O objetivo deste blog é divulgar toda a minha produção poética, sem prejuízo de continuar a ser postada também no Portal de Poesia Rodolfo Pamplona Filho (www.rodolfopamplonafilho.blogspot.com).
A diferença é que, lá, são publicados também textos alheios, em uma interação e comunhão poética, enquanto, aqui, serão divulgados somente textos poéticos (em prosa ou verso) de minha autoria, facilitando o conhecimento da minha reflexão...
Espero que gostem da iniciativa...
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quinta-feira, 5 de junho de 2025

Diálogo em Baianês

 





Ó o auê aí ó!

Digaí!

Você está por cima da carne seca, véi!

Colé, véi! Você vê os pulos que dou, mas não vê os tombos que tomo...

Você é que é de fritar bolinho e beber o caldo...

Não acerte seu relógio pelo dele, pois, na hora do vamos ver, todo mundo se pica...

Valeu, véi! Vou chegando...




Puerto Varas-Chile, 02 de julho de 2012.


quarta-feira, 26 de junho de 2024

Diálogo em Baianês

 












Ó o auê aí ó!


Digaí!


Você está por cima da carne seca, véi!


Colé, véi! Você vê os pulos que dou, mas não vê os tombos que tomo...


Você é que é de fritar bolinho e beber o caldo...


Não acerte seu relógio pelo dele, pois, na hora do vamos ver, todo mundo se pica...


Valeu, véi! Vou chegando...




Puerto Varas-Chile, 02 de julho de 2012.


terça-feira, 14 de setembro de 2021

Soneto da Auto-Alienação

 




Eu não quero ler jornal,

nem me sentir mal

com problemas do mundo

ou de pensamento profundo.


Eu nem quero mais votar,

para , depois, poder alegar

a ilegitimidade de quem governar

supostamente para me representar.


Quando tudo ruir de demência,

colocarei a culpa no sistema,

justificando minha ausência,


pois é muito mais divertido

colocar a culpa no problema,

em vez de tê-lo resolvido.


Praia do Forte, 18 de fevereiro de 2012.

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Marcadores: Sobre a Vida (em geral), Sociedade, Sonetos, Textos com Imagens, Textos Repetidos ou Reutilizados, Tristeza e Depressão

sábado, 29 de setembro de 2018

Diálogo em Baianês




Ó o auê aí ó!

Digaí!

Você está por cima da carne seca, véi!

Colé, véi! Você vê os pulos que dou, mas não vê os tombos que tomo...

Você é que é de fritar bolinho e beber o caldo...

Não acerte seu relógio pelo dele, pois, na hora do vamos ver, todo mundo se pica...

Valeu, véi! Vou chegando...


Puerto Varas-Chile, 02 de julho de 2012.


sexta-feira, 16 de julho de 2021

Para minha mãe




 

Hoje, fui ver minha mãe...

Há alguns dias, não a via...

Impedimentos não me faltavam

para justificar minha ausência:

viagens, trabalho, estudo,

projetos e compromissos mil...

Mas não podia deixar de ir

no dia que elegeram para

homenagear especificamente

aquelas que nos trazem à luz

(como se todos os dias em que

respiramos já não fossem

uma celebração da maternidade...).

Lá chegando, ela estava deitada,

como há tanto tempo está,

como se permanecer parada

fizesse recuperar o tempo

e a saúde que já se foram...

Encontro-a, beijo-a e a abraço,

como se eu não fizesse isso

sempre que a vejo...

Ela sorri... E me olha...

Mas não pode mais falar

com sua própria voz...

Mas seu olhar me diz tudo

que eu preciso saber,

sem necessidade

do menor balbuciar...

E no encontro dos olhares,

todos os sentimentos

são manifestados

como um turbilhão

que explode no silêncio...

Não resisto...

Sinto vontade de chorar...

Dou uma desculpa

de que vou cuidar da casa

e sigo para a cozinha,

ver o que estava faltando,

e para a sala,

ver e disparar mensagens

para ver se todos estão bem

e tudo está em ordem...

De repente, ela surge,

em pé, apoiada nas cuidadoras,

e vem em minha direção...

Abraçamo-nos,

finalmente na vertical,

e, de repente,

aquele abraço

vira uma dança...

uma valsa tocada

em uma harmonia sem notas,

uma melodia sem som

e um ritmo ditado

pelo bater dos nossos corações...

Giramos juntos,

lentamente,

como não houvesse dor,

tristeza ou doença,

como se o relógio parasse

e o mundo esperasse

o que fossemos fazer...

As cuidadoras parecem estranhar

aquela coreografia muda

e tentam discretamente

colocar uma musica

para acompanhar...

Pouco importa...

O que interessa é o momento,

o hoje e o sentimento...

E nossa dança termina

com ela sentando em meu colo

e, como fazia quando eu era criança,

cocando meu cabelo

e fazendo cafuné...

Não há roteiro,

não há script,

não há mais o que fazer...

senão amar incondicionavelmente...

Verdade...

Enquanto há vida,

há esperança, alegria

e sorrisos inexplicáveis...

Depois, a gente vê depois...

pois o depois é só saudade...



Salvador, 12 de maio de 2013, no dia das mães...


domingo, 27 de junho de 2021

Diálogo em Baianês






Ó o auê aí ó!

Digaí!

Você está por cima da carne seca, véi!

Colé, véi! Você vê os pulos que dou, mas não vê os tombos que tomo...

Você é que é de fritar bolinho e beber o caldo...

Não acerte seu relógio pelo dele, pois, na hora do vamos ver, todo mundo se pica...

