O objetivo deste blog é divulgar toda a minha produção poética, sem prejuízo de continuar a ser postada também no Portal de Poesia Rodolfo Pamplona Filho (www.rodolfopamplonafilho.blogspot.com).
A diferença é que, lá, são publicados também textos alheios, em uma interação e comunhão poética, enquanto, aqui, serão divulgados somente textos poéticos (em prosa ou verso) de minha autoria, facilitando o conhecimento da minha reflexão...
Espero que gostem da iniciativa...

sexta-feira, 31 de março de 2017

O Ocaso


Rodolfo Pamplona Filho
Dos dias
Do calor
Das vidas
Do amor
De nada
De tudo
Do nada
Do mundo


Bogotá, 05 de outubro de 2013, em conexão para o Brasil, olhando o entardecer...

quinta-feira, 30 de março de 2017

Quando a paixão acabar



Rodolfo Pamplona Filho
Quando a paixão esfriar
e só o amor ficar,
duas vezes vou pensar
antes de me revoltar
com a comodidade
que vem com a idade
ou com a rotina
de usar a mesma cortina
ou do uso crítico da ironia
para combater a monotonia.

Quando a paixão parar
e só o amor ficar,
despertarei a madrugada,
ainda que para fazer nada,
mas só pelo imenso prazer
de um novo dia conhecer,
mesmo reconhecendo-se sem rumo,
pela falta de aprumo,
com a falsa sensação de liberdade
de uma marionete de verdade.

Quando a paixão terminar
e só o amor ficar,
saberei que o fogo do sexo
não é essencial, nem complexo,
e terei plena certeza
de que a vida vai além da mesa
e que há gozo na obediência,
desprezando a displicência,
cansando da loucura
de procurar sempre uma aventura.

E pensar que...
E sonhar que...
E permitir que...
E decidir que...
E reconhecer que...
E, finalmente, saber que...
que, sim, a desejada paixão
vai me deixar, um dia, na mão...
quando a paixão acabar,
só o amor vai me salvar...

Salvador, 05 de dezembro de 2010.



quarta-feira, 29 de março de 2017

Musicando a Tristeza


Musicando a Tristeza

Rodolfo Pamplona Filho
Musiquemos a sensação...
A tristeza é inspiração...
O que machuca também ensina
e o sofrimento não precisa
ser uma eterna sina...
Somos movidos  a amor
e - porque não dizer? - a dor...
Somos o Som e a Dor...

Brasília, 14 de março de 2013

terça-feira, 28 de março de 2017

O Som e a Dor (O Poema)


O Som e a Dor (O Poema)

Rodolfo Pamplona Filho
Ouço o mar...
E a melodia das ondas
quebrando na praia
renovam uma sensação...
... um sentimento...
de uma ferida que se fechou,
mas que a cicatriz
não se apaga...

Uma dor...
Uma dor de perda...
da mulher que espera
o marido ou o pescador
voltar do trabalho ou do mar,
mas ele não retorna...
do filho que anseia
pelo encontro do pai
que nunca conheceu
e que não o beijará...
da mãe que não dorme
na expectativa da chegada
do rebento que se foi
e que jamais voltará...

Ouço o mar...
E o ritmo do choque
das águas com as pedras
agita o meu coração...
... como um lamento...
de um choro que se calou,
mas cujo som
é impossível esquecer...

Uma dor...
Uma nota quase inaudível
e somente perceptível
pelo ouvido absoluto
de quem já sofreu
e nunca...
nunca deixará de recordar...
O Som
O Mar
A  Dor
O Tom
O Sonhador
O Som e a Dor

O Som e a Dor
descansam
no oceano...

O Som e a Dor...

Aeroporto de Brasília, 10 de março de 2013.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Débito Conjugal


Rodolfo Pamplona Filho

Cansei de pedir
e você não me dar...
Não consigo mais
me humilhar e mendigar
por algo que também
deveria nos trazer prazer,
mas que soa como
um favor feito por você!

Isto não é um capricho
ou mera concupiscência:
é necessidade física como
comer, beber e dormir,
mas há uma diferença abissal
entre vinho e camarão
e refrigerante e feijão...

Sexo não é solução de problemas,
nem paliativo para superar discussões;
não é instrumento para chantagem,
nem mero extravasar de emoções...
É conseqüência natural
de uma relação bem ajustada,
em que proporcionar satisfação
flui livre e da forma desejada.

Você sabe o que quero...
Você sabe o que quero fazer...
Você sabe o que quero para fazer...
E tudo apenas para ser feliz...
Então, por que insiste nesta postura,
que não mais funciona nesta altura
e abre ferida que não cura,
marcando-me com uma cicatriz...

Débito conjugal
Dever especial
Greve sexual
Conflito sem final

Salvador, 22 de agosto de 2010

domingo, 26 de março de 2017

Prece de um Coração Solitário





                                                                                                                   Rodolfo Pamplona Filho

Oh, Deus, Destinatário
do meu louvor,
guarda o meu amor,
que está longe do meu olhar,
mas dentro do meu coração.

