O objetivo deste blog é divulgar toda a minha produção poética, sem prejuízo de continuar a ser postada também no Portal de Poesia Rodolfo Pamplona Filho (www.rodolfopamplonafilho.blogspot.com).
A diferença é que, lá, são publicados também textos alheios, em uma interação e comunhão poética, enquanto, aqui, serão divulgados somente textos poéticos (em prosa ou verso) de minha autoria, facilitando o conhecimento da minha reflexão...
Espero que gostem da iniciativa...

terça-feira, 20 de setembro de 2016

O Dedo de Seu Brás



Rodolfo Pamplona Filho 

Quero fazer parte
da sua arte,
nem que seja
de forma inesperada...

Quero ajudar
a te eternizar,
mesmo que seja
de maneira heterodoxa...

Quero ser lembrado,
como nunca antes no passado,
ainda que seja
de um jeito estabanado...

Posso ser o seu amor...
Posso ser o seu amigo...
Posso ser tudo para você,
até mesmo o dedo de Seu Brás...

Manaus, 26 de agosto de 2016.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Lidando com Desequilibrados


Rodolfo Pamplona Filho

Com Maluco, não se discorda,
não se concorda,
não se faz coisa alguma.

Com Maluco, não se encara,
não se para,
não se fala.

Com Maluco, não se compartilha,
não se divide,
não se entrega.

Com Maluco, não se abre,
não se chora,
não se desabafa

Com Maluco, apenas se acompanha,
apenas se preserva,
apenas se observa.

Salvador, 31 de agosto de 2016.

domingo, 18 de setembro de 2016

Sobre Limites


Rodolfo Pamplona Filho

Em épocas distantes,
quando alguém queria
por limites em algo,
não era raro falar
”est modus in rebus”
ou só “modus in rebus”.
Trata-se de um trecho
das Sátiras de Horácio,
que diz:
est modus in rebus,
sunt certi denique fines,
quos ultra citraque
nequit consistere rectum.
Isso quer dizer
que todas as coisas têm limites
e que, para além e aquém deles,
não se pode manter a virtude.
É um resumo da vida...

Sábado, 20 de agosto de 2016,  literalmente no voo para São Paulo.

sábado, 17 de setembro de 2016

Primeiros sintomas do Alemão



Rodolfo Pamplona Filho

De início, foi a mala
Depois, as passagens
Por fim, a porta de casa.
E, de choque em choque,
de topada a topada,
o que me orgulhava
torna-se objeto de preocupação
para depois virar esquecimento...

A memória
vira lembrança
para se converter em vazio...
O mundo adulto
retorna à fase de criança,
em não havia nostalgia,
por não haver passado...

O medo do futuro desaparece,
por viver em eterno presente,
em que não há mais arrependimento...
E o mundo gira
para nunca mais
voltar ao ponto de partida.

Salvador, 22 de agosto de 2016.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Ferida Narcísica


Rodolfo Pamplona Filho 

Há quem eleja seus valores
como a pedra de toque do universo,
que não consegue respeitar
quem simplesmente
tenha outro prisma para olhar...

Há quem enalteça seu conhecimento
a um patamar tão elevado,
que qualquer questionamento
é encarado como uma ofensa
a ensejar total rompimento.

Há quem admire sua beleza
com tamanha intensidade,
que a imagem que não é espelho
não pode ser objeto de contemplação,
quanto mais de deslumbramento.

Há quem idolatre suas virtudes
de uma forma tão direcionada,
que a auto-estima vira vaidade,
que o saber converte-se em arrogância
e a experiência, fanatismo.

Quarta-feira, 17 de agosto de 2016,  literalmente no voo para Vitoria/ES.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Não te prometo nada


Rodolfo Pamplona Filho

Não te prometo nada
Rodolfo Pamplona Filho
Não te prometo onde morar...
nem tão pouco como não surtar
quando a vontade de estar junto
fortemente apertar...

Não te prometo como agir...
nem tão pouco como não sorrir
quando a vida nos cruzar
e nossos olhos entrelaçar

Não te prometo vida confortável
nem tão pouco rotina estável
quando os sonhos insistirem em minar
toda forma padrão de amar

Não te prometo um anel de brilhantes
nem tão pouco que não aja com rompantes
quando quiser materializar
o que este sentimento tem a falar

E, sabe por que eu não te prometo nada?
porque você sempre me deu
a certeza de todo seu amor
também....

Salvador, 25 de outubro de 2010.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

O Dia



Rodolfo Pamplona Filho

É hoje o dia!
E o sangue dá nova pulsada
como um atleta de corrida...
Será que, antes da chegada,
já será despedida?

É hoje o dia!
E a ansiedade
toma todo o corpo,
como se a vontade
aproximasse o porto...

É hoje o dia!
Mas que desespero!
A cada minuto de espera,
tenho um pesadelo
de que serei esquecido na terra...

É hoje o dia!
Tenho a esperança
de que tudo vai dar certo
toda vez que vem a lembrança
de que o momento está perto!

É hoje o dia!
Recebi a confirmação
de que não houve desistência,
o que faz meu coração
renovar sua resistência!

É hoje o dia!
É agora a hora!
Por isso, sem demora,
farei o que sempre quis:
apenas ser feliz.

Salvador, 26 de agosto de 2011.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Superando as Amarras Distorcidas da Religiosidade



Rodolfo Pamplona Filho 

O que é falar com autoridade?​
Não se trata de se comportar ​
de acordo com o padrão,​
mas, sim, viver o que se prega​
e ensinar o que se pratica. 
O que é agir com benignidade?​
Não se trata de achar ​
que existe um espaço santo,​
mas, sim, saber que a maldade ​
está em todo e qualquer ser. 
O que é viver com integridade?​
Não se trata de falar ​
as mesmas palavras do passado,​
mas, sim, realizar um presente ​
e esperar um futuro com ética. 
O que é a verdadeira religiosidade?​
Não se trata de seguir​
cegamente o que homens dizem ser certo,​
mas, sim, encontrar a liberdade ​
de servir a quem está perto,​
de não temer o caminho reto,​
de manter o coração aberto. 

Salvador, 14 de agosto de 2016. 


segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Sobrevivendo à Contemporaneidade


Rodolfo Pamplona Filho

Para sobreviver,​
é preciso negar a inteligência,​
já que tentar debater​
é o primeiro passo​
para ser odiado.

Para sobreviver,​
é preciso rejeitar a sensibilidade,​
pois exercitar a alteridade​
é demonstrar fraqueza​
para quem te vê como inimigo.

Para sobreviver,​
é preciso limitar a solidariedade,​
somente ao ato de estender a mão,​
já que a empatia é o máximo a se fazer,​
quando não se é convidado.

Para sobreviver,​
é preciso evitar o carinho,​
apenas por que ficar sozinho​
talvez seja o natural caminho​
de quem não aceita o diferente.

Para sobreviver,​
é preciso rejeitar a beleza,​
buscando somente o objetivo​
de realizar cada ação,​
já que o subjetivo causa estranheza.

Para sobreviver,​
é preciso rejeitar o amor,​
pois não se acredita mais em pureza,​
não havendo sequer natureza,​
onde o ódio é o único senhor.

Salvador, 22 de agosto de 2016.

domingo, 11 de setembro de 2016

O segredo



Rodolfo Pamplona Filho

O segredo da felicidade é
não esperar nada da vida.


Salvador, 10 de outubro de 2013, entristecido com a própria vida...