Valeu, véi! Vou chegando...


Puerto Varas-Chile, 02 de julho de 2012.


sexta-feira, 27 de março de 2020

Diálogo em Baianês




Ó o auê aí ó!
Digaí!
Você está por cima da carne seca, véi!
Colé, véi! Você vê os pulos que dou, mas não vê os tombos que tomo...
Você é que é de fritar bolinho e beber o caldo...
Não acerte seu relógio pelo dele, pois, na hora do vamos ver, todo mundo se pica...
Valeu, véi! Vou chegando...

Puerto Varas-Chile, 02 de julho de 2012.

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Diálogo em Baianês





Ó o auê aí ó!
Digaí!
Você está por cima da carne seca, véi!
Colé, véi! Você vê os pulos que dou, mas não vê os tombos que tomo...
Você é que é de fritar bolinho e beber o caldo...
Não acerte seu relógio pelo dele, pois, na hora do vamos ver, todo mundo se pica...
Valeu, véi! Vou chegando...

Puerto Varas-Chile, 02 de julho de 2012.

sábado, 29 de setembro de 2018

Diálogo em Baianês



Ó o auê aí ó!
Digaí!
Você está por cima da carne seca, véi!
Colé, véi! Você vê os pulos que dou, mas não vê os tombos que tomo...
Você é que é de fritar bolinho e beber o caldo...
Não acerte seu relógio pelo dele, pois, na hora do vamos ver, todo mundo se pica...
Valeu, véi! Vou chegando...

Puerto Varas-Chile, 02 de julho de 2012.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Sede de Viver




Rodolfo Pamplona Filho

Eu quero viver intensamente
como se fosse morrer de repente
sem nova chance, irremediavelmente...
Eu quero uma vida sem rotina
onde cada dia tenha a sina
de, do outro, ser diferente...

Eu quero nunca ficar sozinho,
mesmo que, alguns momentos,
eu precise estar só para pensar!
Eu quero dar atenção a todo elemento
que precisar de mim, para ajudarr,
acreditando que, alguém, posso mudar!

Eu quero que minha mulher
seja simultânea mãe, parceira,
amante e companheira!
Eu quero acompanhar diariamente
o crescimento de meus filhos
e ser seu melhor amigo eternamente!

Eu quero colocar para fora
todos os sentimentos que guardo
no peito que trazem um gosto amargo!
Eu quero produzir tudo que outrora
programei, um dia, escrever,
plantar, compor, construir ou ler!

Eu quero me sentir desejado,
como nunca antes no passado,
e minha energia não sublimar...
Eu quero aprender a me vestir,
saber onde chegar e de onde vir
o que, com quem e como falar...

Eu quero fazer amor outra vez
com o desejo de quem nunca fez
e o conhecimento da experiência!
Eu quero chorar de felicidade
e sorrir na adversidade,
lutando pela sobrevivência!

Eu quero tudo isto e muito mais...
mesmo que digam que é olhar para trás,
eu não vou me importar,
pois tudo que der, eu vou fazer,
sem medo de tentar ou errar,
sem receio de me machucar,
na busca, finalmente, de saciar
minha recém-descoberta sede de viver.


Recife, 14 de janeiro de 2011.

terça-feira, 27 de março de 2018

Diálogo em Baianês


Rodolfo Pamplona Filho

Ó o auê aí ó!
Digaí!
Você está por cima da carne seca, véi!
Colé, véi! Você vê os pulos que dou, mas não vê os tombos que tomo...
Você é que é de fritar bolinho e beber o caldo...
Não acerte seu relógio pelo dele, pois, na hora do vamos ver, todo mundo se pica...
Valeu, véi! Vou chegando...

Puerto Varas-Chile, 02 de julho de 2012.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Diálogo em Baianês


Rodolfo Pamplona Filho

Ó o auê aí ó!
Digaí!
Você está por cima da carne seca, véi!
Colé, véi! Você vê os pulos que dou, mas não vê os tombos que tomo...
Você é que é de fritar bolinho e beber o caldo...
Não acerte seu relógio pelo dele, pois, na hora do vamos ver, todo mundo se pica...
Valeu, véi! Vou chegando...

Puerto Varas-Chile, 02 de julho de 2012.

terça-feira, 29 de março de 2016

Por que me irrito (ou ignoro) discursos bobos...



Vou explicar uma vez.

Veja se dá para entender.

O Brasil está em uma crise política.

Essa crise já se anunciava desde a eleição de 2014, em que houve uma divisão do país, tendo o resultado sido por cerca de 2% de diferença.

Desde então, a oposição tem investido na política de "quanto pior, melhor!".

Ao mesmo tempo, a polícia federal e o ministério público federal têm feito um fantástico trabalho de investigação das entranhas do poder, denunciando o tráfico de influência, corrupção e relações incestuosas da política com o empresariado, expondo as vísceras de um sistema que foi escrito tradicionalmente na base do "caixa 2" e dos "agrados" e "favores".

Como se não bastasse isso, o governo federal (ai, sim, leia-se o PT e aliados, históricos ou de conveniência, como o PMDB) tem se mostrado profundamente incompetente para gerenciar a situação econômica e política.
Assim, chega-se à seguinte situação:

A) impeachment é processo político, por crime de responsabilidade, não recall por incompetência gerencial;

B) toda corrupção deve ser denunciada e combatida, não se limitando a um partido ou a uma figura;

C) o clima de bipolaridade apenas estimula encarar a situação como um jogo, em que se aponta, a todo tempo, alguma "prova definitiva" da culpa, quando o julgamento jurídico não é feito pela opinião pública, mas, sim, pelo judiciário;

D) o julgamento político é feito nas urnas, não se esgotando no eventual impeachment (que pode vir, sim, e não será golpe, se feito dentro das regras constitucionais);

E) #naovaitergolpe é uma frase de efeito, que pode ser uma afirmação contra os lunáticos que sonham com um golpe militar ou querem acabar com as garantias individuais, mas também pode ser manipulado como um chavão para manter o PT no poder (o que tem se tornado insustentável).

