou verso) de minha autoria, facilitando o conhecimento da minha reflexão...
Espero que gostem da iniciativa...
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quinta-feira, 25 de junho de 2026

Soneto da Violência Espiritual

 



 

Sob o véu sacro de elevada crença,

ergue-se, às vezes, oculta opressão;

verbo que fere, em tênue aparência,

cinge a alma em dor e submissão.

 

Invoca o medo com falsa prudência,

tolhe o pensar, subjuga a razão;

faz da esperança amarga dependência,

e enclausura o ser na frágil ilusão.

 

Mas fé legítima não aprisiona,

nem se alimenta de culpa ou temor;

antes liberta e ao bem se inclina,

 

pois luz autêntica jamais abandona,

conduz à vida com justo fervor

e, em liberdade, a essência ilumina.

 

Brasília, 03 de maio de 2026.

quinta-feira, 28 de maio de 2026

A Trombeta do Sétimo Anjo (Apocalipse 11)





 Profeta não é antecipador

de um futuro desconhecido,


mas, sim, um ávido leitor


dos sinais do que está vindo...




Ninguém precisa fazer esforço


para rejeitar o que não agrada,


mas o desafio é romper o colosso


do sistema que não diz nada,




mas que oprime o desejo,


ainda que seja por um beijo


revelador do contraditório




ou portador do paradoxo


de morrer quando se espera a vitória,


pois a causa é mais relevante que a história.






Salvador, domingo, 18 de agosto de 2013, depois de ouvir a pregação de Pastor Neto sobre Apocalipse 11, jantando com a família e os amigos Beto e Mônica..


terça-feira, 5 de maio de 2026

Testando Deus





Há gente que quer Deus provar,


não somente para experimentar,


mas também como um teste


de quem não tem ciência


de que há algo que rege


a sua vida e existência,


em uma espiritual convicção,


que não aceita demonstração,


por não haver jurisdição


que possa propor uma solução.




Se alguém precisa de prova


para ter plena certeza


do que se renova


e não está à mesa,


vai quebrar a cara,


desprazendo a jóia rara


de simplesmente acreditar


que existe força a controlar


o universo e o presente,


independente do que sente.




Falta sincera receptividade


e acolhimento de verdade,


fazendo juízo temerário


de quem se esconde no armário,


pois, consigo, condescendente


mas cruel com qualquer outra gente.


Só crê quem se submete


Só ama quem é pecador


Só sofre quem se mede


Só chora quem sabe o que é dor




Por isso, não ache que pode


explicar racionalmente


a um mundo que explode,


sem saber o que está em sua mente,


o que significa, enfim,


cultuar quem não tem fim,


pelo menos para aqueles


que se encontraram como seres,


decidindo louvar o invisível,


o que, para outros, é impossível.




Na síntese apertada


desta lição meio apressada,


a conclusão a se tomar


é simples como respirar:


viva tranquilamente sua fé e paixão,


sem se preocupar com a razão;


ou recuse, respeitosamente,


aquilo que levam à sua lente...


Aceite os dogmas seus,


mas não queira testar Deus!




Salvador, 24 de outubro de 2011.

domingo, 3 de maio de 2026

A mentira e a fantasia





É preciso diferenciar

A mentira e a fantasia.

Enquanto a primeira

é pura destruição,

a segunda ajuda

no processo de construção.


Na mentira, há intenção

de iludir com uma enganação,

em que não há possibilidade

de dizer ser outra visão da verdade,

já na fantasia, o que há

é uma nova forma de encarar

a nua, crua e dura realidade

com uma pitada de criatividade.


Seja Papai Noel

ou a inocente cegonha,

não há porque ter vergonha

do que um dia se creu,

pois mesmo um Deus

já foi desacreditado,

por quem está do seu lado

e nada aconteceu...



Brasília, 15 de outubro de 2011.

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Sobre o Ato de Cultuar




Será que há uma mínima pista

do mistério que envolve os seus

seguidores fiéis de um artista,

de um político ou um Deus?


