O objetivo deste blog é divulgar toda a minha produção poética, sem prejuízo de continuar a ser postada também no Portal de Poesia Rodolfo Pamplona Filho (www.rodolfopamplonafilho.blogspot.com).
A diferença é que, lá, são publicados também textos alheios, em uma interação e comunhão poética, enquanto, aqui, serão divulgados somente textos poéticos (em prosa ou verso) de minha autoria, facilitando o conhecimento da minha reflexão...
Espero que gostem da iniciativa...

quinta-feira, 24 de novembro de 2022

Apego





Apego é sofrimento

Possuir vira tormento

Debater-se para manter

o que possui (ou pensa deter).

Arrasar-se por não querer

passar sem algo específico ter

Por isso, para ser feliz,

aprenda a dizer não,

das coisas, abrir mão...

e pare de se debater...

descobrindo o prazer

de finalmente

e simplesmente

viver...


Santiago/Chile, 27 de junho de 2012.

quarta-feira, 23 de novembro de 2022

Certezas da Vida

 Rodolfo Pamplona Filho






Na vida, há mais dúvidas

do que certezas...

Não se sabe quanto tempo se vive,

nem o que se terá às mesas...

Uma convicção, porém,

que todos certamente têm

é que impostos pagarão

e, um dia, morrerão...

Eu, porém, tenho a sorte

de mais uma certeza ter:

que nem terminará a morte

o meu amor por você...


Santiago/Chile, 27 de junho de 2012.

terça-feira, 22 de novembro de 2022

Cachorro Vira-Lata

 Rodolfo Pamplona Filho





Sou um cachorro vira-lata,

solto nas ruas,

em busca de comida

e de carinho...

Procurando um refúgio,

onde possa ser amado

e não ter mais subterfúgio

para me sentir abandonado...


Puerto Varas-Chile, 02 de julho de 2012.

segunda-feira, 21 de novembro de 2022

Soneto do Último Romance...






Rodolfo Pamplona Filho



Voce é meu último romance...

Você é, na realidade,

o meu primeiro e único lance,

a quem me entrego de verdade...


Quero amar como se não houvesse

qualquer impedimento ou estrutura,

pois minha alma envelhece,

se não me entrego à doce loucura


de apenas em você pensar...

de nunca me arrepender de tentar

aproveitar cada sensação vivida,


após alguém finalmente encontrar

com quem possa compartilhar

a cama, a palavra e a vida.


Salvador, 09 de junho de 2012.

quinta-feira, 17 de novembro de 2022

Filhas crescem


 Rodolfo Pamplona Filho

O bebê que vi nascer

e carreguei no colo

desabrochou com a primavera

de um tempo que não para...

E se viu menina...

E se viu moça...

E se viu mulher...

E se viu mãe...

Mãe de meu neto...

Retomando o ciclo,

carregando o bastão

e redescobrindo a gênese,

que nunca terminará...



Rio de Janeiro, noite de 20 de setembro de 2013, refletindo sobre o tema e uma musica de John Mayer no Rock in Rio.

quarta-feira, 16 de novembro de 2022

Resposta


 Eu respondo com o silêncio

Dos que foram forçados...

... a calar...

... por ter coragem

Eu respondo com as lágrimas

Das mães da Plaza de Mayo...

... que choraram...

... de verdade

Eu respondo com o sangue

Jorrado e derramado...

... na Praça da Paz...

... onde se fez a guerra

Eu respondo com a dor,

A dor que torturados...

...que morreram por não pensar...

... igual a quem tinha...

O poder...

... para mudar

O poder...

... para fazer sofrer

e matar.


(1991)

Letra e Música: Rodolfo Pamplona Filho

terça-feira, 15 de novembro de 2022

Perdendo a Fé


 Rodolfo Pamplona Filho

Será possível definir o momento

em que se passa a crer em algo?

Se isto for aceitável,

por que não o seria

o instante em que se perde a fé?

A fé como a certeza

no que não se vê...

A fé como a esperança

que não se está só...

