O objetivo deste blog é divulgar toda a minha produção poética, sem prejuízo de continuar a ser postada também no Portal de Poesia Rodolfo Pamplona Filho (www.rodolfopamplonafilho.blogspot.com).
A diferença é que, lá, são publicados também textos alheios, em uma interação e comunhão poética, enquanto, aqui, serão divulgados somente textos poéticos (em prosa ou verso) de minha autoria, facilitando o conhecimento da minha reflexão...
Espero que gostem da iniciativa...

domingo, 20 de setembro de 2015

Planejamento Sucessório

Rodolfo Pamplona Filho





Quando, um dia, terminar
a minha jornada terrena,
quero apenas encontrar
a paz em minha pequena

estrada de férteis encontros,
alguns triunfos e acertos,
mas também de desencontros,
reencontros, derrotas e apertos...



Não quero que os que deixo
disputem os poucos bens
que, com muita luta, conquistei,

mas, sim, que encontrem o eixo
da concórdia e harmonia,
não chorando de barriga vazia,

nem tendo a amarga sensação
de desamparo e solidão,
sabendo que eu tive o cuidado
de deixar tudo organizado,

na consciência de minha finitude,
fazendo tudo que eu pude
para, seguindo minha verdade,
distribuir segundo a necessidade

e justiça de uma partilha em vida
de um patrimônio que perece e rui
pois o que é realmente importante

é herdar o orgulho e a saudade doída
somente de quem, em essência, fui,
não do que eu tive na estante.


Salvador, 08 de dezembro de 2013, tendo dobrar um soneto...

sábado, 19 de setembro de 2015

Filosofando em Alemão

Rodolfo Pamplona Filho





Nós somente podemos filosofar em alemão.
Quem disse que "sol" é masculino?
Quem disse que "lua" é feminino?
Por que nós identificamos a natureza?
Por que nós damos à natureza um determinado gênero?
O Sol, El Sol, Le Soleil, Il Sole ...
A Lua, La Luna, La Lune, La Luna ...
Se for para atribuir gênero, quem dá vida é sol e a lua é o guardião ...

Salvador, 09 de setembro de 2011.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Diagnóstico: Rotina

Rodolfo Pamplona Filho





A rotina é inevitável 
para qualquer pessoa, 
mas adorá-la e desejá-la 
rígida, imutável, chata...
soa patológico...

O que mata uma paixão 
não é o fim do amor,
mas a falta de vibração 
e de ânimo de quem
se busca amar...

A falta de vontade 
de dançar, de beijar, 
de fazer, de tudo, 
um pouco, vivendo
pequenas loucuras...

A falta de encantamento 
com a música, a cor e a poesia...
Vira falta de tesão 
e de calor na alma,
na cama e no drama...

Salvador, 09 de janeiro de 2013.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Soneto da Sintonia Infalível

Rodolfo Pamplona Filho





Ainda que divididos pelo Atlântico
e por fusos horários incompatíveis,
o que um sente de um lado,
o outro automaticamente responde.

Se um levanta assustado,
encontrará o outro conectado,
como se a energia gerada
fosse automaticamente repassada.

É realmente impressionante,
como tudo surge em um instante,
permitindo a imediata compreensão

pois o que, para muitos, é acaso,
para mim, é o mais evidente traço
de uma sintonia infalível de paixão.

Pamplona/Espanha, 03 de outubro de 2012.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Duplo Soneto Ao Melhor Amigo

Rodolfo Pamplona Filho




Perdoe-me se eu nunca disse antes,
mas eu te amo muito, meu amigo:
nada na minha vida é relevante,
se eu não puder contar contigo.

Acordei assustado de madrugada,
pois sonhei que tinhas ido embora,
Por isso, corri para, em palavras,
registrar o que senti agora:

se, por acaso, eu me for
antes da tua partida,
guardas bem esta despedida

pois significa o fim do torpor,
que aprisionava meu sentimento
para fazer este testamento:

na vida, fui, de tudo, um pouco:
sucesso e fracasso, médico e louco,
gozo e cansaço, perda e laço,
lágrima e amasso, soco e abraço.

