Nos cofres da nuvem, em byte e protocolo,
Armazena-se a vida em código e memória;
Metadados narram, em silêncio e sem dolo,
Fragmentos de afeto em cifra transitória.
Perfis persistentes, sob gestão contratual,
Entre termos de uso e cláusula restritiva,
Guardam traços do eu em domínio virtual,
Na arquitetura lógica de herança ativa.
Há chaves privadas, senhas, autenticação,
Criptografia assimétrica em cofre selado;
Sem o devido acesso ou legitimação,
O acervo digital resta inacessado.
Testamento eletrônico, diretiva antecipada,
Define a sucessão de ativos intangíveis;
Entre direito e ética, a fronteira é traçada
Por regimes jurídicos ainda sensíveis.
E assim, na interface entre morte e sistema,
Subsiste a presença em dado estruturado;
Na persistência algorítmica de um teorema,
O legado humano segue virtualizado.
Salvador, 04 de maio de 2026.

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