O objetivo deste blog é divulgar toda a minha produção poética, sem prejuízo de continuar a ser postada também no Portal de Poesia Rodolfo Pamplona Filho (www.rodolfopamplonafilho.blogspot.com).
A diferença é que, lá, são publicados também textos alheios, em uma interação e comunhão poética, enquanto, aqui, serão divulgados somente textos poéticos (em prosa ou verso) de minha autoria, facilitando o conhecimento da minha reflexão...
Espero que gostem da iniciativa...

domingo, 10 de abril de 2016

Pessoa com Deficiência





Rodolfo Pamplona Filho
Inclua-me em tudo 
que eu deseje viver,
mas não queira me dizer
o que eu posso fazer,
se eu mesmo consigo 
ou sinto igual a você.
Tenho mais capacidade 
do que alcança sua visão.
Não duvide de minha vontade,
nem de minha reinvenção.
O meu grito é mais forte
do que a acuidez da audição.
A minha dor é mais profunda
do que sua discriminação.
Meus sentidos podem 
buscar novas possibilidades
e um novo senso de proteção,
para meu corpo e mente,
com a efetiva igualdade,
que é a que parte do coração.
Eu só quero um novo olhar
de isonomia realizável 
para a justiça máter:
A única deficiência 
realmente insuperável 
é a falta de caráter...

Abrantes, 25 de março de 2016.

sábado, 9 de abril de 2016

Ausência




Rodolfo Pamplona Filho


Saudade é o meu sangue, 
meu ar, meu nome do meio.

Saudade é o som da música,
meu tempo livre, meu espelho.

Saudade é o chão que piso,
a água que bebo,
a cama que deito...

Saudade é o horizonte,
a memória perdida,
a esperança de vida...

Saudade é tudo aquilo
com que simplesmente convivo
e, no dia que deixar de sentir,
é porque não estarei mais vivo...


Abrantes, 25 de março de 2016.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Soneto da Guarda Compartilhada






Cuidado e Tensão
Presença e Atenção
É preciso vigiar,
sem esconder ou castrar.

Filhos fazem bem,
mas não são bens.
Pai é mais do que quem cria:
é quem sabe cultivar a parceria

para uma relação de civilidade,
que supera a rivalidade
e aprende a conviver.

Na evolução da sociedade,
o que se quer, de verdade,
é apenas, em paz, viver.


Abrantes, 25 de março de 2016

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Entre Nós






Nós Atados
Estado de Sitio
Sitiado
Status de litígio
Gravata e Forca
Gravada à Força
Desgoverno
Desmazelo
Desvario
Desatino
Sem destino.



Abrantes, 25 de março de 2016.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Nós na Estrutura





Nem todo resultado


é o objetivo esperado


Nem toda consequência


deriva da experiência



Nem todo experimento


é fruto de planejamento


Nem toda frustração


decorre da solidão



Há vezes que há mais...


Normalmente, há algo por trás...


Em agendas, imprevistos


Em controles, desvarios


Em escolhas, conveniências


Em decisões, aparentes urgências



Mas tudo que se faz,


tanto na guerra, quanto na paz,


cobrará o seu fatídico preço


no caminho que começa no berço


e desemboca na sepultura.



Quem se amarra à sua estrutura


e não supera suas ânsias


é eterno prisioneiro das circunstâncias.





Abrantes, 24 de março de 2016.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Vivendo Antônimos


Rodolfo Pamplona Filho





Realmente, o que aconteceu
parece um sonho (ou um pesadelo?)
Um sonho que jamais imaginaríamos
realizado em tão pouco tempo...

Talvez por isso,
esteja sendo,
ao mesmo tempo,
tão maravilhoso e angustiante.

Sinto que encontrei uma musa
que me deixa à vontade
para fazer tudo que quero,
o que, definitivamente, é algo raro...

Perto de você, sinto-me, simultaneamente,
mais homem e mais mulher,
o que, em si, já é uma contradição,
mas que você entende perfeitamente...

Estar com você me faz bem.
Na verdade,
estar com você
é viver antônimos...

Quero viver
da forma que der...
da forma que for...
pois é isso que sinto quando perto de você...

Anseio por oportunidades assim,
mas, ao mesmo tempo,
quero me doutrinar e disciplinar
para não ficar tão dependente...

Se fosse somente carnal,
seria muito fácil de controlar...
Mas quero me convencer
que posso controlar isso também...

Se é difícil ficarmos juntos o resto da vida?
De forma alguma!
É a coisa mais fácil do mundo,
só não sei como...

É uma sensação
que beira à estranheza,
pois ficamos anos sem nos conhecer
e nunca sentimos falta verdadeiramente disso!