A idolatria ou fascinação

é de tamanha proporção

que não faz diferença

qual é o motivo da crença:


o encantamento estético,

um projeto técnico ou ético

ou a esperança da salvação,

na busca visceral por redenção.


Embora em qualquer lugar

se possa exercitar o louvar,

há sempre um lugar para tal ato,

seja um templo, palácio ou teatro.


Somente as suas canções

merecem ser entoadas,

como se outras versões

devessem ser rejeitadas...


E suas palavras impõem respeito,

proporcionando ordens ou prazer,

seja "Aleluia", "Eu Prometo",

"Toca Raul" ou "Bota pra fuder"...


Mas, ao contrário do que se pensa,

cultuar não é um problema,

desde que se saiba o que se avença,

para não cair em um velho esquema


de ser mera bucha de canhão,

vitima inocente de manipulação,

por quem quer apenas dominar

o que você tem a lhe dar:


sua vida, sua alma ou seu dinheiro,

doando-se por inteiro,

não, infelizmente, para seu bem,

mas para o deleite de alguém


que nem acredita no que você crê,

mas faz questão de parecer

que está além do que se vê,

sonhando pelo que ainda há de ser...


Por isso, pratique o seu culto,

da forma que lhe soar normal,

não cedendo ao interesse oculto

de pouco valer seu gosto pessoal...


... e seja feliz...


Rio de Janeiro, 10 de outubro de 2011.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Ladainha

 


 






Como é possível


ouvir exatamente


a mesma coisa,


a cada momento,


a cada encontro,


a cada lamento...




Será que Deus gosta


que fiquem buzinando


as mesmas palavras


recém proferidas


e já antes ditas


por tantas vezes


e tantas pessoas


quanto o querer


possa conceber...




Soa como uma goteira


interminável e inteira


não sobre nossas cabeças,


mas, sim, aos nossos ouvidos,


esperando que a repitamos


ou enlouqueçamos...




Um dia, o mundo se cansará


da mesma companhia,


com asco, perceberá


a trágica monotonia


e, finalmente, cessará


a irritante ladainha...






Salvador, 01 de fevereiro de 2011.


quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Perdendo a Fé


 






Será possível definir o momento

em que se passa a crer em algo?

Se isto for aceitável,

por que não o seria

o instante em que se perde a fé?

A fé como a certeza

no que não se vê...

A fé como a esperança

que não se está só...

A fé como a motivação

para ainda confiar em alguém...


A fé não se explica: sente-se...

como um sopro no calor,

um abraço no temor,

uma luz na escuridão,

uma pausa na aflição...

A fé consola e acalma,

traz paz ao fundo da alma,

transforma a derrota em vitória

e muda o sentido da história.


Em que se perde a fé?

No homem, na lição,

na promessa, na salvação,

no governo, no projeto,

no caminho estreito e reto...

Perde-se fé na igreja

ou na comunidade,

na capacidade benfazeja

de falar a verdade...


Há como não perder a fé,

quando isto soa inevitável?

Há como permanecer de pé,

diante do inominável?

Há como acreditar na graça,

sem esperar um salvador?

Perder a fé é uma desgraça...

E isto é desolador,


pois o que se pode fazer quando

se descobre ter perdido a fé?

Reencontrar a estrada de outrora,

como se tantos passos

já não tivessem sido dados?

Como se tantas experiências

não tivessem diferentes lados?

Como se fosse possível desprezar

toda a vida posterior?

Como se a vontade pudesse apagar

singelamente toda dor?


Perdi a fé,

perdendo a fé...


Salvador, 07 de novembro de 2010.

terça-feira, 4 de novembro de 2025

Ladainha





Como é possível


ouvir exatamente


a mesma coisa,


a cada momento,


a cada encontro,


a cada lamento...




Será que Deus gosta


que fiquem buzinando


as mesmas palavras


recém proferidas


e já antes ditas


por tantas vezes


e tantas pessoas


quanto o querer


possa conceber...




Soa como uma goteira


interminável e inteira


não sobre nossas cabeças,


mas, sim, aos nossos ouvidos,


esperando que a repitamos


ou enlouqueçamos...