Por isso, soa imbecil e manipulador ouvir o discurso preconceituoso contra o PT, quando não acompanhado de um juízo efetivamente crítico.

Discurso contra a corrupção, sim!

Discurso a favor das garantias processuais e constitucionais, sempre!

E esses discursos não são incompatíveis.

O importante é apurar tudo e punir quem deve ser punido.

O processo penal não é feito para punir, mas, sim, para apurar, inclusive absolvendo quem for acusado levianamente.

Quando se coloca a questão em termos de nós e eles, em um "fla-flu jurídico", fecham-se os olhos para as verdadeiras questões importantes, servindo-se de massa de manobra para as disputas intestinas de poder.



Rodolfo Pamplona Filho

27 de março de 2016

sábado, 7 de março de 2015

Discurso como Paraninfo dos Formandos 2012 matutino do Curso de Direito da UNIFACS


Magnífica Professora Márcia Pereira Fernandes de Barros, Reitora da Universidade Salvador – UNIFACS
Ilustríssimo Prof. Adroaldo Leão, Coordenador do Curso de Direito,
em nome de quem saúdo todas as demais autoridades presentes e representadas.
Meus colegas, alunos, amigos e parentes dos formandos.
Meus afilhados.

                        Por diversas vezes, tentei rascunhar este discurso, mas não sabia como fazê-lo…
                        Sinceramente, eu fui surpreendido com o convite para paraninfar esta turma...
                        Eu, definitivamente, não tinha a menor sombra pálida de desconfiança de que isto poderia acontecer, tanto que, no dia que vocês combinaram de me fazer a surpresa de comunicar tal honrosa eleição, eu nem estava presente...
                        A honra de pronunciar o discurso final de um curso é tão grande que nunca sabemos exatamente o que fazer...
                        De fato, eu não conseguia imaginar como fazer um pronunciamento que pudesse ser como um biquini: abrangente para cobrir o essencial, mas curto o bastante para manter o interesse…
                        Daí, em vez de procurar respostas para a minha ansiedade, resolvi mudar o foco e comecei a formular perguntas que poderiam me socorrer na empreitada que fui desafiado a realizar, bem como uma análise da simbologia que este momento representa…
                        De fato, para que serve um discurso de paraninfia?
                        Tradicionalmente, é ele um pronunciamento magistral, proferido por um professor ou por alguém eleito pelos novos profissionais, com a finalidade de ser a derradeira aula no curso que se encerra…
                        E o que é um paraninfo de uma turma de formandos?
                        É alguém eleito para ser o padrinho da turma.
                        E o que é um padrinho?
                        Diferentemente do que muitas vezes é ventilado, o paraninfo não é um “patrocinador” ou um “paganinfo”, que se apropriaria do espaço de tempo de uma formatura, para fazer algum tipo de promoção pessoal.
                        Definitivamente, não!
                        Não é este papel distorcido que deve mover os bons sentimentos daqueles que, um dia, sonharam em unir suas forças e talentos em prol de um valor abstrato – e tão maltratado! – chamado justiça!
                        Longe disso, o paraninfo é um símbolo de uma figura paternal.
                        Um pai!
                        Sim, um pai!
                        Um pai que se orgulha do potencial de seus filhos.
                        Um pai que se emociona com o resultado de seus esforços.
                        Um pai que não tem pudor de chorar com a vitória de suas crias...
                        Um pai que, tentando conter as lágrimas, busca “manter a pose” e faz uma reflexão sobre um período da história daqueles que, tão jovens, cresceram sob o seu olhar e convívio...
                        Cinco anos se passaram para a maioria dos novos bacharéis aqui presentes, desde suas primeiras lições no curso de Direito
                        E, examinando a história de um grupo tão complexo e heterogêneo como o que hoje se forma, percebo nitidamente que o destino, nas suas intrincadas peculiaridades, fez com que toda uma história pudesse ser revivida nesta noite.
                        Examinem-se...
                        Examine a mesa diretora dos trabalhos e cada nome lembrado por vocês para ser destinatário de reverências neste momento...



