O objetivo deste blog é divulgar toda a minha produção poética, sem prejuízo de continuar a ser postada também no Portal de Poesia Rodolfo Pamplona Filho (www.rodolfopamplonafilho.blogspot.com).
A diferença é que, lá, são publicados também textos alheios, em uma interação e comunhão poética, enquanto, aqui, serão divulgados somente textos poéticos (em prosa ou verso) de minha autoria, facilitando o conhecimento da minha reflexão...
Espero que gostem da iniciativa...

terça-feira, 10 de novembro de 2020

Soneto do Instinto de Caçador




Rodolfo Pamplona Filho


Olhos de Tigre, presa localizada.

Desejo de Leão, cheiro de morte.

Respiração Controlada

como a preparar um bote


Entender como necessidade,

o que pode ser pura vontade...

Loucura e/ou sede quente

na manifestação de sua mente


Fazer do seu próprio ambiente

seu locus de caça consciente

como um terreno a demarcar


Instinto de caçador que não cessa

é essa sua sina e promessa

que vem te mover ou assustar.

Brasília, 15 de outubro de 2011.

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Testando Deus





Rodolfo Pamplona Filho


Há gente que quer Deus provar,

não somente para experimentar,

mas também como um teste

de quem não tem ciência

de que há algo que rege

a sua vida e existência,

em uma espiritual convicção,

que não aceita demonstração,

por não haver jurisdição

que possa propor uma solução.


Se alguém precisa de prova

para ter plena certeza

do que se renova

e não está à mesa,

vai quebrar a cara,

desprazendo a jóia rara

de simplesmente acreditar

que existe força a controlar

o universo e o presente,

independente do que sente.


Falta sincera receptividade

e acolhimento de verdade,

fazendo juízo temerário

de quem se esconde no armário,

pois, consigo, condescendente

mas cruel com qualquer outra gente.

Só crê quem se submete

Só ama quem é pecador

Só sofre quem se mede

Só chora quem sabe o que é dor


Por isso, não ache que pode

explicar racionalmente

a um mundo que explode,

sem saber o que está em sua mente,

o que significa, enfim,

cultuar quem não tem fim,

pelo menos para aqueles

que se encontraram como seres,

decidindo louvar o invisível,

o que, para outros, é impossível.


Na síntese apertada

desta lição meio apressada,

a conclusão a se tomar

é simples como respirar:

viva tranquilamente sua fé e paixão,

sem se preocupar com a razão;

ou recuse, respeitosamente,

aquilo que levam à sua lente...

Aceite os dogmas seus,

mas não queira testar Deus!


Salvador, 24 de outubro de 2011.

domingo, 8 de novembro de 2020

Podar ou Lapidar

 


Rodolfo Pamplona Filho


Podar é direcionar,

cerceando galhos

que não interessam.

Lapidar é desnudar,

descobrindo a essência

que explica a existência.


Podar é amestrar,

incutindo valores

que se toma como essenciais.

Lapidar é educar verdadeiramente,

mostrando as consequências

possíveis de cada opção.


Podar faz a planta

virar obra de arte

do paisagismo de sua estética.

Lapidar transforma

a pepita em diamante,

revelando o que já existia.


Tanto podar, quanto lapidar

mostram o enorme potencial

do objeto que se aperfeiçoa.

Isto, por si só,

não é algo digno de dó,

mas, sim, de louvor...


Mas há uma diferença fundamental

que afeta o resultado final:

Se podar é cultivar

a beleza que se quer,

lapidar é cuidar

do conteúdo que se é.


Salvador, 23 de outubro de 2011.

sábado, 7 de novembro de 2020

Soneto da Mudança

 






Rodolfo Pamplona Filho


O que se compreendia de um jeito

pode ser entendido de outro...

O que parecia um defeito

hoje pode valer ouro.


Não ache que nada muda

pois pode ser tarde mais

quando a onda lenta e surda

trouxer a tona o que estava por trás


A ilusão da estabilidade

é mais uma desculpa

para não assumir a culpa


de não perceber a verdade

de que a única constante devida

é a mudança constante na vida.