Um dia, o mundo se cansará


da mesma companhia,


com asco, perceberá


a trágica monotonia


e, finalmente, cessará


a irritante ladainha...






Salvador, 01 de fevereiro de 2011.


domingo, 31 de agosto de 2025

A Fé que Falha





Há Fé que Falha...

Há Fé que costuma falhar...

É a Fé que se apega 

à sua História pessoal,

como se o que se foi 

condicionasse o que quero ser...


Há Fé que Falha...

Há Fé que costuma falhar...

É a Fé no que não se fundamenta,

nem pretende sequer saber,

em vez de ser algo 

pelo qual vale viver e morrer...





Há Fé que Falha...

Há Fé que costuma falhar...

É a Fé que impõe sua verdade 

a quem quer que seja,

ao preço de sua desvalorização,

em vez de ser convite à aceitação.


Há Fé que Falha...

Há Fé que costuma falhar...

É a Fé que se contenta

com a liturgia e a doutrina,

não cuidando da prática e do testemunho

de quem não somente sabe, mas vive...


Salvador, 23 de agosto de 2015

sexta-feira, 29 de agosto de 2025

A Fé que vai nos sustentar




História não é destino:

 O que, algum dia, eu fui 

 não pode me condicionar 

 ao que quero ser 

 e nem deve me privilegiar!

 Não sou obrigado a repetir erros 

 ou manter os meus acertos!


Saber o que se crê:

 É preciso saber o conteúdo 

 e o objeto da sua confiança !

 Fundamentar em evento específico

 Certificando a sua convicção

 por algo pelo qual vale a pena viver e morrer...

 (Se Jesus não ressuscitou, é vã a sua fé...)





A fé que vai mudar 

 sem impor a mudança:

 Não se pode ter vergonha

 quando se percebe que está no erro!

 Impor sua verdade (a quem quer que seja)

 somente desvaloriza a sua própria crença!

 Crer deve ser um convite à aceitação!


A fé que aprende a descansar 

 na certeza do cuidado divino,

 a despeito de tudo que sinto!

 Por mais que sofra,

- e não se nega o sofrimento -

têm-se sempre a certeza 

 de que Deus cuida de mim...


A fé que sabe que a familiaridade 

 com a indefectível verdade

 não gera salvação!

 Não basta conhecer a liturgia,

 mas, sim, ser transformado!

 O que liberta é a prática e o testemunho 

 de que não somente se sabe, mas se vive...


Salvador, 23 de agosto de 2015, domingo...

segunda-feira, 24 de março de 2025

Testando Deus

 




Há gente que quer Deus provar,


não somente para experimentar,


mas também como um teste


de quem não tem ciência


de que há algo que rege


a sua vida e existência,


em uma espiritual convicção,


que não aceita demonstração,


por não haver jurisdição


que possa propor uma solução.




Se alguém precisa de prova


para ter plena certeza


do que se renova


e não está à mesa,


vai quebrar a cara,


desprazendo a jóia rara


de simplesmente acreditar


que existe força a controlar


o universo e o presente,


independente do que sente.




Falta sincera receptividade


e acolhimento de verdade,


fazendo juízo temerário


de quem se esconde no armário,


pois, consigo, condescendente


mas cruel com qualquer outra gente.


Só crê quem se submete


Só ama quem é pecador


Só sofre quem se mede


Só chora quem sabe o que é dor




Por isso, não ache que pode


explicar racionalmente


a um mundo que explode,


sem saber o que está em sua mente,


o que significa, enfim,


cultuar quem não tem fim,


pelo menos para aqueles


que se encontraram como seres,


decidindo louvar o invisível,


o que, para outros, é impossível.




Na síntese apertada


desta lição meio apressada,


a conclusão a se tomar


é simples como respirar:


viva tranquilamente sua fé e paixão,


sem se preocupar com a razão;


ou recuse, respeitosamente,


aquilo que levam à sua lente...


Aceite os dogmas seus,


mas não queira testar Deus!




Salvador, 24 de outubro de 2011.

sábado, 22 de março de 2025

A mentira e a fantasia




É preciso diferenciar


A mentira e a fantasia.