De repente, porém, parece que
o ar falta se não tiver um contato...
Nunca senti tanta ansiedade
Nunca senti tanta necessidade

na espera de um OK,
de uma resposta,
de uma mensagem,
de um abraço...

Você é meu macho e minha fêmea,
minha razão e minha loucura,
meu amor angelical
e meu tesão próximo do incontrolável...

Perto de você, sou forte e frágil,
sou lento e ágil,
proteção e dependência,
saciedade ou carência...

Vejo-me vivendo com você
(da forma que for),
brigando, sentindo sua falta,
amando, falando, chorando...

tudo com você é bom e bem..
é perfeito pra mim, paixão,
e, por isso, também
não pretendo abrir mão.

Sinto, hoje, que sempre quis
alguém forte e sensível;
que me deixasse acolhida e segura
(essa é a palavra que mais define você pra mim);

que quisesse dormir comigo
sem ter que pensar sempre em sexo;
que, mesmo não sendo,
ficasse frágil e dependente dele.

Sinto que você, no fundo,
queria uma mulher ao lado
que inspirasse a viver,
a escrever e a rir à toa...

sem métodos ou rotinas...
uma mulher que, ao mesmo tempo,
fosse forte e se tornasse frágil
com um abraço seu;

uma mulher que instigasse
suas fantasias mais abstratas,
suas vontades mais loucas
e não te julgasse pelos seus desejos;

O que é isso?
Sei que é amor...
Sei que é atração...
Sei que é paixão...

Mas é também algo
diferente de tudo que já senti...
Precisamos trabalhar isso...
Até para poder sobreviver a isso...

E manter este amor
pelo resto de nossas vidas,
sem machucar ninguém...
Vivamos. Também...

Salvador, 14 de outubro de 2010.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Soneto da Despedida do Apaixonado

Rodolfo Pamplona Filho



Toques delicados e sorrisos leves,
sob a brisa do mar, ao anoitecer,
e os lábios sabem exatamente o que querem
quando o adeus tem que ocorrer

Preste atenção nos meus olhos:
eles brilham feito ouro
pois desejam, como poucos,
o teu amor sem decoro.

É difícil esquecer teu gosto
e ter que aceitar novos beijos
para manter nossos postos....

Meu coração está no abismo
e anuncia, a cada esquina, sem cinismo,
que a direção pode mudar...

Salvador, 29 de outubro de 2010.

domingo, 3 de abril de 2016

Xenofobia


Rodolfo Pamplona Filho

A raiz da xenofobia
é o medo de se perder
no tipo de amor e simpatia
que o mundo não quer ver.
É um clichê através dos anos,
desde o inicio dos tempos:
que, quanto mais seres encontramos,
mais nos isolemos...

A história não se cansa
de ver o ódio aberto
a quem se arrisca na dança
de um papel outrora incerto.
O universo está repleto
de histórias de amantes
que não ficam por completo,
só por ser de lugares distantes...

Romeu e Julieta, como exemplo,
é a pior história do universo do homem,
pois, em vez de celebrar um tempo
de amor entre desiguais no nome,
consagra a sua derrota
como se fosse a forma de paz
para a única resposta
da busca por algo a mais...

Por que ter medo de olhar para o lado?
Por que ter ódio do diferente?
Somente pelo temor escancarado,
virtual ou evidente,
de ser "contaminado"
por uma forma influente
de pensar, de crer,
de amar ou de ser...

A melhor forma de combater
o preconceito a outra crença
é se misturar, a não poder,
até não perceber a diferença...
O meio perfeito de terminar,
por completo, a discriminação
é não ter medo de buscar
a pura e simples miscigenação.

Praia do Forte, 30 de dezembro de 2010.

sábado, 2 de abril de 2016

O que quero com você...



Quero sentir o gosto da sua boca, a doçura dos seus lábios, o perfume de seus cabelos....
Quero sentir a força de seus músculos, a profundidade de seu olhar, a firmeza de seus seios...
Quero tudo isso e muito mais...
Quero devorar a sua essência para que descobrir a felicidade.
Quero ouvir o seu gozo pleno e saber o que é o desejo que se torna realidade.


Salvador, 23 de março de 2016

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Dando e Retribuindo




Não penso em retribuir
tudo que você me destina.

Quero apenas ofertar 
o que é a minha sina:
viver o que acredito 
e testemunhar o que ensino.

Cada um entregará 
o que tem para dar!

Só é seu
aquilo que você dá!

Se você me oferece o mal,
eu te ofereço o bem,
afinal cada um oferece 
aquilo que tem.




Salvador, 24 de novembro de 2016