O objetivo deste blog é divulgar toda a minha produção poética, sem prejuízo de continuar a ser postada também no Portal de Poesia Rodolfo Pamplona Filho (www.rodolfopamplonafilho.blogspot.com).
A diferença é que, lá, são publicados também textos alheios, em uma interação e comunhão poética, enquanto, aqui, serão divulgados somente textos poéticos (em prosa ou verso) de minha autoria, facilitando o conhecimento da minha reflexão...
Espero que gostem da iniciativa...

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Masturbação Intelectual







Rodolfo Pamplona Filho


É fácil impressionar os incautos

com linguagem gongórica nos autos,

repleta de neologismos

e recheada de estrangeirismos...


Arrotar uma cultura

que, definitivamente, não é pura

e que é impossível conquistar

em apenas uma vida a estudar...


Palestrar como se estivesse em ação

verdadeiramente em masturbação,

em busca solitária de prazer fútil

sem criar algo concreto ou útil...


Falar autores que ninguém ouviu falar

e escrever textos que ninguém lerá...

ou, se lerem, não entenderão,

já que não foram feitos

para ser compreendidos pela razão...


Manifestar seu pensamento

como se fosse o ressoar lento

da palavra sagrada de um Deus

tão arrogante que precisa dos seus

servos para bajulação no universo

e vitimas para seu sadismo perverso...


Tudo isso se vê e se sente

em muitos e diversos ambientes,

mas é quase onipresente

em todo ser vivente,

que, por estar há muito ausente,

esqueceu o que é ser inteligente.


Salvador, 10 de dezembro de 2010.


quinta-feira, 16 de abril de 2026

Para um amor secreto

 



Rodolfo Pamplona Filho


Querido

Você nem imagina como estou ligada em você...

Você nem imagina como estou ligada a você

Eu me emociono só de pensar

em como seria maravilhoso

ouvir nossas musicas com você...


Descobrir sua essência, além da casca,

fez despertar o amor e a ansiedade de estar perto.

Quero ficar com você em meu colo, vendo o por do sol até a lua iluminar sua face...

Quero fazer um cafuné, deslizando minha mão sobre seus cabelos, ate sentir sua pele...

Quero beijar seu rosto delicadamente, ate fazer você acreditar que não está sonhando...

Quero até mesmo brigar com você, só para ter o prazer da reconciliação...


Você tem um efeito perturbador em mim...

É um sentimento forte, que toma todo meu pensamento...

que me anestesia em alguns momentos

quando imagino nossas vontades reunidas...

E a única coisa que me faz melhorar é chorar...

mas é um choro de alívio e de esperança

de que, algum dia, poderemos

rir juntos e felizes...

...apenas por estar pertos um do outro.

...e você tentar me calar...

...e eu continuar falando que nem uma matraca...

...e você rir porque se diverte comigo...

...e porque não consigo disfarçar

meu nervosismo

de ter transformado

essa fantasia em realidade...


Você é parte de mim,

não como um agente externo,

mas como um complemento de mim mesmo.

Nosso amor não tem amarras, nem barreiras...

e é como um primeiro namoro...

no qual ficamos ávidos por um contato...

na palavra e no carinho...

Não consigo mais pensar na minha vida sem ter você.


Você está fora de todo tipo de definição.

Não posso dizer que é meu amigo,

nem amante, nem ficante,

nem pretendente, nem confidente...

não há rótulos....

Não somos nada disso e, dificilmente, alguém compreenderia esta relação.

Ela está fadada a permanecer apenas na publicidade de nossas almas e corações.


É como se você fosse eu...

como se meu pensamento estivesse em você.....

Por isso que me completa....

e ninguém me entende...

então ninguém entenderia você, dessa forma, na minha vida...


San Francisco, 25 de setembro de 2010.

quarta-feira, 15 de abril de 2026

O poema que se perdeu

 



Rodolfo Pamplona Filho


Ontem, perdi um poema.