                        O primeiro ano do curso está aqui...
                        Que coisa linda, para mim, é ver, dentre os professores homenageados, meu amigo, colega, ex-aluno e discípulo, Antonio Lago Júnior. Civilista de escol, introduziu a turma no conhecimento jurídico dogmático.
                        Ao seu lado, o grande Jorge Almeida Uzêda, figuraça inesquecível, com seu profundo conhecimento interdisciplinar, que transita, com proficiência, entre o Direito, a Filosofia e a História.
                        O segundo ano do curso está aqui...
                        Nele, encontro o 2º. ano-A, uma turma inquieta, divertida, animada...
                        Com ela, ensinei Direito Civil II (Obrigações e Responsabilidade Civil), mas aprendi tanto ou muito mais com seu convívio...
                        Com eles, curti fazer o “amigo secreto de ovos de páscoa, o TRTour, a gincana, o “torta na cara” no velho “curral”... Tudo compartilhado em fotos e saudades...
                        Saudades...
                        Sinto falta de grandes figuras, que, infelizmente, não estão se formando com vocês, como Guilherme Celestino, Gustavo Ivo, Eduardo Simões, entre outros...
                        Mas o segundo ano está vivo e forte aqui também na figura impoluta e marcante do nosso Comandante, Prof. Adroaldo Leão, também professor homenageado e a quem o senso de justiça de qualquer pessoa que viva este curso jamais pode ter o descalabro de deixar de prestigiar.
                        Se o Curso do Direito da UNIFACS se tornou tudo que ele é, para a a própria Universidade, para a cidade e para o mundo jurídico, não se pode deixar de reconhecer que o mérito cabe a esta figura, que nunca hesitou em defender a qualidade do curso, sem nunca ter medo de dizer “não” quando necessário ou de sofrer críticas daqueles que não tinham a macro-visão indispensável para o bem da coletividade.
                        E, ao seu lado, no ensino do Direito Constitucional, meu amado filho por adoção intelectual, o Prof. Miguel Calmon Teixeira da Carvalho Dantas, um “gênio da raça”, em que a inteligência se confunde com a disciplina, a competência e a simpatia. Que honra é estar ao seu lado, filho!


                        O terceiro ano do curso está aqui...
                        Eleita como “amiga da turma”, vejo minha querida colega e ex-aluna, Prof. Renata Fabiana Santos Silva, um talento para o magistério, que despontou justamente aqui na UNIFACS, conquistando o respeito de todos pela sua seriedade acadêmica e conhecimento.
                        Também do terceiro ano, vejo meu afilhado, Prof. Luciano Lima Figueiredo, que, no passado, foi meu aluno na graduação e orientando no Mestrado e, hoje, é um dos mais respeitados professores de Direito Civil da Bahia, quiçá do país, tendo eu o orgulho de tê-lo ao meu lado em diversas outras atividades, o que muito me honra e que quero que continue assim para o resto da vida.
                        O quarto ano do curso está aqui...
                        Nele, encontro o 4º. ano-B, uma turma intrigante, diferente de todas as outras que eu tive anteriormente.
                        Com eles, estimulei a interação, o pulsar de vida, a compreensão dos desígnios do universo...
                        É que, mesmo ministrando a disciplina “Direito Processual do Trabalho”, com eles não me limitei ao cumprimento do programa acadêmico, mas busquei ampliar seus horizontes, discutindo, de tudo, um pouco, inclusive sobre política, relacionamentos e até liberdade religiosa...
                        Consegui até mediar brigas sobre o ar condicionado da sala e estimular a realização de uma festa de São João...
                        E me diverti com seu talento nas audiências simuladas do mundo da alta costura e dos “Piratas do Caribe”, tanto na versão inesquecível de Jack Sparrow, quanto na lúdica de Peter Pan e Capitão Gancho...
                        E como fazem falta aqui, nesta solenidade, Rafinha, com seu jeito apaixonante de ser, Beatriz, com seus lanchinhos na aula, e outros tantos...
                        E deste quarto ano de curso, vocês nos presenteiam com a lembrança do melhor professor do curso de Direito da UNIFACS, o insuperável Prof. Rômulo de Andrade Moreira, a quem vocês reservaram a homenagem como Patrono.
                        E nenhuma homenagem poderia ser mais justa do que ela.
                        Patrono é o exemplo e o defensor.
                        Quem melhor para exercer tal papel se não aquele que é o único professor homenageado por absolutamente todas as turmas que se formaram no curso de Direito da UNIFACS?
                        Rômulo, se Roberto Carlos estivesse aqui, diria: “Este cara é você!”
                        E, finalmente, o quinto ano do curso está aqui...
                        Ah, o quinto ano...
                        Ano de stress...
                        Comissão de formatura...
                        Monografia de final de curso...
                        Cumprimento das atividades complementares, que poderiam ser integralizadas totalmente desde o primeiro ano do curso, mas que alguns retardatários insistem em querer marcar um gol de mão, em impedimento, aos 48 minutos do segundo tempo...
                        E, neste ponto, recebam minhas congratulações pela lembrança de Moara, como funcionária homenageada, pois ela deve ter tido uma paciência de Jó para tentar equacionar todos os pleitos simultâneos e urgentes que lhe eram apresentados...
                        E deste derradeiro ano, vocês lembraram de duas criaturas também muito especiais.
                        Em primeiro lugar, o Prof. Edivaldo Machado Boaventura, eleito como o “nome da turma”.
                        O “nome da turma” é sempre um símbolo, para a sociedade, de quem os formandos mais têm respeito e consideração.
                        Ora, como é maravilhoso ver homenageado aquele que se tornou, para mim, também um referencial paterno, já que foi uma “amizade de filho para pai” que permitiu o nosso encontro.
                        Prof. Edivaldo, não há feedback maior que um professor consagrado possa ter do que, no ano em que o senhor retorna à graduação, ser lembrado, como símbolo, para uma geração, cuja faixa etária dista mais de meio século e que, mesmo assim, lhe reserva um carinho que somente se guarda no coração....
                        E, para mim, é sintomático que, nesta lembrança do derradeiro ano do curso, estejamos ombreados com o apaixonante Prof. Roberto Lima Figueiredo, também eleito amigo da turma.
                        Professor respeitadíssimo de Direito Civil, advogado militante, Procurador do Estado combativo, autor de obras jurídicas, poderia eu passar um bom tempo só descrevendo suas qualidades, mas prefiro, como sempre, lembrar da frase com que minha esposa o definiu, quando tive a honra de ser seu orientador no mestrado: “o orientando que está sempre sorrindo”...
                        Ser feliz com a vida é tudo que se quer da vida...
                        E, meus afilhados, dirigindo-me somente a vocês, nesta vida, ouçam o conselho deste seu amigo que, tendo ultrapassado a significativa marca dos 40 anos e sobrevivido a intempéries que poderiam já ter me levado embora, tem a consciência de que já tem mais passado do que futuro...
                        Não vou eu ministrar uma lição teórica de Direito ou dos encantos da pesquisa científica.
                        Não vou falar sobre os meandros da vida judiciária ou dos desencantos da luta política.
                        Não vou palestrar sobre a densidade da filosofia ou das vicissitudes do lidar com os semelhantes...
                        Não, nada disso...
                        Eu quero lhes falar de amor...
                        Sim, de amor...
                        De amor por todas as coisas e todas as horas...
                        De amor pela vida, por viver, por nunca desistir de que vale a pena pulsar...
                        Eu quero falar que amar é tudo de bom...
                        Seja amar o Vitória, como Ailson, seja amar os Beatles, como Luiza.
                        Seja amar a literatura, como Ana Carolina Borges, seja simplesmente de ter uma crise de riso solto, como Fau Bahia.
                        Seja amar nossos filhos de forma incondicional, como Ana Claudia (“Cacau”) se dedica a Bia e Lucas;

