O objetivo deste blog é divulgar toda a minha produção poética, sem prejuízo de continuar a ser postada também no Portal de Poesia Rodolfo Pamplona Filho (www.rodolfopamplonafilho.blogspot.com).
A diferença é que, lá, são publicados também textos alheios, em uma interação e comunhão poética, enquanto, aqui, serão divulgados somente textos poéticos (em prosa ou verso) de minha autoria, facilitando o conhecimento da minha reflexão...
Espero que gostem da iniciativa...

sexta-feira, 31 de maio de 2024

Atalhos Místicos



 


Usar o atalho místico

Para poupar de usar

e poupar

Do esforço

Do caminho pessoal


Entre as tentativas

e a tentação,

essa é particularmente

Atrativa


A ditadura

é mais eficiente

Pelo menos

Para os imaturas


Buscar o controle

ou ser controlado

É mais conveniente

Do que aprender

A ser diferente


 


Salvador, 02 de maio de 2024.


quinta-feira, 30 de maio de 2024

Nunca Mais Outra Vez



 Há atos e vivências,

sensações e experiências,

em que a razão

impõe dizer não,

mas o coração

demanda repetição

 


Quando se vive de verdade,

todos compartilham a realidade

de aproveitar cada momento,

não parando a todo lamento

e finalmente sabendo

o que se quer, mesmo “não querendo”…


A vida vale a pena

para quem não se apequena

e não tem pressa,

pois sempre se interessa

mais em ser amoroso

do que estar certo e rigoroso

 

E é por isso que a gente

precisa tanto da vida presente!

É por isso que todo mundo precisa

de música, paz e brisa,

amizades, filhos e amores,

poesia, jardins e flores.


 


Fortaleza, 17 de maio de 2024.


quarta-feira, 29 de maio de 2024

O Direito Brasileiro das Famílias em versos

 




 


No Brasil, o Direito das Famílias floresce,

em trilhas que o tempo reconhece:

do casamento tradicional ao diverso,

do velho desquite à busca do universo.


De fato, muitos temas são abordados

em um painel multifacetado,

que permite uma visão global da história

em que a luta é sempre emancipatória


No divórcio, uma porta se abriu

e a liberdade afetiva ressurgiu.

No movimento feminista, a dignidade se conquista,

para que a igualdade de gênero realmente exista.


Crianças e idosos, proteção merecida

em uma vida resguardada e querida.

Na homoafetividade, o amor é o leme

e o Direito é a justiça que se preme.


Poliamor, um novo olhar se lança,

pois, na diversidade, o amor se alcança.

Preconceito combatido, barreira a transpor,

na busca por um mundo mais acolhedor.


Nas tramas da vida, um enredo se tece,

união estável, laços que o coração aquece.

Paternidade socioafetiva, amor que transcende,

em empatia, a verdade se estende.


Alienação parental, sombra a repelir,

Violência doméstica, um mal a impedir

Abusos sexuais, traumas terríveis

Assédios morais, feridas sensíveis


Adoção, gesto de amor sem fronteiras,

Laços do coração que quebram barreiras.

Família monoparental, força que ergue,

Amor incondicional daquele que segue.


Direitos do ou da amante, voz que clama,

na sociedade, por uma nova chama.

Guarda de filho, decisão a ponderar,

o bem-estar da criança é o interesse a guiar.



Filiação, vínculo que o tempo desvela,

Laços que o destino eternamente sela.

Parentesco, fio invisível que nos une,

Alimentos, sustento que a vida resume.


Tutela e curatela, cuidado e proteção,

Na tomada de decisão, apoio e direção.

No palco das Famílias, o afeto é o pano de fundo,

E a assistência é a guardiã desse laço profundo.


Em um mundo onde o amor deve ser a lei suprema,

em que a liberdade sexual é uma premissa extrema,

também o direito ao planejamento familiar é uma meta realizada

e a identidade de gênero é valorizada e celebrada.


 Pessoas com deficiência, membros de valor inestimável,

ensinam lições de coragem, tornando o mundo mais amável.

Nas trilhas da vida, famílias migrantes seguem caminhando,

cruzando fronteiras, com culturas se entrelaçando…


No legado digital, uma herança se perpetua,

com memórias virtuais, onde a história flutua.

E, no arremate, até o respeito à última vontade

é prova inequívoca da convivência com alteridade.


Esse é o grande desafio, nesse poema de inclusão,

no respeito a todos e todas, sem qualquer discriminação…

porque, no mosaico da humanidade, cada peça é vital,

pois só na diversidade encontramos a verdadeira felicidade, afinal.


 

Salvador, 26 de abril de 2024.


terça-feira, 28 de maio de 2024

A Elegância Indiscreta das Meninas Paulistanas




Rua Augusta

Alta madrugada

Engarrafamento maior

do que na outra metade do dia

Todos procurando diversão

como se não houvesse opção...

E, no meio do turbilhão,

como um pegajoso refrão,

as meninas paulistanas são

o estribilho da canção...

Moças de formas voluptuosas,

com decotes generosos,

olhares encantadores

e ar sedutor, sem ser vulgar...

