O objetivo deste blog é divulgar toda a minha produção poética, sem prejuízo de continuar a ser postada também no Portal de Poesia Rodolfo Pamplona Filho (www.rodolfopamplonafilho.blogspot.com).
A diferença é que, lá, são publicados também textos alheios, em uma interação e comunhão poética, enquanto, aqui, serão divulgados somente textos poéticos (em prosa ou verso) de minha autoria, facilitando o conhecimento da minha reflexão...
Espero que gostem da iniciativa...

domingo, 31 de agosto de 2025

A Fé que Falha





Há Fé que Falha...

Há Fé que costuma falhar...

É a Fé que se apega 

à sua História pessoal,

como se o que se foi 

condicionasse o que quero ser...


Há Fé que Falha...

Há Fé que costuma falhar...

É a Fé no que não se fundamenta,

nem pretende sequer saber,

em vez de ser algo 

pelo qual vale viver e morrer...





Há Fé que Falha...

Há Fé que costuma falhar...

É a Fé que impõe sua verdade 

a quem quer que seja,

ao preço de sua desvalorização,

em vez de ser convite à aceitação.


Há Fé que Falha...

Há Fé que costuma falhar...

É a Fé que se contenta

com a liturgia e a doutrina,

não cuidando da prática e do testemunho

de quem não somente sabe, mas vive...


Salvador, 23 de agosto de 2015

sábado, 30 de agosto de 2025

Ficar na Mão






Esperar intensamente 

 o que não se realiza

 Desejar imensamente 

 o que não se concretiza


Frustrar a expectativa 

 de quem se entrega

 Recusar a tentativa  

 a quem não se nega


Não aproveitar a oportunidade

 surgida repentinamente 

 de quem realmente sente


o clímax da saudade,

 mas que só terá a decepção 

 de ficar abandonado só na mão.


Brasília, aguardando conexão para Vitória, 21 de agosto de 2015.

sexta-feira, 29 de agosto de 2025

A Fé que vai nos sustentar




História não é destino:

 O que, algum dia, eu fui 

 não pode me condicionar 

 ao que quero ser 

 e nem deve me privilegiar!

 Não sou obrigado a repetir erros 

 ou manter os meus acertos!


Saber o que se crê:

 É preciso saber o conteúdo 

 e o objeto da sua confiança !

 Fundamentar em evento específico

 Certificando a sua convicção

 por algo pelo qual vale a pena viver e morrer...

 (Se Jesus não ressuscitou, é vã a sua fé...)





A fé que vai mudar 

 sem impor a mudança:

 Não se pode ter vergonha

 quando se percebe que está no erro!

 Impor sua verdade (a quem quer que seja)

 somente desvaloriza a sua própria crença!

 Crer deve ser um convite à aceitação!


A fé que aprende a descansar 

 na certeza do cuidado divino,

 a despeito de tudo que sinto!

 Por mais que sofra,

- e não se nega o sofrimento -

têm-se sempre a certeza 

 de que Deus cuida de mim...


A fé que sabe que a familiaridade 

 com a indefectível verdade

 não gera salvação!

 Não basta conhecer a liturgia,

 mas, sim, ser transformado!

 O que liberta é a prática e o testemunho 

 de que não somente se sabe, mas se vive...


Salvador, 23 de agosto de 2015, domingo...

quinta-feira, 28 de agosto de 2025

A Angústia como Companheira

 





Ter a angústia como companheira 

 é viver mais das faltas 

 do que das presenças 


Ter a angústia como companheira 

 é acreditar mais na previsão do tempo

 do que no céu lá fora


Ter a angústia como companheira 

 é perder a alegria e a vibração, 

 por causa do que não pode ser mudado 


Ter a angústia como companheira 

 é não experimentar por medo

 do que pode sentir...


Ter a angústia como companheira 

 é querer viver em outro mundo

 em vez de reconstruí-lo pouco a pouco.


Ter a angústia como companheira 

 é não aproveitar o tempo que resta 

 enquanto se espera pelo inevitável fim.


No avião para Brasília, em conexão para Vitória, 21 de agosto de 2015

quarta-feira, 27 de agosto de 2025

Dependência Tecnológica




Não saber o que fazer

quando a conexão cai...

Ter momentos de prazer

com a senha do Wi-Fi

Dividir as pessoas entre quem usa

e quem não acessa certo app...

