O objetivo deste blog é divulgar toda a minha produção poética, sem prejuízo de continuar a ser postada também no Portal de Poesia Rodolfo Pamplona Filho (www.rodolfopamplonafilho.blogspot.com).
A diferença é que, lá, são publicados também textos alheios, em uma interação e comunhão poética, enquanto, aqui, serão divulgados somente textos poéticos (em prosa ou verso) de minha autoria, facilitando o conhecimento da minha reflexão...
Espero que gostem da iniciativa...

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Over


Over

Rodolfo Pamplona Filho
Sou dramático
como uma opera italiana,
uma peça de Shakespeare
ou um filme de Almodovar.

Sou fatalista
como uma profecia apocalíptica,
um apóstolo comunista
ou uma propaganda política.

Sou exagerado
como Cazuza jogado ao seu pé,
completamente derramado,
para beijá-lo com fé...

Sou extremo
como quem vive ou morre por alguém,
como quem leva tudo na ponta da faca
ou se atira aos leões na praça.

Sou over...
overpower...
overdose...
overman....
Over...

Praia do Forte, 17 de outubro de 2010.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Saudade


Saudade

Rodolfo Pamplona Filho

A cada minuto que passa,
convenço-me ainda mais
de que a vida é esparsa
e que esse amor não é fugaz

O convívio a que estamos acostumados
tem se modificado naturalmente:
os abraços não são os mesmos
nem os beijos, naturalmente

As horas penam em passar...
quem teve essa maldita idéia
de o tempo contar?
Com certeza não padeceu de amar.

Definitivamente,
minha vida não é mais normal
desde que você, em minha mente,
surgiu como alguém especial.

Não consigo sequer imaginar
como seria viver sem você...
não posso sequer cogitar
a possibilidade de perder...

Como eu gostaria de ter tido você
antes de tanta coisa acontecer...
Talvez eu fosse alguém diferente
e teria vivido mais contente (e caliente...)

pois você trouxe significado
ao que era apenas rotina...
Como é bom estar apaixonado
por alguém que ninguém imagina

por ser tão diversa de mim
para quem só vê casca e nuvem,
mas que, no íntimo, não há fim
para as semelhanças que nos unem.

Hoje, eu quero me sentir rejeitado...
não quero ser tocado ou beijado...
quero apenas um copo de vinho
que me faça esquecer o passado...

Por que?
porque, me sentir bem hoje, ninguém mais faria...
...só a saudade me mataria...
...só seu abraço me curaria...
Praia do Forte, 17 de outubro de 2010.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Voando pelo Mundo


Voando pelo Mundo

Rodolfo Pamplona Filho
Voe
Voe sempre
Mas volte!
Conheça
Conheça todos os lugares do mundo
Mas volte!
Aprenda
Aprenda tudo que se pode ensinar
Mas volte!
Divirta-se!
Divirta-se de todas as formas possíveis!
Mas volte!

Mas volte para casa!
Sua casa é o mundo
Sua casa é o meu coração
Eu sei...

“If you love somebody, set them free...”
“Voe por todo mar e volte aqui por meu peito”...
São Paulo, 08 de outubro de 2010.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Como não se apaixonar?


Como não se apaixonar?

Rodolfo Pamplona Filho

Normalmente, o que escrevo
ninguém entende ou presta atenção:
você lê, interage e complementa.

Normalmente, o que faço
é considerado como uma loucura:
você gosta e incentiva.

Normalmente, o que poetizo
é visto como um arroubo ou piada:
você diz que eu sou a própria poesia.

Normalmente, o que sinto
é tido como insegurança ou carência:
você acha que sou forte e acolhedor.

Normalmente, o que protejo
é entendido como excesso de zelo:
você se sente calma e segura.

Normalmente, o que choro
é interpretado como frescura:
você adora minha sensibilidade.

Normalmente, o que desejo
é reprimido como concupiscência:
você goza e considera natural.

Normalmente, o que respeito
é afirmado como uma fraqueza masculina:
você vê como o cumprimento de uma promessa.

Normalmente, o que admiro
é rejeitado como um sonho pueril:
você toma como um projeto de vida.

Normalmente, o que amo
não é aceito pelo meio que vivo:
você é tudo que sempre quis...
Praia do Forte, 12 de outubro de 2010.

domingo, 4 de novembro de 2012

Saudade Persistente


Saudade Persistente

Rodolfo Pamplona Filho
Hoje, meu dia amanheceu nublado
sem longos abraços,
sem afagos demorados
ou beijos apaixonados...