Oh, Deus, Senhor
de todo sentimento,
faça que, neste momento,
de saudade infinita,
eu sinta a sua presença
acalentando esta ausência
que gera tanta angústia...

Oh, Deus, Soberano
de toda a vida,
protege o meu amado
por onde quer que esteja
e traga-o de volta em dois passos
para descansar em meu colo
e se entregar aos meus braços.

Amém!

San Francisco, 30 de setembro de 2010.


sábado, 25 de março de 2017

Rima Rica

Rima Rica
Rodolfo Pamplona Filho

Nada é tão belo que se retrate
melhor do que a tessitura de seus seios:
maciez e firmeza de alto quilate,
poucos sabem seus segredos mas... eu sei-os!

O fogo do desejo nasceu ao vê-la,
brilhando como tocha a iluminar o caminho
de quem procura o norte em uma estrela
na esperança imortal de não permanecer sozinho.

Quem se encantou com seus cabelos disserta
sobre a sensação de ir ao céu em um instante;
quem já chorou por você diz: certa
mulher nasceu para viver distante...

Dos seus lábios, quero, ao menos, um selo
que, na falta de mais, já me aquece...
Olhar para seu corpo e não tê-lo
é decretar o fim da nossa espécie.

Somente aquele que, no paraíso, habita
pode compreender o que se passa aqui:
a concupiscência quase infinita
pela oportunidade de você me ouvir...

Vestirei a minha roupa de gala,
se isso puder deixá-la feliz.
Meu nirvana é abraçá-la
E retirar finalmente esta cicatriz

de uma saudade que me martiriza
como um cigarro que me mata enquanto trago...
como um exército que invade a divisa...
como quem percebe o tamanho do estrago...

Chega uma hora em que se quer vergonha na cara
para ter coragem de ter a cabeça ereta
e saber que todo grito, um dia, cala
e todo alvo, algum momento, alguém acerta!

De quem eu seria, se seu não fosse?
A quem dedicaria este sangue espesso
que flui intenso, vermelho e doce
da ferida aberta que agradeço?

Toda tristeza, a vitória espalma
e da lamentação, eu mesmo declino,
ao conseguir preencher a minha alma
com seu amor, que é o mesmo destino.

No vôo para João Pessoa/PB, 18 de julho de 2010.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Saudade

Rodolfo Pamplona Filho


A cada minuto que passa,
convenço-me ainda mais
de que a vida é esparsa
e que esse amor não é fugaz

O convívio a que estamos acostumados
tem se modificado naturalmente:
os abraços não são os mesmos
nem os beijos, naturalmente

As horas penam em passar...
quem teve essa maldita idéia
de o tempo contar?
Com certeza não padeceu de amar.

Definitivamente,
minha vida não é mais normal
desde que você, em minha mente,
surgiu como alguém especial.

Não consigo sequer imaginar
como seria viver sem você...
não posso sequer cogitar
a possibilidade de perder...

Como eu gostaria de ter tido você
antes de tanta coisa acontecer...
Talvez eu fosse alguém diferente
e teria vivido mais contente (e caliente...)

pois você trouxe significado
ao que era apenas rotina...
Como é bom estar apaixonado
por alguém que ninguém imagina

por ser tão diversa de mim
para quem só vê casca e nuvem,
mas que, no íntimo, não há fim
para as semelhanças que nos unem.

Hoje, eu quero me sentir rejeitado...
não quero ser tocado ou beijado...
quero apenas um copo de vinho
que me faça esquecer o passado...

Por que?
porque, me sentir bem hoje, ninguém mais faria...
...só a saudade me mataria...
...só seu abraço me curaria...

Praia do Forte, 17 de outubro de 2010.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Despedida




Na vida, há algumas poucas certezas
e uma delas, sem dúvida,
é o fato da despedida,
em que ou simplesmente partiremos
ou apenas nos despediremos...

E o que dizer neste momento,
em que toda palavra soa insuficiente,
todo consolo é impotente
e toda tentativa de discurso
é menos importante que
o conforto de um abraço?

Não há sensação melhor
na hora da tristeza
do que a segurança da amizade,
o beijo de quem se ama
e o carinho da solidariedade,

pois quem parte não sente...
ou sente menos do que quem fica...
Dor mesmo só cicatriza
com o bálsamo do tempo
no correr da vida...

Salvador, 26 de março de 2011.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Dessintonias


Rodolfo Pamplona Filho 

Dessincronização

Desequilíbrio
Desimpedido
De
Desamor:
Desespero
Desanimador
Diante
Do
Demônio
Devastador
Da
Desesperança
Destruidora
De
Destinos
Desarmados
De
Desarmonia

Praia do Forte, 28 de fevereiro de 2017