Enquanto a primeira


é pura destruição,


a segunda ajuda


no processo de construção.




Na mentira, há intenção


de iludir com uma enganação,


em que não há possibilidade


de dizer ser outra visão da verdade,


já na fantasia, o que há


é uma nova forma de encarar


a nua, crua e dura realidade


com uma pitada de criatividade.




Seja Papai Noel


ou a inocente cegonha,


não há porque ter vergonha


do que um dia se creu,


pois mesmo um Deus


já foi desacreditado,


por quem está do seu lado


e nada aconteceu...




Brasília, 15 de outubro de 2011.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

Finalmente...






Finalmente


não é necessariamente


o final da lição,


mas o inicio da ação...


Sair da contemplação


para partir para a missão...


Mudando na medida


em que as folhas


vão sendo mudadas...


Fazendo tudo aquilo


para que as coisas


foram forjadas...


Guerrear


sem ilusão de que não irá tombar


Trabalhar


com convicção de que deve amar


Viver


uma generosa espiritualidade


Crer


em uma fé que vira realidade...


Finalmente descobrir


que, se céu não começa aqui,


ele não existirá


em qualquer outro lugar...


Finalmente...




Salvador, 31 de dezembro de 2012.


quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

Ser Herege

 




Herege é todo aquele


que pensa diferente


e contraditório daquele


que domina a gente,


pois o reconhecimento


da verdade


não é o conhecimento


de uma realidade,


mas, sim, a aceitação


daquela versão


que é adequada


para mudar nada.




Salvador, 30 de dezembro de 2012.

domingo, 15 de dezembro de 2024

A fé que vai nos sustentar








História não é destino:

O que, algum dia, eu fui 

 não pode me condicionar 

 ao que quero ser 

 e nem deve me privilegiar!

 Não sou obrigado a repetir erros 

 ou manter os meus acertos!



Saber o que se crê:

 É preciso saber o conteúdo 

 e o objeto da sua confiança !

 Fundamentar em evento específico

 Certificando a sua convicção

 por algo pelo qual vale a pena viver e morrer...

 (Se Jesus não ressuscitou, é vã a sua fé...)



A fé que vai mudar 

 sem impor a mudança:

 Não se pode ter vergonha

 quando se percebe que está no erro!

 Impor sua verdade (a quem quer que seja)

 somente desvaloriza a sua própria crença!

 Crer deve ser um convite à aceitação!



A fé que aprende a descansar 

 na certeza do cuidado divino,

 a despeito de tudo que sinto!

 Por mais que sofra,

- e não se nega o sofrimento -

têm-se sempre a certeza 

 de que Deus cuida de mim...



A fé que sabe que a familiaridade 

 com a indefectível verdade

 não gera salvação!

 Não basta conhecer a liturgia,

 mas, sim, ser transformado!

 O que liberta é a prática e o testemunho 

 de que não somente se sabe, mas se vive...



Salvador, 23 de agosto de 2015, domingo...


domingo, 3 de novembro de 2024

O fim está à porta (Apocalipse 12)

 




Quando não se vislumbra


possibilidade de vitória aberta...


Quando a derrota da penumbra


já é inevitavelmente certa...


Somente cabe render-se


ou morrer lutando...


Entregar ao sofrer-se


e seguir o mesmo plano...


Mas nem todo castigo


é danação...


Nem todo ostracismo


é punição...


pois até o mal encarnado


pode ter uma segunda chance


de rever o passado


ou buscar um novo lance,


que, por certo, não aproveitará,


já que repete os exatos passos


e dolorosamente conhecerá


a influência de seus laços...




Se a dor vira fertilidade,


o ódio só gera destruição...


Ao se buscar a verdade,


confronta-se a perdição...


Enquanto um usufrui o cuidado,


o outro é totalmente afastado,


dando finalmente nome aos bois,


desmascarando na hora H


e revelando tudo, pois,


que sempre esteve lá,


mas não se conseguia sequer ver,


por ignorar o seu próprio viver...