                        Eu quero dizer que vale a pena buscar no outro o amor que se completa em si...
                        E, nisso, amei acompanhar a evolução do relacionamento do dedicado Serginho e a talentosíssima Amanda, nossa já mestranda na UNISINOS...
                        Entre a brilhante Fabiana e o não menos competente Amaral...
                        Entre a dulcíssima Renata e a grande figura Zanoni...
                        E todos testemunharam o meu bordão de que aluna minha é filha minha e eu sei tratar muito bem os meus genros...

                        Eu quero dizer que nunca é tarde para começar ou recomeçar...
                        Mesmo quando mudamos de turma como Alex.
                        Mesmo quando administramos uma família, como Cris Queiroz e Ludmila Sampaio.

                        Eu quero dizer que todo obstáculo para ser superado...
                        Nem que seja a distância de Villas do Atlântico para a Garibaldi, como Mari Dantas.
                        Mesmo que seja para dirigir uma Comissão de Formatura, sem perder a simpatia e a elegância, como foi o caso de minhas amadas, dedicadas, lindas e competentíssimas Alê Batinga e Marcela Carvalho.

                        Eu quero dizer que vale a pena se divertir com que a vida nos proporciona...
                        Nem que seja o privilégio de conviver com a linda “drama queen" Ana Cláudia Domitilo Costa, minha dedicada orientanda de monografia.
                        Ou de dar boas risadas com minha querida “sininho” Andrea Sousa ou com a alegria de Raissa Fernandes e Yasmin Leal?
                        Ou da seriedade acadêmica de nossa também orientanda Maria Clara Seixas, já atuando na advocacia em SP?
                        Ou de conviver com pessoas meigas, tão gente boa que dá para fazer um time de futebol feminino, como Camila Medeiros, Carolina Ramos Silva, Isadora Alencar, Larissa Effren, Luisa Dultra, Maira Santana Pacheco, Manuella Dias Cardoso, Clarinha Musse, Cau Gondim, Tassia Lorena e Stephanie Fonseca?
                        Ou com o prazer, que sei que terei, com a militância trabalhista de Camila Souza, Mari Novaes Casaes, Priscilla Fleming ou Victor Perón?
                        Ou com o jeito tranqüilo de Esdras, Vitinho Conceição e Tiago Rocha?
                        Ou com criaturas altamente comunicativas como o gigante Felipe Sarno, a risonha Jamile, a estudiosa Larissa Castro, o simpático Elyote, o figuraça Galloti ou a despachada Viviane?
                        Ou com líderes natos como Nanda Carvalho e Gabriel Amorim?
                        Ou de personalidade forte, em rostos delicados, como Lara Rangel, Priscila Adorno ou Paulinha Araújo?
                        Ou da postura questionadora de Lucas Filardi?
                        Ou do “menino de ouro” Luis Roberto Adan?
                        Ou com o talento “caderno de ouro” de Monique Alvarez e Talita Nascimento, a quem muita gente deve a formatura?
                        Ou o interesse indisciplinar do meu brother Geek Serjão, com quem bati altos papos sobre cultura pop e política?
                        Ou com a religiosidade evidente de Thainara?
                        Ou com o futuro prefeito de Caculé, Pedro Novais Ribeiro?

                        Como eu gostaria de ter tempo para poder continuar falando de cada um de vocês pela noite toda...
                        Mas é hora de encerrar...
                        Até mesmo porque o biquíni prometido já está virando um maiô...
                        É hora da palavra final...
                        E, vindo de mim, uma palavra final sempre teria de ter poesia...
                        Quando eu cheguei perto desta idade simbólica dos 40 anos, resolvi mudar minha postura de vida.
                        E tentei sintetizar tudo isso em um poema, que, hoje, dedico a todos vocês:

Sede de Viver


Eu quero viver intensamente
como se fosse morrer de repente
sem nova chance, irremediavelmente...
Eu quero uma vida sem rotina
onde cada dia tenha a sina
de, do outro, ser diferente...

Eu quero nunca ficar sozinho,
mesmo que, alguns momentos,
eu precise estar só para pensar!
Eu quero dar atenção a todo elemento
que precisar de mim, para ajudarr,
acreditando que, alguém, posso mudar!

Eu quero que minha mulher
seja simultânea mãe, parceira,
amante e companheira!
Eu quero acompanhar diariamente
o crescimento de meus filhos
e ser seu melhor amigo eternamente!