Mas nada valeu mais a pena
do que descobrir a pequena
jóia que dois homens de verdade
podem fazer para a eternidade

saber que não importa a distância,
nem o choro incontido de criança,
ou o inevitável decurso do tempo,

O mundo jamais verá algo mais puro
do que a amizade que rompe muros
e dura mais do que o sopro do vento.
Buenos Aires, 21 de junho de 2011, 4:30 am.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Mergulhando com Tubarões

Rodolfo Pamplona Filho



Ao enfrentar o mar bravio,
para encarar o desafio
de mergulhar com tubarões,
pergunto-me as razões
de fazer tudo isto!
Talvez seja um feitiço
ou mesmo uma loucura
buscar uma aventura
de pura adrenalina...



É que a vida ensina
que teoricamente bem faz
quem, em casa, fica em paz
e definitivamente não se arrisca,
nem tem a menor pista
do que é o medo superar.
É hora de prender o ar,
pois o barco parou
e, ato contínuo, vêm o temor
e a palpável tensão,
ao controlar a respiração,
para, nas águas, mergulhar
e ver o fundo do mar...



O momento chegou
e, com ele, o terror
de observar, sem zelo,
o seu pior pesadelo:
o grande tubarão branco!
Encosto-me no canto
da grade de proteção,
tentando controlar a emoção
e até mesmo uma dor no peito,
que não tem qualquer efeito
para frear o meu intento
de viver aquele momento!
O suspense é paralisante,
pois, a qualquer instante,
pode o monstro surgir de repente
e o faz, bem visível à sua frente,
chocando-se com o ferro,
em segundos que duram um século,
abocanhando a isca lançada,
como se toda força fosse nada,
para logo seguir adiante,
mas, para sempre, continuar pulsante
na memória de quem esqueceu o frio,
só para preencher o vazio
com a sensação de que é cativo:
a emoção de estar vivo!



Gansbaai, 14 de setembro de 2015 (complementada em Joanesburgo, 17 de setembro de 2015). 

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Desbravando o mar

Rodolfo Pamplona Filho



As ondas quebram,
espalhando-se abundantes
por todos os lados.
O barco balança
como um brinquedo
nas mãos de uma criança.
Em nada ajuda
saber que o mar é sepultura
de infindáveis criaturas.
Parece inevitável
sentir o gosto
da água salgada.
O enjôo vem
e se busca o controle
para não desabar.
O medo se mistura
com a maresia
em um sentimento único.
O tempo passa
e a esperança de pisar terra firme
é a bússola a orientar.
Até que vem a calmaria
e a paz volta a reinar
depois do desbravar do mar.

Gansbaai, 14 de setembro de 2015 (complementada em Joanesburgo, 17 de setembro de 2015, e finalizada em pleno vôo para São Paulo, 18 de setembro de 2015).

domingo, 13 de setembro de 2015

Sempre tem alguém para reclamar

Rodolfo Pamplona Filho





Se não tem espelho no banheiro,
reclama da ausência;
Se tem, do modelo, tamanho ou qualidade;
Se sorteiam brindes,
reclama que nunca é vencedor:
Se recebe, acha mixaria;
Se uma medida é tomada, para evitar danos,
reclama de ter de abrir mão;
Se a medida não é tomada e o dano ocorre,
reclama por qual motivo não fizeram nada...
Se o líder contrata, é perdulário;
Se não, é omisso;
Se alguém cumprimenta alegre, é gaiato;
Se alguém cumprimenta triste, é mal-amado;
Se não cumprimenta, é boçal.
Se alguma coisa está boa,
alguém tem de achar algum mal.

No vôo de Joanesburgo para São Paulo, 18 de setembro de 2015.

sábado, 12 de setembro de 2015

Tem, mas acabou

Rodolfo Pamplona Filho




Ter, tem, mas acabou
Ter, tem, mas ainda não chegou
Ter, tem, mas ainda está com o fornecedor
Ter, tem, mas está em falta
Ter, tem,

São Paulo, 18 de setembro de 2015.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Por que servir?

Rodolfo Pamplona Filho





Quem quer realmente servir
não deve tentar justificar
por causa do que faz ou foi feito,
mas pelo que essencialmente é!

Quando a verdade vira slogan,
perde-se o sentido da mensagem,
pois dedicação não é palavra vã
e, sim, entregar-se totalmente

não para ídolos reverenciar,
nem mostrar gratidão ou retribuição,
mas, de forma convincente,

buscar modelo e exemplo,
encontrando no próprio espelho
Santidade, Zelo e Fidelidade

Salvador, 20 de setembro de 2015.