Congonhas, na conexão de Salvador para Cuiabá, 28 de outubro de 2011.

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Soneto da Fé na Humanidade

 







Rodolfo Pamplona Filho


Não perca a capacidade

de ser decepcionado,

achando que a humanidade

somente fará tudo errado.


Descubra que é possível, sim,

surgir algo completamente puro

de onde não se esperava, assim,

nada mais do que um coração duro.


Saber as causas ajuda muito

a dimensionar as consequências

e saber quais são as suas crenças,


pois blasfemar contra tudo é

aceitar sua arrogância como doença

ou confessar sua própria falência.


Congonhas, na conexão de Cuiabá para Salvador, 30 de outubro de 2011.

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

Sede de Saber

 





Rodolfo Pamplona Filho


Quanto mais se sabe,

mais se quer saber...

Quanto mais se viver,

mais se quer viver


Aprender é sede macia

que nunca sacia:

fome que não se mata,

fogo que não se apaga.


No dia que você disser, tonto,

que está finalmente pronto

para mais nada aprender,


pode cessar todo desejo

e esquecer o gosto de um beijo,

pois não há mais porque viver.


Congonhas, na conexão de Cuiabá para Salvador, 30 de outubro de 2011.

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

Soneto da Falta de Inspiração




Rodolfo Pamplona Filho


Algumas vezes, tenho vontade,

quase uma visceral necessidade

de colocar no papel ou no teclado

idéias que pululam em meu telhado,


mas, por alguma  inexplicável,

fico completamente instável

e não consigo realmente traduzir

em palavras o que quero exprimir...


talvez seja uma crise temporária

ou mesmo o inicio da decadência,

mas o certo é que toda essência,


independentemente da faixa etária,

precisa exercitar firme a razão

para superar a falta de Inspiração.


Congonhas, na conexão de Cuiabá para Salvador, 30 de outubro de 2011.

terça-feira, 3 de novembro de 2020

Ritmos do Amor

 




Rodolfo Pamplona Filho


Um coração elegante e maduro

parece chorar em silêncio...

como um violino antigo e duro

que se calou em um momento tenso,


mas também pode ser latino,

doendo ruidoso, aos gritos,

ao som de um bolero argentino

ou de um tango de gardel, infinito...


a tristeza pode vir mansinha,

meio bossa nova ou rock and roll...

pode nem saber onde estou


mas vai procurar sua casinha,

batucando para superar toda dor

nos múltiplos ritmos do amor...


Congonhas, na conexão de Cuiabá para Salvador, 30 de outubro de 2011.

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Fato, versão, boato ou Fake News

 





Rodolfo Pamplona Filho


Fato, versão, boato ou Fake News

No mundo contemporâneo,

não dá mais para acreditar

em nada que se lê 

ou mesmo que se vê.

Tudo que se diz 

pode ser um pouco de tudo:

pode ser fato;

pode ser boato;

pode ser apenas uma versão;

ou, da verdade, uma inversão,

no que se chama fake news...


Fato, versão, boato ou Fake News

Fato é o que ocorreu,

mas isso ninguém poderá 

realmente descrever;

Versão é a visão do fato,

que alguém assim entender;

Boato é o que se ouviu,

mas não se viu ou testemunhou;

e Fake News são as teorias 

que se constroem maldosamente 

em torno do que aconteceu supostamente.


Fato, versão, boato ou Fake News?

Não sei.

E é pouco provável que

alguém, de imediato,

possa saber ou diferenciar.


Salvador, 17 de agosto de 2020.

domingo, 1 de novembro de 2020

Vivências e Experiências

 




Rodolfo Pamplona Filho


Viver não deve ser

simplesmente sobreviver 

Viver deve ser 

um constante experimentar 

em que cada dia

traga novas sensações, 

em que a magia 

toque os corações

e que a ousadia 

rompa os grilhões 

de quem tem a mente vazia

apegada aos mesmos padrões.


Experiências 

que ocorreram e 

Oportunidades 

que não se realizaram

são o aprendizado 

que as vivências permitem 

construir um novo futuro.