Eu quero colocar para fora
todos os sentimentos que guardo
no peito que trazem um gosto amargo!
Eu quero produzir tudo que outrora
programei, um dia, escrever,
plantar, compor, construir ou ler!

Eu quero me sentir desejado,
como nunca antes no passado,
e minha energia não sublimar...
Eu quero aprender a me vestir,
saber onde chegar e de onde vir
o que, com quem e como falar...

Eu quero fazer amor outra vez
com o desejo de quem nunca fez
e o conhecimento da experiência!
Eu quero chorar de felicidade
e sorrir na adversidade,
lutando pela sobrevivência!

Eu quero tudo isto e muito mais...
mesmo que digam que é olhar para trás,
eu não vou me importar,
pois tudo que der, eu vou fazer,
sem medo de tentar ou errar,
sem receio de me machucar,
na busca, finalmente, de saciar
minha recém-descoberta sede de viver.

                        Sejam felizes!
                        Vivam a vida!
                        Contem sempre comigo!



Proferido no Teatro Yemanjá, no Centro de Convenções da Bahia, em 07/03/2013





sábado, 10 de maio de 2014

Discurso de Saudação ao Empossando Luciano Martinez na ANDT


Discurso de Saudação ao Empossando Luciano Martinez na ANDT

Excelentíssimo Senhor Dr. Paulino César Martins Ribeiro do Couto, DD Presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região, que recepciona, neste ato, a Academia Nacional de Direito do Trabalho;
Excelentíssimo Senhor Dr. Georgenor de Sousa Franco Filho, DD Presidente da Academia Nacional de Direito do Trabalho e desta sessão; em nome de quem saúdo todos os demais membros da mesa de trabalhos;
Senhores magistrados, acadêmicos, procuradores, advogados, servidores, estudantes, parentes e amigos do empossando;
Minhas Senhoras e meus Senhores