A reflexão tomou conta de mim
e o SE tornou-se algo tão presente
durante um dia que parece sem fim,
que, a todos, me fiz ausente... 

não ouço me chamarem
não sinto me tocarem
pois meu pensamento está no ar
em algum lugar perto do mar

Tranco-me no banheiro
e, ao me olhar no espelho,
enxergo que a imagem refletida
não condiz com minha essência de vida

Tento, por essas oportunidades raras,
imaginar o soltar das amarras
e permitir que o sorriso
tome conta do meu viço

mas uma batidinha na porta,
pequenina e acelerada,
me traz de volta
à realidade planejada

É a saudade persistente,
- diria mais! -: viciante,
que me faz sobrevivente
por amá-lo a cada instante.
Salvador, 12 de outubro de 2010.

sábado, 3 de novembro de 2012

Travesseiro


Travesseiro

Rodolfo Pamplona Filho
Deitada, de fato, estou
nua, no quarto, onde fizemos amor,
abraçada com o travesseiro
que guarda o seu cheiro...

Eu queria que você
fosse este travesseiro...
mas o cheiro
do travesseiro
passará com o tempo...
O seu cheiro será sempre meu
O meu cheiro será sempre seu

Como é ruim
ficar na nossa cama
sem a pessoa que se ama...
Como é ruim
ficar na nossa cama
sem você...

Meu consolo é o travesseiro...
Salvador, 08 de outubro de 2010.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Despedida


Despedida

Rodolfo Pamplona Filho
Na vida, há algumas poucas certezas
e uma delas, sem dúvida,
é o fato da despedida,
em que ou simplesmente partiremos
ou apenas nos despediremos...

E o que dizer neste momento,
em que toda palavra soa insuficiente,
todo consolo é impotente
e toda tentativa de discurso
é menos importante que
o conforto de um abraço?

Não há sensação melhor
na hora da tristeza
do que a segurança da amizade,
o beijo de quem se ama
e o carinho da solidariedade,

pois quem parte não sente...
ou sente menos do que quem fica...
Dor mesmo só cicatriza
com o bálsamo do tempo
no correr da vida...

Salvador, 26 de março de 2011.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Poema Maior



Poema Maior

Rodolfo Pamplona Filho
Onde encontrarei
o nosso Poema Maior?
Nosso Poema Maior reside no coração:
parceria, intimidade e cumplicidade!
Nosso Poema Maior
não precisa ser escrito para existir...
Ele não precisa de tinta e papel...
Nossas mãos tocam mais do que papel:
tocam corações, mentes e almas...
e esse desejo de estar junto
está fadado ao universo,
que conspira e inspira
toda nossa capacidade
de se entregar...
Nosso poema toca esperanças;
toca sonhos; toca lábios;
trocam-se sensações
que nunca antes foram sentidas...

Separados pela vida
e reunidos pelo destino,
seremos um casal
casado em espírito,
mesmo que em casas separadas...
casados no coração,
ainda que dormindo com outros amores...
casados no amor real e puro,
no qual jamais haverá divórcio...

Nunca me entreguei a alguém
como me entrego a você:
meu macho alfa, meu oásis no deserto,
minha enzima, minha fonte de vida,
o alface da minha salada...
A quem mais eu poderia
chamar assim
com tamanho amor?

Nunca fui amada
como sou com você...
e repito mil vezes:
eu te amo como
ninguém jamais te amou,
em todos e vários sentidos,
em todos os versos,
em todas as metáforas
de nosso Poema Maior.
São Paulo, 07 de outubro de 2010.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Nudez


Nudez

Rodolfo Pamplona Filho
Sabe o que descobri?
Você é o único que
consegue me enxergar...
O amor verdadeiro remove as
membranas que fecham os olhos
e apenas você...
consegue me ver nua...
e que nada mais pode me quebrar...

E me viu nua...
sem tirar uma peça sequer de roupa...
E me viu nua...
sem expor parte alguma de meu corpo...
E me viu nua...
no dia em que olhou em meus olhos...
e viu além de qualquer casca...
E me viu nua...
no dia em que conheceu minha alma
e soube exatamente quem eu era...
e permiti tão íntima ligação
por não carecer de resistência...
por não precisar mais me esconder...
por acreditar em nós...

E eu descubro em você
o que pensei
somente existir em sonhos...
mas sonhos somente são possíveis
se estamos vivos...
sonhos somente existem
se há vida e desejo...
sonhos somente se realizam
na nudez da alma...

São Paulo, 07 de outubro de 2010.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Sozinho na Multidão


Sozinho na Multidão

Rodolfo Pamplona Filho
A pior solidão é
ficar sozinho na multidão,
esperando em pé
um pouco de atenção
de quem compartilha a fé
ou a promessa do coração.

Não sei se é trágico
ou simplesmente irônico,
mas é quase mágico,
diria icônico,
quando sua presença é reclamada,
mas, na verdade, ignorada...

Um dia, eu gritarei
e ouça quem quiser.
Direi tudo que sei
sobre a tristeza que vier:
não há dor maior ou lama
que ser ignorado por quem se ama.

Salvador, 06 de outubro de 2010.