Afinal, a transparência


é a mais dura consequência


de saber o que o aguarda


e o que não mais conforta,


quando não resta mais nada...


quando o fim está à porta...






Salvador, domingo, 24 de agosto, ainda ouvindo Pastor Afa Neto.

sábado, 22 de junho de 2024

A Fé que vai nos sustentar




História não é destino:

 O que, algum dia, eu fui 

 não pode me condicionar 

 ao que quero ser 

 e nem deve me privilegiar!

 Não sou obrigado a repetir erros 

 ou manter os meus acertos!


Saber o que se crê:

 É preciso saber o conteúdo 

 e o objeto da sua confiança !

 Fundamentar em evento específico

 Certificando a sua convicção

 por algo pelo qual vale a pena viver e morrer...

 (Se Jesus não ressuscitou, é vã a sua fé...)


A fé que vai mudar 

 sem impor a mudança:

 Não se pode ter vergonha

 quando se percebe que está no erro!

 Impor sua verdade (a quem quer que seja)

 somente desvaloriza a sua própria crença!

 Crer deve ser um convite à aceitação!


A fé que aprende a descansar 

 na certeza do cuidado divino,

 a despeito de tudo que sinto!

 Por mais que sofra,

- e não se nega o sofrimento -

têm-se sempre a certeza 

 de que Deus cuida de mim...


A fé que sabe que a familiaridade 

 com a indefectível verdade

 não gera salvação!

 Não basta conhecer a liturgia,

 mas, sim, ser transformado!

 O que liberta é a prática e o testemunho 

 de que não somente se sabe, mas se vive...




Salvador, 23 de agosto de 2015, domingo...


sexta-feira, 31 de maio de 2024

Atalhos Místicos



 


Usar o atalho místico

Para poupar de usar

e poupar

Do esforço

Do caminho pessoal


Entre as tentativas

e a tentação,

essa é particularmente

Atrativa


A ditadura

é mais eficiente

Pelo menos

Para os imaturas


Buscar o controle

ou ser controlado

É mais conveniente

Do que aprender

A ser diferente


 


Salvador, 02 de maio de 2024.


domingo, 11 de fevereiro de 2024

Minha Capelinha

 



 

Ajoelho-me com devoção

Entrego o meu coração

Faço uma oração

Entrego minha contribuição

Busco proteção

Exercito a compaixão

Entrego-me à paixão

Solidarizo com emoção

Passo da palavra à ação

Entôo nossa canção

Na minha religião,

você é a salvação.

Se tudo precisa de um tempo,

você será, para sempre,

quem me mantém na linha.

Se todo corpo é um templo,

você será, para sempre,

minha Capelinha

 

Cartagena, 14 de janeiro de 2024.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

Perdendo a Fé





Será possível definir o momento

em que se passa a crer em algo?

Se isto for aceitável,

por que não o seria

o instante em que se perde a fé?

A fé como a certeza

no que não se vê...

A fé como a esperança

que não se está só...

A fé como a motivação

para ainda confiar em alguém...


A fé não se explica: sente-se...

como um sopro no calor,

um abraço no temor,

uma luz na escuridão,

uma pausa na aflição...

A fé consola e acalma,

traz paz ao fundo da alma,

transforma a derrota em vitória

e muda o sentido da história.


Em que se perde a fé?

No homem, na lição,

na promessa, na salvação,

no governo, no projeto,

no caminho estreito e reto...

Perde-se fé na igreja

ou na comunidade,

na capacidade benfazeja

de falar a verdade...


Há como não perder a fé,

quando isto soa inevitável?

Há como permanecer de pé,

diante do inominável?

Há como acreditar na graça,

sem esperar um salvador?

Perder a fé é uma desgraça...

E isto é desolador,


pois o que se pode fazer quando

se descobre ter perdido a fé?

Reencontrar a estrada de outrora,

como se tantos passos

já não tivessem sido dados?

Como se tantas experiências

não tivessem diferentes lados?

Como se fosse possível desprezar

toda a vida posterior?

Como se a vontade pudesse apagar

singelamente toda dor?


Perdi a fé,

perdendo a fé...

Salvador, 07 de novembro de 2010.