Há alguns dias venho pensando em como proferir este discurso.
Cheguei a pensar em apresentá-lo de improviso, dado o imenso afeto que me liga ao empossando, para que as palavras viessem diretamente do coração, sem o sempre limitador filtro da razão.
Entretanto, o rigor da liturgia acadêmica impõe a apresentação de um texto escrito, que registre, para a posteridade, a importância da solenidade para o sodalício, estabelecendo um marco indelével na história do recipiendário e da própria instituição que o acolhe.
Este rito será aqui fielmente observado, ainda que a emoção possa eventualmente nublar a compreensão e a expressão do orador, tomado pelo sentimento próprio de orgulho que é exercer o múnus de saudar, em sua nova casa, aquele a quem chama de irmão.
Se o maltratado coração deste interlocutor está repleto de júbilo, mais ainda está, com certeza, a Academia Nacional de Direito do Trabalho e a Bahia Jurídica!
Isso porque assume hoje a Cadeira nº 52 da mais importante Congregação de Juslaboralistas do Brasil o Prof. Luciano Dorea Martinez Carreiro.
Sua eleição, em disputadíssima votação em que concorreu com ilustre, competente e prestigiado jurista de São Paulo, foi para a vaga surgida com o infausto falecimento do magistrado Hélio de Miranda Guimarães, segundo ocupante da cadeira, originalmente destinada ao jurista José Serpa de Santa Maria, cujo patrono é o ilustre Hildebrando Bisaglia.
Na condição de saudador do novel acadêmico, cabe-me a honra de apresentar uma análise descritiva do currículo daquele que se recebe, permitindo à audiência uma perspectiva abrangente da trajetória do jurista, cujo nome se inscreve na secular tradição de se destacar os mais representativos elementos das artes, ciências e pensamento da sociedade.
Luciano Dorea Martinez Carreiro, ou apenas LUCIANO MARTINEZ, é baiano de Salvador, Bahia, nascido em 10 de maio de 1972, filho do saudoso Evaristo Martinez Carreiro e da querida Lêda Marlene Dorea Martinez. Possui uma única irmã, cujo nome completo somente difere do seu em uma única letra e é casado, desde 06 de outubro de 2007, com a Dra. Cynthia Martinez.
Viveu a infância e adolescência na Península Itapagipana, Cidade Baixa, tendo realizado, ali, o seu curso primário, na Escola Santo Antonio de Pádua; e o ensino fundamental e médio (1986-1988) no Colégio Estadual João Florêncio Gomes, onde concluiu o curso de Técnico em Contabilidade.
No nível superior, iniciou o curso de Ciências Sociais na UFBA – Universidade Federal da Bahia, mas a vocação pela área jurídica o fez optar unicamente pelo curso de Direito na UCSAL – Universidade Católica de Salvador, onde colou grau em 04 de fevereiro de 1994.
Ingressou no serviço público federal no cargo de auxiliar judiciário, em 01 de julho de 1994. É dessa época o nosso primeiro contato, pois também exercia o mesmo cargo nesta Justiça Especializada, aprovado exatamente no mesmo concurso público.
Este foi o termo inicial de um relacionamento que as inúmeras afinidades e coincidências, proporcionadas pela transcendência universal, transformaram em um amor fraternal, pontuado por encontros e despedidas, seja nos momentos de maior alegria, que deve ser sempre revivida, ou de tristeza, que, dividida, tem seu peso compartilhado para, se não cair no esquecimento, deixar marcas didáticas nos recônditos da lembrança.
E, por causa de tal circunstância, permitam-me pontuar, sempre que possível, ainda que como breves rodapés deste esforço de relato histórico, outros momentos em que as nossas trilhas se emparelhavam...
Neste início da sua carreira trabalhista, Luciano foi lotado na Junta de Conciliação e Julgamento de Santo Amaro, onde trabalhou na secretaria por pouco tempo, passando, logo em seguida, a exercer as funções de secretário de audiência e, posteriormente, assistente de juiz.
Pouco mais de um ano depois, tornou-se Juiz Federal do Trabalho, aprovado em segundo lugar no concurso de 1995, tomando posse e exercício em 10 de julho daquele ano. Mais uma vez, nossos caminhos se cruzaram, pois também aprovado no mesmo certame.
Enquanto Substituto, foi Juiz Auxiliar nas jurisdições de Simões Filho (1995-1997) e de Salvador (1997-2003). Passou a Juiz Titular, pelo critério de merecimento, em agosto de 2003, assumindo a jurisdição de Guanambi (2003 a 2006) para, em seguida, remover-se para Camaçari, onde, desde janeiro de 2006, é o Titular da 3ª Vara do Trabalho.
Na Pós-Graduação lato sensu, realizou o famoso Curso de Especialização em Direito Processual, coordenado pelo inesquecível Prof. José Joaquim Calmon de Passos, obtendo o título de Especialista com a monografia “A Responsabilidade dos Sócios Cotistas em Execuções de Títulos Judiciais Trabalhistas: reflexo da crise de identidade das pessoas jurídicas”, pela Universidade Salvador – UNIFACS.
Na Pós-Graduação stricto sensu, cursou o Mestrado em Direito Privado e Econômico pela Universidade Federal da Bahia, tendo nossos destinos novamente se unido, pois em 22 de novembro de 2002, às 14:00h, participei, no papel de avaliador externo, da sua banca examinadora, presidida pelo seu orientador Prof. Dr. Washington Luiz da Trindade e composta ainda, como avaliador interno, pelo Prof. Dr. Luiz de Pinho Pedreira da Silva, mestre de todos nós e que, hoje, também se torna confrade do novo imortal.
Já ostenta também o título de Mestre em Direito Social (Direito do Trabalho e da Seguridade Social) pela Universidad de Castilla-La Mancha, na Espanha (desde 2006), onde está concluindo o Doutorado na mesma área. Mais uma vez, nossas vidas se aproximam, pois sendo ele do primeiro grupo do curso realizado em convênio com a Anamatra, sou eu da mais recente turma, ainda no começo da creditação, iniciada em 2008.
Da mesma forma, em sentido inverso, tendo eu concluído o Doutorado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, agora vai Luciano Martinez realizar o seu Doutorado em Direito do Trabalho e da Seguridade Social pela Universidade de São Paulo (USP).
Somos confrades ainda no IBDT – Instituto Baiano de Direito do Trabalho, onde ele é sócio efetivo desde 21/07/2000, quando defendeu a tese “A responsabilidade dos sócios cotistas em execuções de títulos judiciais trabalhistas”, em que foi relator o hoje desembargador Cláudio Mascarenhas Brandão, sendo presidente do instituto, à época, o inesquecível Prof. Antonio Carlos de Oliveira.
Foi ele meu iniciador no culto da língua espanhola e, em especial, da língua italiana, embora somente ele ostente o título de formação pelo Instituto Dante Alighieri.
No magistério superior, tem se destacado pelo sua seriedade científica, precisão metodológica e encantamento didático.
Assim, é Professor e orientador nos Programas de Graduação e de Pós-Graduação das Unidades de Direito da Universidade Salvador (UNIFACS), onde somos colegas, e da Faculdade de Direito Ruy Barbosa, onde se dedica às disciplinas Direito do Trabalho (individual e coletivo), Processo do Trabalho e Direito Previdenciário.
