O objetivo deste blog é divulgar toda a minha produção poética, sem prejuízo de continuar a ser postada também no Portal de Poesia Rodolfo Pamplona Filho (www.rodolfopamplonafilho.blogspot.com).
A diferença é que, lá, são publicados também textos alheios, em uma interação e comunhão poética, enquanto, aqui, serão divulgados somente textos poéticos (em prosa ou verso) de minha autoria, facilitando o conhecimento da minha reflexão...
Espero que gostem da iniciativa...

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Entre a Prevenção e a Poesia

 




Retiraram todas as plantas

e terra das nossas jardineiras.

Decisão do condomínio


Finho me ligou com a pergunta:

Por que acabaram

com o meu quintal?


Lá nasceram

vários passarinhos,

parecia uma maternidade


Lá as flores já estavam

entrando pela janela do banheiro

e ele olhava enquanto tomava banho


De lá tiramos folhas

para fazer pinturas e decalques

na prova de que a natureza se renova.


Lá ele aprendeu que

as plantas precisavam de água

e nós usávamos um pequeno regador


Lá se podia perceber

que, para fazer poesia,

basta olhar ao seu redor.


Salvador, 20 de setembro de 2017.

terça-feira, 25 de agosto de 2026

A Elegância Indiscreta das Meninas Paulistanas




Rua Augusta

Alta madrugada

Engarrafamento maior

do que na outra metade do dia

Todos procurando diversão

como se não houvesse opção...

E, no meio do turbilhão,

como um pegajoso refrão,

as meninas paulistanas são

o estribilho da canção...

Moças de formas voluptuosas,

com decotes generosos,

olhares encantadores

e ar sedutor, sem ser vulgar...

Sempre há tempo

para um salão 24 horas

para mais uma dose

para mais um programa...

E sentir o cheiro

de cigarro sem filtro,

de algo para ingerir

ou de um perfume forte

-  nem tão barato assim -

que custa um pedaço de mim...

Rostos jovens e lindos,

em corpos tidos como sarados,

com maquiagem demais

para parecer menos do que são...

Na elegância indiscreta

que Caetano não viu...

Na elegância indiscreta

que Caetano ainda não cantou...


São Paulo, preparando-se para o último dia do Lollapalloza, 31 de março de 2013.

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Meu Bem




Meu Bem,

não me leve a mal

se eu sair por aí a dizer

que um outro alguém

passa agora a habitar em você,

como se a história

pudesse ter um novo porquê.


Errei

ao imaginar que tudo

poderia ser sempre igual

e que as pessoas não mudam

no caminho, afinal,

já que eu mesmo sei

que muito mudei...


Sinto

que o meu desejo

é maior do que o meu eu

que tudo que deu

certo por certo valeu

mas agora é hora

de cantar outra canção.


Sempre

vou guardar o que vivi

na mente e no peito,

mas o que se quebra

não tem mais jeito:

o mundo segue em frente

com um novo refrão.


Salvador-Recife, 16 de janeiro de 2018.

domingo, 23 de agosto de 2026

A Banalização da Morte





A TV divulga, a rádio anuncia,

o jornal comunica

o saldo das mortes do final de semana...

o trânsito, o acidente doméstico

ou a costumeira e pontual queima de arquivo...


Normal...


Ouvimos impassíveis,

tomando o café nosso de cada dia,

no meio das notícias políticas

ou da alegria ou tristeza com

o resultado do jogo do nosso time...


Normal...


Não há espaço para indignação,

nem mesmo há tempo para isso...

A informação passa por

nossos olhos e ouvidos

como uma brisa imperceptível...


Normal...


O sangue escorre das imagens,

do som e dos papéis...

mas não se sente nada...

Anestesia coletiva, difusa e impessoal...

A apatia e a indiferença

não fazem acepção de pessoas...


Normal...

Normal?


Salvador, 16 de agosto de 2010, uma segunda-feira sangrenta...

sábado, 22 de agosto de 2026

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Do Riso ao Pranto




Do riso ao pranto,

procuro o meu canto,

onde possa viver,

onde possa chorar,

onde possa ser eu mesmo...

buscando algum lugar aonde eu possa fugir, me sentindo em casa..

buscando algum lugar onde eu possa estar em casa, fugindo do mundo...


Salvador, 05 de outubro de 2010.

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Amigo










“Amigo é o pai ou o irmão,

que a gente elege pelo coração;

é alguém para dividir o pão,

o sonho, a lágrima e a canção;

é aquele que abraça com vontade,

sem medo de falar sempre a verdade.

E mesmo que isso não seja lá muito agradável,

também é saber dizer não com um sorriso amável.

É alegrar-se com a vitória e consolar na derrota...

É perguntar como está e aguardar a resposta...

É partilhar a risada, o ombro e o ouvido...

Esse é o sentido da palavra AMIGO.”


 (2001)

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Eu digo Não!




Eu digo não a quem faz corrupção

Eu digo não a quem aumenta o feijão

Eu digo não a quem faz parte do Centrão

Eu digo não a político ladrão

Eu digo não a quem faz nada no Senado

Eu digo não a seu nobre Deputado

Eu digo não ao governador do Estado

Eu digo não a quem põe povo de lado

Eu digo não à União Ruralista

Eu digo não ao Partido Comunista

Eu digo não ao homem do decreto-lei

Eu digo não ao presidente José Sarney


Eu digo não à perda da inocência

Eu digo não a viver em violência

Eu digo não ao rombo da previdência

Eu digo não a esta falta de decência

Eu digo não a quem só sabe mandar

Eu digo não a quem vive a torturar

Eu digo não a quem mata para calar

Eu digo não à ditadura militar


(1987)

Letra: Rodolfo Pamplona Filho

Música: Rodolfo Pamplona Filho, Cedric Romano e Jorge Pigeard

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Amor é (quase) tudo





Amor é quase tudo,

mas o quase não é irrelevante 

O que falta ao amor

para ser impactante?

Talvez um pouco de cuidado

Talvez um carinho inesperado 

Talvez uma torcida explícita 

Talvez uma entrega sem retorno 


Amor é quase tudo,

mas o quase não é irrelevante 

O que falta ao amor

para ser incessante?

Talvez uma dose de mistério

Talvez um suspiro no espelho 

Talvez um choro em desabafo 

Talvez um frio na barriga no encontro 


Amor é quase tudo,

mas o quase não é irrelevante 

O que falta ao amor

para ser acachapante?

Talvez um bilhete inesperado

Talvez uma surpresa no acordar

Talvez dormir agarrado

Talvez nunca parar de sonhar 


Salvador, 27 de outubro de 2018.

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

A Causa de Tudo

 










A Causa de Tudo

é o que nos faz sofrer

A Causa de Tudo

é o que dá vontade de morrer

A Causa de Tudo

independe do que você faça

A Causa de Tudo

me deixa sem graça

A Causa de Tudo

doi fundo no peito

A Causa de Tudo

me diz respeito

A Causa de Tudo

não é o problema em que você se meteu

A Causa de Tudo

sou eu.


Salvador, 15 de janeiro de 2018