O objetivo deste blog é divulgar toda a minha produção poética, sem prejuízo de continuar a ser postada também no Portal de Poesia Rodolfo Pamplona Filho (www.rodolfopamplonafilho.blogspot.com).
A diferença é que, lá, são publicados também textos alheios, em uma interação e comunhão poética, enquanto, aqui, serão divulgados somente textos poéticos (em prosa ou verso) de minha autoria, facilitando o conhecimento da minha reflexão...
Espero que gostem da iniciativa...

sábado, 10 de outubro de 2015

O fim está à porta (Apocalipse 12)

Rodolfo Pamplona Filho




Quando não se vislumbra
possibilidade de vitória aberta...
Quando a derrota da penumbra
já é inevitavelmente certa...
Somente cabe render-se
ou morrer lutando...
Entregar ao sofrer-se
e seguir o mesmo plano...
Mas nem todo castigo
é danação...
Nem todo ostracismo
é punição...
pois até o mal encarnado
pode ter uma segunda chance
de rever o passado
ou buscar um novo lance,
que, por certo, não aproveitará,
já que repete os exatos passos
e dolorosamente conhecerá
a influência de seus laços...



Se a dor vira fertilidade,
o ódio só gera destruição...
Ao se buscar a verdade,
confronta-se a perdição...
Enquanto um usufrui o cuidado,
o outro é totalmente afastado,
dando finalmente nome aos bois,
desmascarando na hora H
e revelando tudo, pois,
que sempre esteve lá,
mas não se conseguia sequer ver,
por ignorar o seu próprio viver...
Afinal, a transparência
é a mais dura consequência
de saber o que o aguarda
e o que não mais conforta,
quando não resta mais nada...
quando o fim está à porta...


Salvador, domingo, 24 de agosto, ainda ouvindo Pastor Afa Neto.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Diáfano

Rodolfo Pamplona Filho





O dia se faz noite
O dito fica pelo não
Ode
Ódio
Onde não sei se fico...
O Diáfano Espaço
O que, sendo compacto,
dá passagem à luz...
Transparente
como a diáfana fresta da porta...
A compleição diáfana
de quem, de frente,
parece estar de lado
e, de lado,
parece ter ido embora...
Diáfano
Dia foi
Dia fácil
Dia fogo
Dia fóssil
Dia faz ano
Dia faz plano
Diáfano ano...

Brasília, 13 de março de 2013.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Compatibilidade de Gênios

Rodolfo Pamplona Filho






Pense em criar
Pense mais que reprodução
Acredite que faz diferença
Acredite em um mundo diferente
Produza tudo que der
Produza como quem respira
Diga em peças o que é sensação
Diga em palavras a poesia da canção
Traduza o significado da dor
Traduza o conceito de amor
Faça o que ninguém entende possível
Faça o que dizem impossível
Torne- se Deus
Torne-se o início e o fim
Seja maior do que é
Seja você mesmo

São Paulo, 30 de março de 2013.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Chorando só...

Rodolfo Pamplona Filho






Você não tem ideia de como me sinto...
Eu gostaria de ouvir você
descrevendo o que estou sentindo...
Vivendo o meu ritmo...
Exausto...
Sem ar...
Sufocado...
Impotente...
Incapaz
de dar conta de tudo...
Incompreendido...
Mas não é fácil...
Só o exercício
de se colocar
no lugar do outro
é que permite conhecer
a dor de ser
quem se é...


Salvador, 23 de setembro de 2015

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Vivendo Antônimos

Rodolfo Pamplona Filho


Realmente, o que aconteceu
parece um sonho (ou um pesadelo?)
Um sonho que jamais imaginaríamos
realizado em tão pouco tempo...

Talvez por isso,
esteja sendo,
ao mesmo tempo,
tão maravilhoso e angustiante.

Sinto que encontrei uma musa
que me deixa à vontade
para fazer tudo que quero,
o que, definitivamente, é algo raro...

