O objetivo deste blog é divulgar toda a minha produção poética, sem prejuízo de continuar a ser postada também no Portal de Poesia Rodolfo Pamplona Filho (www.rodolfopamplonafilho.blogspot.com).
A diferença é que, lá, são publicados também textos alheios, em uma interação e comunhão poética, enquanto, aqui, serão divulgados somente textos poéticos (em prosa ou verso) de minha autoria, facilitando o conhecimento da minha reflexão...
Espero que gostem da iniciativa...

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Desejar e Querer

 




Rodolfo Pamplona Filho


Deseje o poeta só para si...

Mas deixe-o livre para a humanidade....

Apenas queira que ele seja só seu

no dia em que a obsessão deixar o plano da realidade...

Desejar e querer podem ser exclusivistas

e matar a inspiração que a beleza traz...

Desejar e querer podem ser frustrantes,

quando apenas se quer mais...

Desejar e querer soam terríveis,

no conflito entre o que se tem e o que satisfaz...

Desejar e querer podem brochar qualquer tesão,

quando não se aproveita o que se tem à disposição...


Salvador, 09 de fevereiro de 2011.

terça-feira, 29 de setembro de 2020

Coelhos

 




Rodolfo Pamplona Filho


Todo mundo tem seus coelhos:

alguns são pequenos como pulgas,

outros têm o tamanho de nossos medos

e causam nossas primeiras rugas.


Coelhos maiores que elefantes,

que não é possível esconder...

Coelhos que castram amantes

em momentos de constranger...


Tal qual o ditado com Mateus,

quem pariu o seu, que o balance

e não transfira para outros, os seus

receios de cair em transe...


por não conseguir ser mais leve...

por não perceber que a vida é breve...

por perder a oportunidade única

de trocar a velha túnica


que o limita ao mesmo papel,

não permitindo novas sensações,

na auto-condenação a uma Babel

de reviver velhas frustrações...


Salvador, madrugada de 13 de fevereiro de 2011.

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Sexualidade

 




Rodolfo Pamplona Filho


A energia mais poderosa

de todo o universo

é a prática mais gostosa,

cantada em prosa e verso,


que toda a humanidade

exercita, em público ou escondido,

mas que, quase nunca, na verdade,

consegue ser bem resolvido,


pois comumente confundido

com o mero ato sexual,

transformando algo lindo

em um mero rito carnal.


Descobrir sua sexualidade

é entregar-se ao seu desejo,

sem receio da verdade

e sem apertar o freio...


Agarrar, com vontade,

o destinatário do querer

e aproveitar a oportunidade

de compartilhar o prazer.


E, se o gozo for rápido,

sexo é muito mais que isso,

pois mesmo um membro flácido

pode ser um compromisso


de que o tesão é emocional,

e não somente fisico...

que a sedução é intelectual

e não um mero risco


de aprender que o amor não é um mito

e que a vida é um labirinto,

cujos atalhos eu omito

para buscar o infinito


que é saber usar o meu corpo,

não apenas como um instinto animal,

mas para viver finalmente solto

de qualquer tortura ou prisão mental.



Salvador, 19 de fevereiro de 2011.

domingo, 27 de setembro de 2020

Sentindo Falta

 




Rodolfo Pamplona Filho


A distância aterroriza.

Meu corpo se rende

à insuperável fadiga

do contato sem resposta

e pede, aos poucos,

que durma profundamente

sem pensar no tempo...


Ah, o tempo... este insiste em não parar...

Penso que, por um lado, é bom que corra,

pois haverá a esperança de cessar a sensação...

mas, por outro ângulo, imagino quanto estou a perder...

as prioridades mudam, os desejos também...

com o cair dos grãos da ampulheta

ou a badalada do velho relógio da sala...


A cabeça pára.

Logo, o corpo padece

do viço de viver, da mania de sonhar...

Determinadas coisas não se explicam.

A alma sente, o corpo reage

do jeito mais previsível

e a boca silencia.


Fico com dúvidas sem sentido.

Pairam como fantasmas

que, no fundo, não existem.

