O objetivo deste blog é divulgar toda a minha produção poética, sem prejuízo de continuar a ser postada também no Portal de Poesia Rodolfo Pamplona Filho (www.rodolfopamplonafilho.blogspot.com).
A diferença é que, lá, são publicados também textos alheios, em uma interação e comunhão poética, enquanto, aqui, serão divulgados somente textos poéticos (em prosa ou verso) de minha autoria, facilitando o conhecimento da minha reflexão...
Espero que gostem da iniciativa...

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Exemplo


Exemplo

Rodolfo Pamplona Filho
Exemplo é ensinar com gestos,
conduta e comprometimento,
não somente com palavras
que se perdem com o vento...

O que adianta reclamar de ética
quando se frauda o ponto,
mete-se um atestado,
finge-se que não é consigo?

Como se exigir o cumprimento,
se faz tudo incompleto,
não capricha nas próprias tarefas,
orgulha-se das suas pendências?

Moral se compreende teoricamente,
mas não se aprende sem se viver,
não se internaliza sem sofrer
ou se testemunha sem saber.

A lição se aprende finalmente
quando o verbo se faz carne,
o ideal sai do armário
e a promessa vira ação.


São Paulo, 07 de junho de 2013,
mas pensando em um péssimo exemplo

visto em Praia do Forte em 30 de maio de 2013.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Luto

Luto

Rodolfo Pamplona Filho
Negação
Revolta
Barganha
Depressão
Aceitação
Quando o último estágio
é finalmente alcançado,
liberta-se do sofrimento,
embora a tristeza da perda
seja companhia para sempre...
Em qual fase você está?


MannHein, 02 de maio de 2013, lendo Batman na espera do Göethe...

sábado, 8 de fevereiro de 2014

A Morte

A Morte

Rodolfo Pamplona Filho
O grande amor de Thanos
A única irrecusável verdade
O cessar de todas as atividades
O término da consciência
O fim de todas as coisas
O recomeço, para alguns
O ponto que encerra a sentença
O desencarne ou passamento.
O beijo da bela mulher que tudo cala.
A viagem definitiva sem levar mala.


Salvador, 03 de junho de 2013

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Mundo Novo

                                          

Mundo Novo

Rodolfo Pamplona Filho
Em breve, passará o tempo rude
que trouxe esta seca maldita
que esvaziou o velho açude
e meu gosto pela vida...
(verei um Mundo Novo diferente...)

E a lágrima involuntária
virará chuva abundante...
E a alma solitária
sorrirá leve e confiante
(verei um Mundo Novo diferente...)

de que o verde inundará
o cinza que enfeiava o horizonte,
pois o gado vai engordar
e os cavalos beberão na fonte
(verei um Mundo Novo diferente...)

onde nadou o pequeno churueiro,
no tempos de Padre Nicanô,
coroinha e menino arteiro,
orgulho de seu avô...
(verei um Mundo Novo diferente...)

A brisa da tarde vai retornar
e apaziguar o calor fervente...
minha terra será sempre meu lar
e seu povo a minha gente
(verei um Mundo Novo diferente...)

Quando a esperança virar realidade
e for embora toda saudade,
verei rodas de samba com alegria
tocando até o raiar do dia...
(verei um Mundo Novo diferente...)

Quando o suspiro for somente
da nostalgia do que foi vivido,
e não mais da desolação impotente
do sofrimento sem sentido,
verei um Mundo Novo diferente...

Eu não quero muito cenas,
mas somente o que louvo
Eu quero, de volta, apenas
o meu Velho Mundo Novo...

Eu quero apenas de novo
o meu Velho Mundo Novo...

Salvador, 14 de janeiro de 2013.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

A Delicadeza da Grandiosidade

A Delicadeza da Grandiosidade

Rodolfo Pamplona Filho
Notas fluem continuamente
como as gotas da chuva lá fora,
mas, aqui, tudo é somente
a irrelevância das horas
no apreciar da melodia,
ritmo e pura harmonia...
O privilégio de testemunhar
a manifestação da virtuose
só é comparável ao deslumbrar
com o impacto, quase hipnose,
da beleza da música
e, sem dúvida, da musa
que tudo reforma
e transforma
a admiração em encantamento,
a técnica em sentimento,
a solenidade em leveza
e a grandiosidade em delicadeza.


Salvador, 14 de maio de 2013, para Hélène Grimaud.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Terceirizando a Memória

Terceirizando a Memória

Rodolfo Pamplona Filho
Para telefones, celular
Para enciclopédia, Google
Para caminhos, GPS
Para compromissos, agenda
Para texto, tablet
Para exposição, data-show
Para voz, gravador
Para marcha, câmbio automático
Para canais, zapear
Para canções, mostrador
Para pagamentos, home banking
Para contas, calculadora
Para poucos, a velha memória...

Salvador, 27 de maio de 2013, segunda-feira,
em um engarrafamento monstruoso na Av. ACM,
mas pensando em um (excelente) papo

com os amigos Molly, Nelson Cerqueira e Sérgio Novais Dias.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Desamadurecendo

Desamadurecendo

Rodolfo Pamplona Filho
Que o tempo passe...
Que os anos cheguem...
Que os pêlos embranqueçam...
Que as rugas surjam...
Mas que eu não permita
envelhecer a mente,
esclerosar o senso,
anestesiar a sensibilidade
ou senilizar o desejo...

Que eu consiga desamadurecer...

Salvador, 27 de maio de 2013, segunda-feira,

em um engarrafamento monstruoso na Av. ACM.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Sentindo-se em Casa

Sentindo-se em Casa

Rodolfo Pamplona Filho
Quem faz o lugar são as pessoas
Quem transforma uma casa
em um lar
é quem decide habitar
e nele viver...
e conviver...
e, para sempre ser,
somente o que se é...

Salvador, 27 de maio de 2013, segunda-feira,

em um engarrafamento monstruoso na Av. ACM.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Soneto do Engarrafamento

Soneto do Engarrafamento

Rodolfo Pamplona Filho
O tempo já foi mais útil
A via já fluiu mais ágil
O motivo nunca foi tão fútil
A paciência nunca foi tão frágil

O que demorava minutos
virou horas a fio
O que era para muitos
caiu no lotado vazio...

E valer tudo para uma vaga buscar,
como um território conquistar,
mesmo fechando um cruzamento...

Na barbeiragem ou contramão
ou disputando o pior palavrão,
tudo por causa do engarrafamento.

Salvador, 27 de maio de 2013, segunda-feira,

em um engarrafamento monstruoso na Av. ACM.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Poetas


Poetas

Rodolfo Pamplona Filho
Poetas
Poetas vivem
Poetas vivem no mundo
Poetas vivem em um mundo paralelo:
o mundo das percepções subjetivas,
observações iluminadas
por um olhar diferenciado.
E é ai que está
todo o sentido da poesia...
Tornar o feio, bonito;
o inútil, útil;
o certo, duvidoso;
o duvidoso, certo;
o morto, vivo ou redivivo...
Salvador, 27 de maio de 2013, segunda-feira,

em um engarrafamento monstruoso na Av. ACM.