Foi, inclusive, Paraninfo da Turma dos Bacharéis em Direito da Universidade Salvador – UNIFACS, em 2007, tendo sido escolhido Nome da Turma dos Bacharéis em Direito da Universidade Salvador – UNIFACS, do ano de 2008.
Leciona também como professor convidado nos cursos da OAB (onde já ministramos cursos em parceria), do Ministério Público Estadual e nos Programas de Pós-Graduação da Escola Judicial do TRT da 5ª Região (BA), da 19ª Região (AL) e da 20ª Região (SE) , da UFBA, da UCSAL, das Faculdades Jorge Amado, da FTC, da UNIME e do JusPodivm, este último sob minha coordenação.
Foi também Professor e Diretor Secretário da EMATRA 5 – Escola da Magistratura do Trabalho da 5ª Região (2002-2004) e é, desde 2004, Coordenador de Cursos da Escola Judicial do Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região e, desde 2007, Coordenador do Curso de Especialização em Direito Constitucional do Trabalho, no Convênio TRT-UFBA (Universidade Federal da Bahia).
Na atividade associativa, foi Diretor da AMATRA 5 nos biênios de 1999/2001 (membro do Conselho Fiscal), 2001/2003 (Diretor Social e Cultural) e 2003/2005 (Diretor Cultural).
O reconhecimento de seus pares pelo trabalho desenvolvido se mostrou evidente com o recebimento, em 2007, da Medalha do Mérito Judiciário, outorgada pela Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da 5ª Região e que tive a honra e o prazer de lançar seu nome.
Na produção intelectual, lamentavelmente ainda não publicou, em forma de livro, a sua belíssima dissertação de Mestrado, o que vivo a cobrar, uma vez que foi a primeira dissertação que outorguei a nota máxima em minha vida acadêmica; Tal estudo, inclusive, foi a base para seu trabalho intitulado “Limites Constitucionais ao Exercício da Autonomia Coletiva Sindical”, que lhe valeu o Prêmio Orlando Gomes/Elson Gottschalk, concedido a cada quarto anos, pela Academia Brasileira de Letras Jurídicas.
Todavia, tem se destacado com outras publicações, em especial, na área do Direito Previdenciário.
Com efeito, é colunista semanal do Jornal A Tarde, tratando de assuntos relacionados a Direito Previdenciário, desde outubro de 2005, já tendo publicado mais de 200 (duzentos) textos, cuja compilação em formato de livro é clamada pela doutrina especializada.
Ademais, publicou diversos artigos científicos em concorridos periódicos especializados sobre Direito do Trabalho e Direito Previdenciário, destacando-se os textos “A Aposentadoria e a Volta ao Trabalho - Extensão e Limites dos Direitos Previdenciários do Trabalhador Aposentado”; “A Pessoa Jurídica e a sua Crise de Identidade”; “Colisão entre Direitos Fundamentais no Controle da Atuação Laboral: Intimidade e Vida Privada versus Propriedade e Segurança”; “A Escola da Exegese: Causas Históricas e Método dos seus Juristas”; “Contrato Individual de Emprego e Contrato Coletivo de Emprego: suas Inter-Relações”; “A Responsabilidade dos Sócios Cotistas em Execuções de Títulos Judiciais Trabalhistas: Reflexo da Crise de Identidade das Pessoas Jurídicas”, “Empreiteiro - Subempreiteiro e Empregado: Responsabilidade Subsidiária ou Solidária?” e “Repensando a Exegese do Art. 455 da CLT”, estes dois últimos também em parceria com este interlocutor.
Destaque-se, ainda, que cada uma das edições do seu “Guia Prático de Direito Previdenciário”, escrito em parceria com o Prof. Ivan Kertzman, vendeu dez mil exemplares, estando a quarta edição no prelo.
Além disso, publicou, com grande sucesso, o seu “Guia Prático de Direito do Trabalho”, estando no prelo (ou em projeto) duas outras obras, a saber: seu Curso de Direito do Trabalho: cujo Tomo 1 versará sobre as relações individuais de trabalho, e um Curso de Sentença Trabalhista, em co-autoria com este orador.
A enumeração de tantos títulos e vitórias demonstra o acerto dos acadêmicos em sufragar o nome de Luciano Martinez para a imortalidade formal.
Contudo, a posição privilegiada de testemunha de suas vitórias, aliada à circunstância de nos enlaçarmos em uma amizade que se pretende perene, permite-me encerrar estas palavras não mais exaltando a figura do jurista de escol, mas, sim, do notável ser humano que adentra aos portais da confraria trabalhista nacional.
A Academia Nacional de Direito do Trabalho, ao receber em seu seio o magistrado e professor Luciano Dorea Martinez Carreiro, ganha muito mais do que apenas um pensador respeitado.
Ganha, sim, um cidadão respeitoso, de uma educação e gentileza ímpares, em que a preocupação em fazer o melhor é uma constante característica da personalidade; em que o perfeccionismo consegue ser aliado da humildade e da operosidade; em que a paz de espírito parece ter descoberto o melhor ninho que a humanidade pode oferecer.
Jamais vi Luciano Martinez exaltado! Jamais presenciei uma descortesia de sua parte com quem quer que seja.
Trata-se de um indivíduo profundamente doce, com uma encantadora forma de agir que somente vejo parâmetro no já aqui mencionado (e jamais esquecido) Prof. Antonio Carlos de Oliveira: uma “barema de personalidade”, um instrumento de medição de caráter, pois se há alguém nesta vida que lhe possa não ter admiração, boa figura certamente não é.
Talvez o seu pouco divulgado talento musical (ele sabe tocar todas as músicas de Caetano Veloso ao violão...) possa ser mais um sinal desta sensibilidade e empatia que transbordam da sua conduta.
E na fusão da vida com a arte é que lembro de um personagem do livro “Cem Anos de Solidão”, de Gabriel Garcia Marques, que é um dos favoritos do empossando.
Trata-se de José Arcádio Buendía, que, além de outras atividades, exercia a ourivesaria.
Em determinado momento, ele decidiu não mais vender os peixinhos de ouro que fabricava e guardara num pote de lata. Desde então, “continuava fabricando dois peixinhos por dia e, quando completava vinte e cinco, voltava a fundi-los no crisol para começar a fazê-los de novo”.
Esta imagem, que tanto lhe agrada, é perfeita para se aplicar à vida de quem renova as mesmas atividades de ciclos em ciclos. E é isso que ocorre, por exemplo, com os professores que, depois de formarem uma turma, iniciam no período seguinte tudo novamente...
Este renovar das esperanças ocorre, agora, também com sua ascensão à Academia Nacional de Direito do Trabalho, que, no seu ritual de renovação, lembra as gerações que construíram as pistas onde, em uma corrida de revezamento, o presente e o futuro se encontram, para lutar novamente por um mundo mais digno.
E na certeza de que este novo passo da sua vida é apenas uma nova etapa de uma obra que ainda crescerá muito é que encerro este pronunciamento, com o estímulo, que sempre lhe dirigi, da poesia de Almir Sater e Renato Teixeira:

“Cada um de nós compõe a sua história,
e cada ser em si, carrega o dom de ser capaz,
e ser feliz...”

Seja bem-vindo, confrade Luciano Dorea Martinez Carreiro!
Este seu irmão não te deseja somente cada vez mais sucesso, mas, principalmente, que você seja cada dia mais feliz...