Eleger como Mestre ou Musa

quem tudo explica step by step...

Sentir-se completamente isolado

se não tiver um celular ao lado,

como se o mundo fosse malquisto.

Usar o WhatsApp compulsivamente

e perder-se em sua própria mente

como se a vida dependesse disto.


No avião Salvador-Recife, 09 de agosto de 2015.


terça-feira, 26 de agosto de 2025

A Agonia da Incerteza




Tranquilidade tem

quem não pensa

e se contenta

em viver o "aqui e agora",

como se o mundo não se importasse

com cada passo,

com cada rumo

ou cada decisão a tomar...

E se importa?

Calma tem

quem não reflete

e se promete

fazer apenas o que for possível,

como se as oportunidades se renovassem

a cada decisão,

a cada nova ação

ou a cada retrocesso...

E não se renovam?

Paz tem

quem não se agonia

com a incerteza fria

de que não se pode controlar o futuro,

como se lutar diferença não fizesse

a cada opressão,

a cada maldade

ou a cada injustiça...

E faz?




Capetown, 11 de setembro de 2015.

segunda-feira, 25 de agosto de 2025

Experimentar Coisas Novas

 





Provar é arriscar o nojo

de ter pimenta demais,

para descobrir um novo

e maravilhoso sabor de sais

Experimentar é se jogar

sem ter ideia do que encontrar,

mas na certeza de que vale a pena

não viver com a alma pequena.

Assim, mergulho com tubarões

pode até mesmo se converter em

observação e alimentação de gaivotas

e tudo estará bem, vivendo emoções,

pois, mesmo com enjoo de viagem,

tentou-se e não se arrepende na volta.



Gansbaai, 14 de setembro de 2015

domingo, 24 de agosto de 2025

Enantiodromia

 



Admitir a atração

pelo outro lado

de si mesmo.

Conseguir a Integração

dos seus próprios polos.

Conhecer-se inteiramente

é um desafio

que poucos enfrentam...

É a busca do que

não se viveu

para completar

o que se é...


Capetown, 11 de setembro de 2015.

sábado, 23 de agosto de 2025

Perícia Criminal

 



 

Na cena quieta, o tempo parou,

pesa onde o grito cessou.

Passos cautelosos, olhar atento,

Chega o perito, dono do momento.

 

Luz se acende sobre o chão manchado,

Cada detalhe será interrogado.

Um fio de cabelo, uma digital,

Fragmentos falam no tribunal.

 

Ele não julga, não prende, não acusa,

Mas é sua lente que a verdade usa.

Com ciência nas mãos, busca o porquê,

Rastros de um ato que ninguém mais vê.

 

Na química fria, no sangue oculto,

Surge a história em cada indulto.

O tempo não mente a quem sabe ler

As marcas que a pressa não quis esconder.

 

De trás das lentes, vê o invisível,

Transforma o caos em algo plausível.

E entre cadáveres, balas, temor,

Surge a justiça, por seu labor.

 

É arte e ciência, razão e paixão,

Um farol que guia a investigação.

Herói sem capa, mas com papel essencial:

a verdade descoberta pelo perito criminal.

 

Fortaleza, 24 de maio de 2025.

sexta-feira, 22 de agosto de 2025

O Controle Disciplinar da Administração Pública

 



 

No coração do Estado, firme e sereno,

Vive o dever de agir com justeza e pleno.

Na máquina pública, imensa e complexa,

Ergue-se a norma, que tudo conecta.

 

Com rédeas de ética e senso de justiça,

O controle vigia, jamais se omissa.

É nele que repousa a confiança do povo,

Para que o servidor seja honesto de novo.

 

Se alguém desvia da trilha traçada,

Com atos que ferem a lei proclamada,

Surge o processo, sereno e correto,

Buscando a verdade com pulso e afeto.

 

Comissões julgam, o direito é zelado,

Defesa garantida, o erro pesado.

Não é vingança, nem força bruta,

Mas a correção de quem foge da luta.

 

Disciplina não é apenas punir,

É também ensinar, fazer refletir.

Para que o serviço público, com honra e clareza,

Seja espelho da lei e da nobreza.

 

Assim se sustenta o pacto social,

Com ética firme e dever moral.

O controle é farol da administração,

Guardião da ordem e da retidão.

 

Fortaleza, 24 de maio de 2025.