Tenho medo, muito medo

de tomar iniciativas

sem perspectiva de volta...


Cobro-me coragem,

mas, no fim, opto em decidir

apenas o estritamente necessário.

Meu amor e dores se misturam

e não sei mais viver sem os dois.

Espero que o destino me encontre.


Salvador, 05 de março de 2011.

sábado, 26 de setembro de 2020

Vergonha de ser Feliz

 




Rodolfo Pamplona Filho


De repente,

finalmente,

você percebe

que já deve

ter conseguido

e produzido

tudo o que quis...


mas, estranhamente,

você só sente

um gosto estranho,

quase tacanho,

de quem não sonha

e tem vergonha

de ser feliz.


Olhando para o chão,

quando deveria estar alegre...

Vivendo em lamentação,

como se ardesse em febre...

Reclamando sem explicação,

sendo impossível ser alegre

quando seu humor está por um triz...


Algum dia, você aprenderá

que o mundo é maior

do que seu medo de brilhar

e que o destino é melhor

que o mau olhado a fulminar

tudo de bom, sem dó,

por não viver o que se diz...

São Paulo, 19 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Hora H

 




Rodolfo Pamplona Filho


O que é realmente brochar?

Pouco importa, é falhar

justamente na hora H,

em que a bola foi levantada,

a oportunidade foi lançada

e a chance foi desperdiçada.


Não há desculpa que baste

ou manto que cubra a vergonha

e a vontade que se mate

aquele que jamais sonha

não conseguir realizar

o desejo de todo macho alpha.


E o unico consolo presente

é se este acidente

(ou falha constante)

ocorrer com alguém especial

para quem você seja mais que um pau,

mesmo sentindo falta do gozo real.


E a sua efetiva esperança

é que seja realmente um fato isolado,

fruto de grilos, coelhos ou elefantes

escondidos em seu armário mental,

em que ninguém consegue penetrar

sem descobrir qual seu verdadeiro mal.

Orlando, 28 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Sonho Lúcido

 






Rodolfo Pamplona Filho


Hoje, tive uma ideia de pura magia

para construir uma poesia.

Dei um salto no escuro.

Tive um sonho lúcido, no duro!


Eu estava acordado

e sonhando, como quem tudo sente...

Eu me vi inebriado,

mas, ao mesmo tempo, consciente.


Pensei em versos colocar

toda essa (con)fusão

de viver o sonho no ar

e sonhar o real na sensação.


Bateu um desespero,

por não me sentir inteiro

para saber direito o que vi,

nem o que realmente senti...


mas é uma sensação única,

como o momento de concepção,

desfazendo-se da túnica

no ato de criação...

quarta-feira, 23 de setembro de 2020

Fake News na Pandemia



 

A Internet

deu voz

a quem não tem

o que dizer

e que acaba

dizendo

o que não consegue esconder:

a sua própria raiva,

ódio e ignorância,

misturados com a insegurança

de simplesmente

antipatizar

quem virou alvo

do seu difamar,

como se seu mal querer

pudesse justificar

ou verdade tornar

o fel que escorre

no íntimo do seu ser.

 

Salvador, 25 de julho de 2020

 

terça-feira, 22 de setembro de 2020

Consulta

 





 

Consultar é uma atitude sofisticada

em uma relação a dois

Por vezes, a ação mais delicada

é dar nome aos bois.

Perguntar e esperar a resposta

é a prova definitiva

de que a opinião alheia Importa

e que o que se vai fazer

não é fruto de um só querer,

mas resultado de um conviver.

 

Salvador, 09 de abril de 2020.

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Esperança na Pandemia

 



 

Ficar bom

Ficar saudável

Na tristeza e na Dor,

busca-se um Salvador

Um sonho

Uma vacina

Uma segurança

Uma lembrança

De quando ainda

acreditava no futuro...

E, mesmo no escuro,

não há como abrir mão:

Só há um único direito

verdadeiramente inalienável

e é o de ter esperança...

 

Salvador, 28 de junho de 2020.