Apaguei-o, sem querer,

na multidão de meus textos

e não terei como recuperá-lo,

pois o sentimento de outrora

não pode mais ser vivido,

já que, se pudesse viver de novo,

nova vida eu teria

e não o mesmo caminho

que não necessariamente seguiria...


Racionalmente, quero reproduzir

a idéia que insiste em se repetir

pelo brilho do momento da criação

ou do sentimento traduzido à perfeição.

Quero me apaixonar de novo

pela surpresa da palavra lida,

pelo gosto do abraço imaginado

e pelo arrepio na pele provocado.


Resgatar o que não se aproveitou

de um passado que não volta atrás

é uma metáfora da própria vida

em que se quer, hoje,

viver o que se perdeu

e amar o que já não existe mais...


San Francisco, 29 de setembro de 2010.

terça-feira, 14 de abril de 2026

Nem tudo pode ser para agora

 







Rodolfo Pamplona Filho


Eu tenho de aprender que

nem tudo pode ser para agora...

uma vida não se constrói

na virada de uma noite...

um exemplo não se toma

com uma única atitude...

uma família não se forma

com uma única paixão.


Eu tenho de aprender que

nem tudo pode ser para agora...

Roma não foi edificada

em um único dia...

uma carreira não se consolida

com uma única obra...

uma poesia não se faz

com um único verso...


Eu tenho de aprender que

nem tudo pode ser para agora...

um abraço caloroso

não significa algo mais...

um olhar encantador

não significa mais que um olhar...

falar “eu te amo”

não significa se entregar...


Eu tenho de aprender que

nem tudo pode ser para agora?

Por que não tentar?

Por que não agora?

Por que não?


Salvador, 19 de setembro de 2010, aprendendo a viver novamente...

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Poliamorismo

 






Rodolfo Pamplona Filho


Por que não se pode

amar mais de uma pessoa

ao mesmo tempo?

Por que o ato de amar

exige uma exclusividade artificial,

como se o coração pudesse

ser controlado como

um bicho de estimação?


Para alguém ser completo,

é possível que haja mais de uma peça

para formar um todo,

que não é um quebra-cabeça,

mas, sim, um complexo prisma,

cujas faces são complementares,

não havendo verdade ou mentira,

pois tudo dependerá do ângulo que se mira...


Eu quero amar você eternamente,

mas não quero deixar de amar ninguém...

Eu quero ficar com você o resto da vida,

mas isso não significa viver só a dois...

Meu amor não é uma cabine simples,

com apenas dois lugares:

é um mar com vários ecossistemas,

uma galáxia com diversas estrelas...


Eu não quero a clandestinidade

de viver um amor marginal...

Quero uma relação de maturidade

em que haja entrega total,

sem a ilusão da única cara metade,

vivendo o múltiplo afeto da vida real.


San Francisco, 28 de setembro de 2010.

domingo, 12 de abril de 2026

O Dia




Rodolfo Pamplona Filho


É hoje o dia!

E o sangue dá nova pulsada

como um atleta de corrida...

Será que, antes da chegada,

já será despedida?


É hoje o dia!

E a ansiedade

toma todo o corpo,

como se a vontade

aproximasse o porto...


É hoje o dia!

Mas que desespero!

A cada minuto de espera,

tenho um pesadelo

de que serei esquecido na terra...


É hoje o dia!

Tenho a esperança

de que tudo vai dar certo

toda vez que vem a lembrança

de que o momento está perto!


É hoje o dia!

Recebi a confirmação

de que não houve desistência,

o que faz meu coração

renovar sua resistência!


É hoje o dia!

É agora a hora!

Por isso, sem demora,

farei o que sempre quis:

apenas ser feliz.


Salvador, 26 de agosto de 2011.

sábado, 11 de abril de 2026

Morrer é Doce!