A fé como a motivação

para ainda confiar em alguém...


A fé não se explica: sente-se...

como um sopro no calor,

um abraço no temor,

uma luz na escuridão,

uma pausa na aflição...

A fé consola e acalma,

traz paz ao fundo da alma,

transforma a derrota em vitória

e muda o sentido da história.


Em que se perde a fé?

No homem, na lição,

na promessa, na salvação,

no governo, no projeto,

no caminho estreito e reto...

Perde-se fé na igreja

ou na comunidade,

na capacidade benfazeja

de falar a verdade...


Há como não perder a fé,

quando isto soa inevitável?

Há como permanecer de pé,

diante do inominável?

Há como acreditar na graça,

sem esperar um salvador?

Perder a fé é uma desgraça...

E isto é desolador,


pois o que se pode fazer quando

se descobre ter perdido a fé?

Reencontrar a estrada de outrora,

como se tantos passos

já não tivessem sido dados?

Como se tantas experiências

não tivessem diferentes lados?

Como se fosse possível desprezar

toda a vida posterior?

Como se a vontade pudesse apagar

singelamente toda dor?


Perdi a fé,

perdendo a fé...

Salvador, 07 de novembro de 2010.

segunda-feira, 14 de novembro de 2022

Wilderness


 


How many times

have you heard my shy voice

telling feelings that

don’t have meaning in words?


How many times

must I tell you that I miss you

while a storm of tears

keep crumbling from my face


And even if

the sky should fall down

and the ocean

turns to a desert


I won’t

be afraid of passion

‘cause the more you love,

the more you grown


So, do you think it’s over

and time will pass

like summer rain

So, do you think you can let me

with my wilderness

waiting for a call,

wishing you were here again


Letra e Música: Rodolfo Pamplona Filho (1992)

domingo, 13 de novembro de 2022

Saudade de Casa

 



Rodolfo Pamplona Filho


Por vezes, tenho vontade de chorar...

Sei o motivo, mas não consigo controlar

Há um vácuo que preenche o que era completo

Uma carência de beijo, dengo e afeto


Não sei o que é pior: a distância ou a despedida;

O romper do contato no momento da partida

Um olhar para trás, um abraço apertado,

um aceno tristonho, um olhar desolado...


Como uma dor machuca tanto sem ferir?

Como dominar o que posso apenas sentir?

A paz é arrancada desde a raiz

Uma marca viva que não vira cicatriz...


Pense duas vezes antes de reclamar

Dos problemas da vida, da rotina do lar...

Há tristeza que ninguém sabe como se mede

Só se valoriza o que se tem quando se perde


A lágrima vem solta e quente

Quem negar isso apenas mente

mas faz bem, porque, como um rio

leva o fel para um outro lado vazio....


A cada alvorecer, há uma nova esperança...

que surge inocente, como sorriso de criança,

mudando planos e rumos, batendo asa,

tudo por causa da saudade de casa...


Ciudad Real, 09 de setembro de 2008

sábado, 12 de novembro de 2022

Adoção Afetiva

Rodolfo Pamplona Filho



A vida me contemplou

com filhos maravilhosos,

tanto no sangue,

quanto no coração!


Isso se dá, com fé,

pois, definitivamente,

a paternidade não é

uma biologia permanente.


É muito mais do que isso:

é uma eleição de paradigma

de quem assume o compromisso

de não ser um enigma.


Apadrinha-se, torna-se companheiro,

confidente, ombro amigo e parceiro.

Comemora-se junto, chora-se também,

da verdade biológica, vai-se além...


A paternidade por adoção afetiva

honrou-me com um carinho

que nem todos têm na vida...

que não se compreende sozinho...


mas que é a prova mais dura

de que pessoas podem se amar

e se entregar de forma pura,

sem qualquer outro interessar,


como deveria ser, aliás,

em qualquer verdadeira relação

de um afeto que não volta atrás...

de uma escolha consciente de devoção.


Aracaju, 07 de outubro de 2010.