Sempre há tempo

para um salão 24 horas

para mais uma dose

para mais um programa...

E sentir o cheiro

de cigarro sem filtro,

de algo para ingerir

ou de um perfume forte

-  nem tão barato assim -

que custa um pedaço de mim...

Rostos jovens e lindos,

em corpos tidos como sarados,

com maquiagem demais

para parecer menos do que são...

Na elegância indiscreta

que Caetano não viu...

Na elegância indiscreta

que Caetano ainda não cantou...


São Paulo, preparando-se para o último dia do Lollapalloza, 31 de março de 2013.

segunda-feira, 27 de maio de 2024

Meu Bem

 










Meu Bem,

não me leve a mal

se eu sair por aí a dizer

que um outro alguém

passa agora a habitar em você,

como se a história

pudesse ter um novo porquê.


Errei

ao imaginar que tudo

poderia ser sempre igual

e que as pessoas não mudam

no caminho, afinal,

já que eu mesmo sei

que muito mudei...


Sinto

que o meu desejo

é maior do que o meu eu

que tudo que deu

certo por certo valeu

mas agora é hora

de cantar outra canção.


Sempre

vou guardar o que vivi

na mente e no peito,

mas o que se quebra

não tem mais jeito:

o mundo segue em frente

com um novo refrão.


Salvador-Recife, 16 de janeiro de 2018.


domingo, 26 de maio de 2024

A Banalização da Morte

 








A TV divulga, a rádio anuncia,

o jornal comunica

o saldo das mortes do final de semana...

o trânsito, o acidente doméstico

ou a costumeira e pontual queima de arquivo...


Normal...


Ouvimos impassíveis,

tomando o café nosso de cada dia,

no meio das notícias políticas

ou da alegria ou tristeza com

o resultado do jogo do nosso time...


Normal...


Não há espaço para indignação,

nem mesmo há tempo para isso...

A informação passa por

nossos olhos e ouvidos

como uma brisa imperceptível...


Normal...


O sangue escorre das imagens,

do som e dos papéis...

mas não se sente nada...

Anestesia coletiva, difusa e impessoal...

A apatia e a indiferença

não fazem acepção de pessoas...


Normal...

Normal?


Salvador, 16 de agosto de 2010, uma segunda-feira sangrenta...


sábado, 25 de maio de 2024

sexta-feira, 24 de maio de 2024

Do Riso ao Pranto

 





Do riso ao pranto,

procuro o meu canto,

onde possa viver,

onde possa chorar,

onde possa ser eu mesmo...

buscando algum lugar aonde eu possa fugir, me sentindo em casa..

buscando algum lugar onde eu possa estar em casa, fugindo do mundo...


Salvador, 05 de outubro de 2010.


quinta-feira, 23 de maio de 2024

Amor de Pai

 



Quando eu soube que você viria,

sensação diferente foi a minha:

alegria de receber alguém que não conhecia,

mas conheceria como ninguém poderia...


As primeiras noites mal-dormidas...

Cólicas, febre e recusa à comida,

fraldas, chupetas e mamadeiras...

Cuidar disso não foi brincadeira...


Confesso que senti ciúme do seio

Pois queria estar naquele meio

Trocar sentimentos sem sequer falar...

Tocar o coração sem mais nada precisar...


Ler histórias para dormir no maior breu...

Colocar nos ombros para ver como cresceu...

Ver um sorriso que ilumina o ambiente

e uma risada que alegra toda a gente


Assistir o mesmo filme cinquenta vezes...

Explicar a mesma coisa por meses...

Cantar a mesma canção para acalmar...

Replay’s de cenas no aprendizado de amar...


Ver aquele pingo de gente crescer

Descobrir novo ser, sem do antigo esquecer...

Encontrar alguém que o conhece desde que nasceu...

E que não aceita mais todo conselho seu...


REFRÃO (2X)

- não faço isso por mal, mas para poupar

sofrer da mesma forma que eu, ao sonhar...

Esqueço filhos também têm direito de tentar

cometer novos erros ou os mesmos, para meu frustrar...


Mas, mesmo assim, quando a saudade aperta,

Ainda que a volta ao lar seja incerta

Quero dizer que os pais nunca ficam sós,

Se for possível ouvir, de longe, a sua voz...


A minha torcida pela sua vitória

A construção conjunta de uma história...

A alegria pela sua felicidade

Amor de pai...

Amor de pai...

Amor de pai não tem idade...


quarta-feira, 22 de maio de 2024

Amigo

 



“Amigo é o pai ou o irmão,

que a gente elege pelo coração;

é alguém para dividir o pão,

o sonho, a lágrima e a canção;

é aquele que abraça com vontade,

sem medo de falar sempre a verdade.

E mesmo que isso não seja lá muito agradável,

também é saber dizer não com um sorriso amável.

É alegrar-se com a vitória e consolar na derrota...

É perguntar como está e aguardar a resposta...

É partilhar a risada, o ombro e o ouvido...

Esse é o sentido da palavra AMIGO.”


 (2001)