 





Rodolfo Pamplona Filho


Quando em meu peito, romper-se a corrente

Que a alma me prende à dor de viver

Não quero por mim, nem uma lágrima,

Nem um suspiro, nem um sofrer...

Não quero que uma nota de alegria

Se cale por meu passamento.

Não quero que um sorriso

Se apague pelo fim do meu triste tormento!


Viver foi peregrinar no deserto,

Procurando achar o que não estava escondido,

viver foi submergir no tédio,

Tentando encontrar o que já estava perdido

Quando se esgotar o meu suspiro,

Não desfolhe por mim sequer uma flor!

Não tornai outro ente matéria inútil.

Sozinho, da morte, deixai-me o torpor!


No meu epitáfio, escrevas:

Foi homem e, pela vida, passou

Como nas horas de um pesadelo

Que só, com a bela senhora, acordou


Descansem meu leito solitário

À sombra de um triste cipreste,

Numa floresta há muito esquecida

Onde não usurpem o que ainda me reste.

Este parece ser meu desejo final

Neste esperado momento de verdade nua.

Eis-me pronto para beijar a bela senhora

E ver como a morte é doce e crua!

(1989)

sexta-feira, 10 de abril de 2026

A Banalização da Morte



Rodolfo Pamplona Filho


A TV divulga, a rádio anuncia,

o jornal comunica

o saldo das mortes do final de semana...

o trânsito, o acidente doméstico

ou a costumeira e pontual queima de arquivo...


Normal...


Ouvimos impassíveis,

tomando o café nosso de cada dia,

no meio das notícias políticas

ou da alegria ou tristeza com

o resultado do jogo do nosso time...


Normal...


Não há espaço para indignação,

nem mesmo há tempo para isso...

A informação passa por

nossos olhos e ouvidos

como uma brisa imperceptível...


Normal...


O sangue escorre das imagens,

do som e dos papéis...

mas não se sente nada...

Anestesia coletiva, difusa e impessoal...

A apatia e a indiferença

não fazem acepção de pessoas...


Normal...

Normal?


Salvador, 16 de agosto de 2010, uma segunda-feira sangrenta...

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Esperança

 





Rodolfo Pamplona Filho


O futuro há de ser melhor do que o presente

e infinitamente superior ao passado recente,

pois guarda em sim um querer

que se renova a cada alvorecer


Não é o amor que difere o homem dos outros animais...

Não é a falta de guerra que garante a paz...

Não é a pesquisa lógica que impulsiona à solução...

Não é o remédio que traz calma ao coração...


É a força que move o doente à cura...

É o que faz a alma se manter pura...

É o que se sente no sorriso da criança...

É a mais clara forma de fé: a esperança!


Viver é o exercício da persistência

em um mundo que mina sua resistência

com armadilhas dolorosas nos pontos mais sensíveis,

criando obstáculos cada dia mais terríveis...


Mas nada disso realmente importa

quando a sensação que bate à nossa porta

é uma confiança inexplicável no amanhã

com um renascer da vontade a cada manhã...


Salvador, 23 de maio de 2010

Para Micael...

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Sorrisos





Rodolfo Pamplona Filho


Todo sorriso é um enigma

mais difícil que o da esfinge

pois não há saída: ele nos devora,

seja alegre ou seja triste!


Cada dente exposto,

cada expressão no rosto

contém uma mensagem

Cada olhar brilhante,

cada riso vibrante

transmite uma imagem


Ela sorri para mim?

Ou ela sorri de mim?

Compreender é tão difícil

quanto se espera um “sim”!

Não se sabe se um sorriso

é um beijo ou uma ironia!

Não se sabe se um sorriso

emana sarcasmo ou poesia!


Por isso mesmo,

repito sempre o lugar comum:

“Sorria sempre, mesmo

que seja um sorriso triste!

Pois antes um sorriso triste

do que a tristeza

de não saber sorrir!”


(1991)

Musicado por Iuri Lemos Vieira em 2006