O objetivo deste blog é divulgar toda a minha produção poética, sem prejuízo de continuar a ser postada também no Portal de Poesia Rodolfo Pamplona Filho (www.rodolfopamplonafilho.blogspot.com).
A diferença é que, lá, são publicados também textos alheios, em uma interação e comunhão poética, enquanto, aqui, serão divulgados somente textos poéticos (em prosa ou verso) de minha autoria, facilitando o conhecimento da minha reflexão...
Espero que gostem da iniciativa...

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Grosseira, injusta e ingrata



Nada mais dói
do que sentir
um grosseria,
uma injustiça
ou uma ingratidão

Grosseria por agir rispidamente
com quem só oferece amor
Injustiça por distorcer totalmente
os atos e fatos de quem lidou
Ingrata por não reconhecer
tudo que lhe proporcionou

Se isso ocorrer com você, fuja!
Não há ambiente pior
do que ter de conviver
com gente chata
que só sabe ser
grosseira, injusta e ingrata

Salvador, 02 de fevereiro de 2020.



domingo, 9 de agosto de 2020

Amor de Pai





Quando eu soube que você viria,
sensação diferente foi a minha:
alegria de receber alguém que não conhecia,
mas conheceria como ninguém poderia...

As primeiras noites mal-dormidas...
Cólicas, febre e recusa à comida,
fraldas, chupetas e mamadeiras...
Cuidar disso não foi brincadeira...

Confesso que senti ciúme do seio
Pois queria estar naquele meio
Trocar sentimentos sem sequer falar...
Tocar o coração sem mais nada precisar...

Ler histórias para dormir no maior breu...
Colocar nos ombros para ver como cresceu...
Ver um sorriso que ilumina o ambiente
e uma risada que alegra toda a gente

Assistir o mesmo filme cinquenta vezes...
Explicar a mesma coisa por meses...
Cantar a mesma canção para acalmar...
Replay’s de cenas no aprendizado de amar...

Ver aquele pingo de gente crescer
Descobrir novo ser, sem do antigo esquecer...
Encontrar alguém que o conhece desde que nasceu...
E que não aceita mais todo conselho seu...

REFRÃO (2X)
- não faço isso por mal, mas para poupar
sofrer da mesma forma que eu, ao sonhar...
Esqueço filhos também têm direito de tentar
cometer novos erros ou os mesmos, para meu frustrar...

Mas, mesmo assim, quando a saudade aperta,
Ainda que a volta ao lar seja incerta
Quero dizer que os pais nunca ficam sós,
Se for possível ouvir, de longe, a sua voz...

A minha torcida pela sua vitória
A construção conjunta de uma história...
A alegria pela sua felicidade
Amor de pai...
Amor de pai...
Amor de pai não tem idade...

sábado, 8 de agosto de 2020

Filhos Crescem







Filhos crescem
e desaparecem
da casa onde nasceram
e deram os primeiros passos

Filhos crescem
e permanecem
como botões que floresceram
para quem ataram laços

Filhos crescem
e esquecem
como foram importantes
para seus pais

Filhos crescem
e aquecem
as memórias de um tempo
que não volta mais

Filhos crescem
e remanescem
crianças no coração
de quem os concebeu

Filhos crescem
e amadurecem
assumindo o bastão
de cuidar de quem é seu.

Salvador, 02 de agosto de 2020.


sexta-feira, 7 de agosto de 2020

O Novo Normal e a Pandemia






A Pandemia
destruiu
o que se entendia
e reconstruiu
o que se avizinha
como “normal”.
Seja no meio social
ou em qualquer ambiente,
a gente sente
que não se sabe mais
se o que ficou para trás
algum dia voltará
ou, de fato, como será
o que um dia
foi ou ia
ser a realidade
da sociedade.
Comunicações virtuais,
isolamentos presenciais,
audiências on line,
aulas em live,
banhos em álcool gel,
processos sem papel...
Tudo realmente mudou...
Só não muda a dor
de se sentir oprimido
ou profundamente atingido
pela exclusão digital
ou desigualdade abissal
de um mundo cruel
como um quadro sem pincel,
na construção do “novo normal”,
em que não existe bem ou mal,
pois não há passo forte ou brando
já que o caminho se faz caminhando...

Salvador, 02 de agosto de 2020.


quinta-feira, 6 de agosto de 2020

O Vinho na Pandemia






O vinho tem sido
meu companheiro na pandemia
Com ele, tenho vivido
a tristeza e a alegria
de entorpecer os sentidos,
de fechar meus ouvidos,
de esquecer o sofrimento
e de superar o meu tormento.

Salvador, 11 de julho de 2020.

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Arrogância na Pandemia






“Sabe com quem
você está falando?
Não entende bem
quem está no comando?”

Arrogância
Espírito mau
Petulância
Cara de pau
Dizer: não fiz nada!
Tripudiar
Dar carteirada
Humilhar
Ter a habilidade
de incomodar
autoridades
para livrar
a própria cara
e mandar colocar
no seu devido lugar
quem está
apenas a cumprir
o seu dever
de servir...

E toda essa empáfia
de desfazer do trabalho alheio:
Jogando as multas na cara
de quem mexeu no vespeiro
é somente para arrotar
a sua condição especial
de cidadão exemplar
que defende o social
e que, por isso, é vítima,
e não agressor...
em uma farsa ilegítima,
um verdadeiro complô,
envolvido em um esquema
decorrente do sistema
do que se joga no ventilador...

Salvador, 19 de julho de 2020.

terça-feira, 4 de agosto de 2020

Vinhos na Pandemia




Na pandemia,
abusa-se um pouco
de um tudo:
seja da paciência,
do álcool
ou da decência...
Mas não há
como negar
o imenso prazer
de aprender a sorver
o vinho que simboliza
o sangue de Cristo
ou a essência da vida!
Um cálice
sempre é bom
para perder o juízo
e recuperar o prejuízo
de ficar isolado
sem perspectivas:
parado!
Provar até morrer
Ou começar a viver
para ter o prazer
de finalmente conhecer
vinhos de todo tipo,
brancos ou tintos,
com espaço para o rosé
para tudo embevecer.
Seja caro ou barato,
simples ou sofisticado,
o vinho é a melhor herança
que se deixa de lembrança
para quando a estrada acabar
ou não houver mais rolhas a guardar.
E, de tanto viver,
e também de beber,
ao final do traçado,
não desejo ser enterrado
ou sequer cremado:
na minha atual condição,
sem qualquer hesitação,
meu destino traçado
é ser engarrafado!

Salvador, 28 de junho de 2020.

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Trabalho na Pandemia


       



           
“Nada do que foi será
de novo do jeito
que já foi um dia”
E o trabalho mudou
para ficar a mesma coisa!
Tempos tristes
da Adaptação
para os limites
da exploração
Home office,
Banco de horas...
Do salário: redução
Do contrato: suspensão
Uso e abuso
do Computador
Nos braços
e olhos, só dor.
Músculos levados
à Exaustão
Nervos expostos
à pura tensão
No Remédio
Final
Da Solução
Pelo mal
da Aceitação
social
Do Assédio
Moral

Salvador, 28 de junho de 2020.

domingo, 2 de agosto de 2020

sábado, 1 de agosto de 2020

Solidão na Pandemia




Será que, algum dia,
voltarei a ver
e a tocar
quem me fazia companhia
em um mundo a edificar?

Será que o futuro
me reservará
a oportunidade de rever
e também de abraçar
quem nunca deixei de amar?

Será que a Pandemia
me condenou
a viver solitário
no confinamento voluntário
para não mais me libertar?

Salvador, 28 de junho de 2020.