Perto de você, sinto-me, simultaneamente,
mais homem e mais mulher,
o que, em si, já é uma contradição,
mas que você entende perfeitamente...

Estar com você me faz bem.
Na verdade,
estar com você
é viver antônimos...

Quero viver
da forma que der...
da forma que for...
pois é isso que sinto quando perto de você...

Anseio por oportunidades assim,
mas, ao mesmo tempo,
quero me doutrinar e disciplinar
para não ficar tão dependente...


Se fosse somente carnal,
seria muito fácil de controlar...
Mas quero me convencer
que posso controlar isso também...

Se é difícil ficarmos juntos o resto da vida?
De forma alguma!
É a coisa mais fácil do mundo,
só não sei como...

É uma sensação
que beira à estranheza,
pois ficamos anos sem nos conhecer
e nunca sentimos falta verdadeiramente disso!

De repente, porém, parece que
o ar falta se não tiver um contato...
Nunca senti tanta ansiedade
Nunca senti tanta necessidade

na espera de um OK,
de uma resposta,
de uma mensagem,
de um abraço...

Você é meu macho e minha fêmea,
minha razão e minha loucura,
meu amor angelical
e meu tesão próximo do incontrolável...

Perto de você, sou forte e frágil,
sou lento e ágil,
proteção e dependência,
saciedade ou carência...

Vejo-me vivendo com você
(da forma que for),
brigando, sentindo sua falta,
amando, falando, chorando...

tudo com você é bom e bem..
é perfeito pra mim, paixão,
e, por isso, também
não pretendo abrir mão.

Sinto, hoje, que sempre quis
alguém forte e sensível;
que me deixasse acolhida e segura
(essa é a palavra que mais define você pra mim);

que quisesse dormir comigo
sem ter que pensar sempre em sexo;
que, mesmo não sendo,
ficasse frágil e dependente dele.

Sinto que você, no fundo,
queria uma mulher ao lado
que inspirasse a viver,
a escrever e a rir à toa...

sem métodos ou rotinas...
uma mulher que, ao mesmo tempo,
fosse forte e se tornasse frágil
com um abraço seu;

uma mulher que instigasse
suas fantasias mais abstratas,
suas vontades mais loucas
e não te julgasse pelos seus desejos;

O que é isso?
Sei que é amor...
Sei que é atração...
Sei que é paixão...

Mas é também algo
diferente de tudo que já senti...
Precisamos trabalhar isso...
Até para poder sobreviver a isso...

E manter este amor
pelo resto de nossas vidas,
sem machucar ninguém...
Vivamos. Também...

Salvador, 14 de outubro de 2010.

domingo, 4 de outubro de 2015

Gerúndio

Rodolfo Pamplona Filho





Eu não quero ser
um projeto acabado.
Eu estou a viver.
Eu estou vivendo.
Hoje e Sempre...

Atenas, 29 de setembro de 2012.

sábado, 3 de outubro de 2015

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Asno de Buridan

Rodolfo Pamplona Filho





Se insistir nesta postura 
de Asno de Buridan, 
você não morrerá 
de sede ou de fome, 
mas de dor...

Salvador, 22 de novembro de 2012.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Sempre tem alguém para reclamar

Rodolfo Pamplona Filho






Se não tem espelho no banheiro,
reclama da ausência;
Se tem, do modelo, tamanho ou qualidade;
Se sorteiam brindes,
reclama que nunca é vencedor:
Se recebe, acha mixaria;
Se uma medida é tomada, para evitar danos,
reclama de ter de abrir mão;
Se a medida não é tomada e o dano ocorre,
reclama por qual motivo não fizeram nada...
Se o líder contrata, é perdulário;
Se não, é omisso;
Se alguém cumprimenta alegre, é gaiato;
Se alguém cumprimenta triste, é mal-amado;
Se não cumprimenta, é boçal.
Se alguma coisa está boa,
alguém tem de achar algum mal.

No vôo de Joanesburgo para São Paulo, 18 de setembro de 2015.